O significado fundamental de "nação", e também o mais freque...
O significado fundamental de "nação", e também o mais frequentemente ventilado na literatura, era político. Equalizava "o povo" e o Estado à maneira das revoluções francesa e americana, uma equalização que soa familiar em expressões como "Estado Nação", "Nações Unidas" ou a retórica dos últimos presidentes do século XX. Nos EUA, o discurso anterior preferia falar em "povo", "união", "confederação", "nossa terra comum", "público", "bem-estar público" ou "comunidade", com o fim de evitar as implicações unitárias e centralizantes do termo "nação" em relação aos direitos dos estados federados. Na era das revoluções, fazia parte ou cedo se tornaria parte do conceito de nação que esta deveria ser "una e indivisa", como na frase francesa. Assim considerada, a "nação" era o corpo de cidadãos cuja soberania coletiva os constituía com um Estado concebido como sua expressão política. Pois, fosse o que fosse uma nação, ela sempre incluiria o elemento da cidadania e da escolha ou participação de massa.
(HOBSBAWM, Eric. Nações e Nacionalismo. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004, p. 31)
A partir do trecho de Hobsbawm sobre o nacionalismo no século XX, é CORRETO afirmar:
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Alternativa correta: C
Tema central: o enunciado trata do nacionalismo nas revoluções burguesas (século XVIII–XIX) e da relação entre nação, soberania e cidadania. É importante entender como a ideia de nação passou a significar um corpo político de cidadãos cuja soberania legitima o Estado.
Resumo teórico rápido: Para autores como Eric Hobsbawm (Nações e Nacionalismo), a noção moderna de nação é essencialmente política: iguala “o povo” ao Estado e inclui cidadania e participação coletiva. As revoluções americana e francesa reforçaram a ideia de que a soberania reside no povo (ser “una e indivisa” na versão francesa), integrando, portanto, cidadania e soberania como princípios fundadores do Estado moderno. Fontes úteis: HOBSBAWM, E. Nações e Nacionalismo (2004); ANDERSON, B. Imagined Communities (1983).
Por que a alternativa C está correta: A alternativa afirma que o nacionalismo pós-revoluções burguesas associa soberania e cidadania como princípios fundamentais. Isso reflete diretamente o argumento do trecho: a nação é o corpo de cidadãos cuja soberania coletiva constitui o Estado. Logo, C expressa adequadamente a interpretação hobbsbawmiana.
Análise das incorretas:
A) “O conceito de nacionalismo se separava do conceito de liberdade…” — Errado. Pelo contrário, o nacionalismo revolucionário ligou-se à ideia de liberdade política (soberania popular). Não há separação radical entre nacionalismo e liberdade nas revoluções que produziram o Estado-nação.
B) “O ideário iluminista estabelecia uma nação una e com direitos individuais acima dos coletivos.” — Parcial e enganoso. O Iluminismo enfatizou direitos individuais, mas a formação da nação envolveu também um forte componente coletivo (participação de massas, soberania popular). A alternativa simplifica e contrapõe erradamente indivíduo vs. nação.
D) “O sentido nacional definia uma posição inseparável entre o povo e a nação, estabelecendo formas autoritárias.” — Incorreto. Embora a retórica de unidade (“una e indivisa”) possa ser instrumentalizada por regimes autoritários, o sentido original destacado no texto é político-democrático: a nação como expressão da soberania cidadã, não uma definição necessariamente autoritária.
Dica de prova: Procure palavras-chave no enunciado — aqui: “soberania”, “cidadania”, “una e indivisa” — que apontam para a leitura hobbsbawmiana. Desconfie de alternativas que generalizam (ex.: “estabelecendo formas autoritárias”) ou contrapõem conceitos que no texto aparecem integrados.
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