Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4443531 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
No desenvolvimento do texto, o autor desmente completamente a afirmação inicial de que "A leitura está na moda" no Brasil ao confrontar as divulgações desse gosto em ascensão no meio digital e os dados de uma realidade nacional de pouco ou nenhum acesso à leitura.
Alternativas
Q4443529 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
Os dados oficiais do Ministério da Cultura citados no texto mostram um número de eventos literários — feiras, bienais e festas do livro — superior a 500, dado promissor que evidencia o alcance amplo de eventos de promoção da leitura na maior parte dos municípios brasileiros. 
Alternativas
Q4443528 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
De acordo com o texto, a maior parte das escolas públicas brasileiras carece de bibliotecas ou salas de leitura, locais onde os estudantes teriam mais acesso a livros.
Alternativas
Q4443526 Português
A leitura está na moda. É o que afirmam reportagens recentes sobre o tema. A Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, reúne milhares de pessoas que veem de perto uma seleção bem impressionante de autores estrangeiros e nacionais compartilhando suas obras, ideias e processos de criação. Em 2025, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro recebeu, em dez dias, mais de 740 mil visitantes. Marcas de luxo internacionais têm lançado clubes de livro, como se o livro tivesse virado o novo acessório de desejo. Sem dúvida, números e iniciativas animadores. 

    Por outro lado, muito se fala sobre o dado alarmante da última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que, pela primeira vez em sua série histórica, identificou uma maioria de pessoas não leitoras no país. Mas como isso é possível? Se eventos literários estão lotados, pesquisas mostram aumento de venda de livros e diversas pessoas postam suas leituras nas redes sociais, como vivemos em um país em que a média de livros inteiros lidos ao ano não passa de dois? 

    Quando saímos de uma festa como a FLIP, por exemplo, e analisamos a realidade da leitura no país, os dados deixam claro que a sensação de que todo mundo está lendo não passa de um recorte bem delimitado do cenário ao nosso redor. 

    O Mapa dos Eventos Literários, lançado neste ano pelo Ministério da Cultura, reúne cerca de 500 eventos cadastrados, entre feiras, festas, bienais, saraus. Parece muito, até lembrar que o Brasil tem 5.570 municípios. Mesmo que cada evento acontecesse em uma cidade diferente, estaríamos falando de menos de uma cidade em cada dez. Segundo o IBGE, mais de 600 municípios não têm sequer uma biblioteca pública. E mais da metade das escolas públicas brasileiras, dezenas de milhares, não possui biblioteca ou sala de leitura, ou seja, para a maior parte do país, a leitura não está na moda. Ela sequer é uma realidade. 

Pedro Pacífico. Brasil, um país leitor? Internet: <https://oglobo.globo.com> (com adaptações).



Julgue o item subsecutivo, que diz respeito às ideias expressas no texto precedente bem como a aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa.
Infere-se da leitura global do texto que os levantamentos estatísticos oficiais, como Retratos da leitura no Brasil, excluem as leituras realizadas em suportes digitais ou redes sociais, que não abrangem livros impressos. 
Alternativas
Q4443525 Português

Em relação à charge de Jean Galvão, publicada em maio de 2024, por ocasião da divulgação de dados levantados pelo IBGE, julgue o item que se segue. 
A leitura de charges é indicada na BNCC como atividade de letramento a partir do 6.º ano do ensino fundamental e seu objetivo não se restringe ao entretenimento, estendendo-se ao desenvolvimento do senso crítico do leitor, como demonstra a charge apresentada. 
Alternativas
Q4443524 Português

Em relação à charge de Jean Galvão, publicada em maio de 2024, por ocasião da divulgação de dados levantados pelo IBGE, julgue o item que se segue. 
O primeiro quadrinho mostra que a família de retirantes desconhece os signos gráficos utilizados na linguagem escrita, por isso não consegue atribuir um significado ao aviso. 
Alternativas
Q4443523 Português

