Foram encontradas 2.215.444 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4326541 Regimento Interno
Considere, hipoteticamente, que, durante a ausência temporária do presidente do CRA-PR por motivo de viagem institucional ao exterior, surge a necessidade inadiável de assinar um contrato administrativo de prestação de serviços continuados. O servidor responsável pelo trâmite do documento precisa colher a assinatura da autoridade competente em exercício, mas constata que o vice-presidente também se encontra afastado, em licença médica na mesma data. Nessa situação específica e, ainda, de acordo com a linha de sucessão estabelecida no Regimento Interno do CRA-PR, deverá substituir o presidente:
Alternativas
Q4326540 Legislação Federal
O Código de Ética e Disciplina dos Profissionais de Administração e das Pessoas Jurídicas não apenas impõe deveres, mas também assegura direitos fundamentais para o livre e digno exercício da profissão de Administrador, alinhando-se aos preceitos constitucionais de valorização do trabalho humano e da dignidade da pessoa humana. No que concerne aos direitos e deveres dos profissionais de Administração e das pessoas jurídicas registrados nos Conselhos Regionais de Administração (CRAs) e, ainda, com amparo na Resolução Normativa CFA nº 671/2025, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326539 Regimento Interno
Considere o seguinte caso hipotético: três meses após o término de seu mandato, determinado ex-membro do Plenário do CRA-PR é convidado por uma empresa privada de consultoria para atuar como coordenador técnico em um projeto remunerado, a ser prestado diretamente ao CRA-PR. O servidor do departamento de licitações e contratos do Conselho Regional, ao analisar a documentação da empresa, identifica a presença do ex-conselheiro na equipe técnica. Considerando as vedações expressas no Regimento Interno do CRA-PR inerentes ao tema, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326538 Regimento Interno
Considere que o CRA-PR decide instituir um novo grupo de trabalho para coletar dados e estudar um tema específico e emergencial relacionado a novas tecnologias na gestão pública, objetivando orientar os órgãos do Conselho. Deverão constar da Portaria de criação do grupo os limites e requisitos regimentais para a sua composição. Nos termos do Regimento Interno do CRA-PR (Resolução Normativa CFA nº 651/2024), quanto à formação de Comissões Especiais e grupos de trabalho, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326537 Legislação Federal
O exercício das atividades nas áreas de Administração impõe deveres e responsabilidades indelegáveis. A Resolução Normativa CFA nº 671/2025 tipifica condutas que configuram infrações disciplinares, sujeitando o infrator a penalidades que variam conforme a natureza e a gravidade do ato praticado. Com base na tipificação das infrações e na correspondente gradação das penas estabelecidas no Código de Ética e Disciplina dos Profissionais de Administração e das Pessoas Jurídicas (Resolução Normativa CFA nº 671/25), assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4326536 Regimento Interno
Considere, hipoteticamente, que um profissional de Administração, sentindo-se prejudicado pela demora no atendimento de seu pedido de registro profissional, decide formalizar uma reclamação. Para isso, ele acessa o site do CRA-PR e direciona sua manifestação à ouvidoria da autarquia, que recebe a demanda para análise, triagem e encaminhamento. Com base nas competências e na natureza jurídica da ouvidoria definidas no Regimento Interno do CRA-PR – Resolução Normativa CFA nº 651/2024 e, ainda, sobre a atuação desse órgão do Conselho Regional, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326535 Legislação Federal
A Lei Federal nº 4.769/1965 dispõe sobre o exercício da profissão de administrador e cria o Conselho Federal de Administração (CFA) e os Conselhos Regionais de Administração (CRAs). O conhecimento da estrutura, da composição e das regras de mandato dessas autarquias é essencial para a correta prestação do serviço público e para a compreensão da hierarquia institucional pelos servidores que nelas atuam. Considerando as disposições da Lei Federal nº 4.769/1965 acerca da composição e dos mandatos no CFA e nos CRAs, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326534 Ética na Administração Pública

O Código de Ética e Disciplina dos Profissionais de Administração e das Pessoas Jurídicas (Resolução Normativa CFA nº 671/2025) estabelece os deveres, as infrações e as sanções aplicáveis àqueles que exercem atividades na área da Administração. A correta instrução de processos ético-disciplinares exige do servidor o domínio das regras de fixação, gradação e aplicabilidade das penas.

