Foram encontradas 23.759 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Leia os textos abaixo:
Texto I
A formação da opinião pública começou com a destruição da imprensa livre. Nas semanas e meses que se seguiram a 30 de janeiro de 1933, cerca de 2 mil jornalistas alemães, incluindo escritores judeus, liberais, conservadores, apolíticos, social-democratas e comunistas, sofreram a perda de seus empregos, prisão, exílio forçado ou, às vezes, uma combinação dessas três formas de perseguição. O controle da imprensa implicava tanto a expulsão como a repressão a suspeitos de dissidência, o que abria vagas para membros do Partido Nazista, como a adaptação oportunista de parte de jornalistas que adotaram a causa das elites conservadoras do novo regime. Ao todo, 200 jornais social-democratas e 35 jornais comunistas, de circulação conjunta de, aproximadamente, 2 milhões de unidades, foram fechados. Em 4 de outubro de 1933, a Lei de Controle Editorial formulada pelo diretor de imprensa do Reich, Otto Dietrich, colocou todos os editores de jornais e periódicos sob controle governamental, o que acabou, assim, com qualquer pretensão de liberdade de imprensa. Os diretores precisavam ser "arianos" e não podiam ser casados com alguém não ariano. Dessa forma, a lei bania judeus e todos aqueles casados com judeus da prática jornalística. Todos os editores deviam ser membros da Liga da Imprensa Alemã do Reich, cujo diretor era Dietrich.
(HERF, Jeffrey. Inimigo Judeu: Propaganda nazista durante a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. Tradução de Walter Solon. São Paulo: EDIPRO, 2014. p. 60. Adaptado)
Texto II
A professora Ana Maria estava trabalhando Segunda Grande Guerra com seus alunos do 9º ano. Após discutir o Estado alemão nazista e suas características e, pensando nos nossos tempos, ela questionou seus alunos sobre o papel da imprensa livre na preservação da democracia. Alguns alunos levantaram a questão das fake news como fenômeno do nosso tempo e a aula seguiu discutindo sobre liberdade de expressão e fake news e o desafio de encontrar formas de equilíbrio e de regulação.
Sobre a discussão proposta pela professora Ana Maria, é CORRETO afirmar:
O significado fundamental de "nação", e também o mais frequentemente ventilado na literatura, era político. Equalizava "o povo" e o Estado à maneira das revoluções francesa e americana, uma equalização que soa familiar em expressões como "Estado Nação", "Nações Unidas" ou a retórica dos últimos presidentes do século XX. Nos EUA, o discurso anterior preferia falar em "povo", "união", "confederação", "nossa terra comum", "público", "bem-estar público" ou "comunidade", com o fim de evitar as implicações unitárias e centralizantes do termo "nação" em relação aos direitos dos estados federados. Na era das revoluções, fazia parte ou cedo se tornaria parte do conceito de nação que esta deveria ser "una e indivisa", como na frase francesa. Assim considerada, a "nação" era o corpo de cidadãos cuja soberania coletiva os constituía com um Estado concebido como sua expressão política. Pois, fosse o que fosse uma nação, ela sempre incluiria o elemento da cidadania e da escolha ou participação de massa.
(HOBSBAWM, Eric. Nações e Nacionalismo. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004, p. 31)
A partir do trecho de Hobsbawm sobre o nacionalismo no século XX, é CORRETO afirmar:
Leia os textos abaixo:
Texto I
Os professores de História, Língua Portuguesa e Geografia que trabalham no 8º ano do Ensino Fundamental, elaboraram um projeto disciplinar. Escolheram a obra literária Os Sertões, de Euclides da Cunha, publicada em 1902. A obra de estilo pré-modernista é uma narrativa da Guerra
de Canudos (Bahia, 1896-1897), sob a ótica do autor que atuou como
jornalista para cobertura do conflito. A obra se divide em 3 partes e cada
turma do 8º ano ficou responsável pela leitura e pelo estudo de cada uma
delas: A Terra, O Homem, A Luta. A obra descreve o Sertão (clima, vegetação, relevo e, principalmente, a seca), o sertanejo (sua origem, suas
características e a discussão das raças e o determinismo geográfico), a
liderança de Canudos, Antônio Conselheiro, e, por fim, narra, de forma
descritiva e realista, a Guerra de Canudos e suas expedições. No desenvolvimento do projeto, cada turma envolvida se responsabilizou pelo estudo de uma das partes, compreendendo a escrita no tempo do autor e
trabalhando as teorias que davam sustentação à compreensão das diversas categorias que são abrangidas pela obra. A professora de História
orientou a turma do 8º ano C, responsável pela última parte da obra: A
Luta.