Em relação à charge de Jean Galvão, publicada em maio de 2024, por ocasião da divulgação de dados levantados pelo IBGE, julgue o item que se segue. 
A compreensão da mensagem global dessa charge é alcançada pela leitura sequencial da placa nos dois quadrinhos, observando-se uma mudança de perspectiva: o primeiro quadrinho representa a percepção dos personagens, enquanto o segundo, a do leitor da charge. Sendo assim, os elementos textuais não verbais ocupam uma posição secundária, por não contribuírem de maneira significativa para a apreensão do sentido da charge.
Alternativas
Q4443522 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
No trecho "pobre estudante de primeiras letras que era", o narrador associa a limitação de seu vocabulário à sua condição socioeconômica desfavorável.  
Alternativas
Q4443521 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
Identifica-se ironia na referência do narrador aos meninos vadios de seu bairro como a "fina flor do bairro e do gênero humano".
Alternativas
Q4443520 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
Entende-se da leitura do texto que o narrador tinha por hábito desenhar caricaturas ao término da lição de escrita, ocupação, segundo ele, "sem nobreza nem espiritualidade", embora ingênua. 
Alternativas
Q4443519 Português
    Começou a aula de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia, foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava - lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e voltar para o meu lugar. 

    Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora, e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

Machado de Assis. Conto de escola. In: Alfredo Bosi et.al. Machado de Assis.
Coleção Escritores Brasileiros. São Paulo, Ática, 1982. p. 192. 



Considerando o texto apresentado e aspectos da BNCC para o componente curricular de língua portuguesa, julgue o item a seguir. 
O narrador do texto é um dos alunos presentes em sala de aula e, em sua caracterização, contida pelos escrúpulos da modéstia, ele se descreve como menino de pouca inteligência, mas com muito vigor físico.
Alternativas
Q4443513 Português
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
No primeiro parágrafo, o autor do texto estabelece um vínculo lógico entre a norma culta da língua, a escolarização e o consequente prestígio social obtido por quem domina a escrita institucional. 
Alternativas
Q4443512 Português
    A escrita (enquanto manifestação formal do letramento), em sua faceta institucional, é adquirida em contextos formais: na escola. Daí também seu caráter mais prestigioso como bem cultural desejável. Daí também o fato de uma certa identificação entre alfabetização e escolarização, o que não passa de um equívoco, pois houve situações históricas, tal como o caso da Suécia, em que a alfabetização se deu desvinculada da escolarização. 

    Quanto à presença da escrita, pode-se dizer que, mesmo criada pelo engenho humano tardiamente em relação ao surgimento da oralidade, ela permeia hoje quase todas as práticas sociais dos povos em que penetrou. Até mesmo os analfabetos, em sociedades com escrita, estão sob a influência do que contemporaneamente se convencionou chamar de práticas de letramento, isto é, um tipo de processo histórico e social que não se confunde com a realidade representada pela alfabetização regular e institucional lembrada há pouco. Deve-se ter imenso cuidado diante da tendência à escolarização do letramento, mal crônico decorrente da suposição de que só existe um letramento. O letramento não é o equivalente à aquisição da escrita. Existem "letramentos sociais" que surgem e se desenvolvem à margem da escola. 

    A escrita é usada em contextos sociais básicos da vida cotidiana, em paralelo direto com a oralidade. Esses contextos são, entre outros: o trabalho, a escola, o dia a dia, a vida burocrática. 

    Em cada um desses contextos, as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir, fazendo surgir gêneros textuais e formas comunicativas, bem como terminologias e expressões típicas. Seria interessante que a escola soubesse algo mais sobre essa questão para enfrentar sua tarefa com maior preparo e maleabilidade, servindo até mesmo de orientação na seleção de textos e definição de níveis de linguagem a trabalhar. 

Luiz Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita: atividades de retextualização.
10.ª ed. São Paulo: Cortez, 2010, p. 19 (com adaptações).



A partir do texto apresentado, julgue o item subsequente. 
A expressão "essa questão" (último período do último parágrafo) retoma a ideia anterior a respeito das relações entre escrita e contexto a serem observadas no desenvolvimento da linguagem a que se propõe a escola no ensino da língua. 
Alternativas
Q4443509 Português

Poema da minha idade


Eu carrego dentro de mim

o peso de uma idade morta, 

de uma idade sem definições e sem porquês.

Na minha face extinta,

marcada pelo tempo, 

eu trago impressos os instantes envelhecidos,

os momentos mortos, 

das coisas belas que me deslumbraram na vida.