De acordo com o referido Código de Ética, no que tange à aplicação das sanções disciplinares, assinale a afirmativa correta.

Alternativas
Q4326533 Direito Digital
Determinado profissional registrado no CRA-PR envia um requerimento formal ao setor de protocolo exigindo a eliminação imediata e definitiva de todos os seus dados pessoais do banco de dados da instituição. Ele fundamenta seu pedido no direito à eliminação de dados previsto na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). O servidor responsável pela análise do pedido verifica que os dados do profissional são necessários para que a autarquia cumpra sua obrigação legal de fiscalização do exercício profissional e para o exercício regular de direitos em um processo administrativo disciplinar que tramita em desfavor do profissional requerente. Em face do requerimento do profissional, alegando respaldo na LGPD, o servidor examina o pedido para providenciar o correto andamento. Considerando as bases legais para o tratamento de dados e os direitos dos titulares previstos na Lei nº 13.709/2018 (LGPD), o servidor responsável do CRA-PR deverá:
Alternativas
Q4326531 Direito Administrativo
O servidor de determinada autarquia federal foi designado para atuar na fase preparatória de uma licitação que visa à contratação de serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual (elaboração de complexo projeto de engenharia para a nova sede). O servidor propõe, em seu estudo técnico preliminar, a utilização da modalidade concorrência, com o critério de julgamento de técnica e preço. Além disso, sugere a adoção do procedimento auxiliar de pré-qualificação para identificar previamente os licitantes aptos. Por fim, para dar celeridade ao processo, sugere que a fase de habilitação ocorra antes da fase de julgamento das propostas. À luz da Lei Federal nº 14.133/2021 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos), a proposta do servidor: 
Alternativas
Q4326530 Direito Administrativo
No exercício de suas atribuições institucionais, a Administração Pública vale-se dos poderes administrativos, que são prerrogativas instrumentais conferidas pelo ordenamento jurídico para a consecução do interesse público. O exercício dessas prerrogativas – que englobam, entre outros, o poder de polícia e o poder disciplinar – deve ocorrer nos estritos limites da lei, sob pena de configurar abuso de poder. Considerando a doutrina administrativista pacífica e a jurisprudência consolidada acerca dos poderes administrativos e seus limites, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326527 Noções de Informática
Considere que uma equipe de analistas administrativos do CRA-PR está trabalhando na redação de um novo manual de procedimentos internos utilizando o Google Documentos. Durante o processo de edição colaborativa, um parágrafo referente às normas de fiscalização foi removido por equívoco. A equipe precisa identificar quem realizou a alteração e restaurar o conteúdo original que estava presente no documento há dois dias. Diante dessa situação, trata-se do recurso nativo do Google Documentos que deve ser utilizado pela equipe para o propósito citado, sem a necessidade de se criar cópias manuais de segurança:
Alternativas
Q4326524 Noções de Informática

Considerando que a arquitetura de computadores define a organização funcional dos sistemas de processamento, abrangendo a integração entre componentes de hardware e os protocolos de comunicação necessários para o intercâmbio de dados entre a unidade central e os dispositivos periféricos, analise as afirmativas a seguir.



I. O chipset de uma placa-mãe é composto por circuitos integrados responsáveis por gerenciar o fluxo de dados entre o processador (CPU), as unidades de armazenamento e os dispositivos de entrada e saída, atuando como o centro de comunicação periférica do sistema.


II. O barramento PCI Express (PCIe) é uma interface de comunicação serial de alta velocidade, utilizada para conectar placas de expansão, como placas de vídeo (GPU) e controladoras de rede, oferecendo largura de banda dedicada que pode ser escalonada por meio do uso de múltiplas vias.


III. As unidades de armazenamento do tipo SSD (Solid State Drive), diferentemente dos discos rígidos convencionais (HDD), utilizam tecnologia baseada em memórias do tipo flash, o que resulta em tempos de acesso muito inferiores e maior resistência a impactos físicos.