Texto II
O jagunço, saqueador de cidades, sucedeu ao garimpeiro, saqueador da
terra. O mandão político substituiu o capangueiro decaído. [...] Ora, aqueles homens, depois de esboçarem talvez a única feição útil da nossa atividade naqueles tempos, tiveram desde o começo do século XVIII,
quando se desvendaram as lavras do Rio de Contas à Jacobina, perigosos agentes que, se lhes não derrancaram o caráter varonil, o nortearam
a lamentáveis destinos. De feito, transmudaram-se em contato com os
sertanistas gananciosos. Estes vinham, então, do oriente, espavorindo a
ferro e fogo o selvagem e fundando povoados que, ao revés dos já existentes, não tinham o germe de uma fazenda de gado, mas as ruínas das
malocas. Bateram rudemente a região, estacionando largo tempo ante a
barreira de serras que vão de Caetité para o norte; e quando as minas
esgotadas lhes demandaram aparelhos para a exploração intensiva, tiveram, logo adiante, entre as matas que vão de Macaúbas a Açuruá, novas
paragens opulentas, atraindo-os para o âmago das terras
(CUNHA, Euclides da. Os Sertões. 1984, p. 127).
A professora de História, responsável pela orientação da 3ª parte: a Luta, discutiu o autor no seu tempo e as representações do contexto histórico na transição para república e nos conflitos brasileiros.
Com relação à proposta da atividade interdisciplinar na disciplina de História e considerando os textos-base para esta questão, é CORRETO afirmar:
Leia os textos abaixo:
Texto I
Segundo Lilia Schwarcz, a lista dos títulos de nobreza no Brasil era longa
e abrasileirada: Bujuru, Sirinhaém, Batovi, Coruripe, Ingaí, Juruá, Paranagaba, Piaçabuçu, Saramenha, Sincorá, Uruçuí, Itapororoca, Aratanha,
Cascalho, Tacaruna, Aramaré, Icó, Poconé, Quissamã, Saicã, Sinimbu,
Toropi, Tracunhaém, Solimões, Jurumirim, Uraraí... para além desses,
também havia aqueles que indicavam uma localização geográfica relacionada, de alguma forma, à pessoa agraciada com a mercê (nascimento
ou de atividade política, propriedade ou batalha) como Amazonas, Paraná, Mauá.
(SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 178).
Texto II
Durante o Império brasílico (1822-1889), o Brasil experienciou sua própria
Corte, que, nos moldes do mundo europeu, definia a vida pública e dava
sustentação à estrutura social e política. Compunha o espaço público e
foi formalizada com a transferência de D. João VI, que incorporou no Brasil as tradições vindas da Europa. Quem concedia os títulos de nobreza
no Brasil, durante o Império, era o Poder executivo, geralmente como pagamento de favores às pessoas que obtinham status, títulos, honras e
distinções, cargos, funções e participação das formalidades e da intimidade do imperador.