Eu trago no meu corpo já sem formas 

vestígios da minha adolescência perdida,

Quando eu era dona dos caminhos,

soberana do tempo e dos astros. 

Nos meus olhos já sem brilho

se reflete o cansaço das viagens longas,

de roteiros intermináveis 

e sem pouso certo.

E as pegadas que vou deixando ficar pelo caminho 

vão marcando os dias, as horas, os minutos,

dos momentos que vivi no meu passado,

dentro da minha infância longínqua,

quando eu sabia conversar com as estrelas...  


Anilda Leão. Chão de pedras. Maceió: Edições Caeté, 1961.



Julgue o item a seguir, que se refere ao poema da escritora alagoana Anilda Leão. 

A função poética da linguagem se sobressai, no poema, à função emotiva.
Alternativas
Q4443508 Português

Poema da minha idade


Eu carrego dentro de mim

o peso de uma idade morta, 

de uma idade sem definições e sem porquês.

Na minha face extinta,

marcada pelo tempo, 

eu trago impressos os instantes envelhecidos,

os momentos mortos, 

das coisas belas que me deslumbraram na vida.

Eu trago no meu corpo já sem formas 

vestígios da minha adolescência perdida,

Quando eu era dona dos caminhos,

soberana do tempo e dos astros. 

Nos meus olhos já sem brilho

se reflete o cansaço das viagens longas,

de roteiros intermináveis 

e sem pouso certo.

E as pegadas que vou deixando ficar pelo caminho 

vão marcando os dias, as horas, os minutos,

dos momentos que vivi no meu passado,

dentro da minha infância longínqua,

quando eu sabia conversar com as estrelas...  


Anilda Leão. Chão de pedras. Maceió: Edições Caeté, 1961.



Julgue o item a seguir, que se refere ao poema da escritora alagoana Anilda Leão. 

A recorrência, no poema, de termos que remetem a diferentes dimensões do tempo, como "instantes", "momentos", "dias", "horas" e "minutos", produz um efeito estilístico que remete à ideia de condensação da experiência de vida do sujeito lírico. 
Alternativas
Q4443507 Português

Poema da minha idade


Eu carrego dentro de mim

o peso de uma idade morta, 

de uma idade sem definições e sem porquês.

Na minha face extinta,

marcada pelo tempo, 

eu trago impressos os instantes envelhecidos,

os momentos mortos, 

das coisas belas que me deslumbraram na vida.

Eu trago no meu corpo já sem formas 

vestígios da minha adolescência perdida,

Quando eu era dona dos caminhos,

soberana do tempo e dos astros. 

Nos meus olhos já sem brilho

se reflete o cansaço das viagens longas,

de roteiros intermináveis 

e sem pouso certo.

E as pegadas que vou deixando ficar pelo caminho 

vão marcando os dias, as horas, os minutos,

dos momentos que vivi no meu passado,

dentro da minha infância longínqua,

quando eu sabia conversar com as estrelas...  


Anilda Leão. Chão de pedras. Maceió: Edições Caeté, 1961.



Julgue o item a seguir, que se refere ao poema da escritora alagoana Anilda Leão. 

No poema, os vocábulos "morta", em "idade morta", e "extinta", em "face extinta", empregados em linguagem conotativa, remetem a tempos passados da vida do sujeito lírico.
Alternativas
Q4443506 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
No trecho "sou forçado a escrever" (segundo parágrafo), a palavra "forçado" é empregada com o mesmo sentido do vocábulo compelido. 
Alternativas
Q4443505 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
No trecho "O nordeste não sopra" (sexto parágrafo), identifica-se o emprego de metonímia. 
Alternativas
Q4443504 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
No trecho "um peso enorme no coração" (final do quarto parágrafo), o autor faz uso da figura de linguagem denominada sinestesia. 
Alternativas
Q4443503 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
É possível interpretar o excerto "os sapos dormem" (sexto parágrafo) tanto em sentido denotativo quanto em sentido conotativo. 
Alternativas
Respostas
1: E
2: E
3: C
4: E
5: C
6: C
7: E
8: E
9: C
10: C
11: E
12: C
13: C
14: E
15: C
16: C
17: C
18: C
19: E
20: C