Leia os textos abaixo: Texto ISegundo Lilia Schwarcz, a lis...
Leia os textos abaixo:
Texto I
Segundo Lilia Schwarcz, a lista dos títulos de nobreza no Brasil era longa
e abrasileirada: Bujuru, Sirinhaém, Batovi, Coruripe, Ingaí, Juruá, Paranagaba, Piaçabuçu, Saramenha, Sincorá, Uruçuí, Itapororoca, Aratanha,
Cascalho, Tacaruna, Aramaré, Icó, Poconé, Quissamã, Saicã, Sinimbu,
Toropi, Tracunhaém, Solimões, Jurumirim, Uraraí... para além desses,
também havia aqueles que indicavam uma localização geográfica relacionada, de alguma forma, à pessoa agraciada com a mercê (nascimento
ou de atividade política, propriedade ou batalha) como Amazonas, Paraná, Mauá.
(SCHWARCZ, Lilia Moritz. As Barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 178).
Texto II
Durante o Império brasílico (1822-1889), o Brasil experienciou sua própria
Corte, que, nos moldes do mundo europeu, definia a vida pública e dava
sustentação à estrutura social e política. Compunha o espaço público e
foi formalizada com a transferência de D. João VI, que incorporou no Brasil as tradições vindas da Europa. Quem concedia os títulos de nobreza
no Brasil, durante o Império, era o Poder executivo, geralmente como pagamento de favores às pessoas que obtinham status, títulos, honras e
distinções, cargos, funções e participação das formalidades e da intimidade do imperador.
Sobre a corte no império brasílico, é CORRETO afirmar:
Gabarito comentado
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Resposta correta: Alternativa B
Tema central: a questão trata da Corte imperial brasileira (século XIX) e do uso de títulos, honras e símbolos pelo Poder Executivo para legitimar o regime e integrar as elites ao projeto nacional. É importante saber como as práticas europeias foram apropriadas e transformadas no contexto brasileiro.
Resumo teórico: no Império (1822–1889) o imperador concentrava prerrogativas políticas e cerimoniais: concedia títulos e honras que funcionavam como moeda de prestígio e coesão social. Essas mercês não eram meramente cópias europeias: foram abrasileiradas — nomes, símbolos e usos ganharam sentidos ligados ao território e à construção de uma identidade nacional, servindo para incorporar proprietários locais, políticos regionais e outras elites ao sistema monárquico (ver Schwarcz; Constituição de 1824 quanto às atribuições do Poder Executivo).
Justificativa da alternativa B: ela afirma que títulos, honras e distinções decorreram de novos símbolos e conteúdos relacionados ao projeto nacional. Isso está correto porque a concessão de mercês serviu para articular um bloco de poder com símbolos adaptados ao Brasil (topônimos, referências tropicais, honrarias vinculadas a serviços ao império), fortalecendo a ideia de nação e a lealdade ao trono. Fontes: SCHWARCZ, L. M., As Barbas do Imperador; BARMAN, R. J., Citizen Emperor.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta. Afirma que a vida da Corte era restrita ao palácio como na Europa. Na prática, a Corte imperial organizava a vida pública e política para além do palácio: cerimônias, redes clientelares e relações com elites provinciais expandiam sua presença social.
C — incorreta. Diz que em baixa popularidade diminuía a procura por mercês. Pelo contrário, em momentos críticos o Executivo frequentemente acionava honras e recompensas como instrumentos para recuperar apoio — ou seja, o uso de mercês podia aumentar como estratégia política.
D — incorreta. Embora os títulos tenham sido abrasileirados (verdade), essa abrasileiração não visava manter uma vinculação com o passado colonial, mas adaptar símbolos ao presente nacional e ao imaginário tropical, diferenciando-se da mera reprodução da tradição europeia.
Dica de resolução de provas: fique atento a termos absolutos (todo, sempre) e a contrastes entre reprodução de modelos europeus e apropriação local. Relacione cada afirmação ao papel político das mercês — integração das elites vs. isolamento palaciano.
Referências rápidas: SCHWARCZ, Lília M. As Barbas do Imperador (1998); BARMAN, Roderick J. Citizen Emperor; Constituição Política do Império do Brasil (1824).
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