Sobre a corte no império brasílico, é CORRETO afirmar:
Pensando nas festas religiosas e nas sociabilidades, a professora Cibele exibiu para seus alunos o documentário “50 anos de Reinado em Japaraíba”, realizado pela Prefeitura do município. A festa Reinado de Nossa Senhora do Rosário é uma festa popular religiosa que celebra a cultura negra local e é composta por rituais de dança e música. O documentário traz relatos da manifestação cultural e religiosa no município e, a partir dele, a professora propôs trabalhar as tradições e a religiosidade como forma de sociabilidade e suas permanências. Após o documentário, os alunos e a professora refletiram juntos e ela contou um pouco da origem e dos sentidos da festa, que acontecem em várias partes do Estado de Minas Gerais desde os primórdios do seu povoamento e são mantidas como tradição, remontando os tempos da escravidão. A festa compreende uma preparação e é seguida pelos cortejos, desfiles do rei/rainha, músicas e danças dos grupos que passam o dia a cantar e dançar pelas ruas da cidade. A professora pediu que os alunos registrassem por escrito e por imagens o que o documentário despertava em cada um e buscou construir os sentidos coletivos e da memória. Alguns alunos relataram a presença de parentes na festa e de suas próprias memórias e a atividade mobilizou a turma de forma muito positiva.
Pensando nos conteúdos mobilizados e nas competências trabalhadas pela professora, é CORRETO afirmar que a professora buscou a
A chegada dos europeus ao Brasil promoveu também o encontro com os indígenas Tupiniquins, pertencentes à Grande família Tupinambá (tronco Tupi-Guarani) que transmitiram todo o aprendizado sobre si mesmos e sobre os seus inimigos, chamados de tapuias (escravos). Essas impressões sustentaram a distinção entre os grupos indígenas brasileiros entre amigos e hostis, ou entre indígenas do litoral e do sertão. As necessidades econômicas acabaram por promover perseguição e expulsão, assim como o aldeamento e a catequese, sob controle dos jesuítas, para controle da terra e do seu povo originário. Durante o Brasil colonial, Tomé de Souza, padres jesuítas e depois o Marquês de Pombal criaram diretrizes para solucionar a questão indígena e dar segurança à colonização e ao interesse da busca por riquezas no território. Particularmente, as orientações pombalinas expulsaram os jesuítas, criando o Diretório dos índios, regulamentando as funções dos administradores, mantendo a determinação da catequese, e, depois, as Cartas Régias, de 1808, decretaram a “guerra justa” contra os Botocudos de Minas Gerais, autorizaram o cativeiro por 15 anos, a partir do batismo, e concederam terras para os nobres da corte, expulsando ainda mais os indígenas para o interior.
Sobre os indígenas no Brasil colonial, é CORRETO afirmar:
O professor Daniel realizou uma atividade cultural com seus alunos. Inicialmente ele propôs a eles que, por meio de uma pesquisa, levantassem e identificassem instrumentos musicais que são originalmente brasileiros. Os alunos identificaram as violas (como a caipira e a de cocho, de Mato Grosso), o violão brasileiro, e o violão de sete cordas, o reco-reco, o berimbau, o repique, o tamborim ou pandeiro, o cavaco, o agogô. Ao mesmo tempo, identificaram também que esses instrumentos tiveram influência ou vieram de outras culturas como a africana e a portuguesa. Para atividade cultural, os alunos escolheram alguns instrumentos que conseguiram ou improvisaram com o apoio da professora de artes e fizeram uma roda de samba durante o intervalo da aula de sexta-feira. Foi uma festa para os alunos da turma do professor Daniel e de várias outras turmas que interagiram e participaram! Mas nem tudo foi festa. A diretora recebeu reclamações de alguns pais com relação às músicas e ao estilo escolhido. O professor Daniel, apesar de chateado, resolveu usar o resultado para aprendizagem e discutiu com seus alunos sobre a desvalorização da cultura de matriz africana por parte da sociedade brasileira e do preconceito que se afirma, principalmente, entre setores mais conservadores e religiosos, que demonizam as práticas do batuque e as suas representações.
A tarefa do professor envolveu CORRETAMENTE a
Leia os textos abaixo:
Texto I
É importante destacar que se entende por raça a construção social forjada nas tensas relações entre brancos e negros, muitas vezes simuladas como harmoniosas, nada tendo a ver com o conceito biológico de raça cunhado no século XVIII e hoje sobejamente superado. Cabe esclarecer que o termo raça é utilizado com frequência nas relações sociais brasileiras, para informar como determinadas características físicas, como cor de pele, tipo de cabelo, entre outras, influenciam, interferem e até mesmo determinam o destino e o lugar social dos sujeitos no interior da sociedade brasileira.
(BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. p. 13. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/diversas/temas_interdisciplinares/diretrizes_curriculares_nacionais_para_a_educacao_das_relacoes_etnico_raciais_e_para_o_ensino_de_historia_e_cultura_afro_brasileira_e_africana.pdf)
Texto II
Em primeiro lugar, é importante esclarecer que ser negro no Brasil não se limita às características físicas. Trata-se, também, de uma escolha política. É importante tomar conhecimento da complexidade que envolve o processo de construção da identidade negra em nosso país. Processo esse, marcado por uma sociedade que, para discriminar os negros, utiliza-se tanto da desvalorização da cultura de matriz africana como dos aspectos físicos herdados pelos descendentes de africanos.
(BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. p. 15. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/diversas/temas_interdisciplinares/diretrizes_curriculares_nacionais_para_a_educacao_das_relacoes_etnico_raciais_e_para_o_ensino_de_historia_e_cultura_afro_brasileira_e_africana.pdf. Adaptado)
A partir dos dois textos, retirados das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações étnico-raciais, é CORRETO afirmar:
O processo didático tem por objetivo dar respostas a uma necessidade: ensinar. O resultado do ensinar é dar respostas a uma outra necessidade: a do estudante aprendiz. Ensinar e aprender envolvem o pesquisar. E essas três dimensões necessitam do avaliar. Esse processo não se faz de forma isolada, mas implica interação entre sujeitos e objetos.
Fonte: VEIGA, Ilma P.A. (org.). Lições de didática. Campinas, SP: Papirus, 2006.
Considerando a abordagem da autora, como se caracteriza a atividade de ensino no contexto da formação docente e quais são as implicações dessa complexidade para o desenvolvimento de práticas pedagógicas significativas?
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) de uma escola é o documento que estabelece os objetivos, as diretrizes, as metas e os princípios fundamentais que orientam as práticas pedagógicas no ambiente escolar. Ele deverá expressar a identidade e os valores da comunidade e do território em que a escola está inserida, caracterizando os sujeitos atendidos, acolhendo e potencializando as suas particularidades.
Sobre o Projeto Político-Pedagógico e a estreita relação entre o Plano de Ensino, o Plano de Aula e a gestão da sala de aula, assinale a afirmativa que descreve corretamente como esses elementos se integram para garantir a coerência entre a visão institucional e as práticas pedagógicas cotidianas.
A prática da avaliação da aprendizagem, para manifestar-se como tal, deve apontar para a busca do melhor de todos os educandos, e não ser voltada para a seleção de uns poucos, como se comportam os exames. Por si, a avaliação, como dissemos, é inclusiva e, por isso mesmo, democrática e amorosa. Por ela, por onde quer que se passe, não há exclusão. Não há submissão, mas sim liberdade. Não há medo, mas sim espontaneidade e busca. Não há chegada definitiva, mas sim travessia permanente, em busca do melhor. Sempre!
Fonte: LUCKESI, Cipriano Carlos. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Revista Pátio On-line. Porto alegre: Artmed, ano 3, n. 12, fev./abr. 2000. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2511.pdf Acesso em: 08 out. 2024.
Na perspectiva de Luckesi, a avaliação da aprendizagem vai além de sua função meramente classificatória e punitiva e deve ser compreendida como um processo que busca promover o desenvolvimento integral dos estudantes.
Considerando essa perspectiva, qual concepção é crucial para a prática avaliativa efetiva proposta pelo autor?
Na perspectiva da educação inclusiva, supõe-se que todos os alunos tenham uma resposta educativa na escola regular onde seja proporcionado o desenvolvimento de todas as suas capacidades, a fim de minimizar o preconceito e a exclusão, pois o preconceito pode resultar em sentimentos de diminuição da autoestima e em obstáculos nas interações emocionais e sociais para as pessoas com deficiência, tendo um impacto negativo na qualidade de vida que elas experimentam.
