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Os clássicos não são lidos por dever ou por respeito, mas só por amor. Exceto na escola: a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal um certo número de clássicos dentre os quais (ou em relação aos quais) você poderá depois reconhecer os “seus” clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aquelas que ocorrem fora e depois de cada escola.
CALVINO, l. Por que ler os clássicos. Tradução: Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1993 (adaptado).
O excerto provocou grande debate sobre o que é sugerido como leitura na escola, em contraposição às obras que os adolescentes realmente gostam de ler. Nessa conversa, os alunos mencionaram livros que leram por indicação da escola e outros que conheceram fora dela, com os quais se identificavam mais. Uma aluna, então, trouxe à tona textos que havia lido a partir das redes sociais, como o Instagram, e acrescentou um novo ponto à discussão: a instapoesia.
Aproveitando a introdução desse novo tópico, a professora refletiu sobre a instapoesia como uma produção contemporânea. Em sala, a docente leu instapoemas de autoras populares no Instagram, como Rupi Kaur e Ryane Leão, poetas feministas indiano-canadense e brasileira, respectivamente. Contudo, em meio à discussão, um aluno questionou se tais produções seriam mesmo literatura. Como encaminhamento, a professora sugeriu que os estudantes fizessem uma pesquisa sobre instapoesia e informou que, nas aulas seguintes, retomaria as reflexões sobre o que se lê na escola, bem como sobre o que é literatura clássica e o que é arte marginal.
Nessa situação, na retomada das reflexões sobre esse tema, seria adequado a professora
Con el uso del enfoque inductivo y de la lengua materna, el profesor utilizó la estrategia adecuada para este caso porque los alumnos
SILVA, V. M. A. Teoria da Literatura. 8. ed. Coimbra: Almedina, 2018. p. 764 (adaptado).
Considerando essa abordagem, assinale a opção que apresenta um trecho da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, em que se encontra essa voz dual por meio do discurso indireto livre.
No processo de compreensão, desenvolvemos atividades inferenciais. Com esta posição, admitimos que compreender é partir dos conhecimentos (informações) trazidos pelo texto e dos conhecimentos pessoais (chamados de conhecimentos enciclopédicos) para produzir (inferir) um sentido como produto de nossa leitura. Compreender um texto é realizar inferências a partir das informações dadas no texto e situadas em contextos mais amplos.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008. p. 239 (adaptado).
TEXTO 2
Disponível em: https://eduardojunior.files.wordpress.com/.
Acesso em: 4 jun. 2024.
Considerando-se o Texto 1, é correto afirmar que a percepção do humor presente no Texto 2 consiste em
Acerca do uso dessas tecnologias em sala de aula, é conveniente lembrar que os games se distinguem da gamificação porque esta última consiste na incorporação de elementos de um jogo, como a estética, a mecânica e a dinâmica, em contextos não relacionados a jogos. Ambos podem ser utilizados de modo favorável à aprendizagem em ambiente escolar.
MATTE, A. C. F.; LISKA, G. J. R.; GOMES, S. A. Formação de professores de línguas: games, gamificação e cultura maker. Leitura: teoria e prática, Campinas, São Paulo, v. 40, n. 86, p. 55-67, 2022 (adaptado).
Estimulados pela nova gestão da escola de Ensino Médio onde trabalham, os professores de Português, História e Informática decidiram utilizar um software para a criação de um jogo, em uma plataforma que permite desenvolver games complexos e perfeitamente jogáveis em diferentes sistemas operacionais. Os professores definiram dois objetivos para os alunos: a) que o herói seja um personagem da corte brasileira do século XIX, o qual, por sua particularidade, faça uso de flexões verbais que concordem com o pronome “vós”; b) que o desafio das fases do game se baseie no empenho do herói pela libertação dos escravizados, seja ajudando-os a chegar aos quilombos, seja negociando sua alforria.
Considerando-se as reflexões apresentadas no texto e a situação descrita, o professor de Português deverá, relativamente à constituição do personagem, pedir aos estudantes que atentem para a
Considerando os conceitos apresentados nessa situação, assinale a opção que apresenta um fato seguido de uma opinião.
OLIVEIRA, J. V. dos S.; SILVA, S. B. B. da. Os gêneros textuais digitais como estratégias pedagógicas no ensino de língua portuguesa na perspectiva dos (multi)letramentos e dos multiletramentos. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2162-2182, 2021 (adaptado).
A leitura escolar, em seu formato canônico, normalmente não autoriza ligações com aquilo que se situa fora do literário: o universo do leitor. Ciente disso, o professor de uma escola dos anos finais do Ensino Fundamental tem o propósito de oportunizar a formação de leitores trazendo para a sala de aula autores que questionem o valor do cânone, aproximando a literatura da cultura de massa.
Para relacionar a literatura não canônica com o contexto digital apresentado anteriormente, uma estratégia adequada seria o professor abordar
Disponível em: https://www.instagram.com/.
Acesso em: 15 maio 2024.
