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Q3700417 História

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Texto I



A formação da opinião pública começou com a destruição da imprensa livre. Nas semanas e meses que se seguiram a 30 de janeiro de 1933, cerca de 2 mil jornalistas alemães, incluindo escritores judeus, liberais, conservadores, apolíticos, social-democratas e comunistas, sofreram a perda de seus empregos, prisão, exílio forçado ou, às vezes, uma combinação dessas três formas de perseguição. O controle da imprensa implicava tanto a expulsão como a repressão a suspeitos de dissidência, o que abria vagas para membros do Partido Nazista, como a adaptação oportunista de parte de jornalistas que adotaram a causa das elites conservadoras do novo regime. Ao todo, 200 jornais social-democratas e 35 jornais comunistas, de circulação conjunta de, aproximadamente, 2 milhões de unidades, foram fechados. Em 4 de outubro de 1933, a Lei de Controle Editorial formulada pelo diretor de imprensa do Reich, Otto Dietrich, colocou todos os editores de jornais e periódicos sob controle governamental, o que acabou, assim, com qualquer pretensão de liberdade de imprensa. Os diretores precisavam ser "arianos" e não podiam ser casados com alguém não ariano. Dessa forma, a lei bania judeus e todos aqueles casados com judeus da prática jornalística. Todos os editores deviam ser membros da Liga da Imprensa Alemã do Reich, cujo diretor era Dietrich.



(HERF, Jeffrey. Inimigo Judeu: Propaganda nazista durante a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto. Tradução de Walter Solon. São Paulo: EDIPRO, 2014. p. 60. Adaptado)



Texto II



A professora Ana Maria estava trabalhando Segunda Grande Guerra com seus alunos do 9º ano. Após discutir o Estado alemão nazista e suas características e, pensando nos nossos tempos, ela questionou seus alunos sobre o papel da imprensa livre na preservação da democracia. Alguns alunos levantaram a questão das fake news como fenômeno do nosso tempo e a aula seguiu discutindo sobre liberdade de expressão e fake news e o desafio de encontrar formas de equilíbrio e de regulação.



Sobre a discussão proposta pela professora Ana Maria, é CORRETO afirmar:

Alternativas

Gabarito comentado

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Resposta correta: D

Tema central

Trata-se da relação entre liberdade de imprensa, maus usos da informação (fake news) e o papel do Estado na regulação. A questão exige compreensão de como regimes autoritários controlaram a imprensa (ex.: Reichsschriftleitergesetz, 4 out. 1933) e, ao mesmo tempo, reflexão contemporânea sobre limites da liberdade de expressão.

Resumo teórico

Liberdade de imprensa é pilar da democracia porque permite pluralidade de vozes e fiscalização do poder (CF/88, art. 5º). Contudo, liberdade não é absoluta: conflitos surgem entre direito à informação e proteção contra calúnia, discurso de ódio ou desinformação. Organismos como a UNESCO e órgãos regionais orientam medidas proporcionais, transparentes e compatíveis com padrões internacionais de direitos humanos.

Por que a alternativa D é correta

A alternativa D reconhece dois pontos essenciais: 1) a necessidade de refletir sobre o papel da informação para formar uma opinião pública autônoma; 2) a dificuldade prática e conceitual de traçar limites entre liberdade de expressão e notícias falsas — limites que são, de fato, "fluidos e complexos". Essa visão equilibra vocação democrática da imprensa e a necessidade de debates sobre regulação, sem defender censura automática.

Análise das alternativas incorretas

A — Afirma que a liberdade de imprensa é “intocável como política de Estado”. É uma ideia normativa excessiva: embora essencial, na prática democracias adotam limites legais (por exemplo, proibições a calúnia, discurso de ódio). Dizer que é absolutamente intocável ignora conflitos jurídicos reais.

B — Separa historicamente os casos e conclui que hoje “não há motivos para intervenção”. É equivocada: relativiza a gravidade da manipulação informativa contemporânea e ignora que decisões sobre regulação dependem da realidade atual e riscos detectados.

C — Afirma que há repetição da História comparando ascensão nazista e eventos no Brasil (8 de janeiro). Trata-se de exagero analítico: a história trabalha com mudanças e continuidades, mas afirmar “repetição” absoluta é simplista e teleológico — comparações exigem critérios e contextualização cuidadosa.

Dica de prova

Procure respostas que equilibrem princípios (liberdade, pluralismo) e reconhecimento de complexidade prática. Evite alternativas absolutistas ou que façam comparações históricas sem critério.

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