Está correto o que se afirma em

Alternativas
Q4326518 Português
A sopa

    Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido.
    Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.
    – Aonde é que vai?
    O filho abriu a torneira do banheiro:
    – Fazer a barba.
    – Hora da janta. Vem comer.
    Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai.
    – Não quero jantar. Sem fome.
    O homem suspendeu a colher:
    – Não quer jantar, mas vem para a mesa. 
    Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo.
    – Vou dar uma volta.
    O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.
    – Saiu agora do quarto, filho de barão! Mas eu... Quando me deitar de dia na cama! É para morrer!
    A mão do filho abandonou o garfo e não se mexeu.
    – Volta cedo, não é?
    A voz cansada da mãe, ainda de costas para a mesa. Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho? O homem esvaziou o prato e, descansando a colher, examinou as mãos enrugadas.
    – Estas mãos – sacudidas de ligeiro tremor – de um velho!
    A mulher apanhou o prato, encheu-o até a beirada. O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:
    – Você não come?
    O filho contornava com o garfo as pétalas na toalha.
    – Não estou com vontade.
    – Depois o senhor vai para o quarto.
    Cheirava a colher e sorvia a sopa, estalando a língua. O filho ergueu-se da mesa.
    – O senhor fica sentado. Não tem pão nesta casa?
    A mulher trouxe o pão. Ele não o cortava: agarrava-o inteiro na mão e mordia várias vezes; em seguida partia-o em pedaços, alinhados diante do prato, atacando um por um, entre as colheradas.
    – Volta cedo, não é, meu filho?
    De novo a mãe, nunca aprenderia.
    – Agora não vou mais. O pai dizia a última palavra:
    – Uma vergonha! O chefe tem de jantar sozinho. O filho preguiçoso... até para comer. A mulher – com seus brados retiniam os talheres – tem o estômago delicado.
    Não se mexeu, curvada sobre o fogão.
    – Olhe para mim quando falo com a senhora!
    Ela se virou, a enxugar as mãos na saia.
    – Depois de velha, melindrosa. Não pode comer com o rei da casa, que lhe sustenta o filho e lhe dá o dinheiro?
    – Sabe por que não sento.
    Os dois a olharam com espanto, nunca discutiu as ordens do marido.
    – Sei não, dona princesa. Pois me conte.
    Ele pedia, a colher no ar:
    – Perdeu a coragem, que não fala?
    Outra vez a mulher deu-lhe as costas.
– Só nojo de você.
    Ele começou a soprar, manchava de borrifos a toalha.
    – O quê? O quê? Repita, mulher.
    A dona abriu o fogão, espertou as brasas, encheu-o de lenha:
    – Nada espero da vida. Mas não posso te ver comer. Sei que é triste para a mulher ter nojo do marido. Você chupa a colher se fosse tua última sopa. Come o pão como se eu fosse te roubar. Não sei o que fiz a Deus para esse castigo mais desgraçado. Fui boa mulher, ainda que tenha nojo. Lavo tua roupa, deito na tua cama, cozinho tua sopa. Faço isso até morrer. Me peça o que quiser. Não que me sente a essa mesa com você e tua sopa.
    O filho abandonou a cozinha e desceu a escada. Os dois ouviram bater a porta da rua.
    O marido encarou primeira vez a mulher. Baixou os olhos, cabelos de gordura boiavam no caldo frio. Erguendo um lado do prato, acabou o resto de sopa e lambeu a colher.

(TREVISAN, D. Novelas Nada Exemplares. Rio de Janeiro: Record, 2020. Adaptado) 
No 17º§ do conto, o narrador introduz uma reflexão sobre a atitude da mãe diante do conflito familiar: “Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho?”. Sob a ótica da sintaxe, considerando a classificação e a relação de dependência das orações que constituem essa estrutura, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4326517 Português
A sopa

    Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido.
    Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.
    – Aonde é que vai?
    O filho abriu a torneira do banheiro:
    – Fazer a barba.
    – Hora da janta. Vem comer.
    Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai.
    – Não quero jantar. Sem fome.
    O homem suspendeu a colher:
    – Não quer jantar, mas vem para a mesa. 
    Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo.
    – Vou dar uma volta.
    O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.
    – Saiu agora do quarto, filho de barão! Mas eu... Quando me deitar de dia na cama! É para morrer!
    A mão do filho abandonou o garfo e não se mexeu.
    – Volta cedo, não é?
    A voz cansada da mãe, ainda de costas para a mesa. Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho? O homem esvaziou o prato e, descansando a colher, examinou as mãos enrugadas.
    – Estas mãos – sacudidas de ligeiro tremor – de um velho!
    A mulher apanhou o prato, encheu-o até a beirada. O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:
    – Você não come?
    O filho contornava com o garfo as pétalas na toalha.
    – Não estou com vontade.
    – Depois o senhor vai para o quarto.
    Cheirava a colher e sorvia a sopa, estalando a língua. O filho ergueu-se da mesa.
    – O senhor fica sentado. Não tem pão nesta casa?
    A mulher trouxe o pão. Ele não o cortava: agarrava-o inteiro na mão e mordia várias vezes; em seguida partia-o em pedaços, alinhados diante do prato, atacando um por um, entre as colheradas.
    – Volta cedo, não é, meu filho?
    De novo a mãe, nunca aprenderia.
    – Agora não vou mais. O pai dizia a última palavra:
    – Uma vergonha! O chefe tem de jantar sozinho. O filho preguiçoso... até para comer. A mulher – com seus brados retiniam os talheres – tem o estômago delicado.
    Não se mexeu, curvada sobre o fogão.
    – Olhe para mim quando falo com a senhora!
    Ela se virou, a enxugar as mãos na saia.
    – Depois de velha, melindrosa. Não pode comer com o rei da casa, que lhe sustenta o filho e lhe dá o dinheiro?
    – Sabe por que não sento.
    Os dois a olharam com espanto, nunca discutiu as ordens do marido.
    – Sei não, dona princesa. Pois me conte.
    Ele pedia, a colher no ar:
    – Perdeu a coragem, que não fala?
    Outra vez a mulher deu-lhe as costas.
– Só nojo de você.
    Ele começou a soprar, manchava de borrifos a toalha.
    – O quê? O quê? Repita, mulher.
    A dona abriu o fogão, espertou as brasas, encheu-o de lenha:
    – Nada espero da vida. Mas não posso te ver comer. Sei que é triste para a mulher ter nojo do marido. Você chupa a colher se fosse tua última sopa. Come o pão como se eu fosse te roubar. Não sei o que fiz a Deus para esse castigo mais desgraçado. Fui boa mulher, ainda que tenha nojo. Lavo tua roupa, deito na tua cama, cozinho tua sopa. Faço isso até morrer. Me peça o que quiser. Não que me sente a essa mesa com você e tua sopa.
    O filho abandonou a cozinha e desceu a escada. Os dois ouviram bater a porta da rua.
    O marido encarou primeira vez a mulher. Baixou os olhos, cabelos de gordura boiavam no caldo frio. Erguendo um lado do prato, acabou o resto de sopa e lambeu a colher.

(TREVISAN, D. Novelas Nada Exemplares. Rio de Janeiro: Record, 2020. Adaptado) 

As escolhas de regência, o emprego do acento indicador de crase e a estruturação da pontuação são fundamentais para garantir a coesão e a expressividade na construção do texto literário. A respeito de propostas de análise gramatical de estruturas extraídas do conto “A sopa”, analise as afirmativas a seguir.



I. Na construção “[...] aspirava o caldo de feijão [...]” (11º§), a regência do verbo “aspirar” configura-se como transitiva direta devido ao campo semântico de “sorver” ou “inalar” assumido no contexto da cena.


II. No período “Não quer jantar, mas vem para a mesa.” (10º§), a inserção da vírgula cumpre uma determinação sintática da norma-padrão voltada ao isolamento da oração coordenada adversativa.


III. No fragmento “[...] sente a essa mesa [...]” (45º§), o acento indicativo de crase é de emprego facultativo, haja vista que a anteposição do artigo definido é opcional diante de pronomes demonstrativos dessa natureza.


IV. O emprego do acento indicador de crase em “[...] sentou-se à mesa.” (1º§) legitima-se pela regência do verbo pronominal, que exige o termo preposicionado, associada à presença do artigo definido feminino que determina o substantivo.