Nessa situação, para estimular uma postura crítica a partir da reflexão sobre a charge, o professor deve debater o tema de forma que os estudantes
No conto O colocador de pronomes, Monteiro Lobato narra a trajetória de Aldrovando Cantagalo, ferrenho defensor da tradição gramatical. Ao longo da narrativa, o personagem se depara com uma tabuleta, na qual está escrito: “Ferra-se cavalos”. Indignado com o desvio gramatical, Aldrovando imediatamente interpela o ferreiro, dizendo que o erro precisa ser reparado. A seguir, encontra-se um trecho do diálogo entre Aldrovando e o ferreiro:
— O sujeito sendo cavalos, continuou o mestre, a forma verbal é ferram-se. Portanto, o certo é: ferram-se cavalos!
— Ah! respondeu o ferreiro, começo agora a compreender. Diz V. Sa. que...
— ...que ferra-se cavalos é um solecismo horrendo e o certo é ferram-se cavalos. Digo que está a forma verbal com eiva grave.
— V. Sa. me perdoe, mas o sujeito que ferra os cavalos sou eu, e eu não sou plural. Aquele se da tabuleta refere-se cá a este seu criado. É como quem diz: “Serafim ferra cavalos” — “Ferra Serafim cavalos”. Para economizar tinta e tábua, abreviaram o meu nome, e ficou como está: Ferra Se(rafim) cavalos. Isto me explicou o pintor, e entendi-o muito bem.
LOBATO, M. O colocador de pronomes. In: Negrinha. São Paulo: Brasiliense, 1956 (adaptado).
TEXTO 2
Disponível em: https://entrelinhasdavida1.wordpress.com/. Acesso em: 7 maio 2024.
Um professor de Língua Portuguesa que planeje relacionar os textos apresentados para construir uma atividade avaliativa que considere tanto o gênero quanto o conteúdo deverá abordar nessa atividade
BAGNO, M. Preconceito Linguístico. Termos de Alfabetização, Leitura e Escrita para Educadores. Glossário Ceale. Disponível em: ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceito-linguistico. Acesso em: 2 maio 2024 (adaptado).
Uma professora de Língua Portuguesa, ao avaliar um texto produzido por um aluno da 1ª série do Ensino Médio, assinalou quatro sentenças. Na primeira, havia sido usado o verbo “ter” como sinônimo de “existir”. Na segunda, a forma infinitiva “considerar” havia sido escrita como “considerá”, ou seja, sem o “r” e com vogal final acentuada graficamente. Na terceira, constava a forma “barrer”, em vez de “varrer”. Na quarta, constava a expressão “dar um jeito na corrupção”.
Considerando-se a perspectiva apresentada por Bagno, a fim de promover a autonomia e a valorização discente e os conhecimentos sobre variação e mudança linguísticas, é adequado nessa situação a professora
O Gualín do TTK, ou língua do Catete, foi criado por moradores do bairro do Catete, na zona sul do Rio de Janeiro, na década de 1960, com o intuito de driblar a repressão da ditadura militar. A fim de se comunicarem de uma forma que os militares não entendessem, os moradores mudavam a ordem das sílabas das palavras, ou seja, falavam as frases de trás para frente. Com praticantes até hoje, o Gualín do TTK é considerado a segunda língua da cidade do Rio de Janeiro.
Disponível em: https://agenciauva.net/. Acesso em: 11 jun. 2024 (adaptado).
TEXTO 2
Oi, tudo legal? Oi, dotú gal-lê?
Meu nome é Gabriel, meu menô é Elbrigá
Meu filho é Davi, meu lhofí é Vidá
Os nomes nessa língua, os mesnô sané gualín
são assim, são sim-a
Se cevô besá larfá sané gualín, lafá bemtâm
É de trás pra tefrén, se quiser falar também
Se você sabe falar nessa língua, fala também
è de tr´s pra frente, se serquí larfá bemtâm
Oi tudo legal? Oi, dotú gal-lê?
tá tudo tranquilão, tá dotú lãoquitrân
tá tudo tranquilão, tá dotú lãoquitrân
Oi, tudo legal? Oi, dotú gal-lê?
Disponível em: https://www.letras.com/gabriel-pensador/. Acesso em: 2 jun. 2024.
Ao elaborar seu plano de aula para uma turma da 3ª série do Ensino Médio, uma professora de Língua Portuguesa definiu os seguintes passos: revisão da aula anterior, em que havia abordado a variação linguística e seus desdobramentos nas comunidades; discussão sobre o fenômeno linguístico denominado Gualín do TTK, a partir da leitura do Texto 1; apresentação de um rap que ilustra o Gualín (Texto 2); orientações à turma para a elaboração de um texto que leve em consideração aspectos da variação linguística, a ser apresentado em um evento escolar.
Com esse planejamento, além de abordar a questão do preconceito linguístico, a proposta didático-pedagógica da professora é condizente com o objetivo de
Simbora que o tempo é rei
Vive agora, não há depois
(…) Tudo, tudo, tudo que nóis tem é nóis
(…) Tudo que nóis tem é uns aos outros, tudo.
