Texto 6
O roubo do pato
Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Foi
averiguar e constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se
vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:
Oh, bucéfalo anácrono!... Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo
ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à
socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada
prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica, bem no alto da tua
sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei á quinquagésima potência que o vulgo denomina
nada.
E o ladrão, confuso, diz:
Dotô, eu levo ou dêxo os pato?
Disponível em: https://www.tirodeletra.com.br/piadas/Oroubodopato.htm.