Está correto o que se afirma apenas em

Alternativas
Q4326516 Português
A sopa

    Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido.
    Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.
    – Aonde é que vai?
    O filho abriu a torneira do banheiro:
    – Fazer a barba.
    – Hora da janta. Vem comer.
    Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai.
    – Não quero jantar. Sem fome.
    O homem suspendeu a colher:
    – Não quer jantar, mas vem para a mesa. 
    Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo.
    – Vou dar uma volta.
    O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.
    – Saiu agora do quarto, filho de barão! Mas eu... Quando me deitar de dia na cama! É para morrer!
    A mão do filho abandonou o garfo e não se mexeu.
    – Volta cedo, não é?
    A voz cansada da mãe, ainda de costas para a mesa. Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho? O homem esvaziou o prato e, descansando a colher, examinou as mãos enrugadas.
    – Estas mãos – sacudidas de ligeiro tremor – de um velho!
    A mulher apanhou o prato, encheu-o até a beirada. O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:
    – Você não come?
    O filho contornava com o garfo as pétalas na toalha.
    – Não estou com vontade.
    – Depois o senhor vai para o quarto.
    Cheirava a colher e sorvia a sopa, estalando a língua. O filho ergueu-se da mesa.
    – O senhor fica sentado. Não tem pão nesta casa?
    A mulher trouxe o pão. Ele não o cortava: agarrava-o inteiro na mão e mordia várias vezes; em seguida partia-o em pedaços, alinhados diante do prato, atacando um por um, entre as colheradas.
    – Volta cedo, não é, meu filho?
    De novo a mãe, nunca aprenderia.
    – Agora não vou mais. O pai dizia a última palavra:
    – Uma vergonha! O chefe tem de jantar sozinho. O filho preguiçoso... até para comer. A mulher – com seus brados retiniam os talheres – tem o estômago delicado.
    Não se mexeu, curvada sobre o fogão.
    – Olhe para mim quando falo com a senhora!
    Ela se virou, a enxugar as mãos na saia.
    – Depois de velha, melindrosa. Não pode comer com o rei da casa, que lhe sustenta o filho e lhe dá o dinheiro?
    – Sabe por que não sento.
    Os dois a olharam com espanto, nunca discutiu as ordens do marido.
    – Sei não, dona princesa. Pois me conte.
    Ele pedia, a colher no ar:
    – Perdeu a coragem, que não fala?
    Outra vez a mulher deu-lhe as costas.
– Só nojo de você.
    Ele começou a soprar, manchava de borrifos a toalha.
    – O quê? O quê? Repita, mulher.
    A dona abriu o fogão, espertou as brasas, encheu-o de lenha:
    – Nada espero da vida. Mas não posso te ver comer. Sei que é triste para a mulher ter nojo do marido. Você chupa a colher se fosse tua última sopa. Come o pão como se eu fosse te roubar. Não sei o que fiz a Deus para esse castigo mais desgraçado. Fui boa mulher, ainda que tenha nojo. Lavo tua roupa, deito na tua cama, cozinho tua sopa. Faço isso até morrer. Me peça o que quiser. Não que me sente a essa mesa com você e tua sopa.
    O filho abandonou a cozinha e desceu a escada. Os dois ouviram bater a porta da rua.
    O marido encarou primeira vez a mulher. Baixou os olhos, cabelos de gordura boiavam no caldo frio. Erguendo um lado do prato, acabou o resto de sopa e lambeu a colher.

(TREVISAN, D. Novelas Nada Exemplares. Rio de Janeiro: Record, 2020. Adaptado) 

A estrutura morfológica das palavras no texto literário funciona como um recurso expressivo fundamental para a caracterização das personagens e das ações. Com base nos processos de estrutura e formação de palavras existentes na Língua Portuguesa, analise os vocábulos e marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.



( ) O substantivo “janta”, em “– Hora da janta” (6º§), provém do verbo “jantar” por meio de derivação regressiva.


( ) O adjetivo “preguiçoso”, em “O filho preguiçoso... até para comer.” (30º§), é formado a partir de derivação sufixal.


( ) O verbo “retorceu”, em “O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:” (19º§), é formado por derivação prefixal e sufixal.


( ) O vocábulo “dorminhoco”, em “Olho vermelho de dorminhoco, [...]” (2º§), exemplifica o processo de composição por aglutinação.