Fonte: SANTOS, T. E. de C. dos. O currículo na escola inclusiva: flexibilização curricular. Caderno Pedagógico, 21(8), 2024. Disponível em: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/6500/4149 Acesso em: 08 out. 2024.
Considerando a proposta curricular na perspectiva da inclusão e da diversidade, analise as afirmações a seguir, identificando aquela que representa o princípio fundamental para garantir o direito à aprendizagem de todos os estudantes.
A Política da Educação Integral e Integrada em Minas Gerais foi instituída pelo Decreto Estadual n. 47.227/2017. Em seu Art. 1º, é estabelecido que a Educação Integral e Integrada visa a assegurar o acesso e a permanência dos estudantes na Educação Básica, com a melhoria da qualidade do ensino e o respeito à diversidade, garantindo-se as condições necessárias ao desenvolvimento dos diversos saberes e habilidades pelos estudantes e a ampliação da oferta da jornada em tempo integral, em consonância com as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação.
Considerando seus princípios e diretrizes, analise as afirmações a seguir:
I. A gestão da Escola terá a responsabilidade de criar estratégias operacionais para a implementação da educação integral e integrada, a partir da constituição de Escolas Polo de Educação Múltipla.
II. Essa política prioriza o desenvolvimento acadêmico dos estudantes, desconsiderando aspectos socioemocionais e culturais que impactam a formação integral.
III. A Educação Integral e Integrada deve ser organizada a partir de três
eixos estruturantes como o projeto político pedagógico, a infraestrutura e o sistema de gestão.
IV. O projeto político pedagógico contemplará estratégias para a integração com outros órgãos locais do campo da proteção social, com vistas
à superação de mecanismos de exclusão social que afetam o desenvolvimento e o aprendizado dos estudantes.
Está CORRETO o que se afirma apenas em:
O Art. 2º da Resolução CNE/CP n. 1/2012 dispõe sobre a Educação em Direitos Humanos, um dos eixos fundamentais do direito à educação. Esse documento refere-se ao uso de concepções e práticas educativas fundadas nos Direitos Humanos e em seus processos de promoção, proteção, defesa e aplicação na vida cotidiana e cidadã de sujeitos de direitos e de responsabilidades individuais e coletivas. Os Direitos Humanos, internacionalmente reconhecidos como um conjunto de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sejam eles individuais, coletivos, transindividuais ou difusos, referem-se à necessidade de igualdade e de defesa da dignidade humana. Assim, aos sistemas de ensino e suas instituições, cabe a efetivação da Educação em Direitos Humanos, implicando a adoção sistemática dessas diretrizes por todos(as) os(as) envolvidos(as) nos processos educacionais.
Considerando os princípios e objetivos dessa Resolução, assinale a afirmativa que apresenta corretamente um dos enfoques fundamentais que devem ser integrados ao currículo escolar:
De acordo com as normas de organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, a estrutura curricular deve garantir a implementação de práticas pedagógicas que contemplem os princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as especificidades locais. As escolas da rede estadual, assegurando o seu caráter de qualidade social, deverão respeitar os princípios éticos, estéticos e políticos, tendo como centralidade o estudante e a aprendizagem, considerando a inclusão, o respeito à diversidade e às diferenças, o seu desenvolvimento integral, a sua autonomia intelectual e o pensamento crítico.
Sobre a organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, analise as afirmativas a seguir:
I. As escolas devem se basear unicamente nas diretrizes da Secretaria de Estado de Educação, desconsiderando as especificidades regionais, para garantir uniformidade no ensino, em todo o estado de Minas Gerais.
II. O dia escolar é aquele em que são realizadas atividades de caráter pedagógico e administrativo, com a presença obrigatória do pessoal docente, técnico e administrativo, podendo incluir a representação de pais e alunos.
