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Q3839490 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
Do ponto de vista da progressão temática, o texto organiza-se
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Q3839489 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
No trecho “Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo”, o uso da expressão “mundo paralelo” configura uma
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Q3839488 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
Em relação à situação comunicativa, pode-se afirmar que o texto 
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Q3839487 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
No desfecho, ao dizer que “Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa”, o texto
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Q3839486 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
Ao afirmar que, ao avisar sobre a reunião, o filho fala “como se ‘bom’ e ‘possível’ fossem sempre sinônimos”, o narrador
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Q3839485 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
No primeiro parágrafo, o contraste entre “Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar” sugere que 
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Q3839484 Português
Reunião de pais às sete da noite


   A convocação veio no bilhete dobrado, amassado no fundo da mochila, encontrado pela mãe às dez da noite, junto com um pacote de biscoito aberto e um casaco esquecido desde o inverno passado. “Reunião de pais às 19h. Comparecimento importante.” Importante, segundo a escola, é toda reunião. Segundo os pais, importante é conseguir chegar.

   Naquele dia, o pai saiu mais cedo do trabalho, o que significou sair correndo, olhando o relógio a cada três minutos e fingindo que o trânsito não existia. A mãe, que trabalhava perto, decidiu ir direto, sem passar em casa. O filho, por sua vez, avisou com a naturalidade de quem comunica a previsão do tempo: “Hoje tem reunião. A professora falou que é bom vocês irem.” Como se “bom” e “possível” fossem sempre sinônimos.

   Às sete em ponto, a escola era um mundo paralelo. Carros disputavam vaga na rua estreita, pais se equilibravam entre o salto e o chão esburacado, mães chegavam de uniforme de trabalho, alguns com crachá ainda pendurado no pescoço. Havia quem viesse de moto, de bicicleta, de ônibus lotado. E havia, claro, aqueles que não vieram, apesar dos lembretes, bilhetes e mensagens no grupo do WhatsApp da turma.

   Na sala de aula, as carteiras estavam dispostas de um jeito estranho para os adultos: pequenas demais, perto demais, coloridas demais. Algumas mães escolheram, sem perceber, a carteira onde os filhos costumam sentar. Outras preferiram o fundo, como se a velha timidez de aluno tivesse voltado, disfarçada de cansaço. O pai que conseguiu chegar, atrasado em dez minutos, entrou pedindo desculpas com o olhar. A professora respondeu com um sorriso compreensivo, típico de quem já viu essa cena muitas vezes.

   Ela começou falando das rotinas: tarefas, leitura, combinados de sala. Falou também de coisas menos visíveis, como a dificuldade de alguns alunos em se concentrar, o tanto que a turma conversa, a disputa silenciosa por atenção. Lembrou que o caderno não é apenas um objeto perdido na mochila, mas um jeito de acompanhar o que acontece ali. Enquanto explicava, olhava para aqueles adultos cansados e pensava que, de certa forma, estava dando uma aula também para eles.

   Os pais fizeram perguntas práticas: horário da prova, data do passeio, se o uniforme novo é obrigatório, se pode mandar lanche diferente. Entre uma dúvida e outra, surgiram confissões: “Ele anda muito ansioso”, “Ela diz que não consegue aprender matemática”, “Em casa está difícil fazer tarefa, porque chego tarde”. De repente, a reunião não era só sobre boletins, mas sobre vidas apertadas em agendas cheias.

   Quando a reunião terminou, pouco depois das oito, cada um saiu com uma mistura de alívio e preocupação. A professora, com pilhas de cadernos para corrigir. Os pais, com a sensação de que precisariam de mais tempo, mais paciência, mais presença. A escola fechou o portão, mas a reunião continuou na cabeça de muita gente.