A sequência está correta em

Alternativas
Q4326515 Português
A sopa

    Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido.
    Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.
    – Aonde é que vai?
    O filho abriu a torneira do banheiro:
    – Fazer a barba.
    – Hora da janta. Vem comer.
    Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai.
    – Não quero jantar. Sem fome.
    O homem suspendeu a colher:
    – Não quer jantar, mas vem para a mesa. 
    Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo.
    – Vou dar uma volta.
    O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.
    – Saiu agora do quarto, filho de barão! Mas eu... Quando me deitar de dia na cama! É para morrer!
    A mão do filho abandonou o garfo e não se mexeu.
    – Volta cedo, não é?
    A voz cansada da mãe, ainda de costas para a mesa. Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho? O homem esvaziou o prato e, descansando a colher, examinou as mãos enrugadas.
    – Estas mãos – sacudidas de ligeiro tremor – de um velho!
    A mulher apanhou o prato, encheu-o até a beirada. O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:
    – Você não come?
    O filho contornava com o garfo as pétalas na toalha.
    – Não estou com vontade.
    – Depois o senhor vai para o quarto.
    Cheirava a colher e sorvia a sopa, estalando a língua. O filho ergueu-se da mesa.
    – O senhor fica sentado. Não tem pão nesta casa?
    A mulher trouxe o pão. Ele não o cortava: agarrava-o inteiro na mão e mordia várias vezes; em seguida partia-o em pedaços, alinhados diante do prato, atacando um por um, entre as colheradas.
    – Volta cedo, não é, meu filho?
    De novo a mãe, nunca aprenderia.
    – Agora não vou mais. O pai dizia a última palavra:
    – Uma vergonha! O chefe tem de jantar sozinho. O filho preguiçoso... até para comer. A mulher – com seus brados retiniam os talheres – tem o estômago delicado.
    Não se mexeu, curvada sobre o fogão.
    – Olhe para mim quando falo com a senhora!
    Ela se virou, a enxugar as mãos na saia.
    – Depois de velha, melindrosa. Não pode comer com o rei da casa, que lhe sustenta o filho e lhe dá o dinheiro?
    – Sabe por que não sento.
    Os dois a olharam com espanto, nunca discutiu as ordens do marido.
    – Sei não, dona princesa. Pois me conte.
    Ele pedia, a colher no ar:
    – Perdeu a coragem, que não fala?
    Outra vez a mulher deu-lhe as costas.
– Só nojo de você.
    Ele começou a soprar, manchava de borrifos a toalha.
    – O quê? O quê? Repita, mulher.
    A dona abriu o fogão, espertou as brasas, encheu-o de lenha:
    – Nada espero da vida. Mas não posso te ver comer. Sei que é triste para a mulher ter nojo do marido. Você chupa a colher se fosse tua última sopa. Come o pão como se eu fosse te roubar. Não sei o que fiz a Deus para esse castigo mais desgraçado. Fui boa mulher, ainda que tenha nojo. Lavo tua roupa, deito na tua cama, cozinho tua sopa. Faço isso até morrer. Me peça o que quiser. Não que me sente a essa mesa com você e tua sopa.
    O filho abandonou a cozinha e desceu a escada. Os dois ouviram bater a porta da rua.
    O marido encarou primeira vez a mulher. Baixou os olhos, cabelos de gordura boiavam no caldo frio. Erguendo um lado do prato, acabou o resto de sopa e lambeu a colher.

(TREVISAN, D. Novelas Nada Exemplares. Rio de Janeiro: Record, 2020. Adaptado) 
No 2º§ do conto, o narrador descreve a reação do patriarca ao se acomodar para a refeição na cozinha: “O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.”. Considerando o contexto da cena e a relação do personagem com o alimento, o vocábulo “embevecido” assume o sentido de:
Alternativas
Q4326417 Pedagogia
 Durante uma atividade pedagógica, a professora responsável orienta a auxiliar sobre a organização dos materiais e a forma de acompanhamento das crianças. A auxiliar discorda de determinado procedimento e decide, por conta própria, alterar toda a atividade, sem comunicar a professora ou a equipe pedagógica. Considerando o trabalho em equipe e as responsabilidades profissionais, a conduta mais adequada seria:
Alternativas
Q4326416 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
A auxiliar de creche toma conhecimento de que uma criança apresenta marcas físicas que podem indicar possível situação de violência. Uma colega sugere que o assunto seja comentado informalmente com outros funcionários “para descobrir o que aconteceu”. Considerando a proteção integral da criança e a postura ética profissional, a auxiliar deve: 
Alternativas
Q4326415 Pedagogia
Uma criança recém-chegada à creche apresenta comportamento mais retraído e demonstra resistência em interagir com os colegas. A auxiliar decide respeitar seu ritmo, propor atividades gradualmente e estabelecer uma relação de confiança, evitando comparações com outras crianças. Essa prática está relacionada principalmente ao entendimento de que:
Alternativas
Respostas
9741: C
9742: A
9743: D
9744: B
9745: A
9746: B
9747: D
9748: C
9749: D
9750: D
9751: D
9752: A
9753: A
9754: A
9755: B
9756: A
9757: A
9758: C
9759: C
9760: C