Questões de Concurso Para procurador jurídico

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Q1751602 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Tendo em vista o processo de formação de algumas palavras, julgue as afirmações em Verdadeiras (V) e Falsas (F): ( ) O termo "neutralidade" vem do adjetivo "neutro" com acréscimo de sufixo. ( ) Um exemplo de derivação parassintética é o termo "intranquilidade". ( ) "possivelmente" é um exemplo de formação de advérbio por prefixação. ( ) "Autoenganosas" - termo formado por justaposição.
Alternativas
Q1751601 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Apenas uma alternativa tem, respectivamente, uma palavra que contenha dígrafo, uma com 8 fonemas e uma dissílaba:
Alternativas
Q1751600 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Com relação ao uso e às categorias da partícula "que", tem-se as afirmações: I. "... com o humor ácido que lhe era próprio" - trata-se de pronome relativo e poderia ser substituído por "o qual" sem perda de sentido; II. "...a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores..." - neste caso, a conjunção integrante é acompanhada da proposição para completar o sentido do verbo "depender"; III. "... Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo..." - a conjunção integrante subordinativa introduz uma oração substantiva objetiva direta. Está(ão) correta(s):
Alternativas
Q1751599 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Dentre as palavras retiradas do texto, apenas uma não sofreu alteração na Nova Ortografia. Assinale-a:
Alternativas
Q1751598 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Tendo como base o trecho "...somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas...", assinale a alternativa em que as alterações mantiveram as regras da norma culta:
Alternativas
Q1751597 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
No quarto parágrafo, o termo "capital" na expressão "condenação capital" só não pode ser substituído por:
Alternativas
Q1751596 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Analise as afirmações: I. Em "... o humor ácido que lhe era próprio" - o pronome pessoal em destaque pode ser substituído por "a ele" sem perda de sentido; II. No trecho "... a afetação mútua não se dê como fato..." - a próclise não é o uso mais aceitável pela norma culta, portanto deveria ser feita ênclise (dê-se); III. "... serve para que se falseie o que se deseja apresentar..." - a próclise nos dois casos destacados é correta gramaticalmente, dada a presença da partícula "que". Está(ão) correta(s):
Alternativas
Q1751595 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
A que o autor se refere com o trecho "O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo..."?
Alternativas
Q1751594 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Segundo o autor, sobre o uso do léxico:
Alternativas
Q1751593 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Sobre o texto, não se pode afirmar:
Alternativas
Q4168557 Direito Urbanístico
Sobre as Operações Urbanas Consorciadas, previstas na Lei 10.257/01, avalie as seguintes afirmações:
I- Poderá ser prevista nas operações urbanas consorciadas, entre outras medidas, a modificação de índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo, bem como alterações das normas edilícias, considerado o impacto ambiental delas decorrente.
II- Considera-se operação urbana consorciada o conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público estadual, com a participação do Poder Público municipal, dos proprietários, moradores, usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo de alcançar em uma área transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a valorização ambiental.
III- A lei específica que aprovar a operação urbana consorciada poderá prever a emissão pelo Município de quantidade determinada de certificados de potencial adicional de construção, que serão alienados em leilão ou utilizados diretamente no pagamento das obras necessárias à própria operação.
Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4168556 Direito Tributário
No âmbito das limitações constitucionais ao poder de tributar, é vedado à União:
I- Instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
II- Tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes.
III- Instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação à Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, em qualquer hipótese.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Alternativas
Q4168555 Direito Tributário
Quanto aos impostos dos municípios, nos termos da CF/88, é CORRETO afirmar que  
Alternativas
Q4168554 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
No âmbito da execução contra a Fazenda Pública, aponte a alternativa CORRETA:  
Alternativas
Q4168553 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
Sobre a ação rescisória, avalie as seguintes afirmações:
I- O direito à rescisão se extingue em 1 (um) ano contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo.
II- A propositura da ação rescisória não impede o cumprimento da decisão rescindenda, ressalvada a concessão de tutela provisória.
III- A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando, dentre outras situações previstas no CPC/15, violar manifestamente norma jurídica.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Alternativas
Q4168552 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
Sobre o tema dos recursos no âmbito do processo civil brasileiro, aponte a alternativa CORRETA:  
Alternativas
Q4168551 Direito Processual Civil - Novo Código de Processo Civil - CPC 2015
Analise as assertivas a seguir sobre a ação de Reclamação prevista no CPC/15:
I- Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência.
II- A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir.
III- Qualquer interessado poderá impugnar o pedido do reclamante.
Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4168550 Direito Constitucional
Sobre a garantia constitucional do Mandado de Segurança, pode-se afirmar:  
Alternativas
Q4168549 Direito Constitucional
Nos termos da CF/88, ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições:
I- Investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.
II- Em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, inclusive para promoção por merecimento.
III- Investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Alternativas
Q4168548 Direito Constitucional
A respeito dos servidores públicos, conforme previsão constitucional, assinale a alternativa CORRETA:  
Alternativas
Respostas
6101: C
6102: D
6103: A
6104: B
6105: C
6106: E
6107: C
6108: A
6109: B
6110: D
6111: D
6112: A
6113: A
6114: C
6115: E
6116: E
6117: D
6118: E
6119: B
6120: D