   Reunião de pais às sete da noite é isso: um encontro rápido no meio de uma correria longa. Um intervalo em que escola e família se lembram, por alguns minutos, de que educar uma criança não é tarefa de um lado só, nem de um horário só.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
A partir da leitura global do texto, é possível afirmar que a crônica problematiza, principalmente,
Alternativas
Q3836917 Pedagogia
A formação pessoal e social da criança na Educação Infantil pressupõe o desenvolvimento da autonomia e da identidade. Assinale a alternativa que indica uma prática pedagógica coerente com essa formação: 
Alternativas
Q3836916 Pedagogia
O trabalho com múltiplas linguagens na Educação Infantil deve considerar as diferentes formas de expressão infantil. Identifique a abordagem que melhor contempla a relação entre corpo, criação e letramento:
Alternativas
Q3836915 Pedagogia
Na Educação Infantil, o desenvolvimento da linguagem oral ocorre de forma integrada às práticas sociais e interações cotidianas. Assinale a alternativa que apresenta uma estratégia pedagógica adequada para estimular a aquisição da linguagem oral em crianças pequenas:
Alternativas
Q3836914 Pedagogia
As teorias de desenvolvimento infantil orientam diferentes modelos de ensino na educação infantil. Ao apresentar as relações entre desenvolvimento psicológico e práticas pedagógicas, identifica-se a abordagem que compreende a criança como sujeito ativo na construção do conhecimento através de esquemas mentais e estágios evolutivos:
Alternativas
Q3836913 Pedagogia
As teorias pedagógicas contemporâneas fundamentam práticas educacionais distintas conforme suas concepções de ensinoaprendizagem. A abordagem pedagógica que enfatiza estímulos, reforços e condicionamentos como mecanismos centrais para promover a aprendizagem denomina-se: 
Alternativas
Q3836912 Pedagogia

Na perspectiva histórico-cultural de Vigotski, o faz de conta constitui uma atividade criadora fundamental para o desenvolvimento simbólico da criança. Durante a brincadeira, determinados objetos adquirem outros significados sustentados pela configuração gestual. Identifique o conceito que melhor expressa essa produção infantil no faz de conta:

Alternativas
Q3836911 Pedagogia
Na educação infantil, a brincadeira deve ser compreendida como eixo central do trabalho pedagógico porque:
Alternativas
Q3836910 Pedagogia
Uma criança com paralisia cerebral participa de todas as atividades em uma turma de educação infantil, utilizando recursos de tecnologia assistiva e tendo seu processo de avaliação adaptado. Essa prática caracteriza:
Alternativas
Q3836909 Pedagogia
Ao elaborar o Projeto Político-Pedagógico de um centro de educação infantil, a equipe gestora entende que o currículo deve refletir os saberes e as culturas da comunidade local. Essa concepção está alinhada à perspectiva do currículo como:
Alternativas
Q3836908 Pedagogia
Na organização dos tempos, espaços e materiais da Educação Infantil, o professor precisa garantir condições para que as crianças exerçam seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Identifique o conjunto de direitos indicado pela BNCC para essa etapa:
Alternativas
Q3836907 Pedagogia
O planejamento das práticas na Educação Infantil deve assegurar experiências que promovam o desenvolvimento integral das crianças em contextos de interação e exploração do mundo. Aponte os eixos estruturantes das aprendizagens e do desenvolvimento nessa etapa, segundo a BNCC: 
Alternativas
Q3836906 Pedagogia
Na Educação Infantil, a relação entre educar e cuidar caracteriza-se por: 
Alternativas
Q3836905 Pedagogia
Para promover o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças na Educação Infantil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organiza o currículo em cinco eixos que acolhem as situações e experiências concretas da vida cotidiana dos pequenos. Esses eixos curriculares são denominados:
Alternativas
Respostas
1561: E
1562: B
1563: B
1564: A
1565: D
1566: E
1567: C
1568: C
1569: D
1570: C
1571: A
1572: C
1573: E
1574: A
1575: D
1576: C
1577: A
1578: B
1579: D
1580: C