III. O Projeto Político-Pedagógico (PPP), elaborado por toda comunidade
escolar, deve ser amplamente divulgado e as ações implementadas
devem ser avaliadas, periódica e coletivamente, para se ajustar o processo pedagógico.
IV. Os cursos presenciais da EJA dos anos finais do Ensino Fundamental
e Médio têm duração de dois anos letivos, organizados em quatro períodos semestrais.
Está CORRETO o que se afirma apenas em:
O Decreto n. 8.752/2016 dispõe sobre a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica e estabelece diretrizes para garantir a qualidade da formação inicial e continuada de professores. Em seu Art. 1º, Fica instituída a Política Nacional, com a finalidade de fixar seus princípios e objetivos, e de organizar seus programas e ações, em regime de colaboração entre os sistemas de ensino e em consonância com o Plano Nacional de Educação - PNE, aprovado pela Lei n. 13.005, de 24 de junho de 2014, e com os planos decenais dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Em relação aos objetivos dessa política, assinale a afirmativa CORRETA.
A Educação do Campo ganhou legitimação no Estado de Minas Gerais por meio da Resolução SEE n. 2.820/2015, que apresenta as diretrizes para a Educação do Campo no Estado. Essa legislação institucionalizou o entendimento que compõe a Educação do Campo e sobre os sujeitos que a caracterizam. De acordo com o documento, agricultores familiares, ribeirinhos, população assentada em acampamentos de reforma agrária, trabalhadores assalariados rurais quilombolas, integrantes dos movimentos atingidos pelas barragens, entre outras condições que desenvolvam suas sobrevivências materiais e de existência a partir da relação com a terra, são condições características da modalidade. Assim, a Educação do Campo enquanto política destina-se à qualificação e à ampliação da oferta da Educação Básica, tendo como parâmetro o que dispõe o Plano Nacional de Educação, priorizando a diminuição das desigualdades educacionais, principalmente, no que diz respeito às diferenças elencadas no âmbito da geografia e à universalização da Educação Básica. Essa modalidade, assim, deve proporcionar um processo de construção do saber no qual a autonomia do estudante seja colocada em destaque para se aprimorar juntamente com uma perspectiva de relação com a terra de forma sustentável.
Fonte: A Educação do Campo. Disponível em: https://srenovaera.educacao.mg.gov.br/47- divep/287-escola-do-campo. Acesso em: 10 out. 2024. (com adaptações)
Considerando as Diretrizes para a Educação Básica nas escolas do campo em Minas Gerais, qual princípio orienta a formulação das práticas pedagógicas nesse contexto, promovendo uma educação que responda às especificidades socioeconômicas e culturais das comunidades rurais?
A Educação Escolar Quilombola no Brasil é uma modalidade da Educação Básica, cujos fundamentos podem ser encontrados no Parecer CNE/CP n. 03/2004 e na Resolução CNE/CP n. 01/2004, que instituem a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos das escolas públicas e privadas da Educação Básica. Posteriormente, foi assegurada nas Diretrizes Curriculares Gerais para a Educação Básica (Resolução CNE/CEB. n. 04/2010 e pela Resolução CNE/CEB n. 08/2012, bem como pelas demais orientações e resoluções do Conselho Nacional de Educação.
Qual das alternativas abaixo reflete os principais objetivos desta modalidade de ensino, conforme previsto nas diretrizes educacionais brasileiras?
A questão refere-se ao texto a seguir.
O arquivo
No fim de um ano de trabalho,
joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
joão transformou-se num arquivo de metal.
(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561).
O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
Nesse fragmento, há
A questão refere-se ao texto a seguir.
O arquivo
No fim de um ano de trabalho,
joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
joão transformou-se num arquivo de metal.
(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561).
O uso de letra minúscula em “joão”
I - representa a coisificação e a insignificância do personagem.
II - intensifica a despersonalização e o anonimato do personagem.
III - corrobora a ausência de destaque da existência do personagem.
IV - acentua a personalidade idiossincrática e dinâmica do personagem.
É CORRETO o que se afirma em