EMICIDA. AmarElo. Álbum. São Paulo: Laboratório Fantasma, 2019.
A partir da proposta metodológica da professora, assinale a opção correta, a respeito do uso de “nóis”.
PAIVA, V. L. M. de O. e. Tecnologias digitais no ensino de línguas: passado, presente e futuro. Revista da Abralin, v. XVIII, n. 1, p. 1-26, 2019 (adaptado).
Preocupada em atender às habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Língua Portuguesa que discorrem sobre o ensino mediado pelas tecnologias, uma professora dos Anos Finais do Ensino Fundamental propôs, em seu planejamento, uma atividade que mobilizasse o uso criativo dos recursos tecnológicos. Para tanto, solicitou a seus alunos que gravassem, em seus smartphones, um vídeo divertido, destinado a um amigo, e que utilizassem os recursos disponíveis no aparelho ou em aplicativos para torná-lo animado, como aceleração ou diminuição da velocidade da voz, ruídos estranhos, performance de algum personagem preferido, entre outras possibilidades. Feito isso, deveriam postá-lo em uma rede social e marcar o colega na publicação. Se este colega o repostasse em suas próprias redes sociais, a atividade teria êxito.
Nesse contexto, ao associar diferentes linguagens e tecnologias ao planejamento de ensino a partir de uma abordagem sociointeracional de linguagem, o uso de recursos tecnológicos favorece a
COSSON, R. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2006 (adaptado).
Em uma escola de Ensino Fundamental, uma professora deseja promover o letramento literário entre seus alunos. Ela percebe que muitos estudantes têm dificuldade de se envolver com a leitura de obras literárias e quer encontrar estratégias eficazes para despertar o interesse deles. A professora motiva os alunos a se envolverem com a leitura por meio de temas relevantes e interessantes e prepara os estudantes para receberem os textos, contextualizando-os e despertando a curiosidade deles. Além disso, ela organiza oficinas de leitura, nas quais os alunos exploram obras literárias de diferentes gêneros (contos, poesias, romances etc.) e de autores de diversas origens, culturas e épocas.
Considerando-se a perspectiva exposta no texto e a situação apresentada, a professora atingirá seu objetivo se levar a turma a compreender que o letramento literário
FILHO, O. F. O que é falso sobre fake news. Revista USP, São Paulo, n. 116, p. 39-44, jan./fev./mar. 2018 (adaptado).
A fim de oferecer mais detalhamento sobre o conceito de fake news e, consequentemente, sobre sua identificação, um professor de Língua Portuguesa de uma turma do Ensino Médio refletiu, com seus alunos, sobre as características desse tipo de notícia. Em sua análise, o docente explorou o fato de que, além de consistirem em informações falsas, as fake news apresentam outros importantes aspectos a serem considerados. Na sequência, o docente apresentou aos alunos as charges a seguir e perguntou a eles o seguinte: “Qual dessas charges explora a capacidade das fake news de trazerem prejuízo a terceiros, utilizando-se da literalidade como recurso de humor?”.
FIGURA 1
Disponível em: https://www.oliberal.com/
charges/. Acesso em: 04 jun. 2024. FIGURA 2
Disponível em: https://br.ifunny.co/picture/.
Acesso em: 4 jun. 2024. FIGURA 3
Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/chargefake-news-3/. Acesso em: 4 jun. 2024. FIGURA 4
Disponível em: https://concursos.estrategia.com/public/. Acesso em: 4 jun. 2024.
Nessa situação, a charge que responde à pergunta do professor é a indicada na Figura
Os Ainu, embora tenham sido os primeiros habitantes de Hokkaido, foram oprimidos e marginalizados pelo domínio japonês durante séculos. Tiveram uma história difícil. Alguns acadêmicos acreditam que sejam descendentes de uma população indígena que se espalhou pelo norte da Ásia. Recentemente, as coisas começaram a melhorar para os Ainu. Em abril de 2019, eles foram legalmente reconhecidos pelo governo como um povo indígena do Japão, após muitos anos de debate.
BBC. Ainu, o povo indígena do Japão que vivia com ursos. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/. Acesso em: 9 jun. 2024 (adaptado).
TEXTO 2
Cultura, humor e violência. É neste entrelaçamento que o anime Golden Kamuy traz referências históricas e consegue mesclar fatos com ficção. O campo ético dos homens é ameaçado por catástrofes naturais amenizadas pela sabedoria da guerreira Ainu, que ensina métodos de sobrevivência na selva. Na trama, o povo Ainu está em busca de 75 quilos de ouro, que representam 800 milhões de ienes, ouro este que os Ainus estavam juntando para formar um exército com o objetivo de lutar contra os japoneses que haviam tomado suas terras.
BARRO, B. Análise – Golden Kamuy. Disponível em: https://artejaponesaunifesp.medium.com/. Acesso em: 9 jun. 2024 (adaptado).
Uma professora de Língua Portuguesa de uma turma do Ensino Médio pretende elaborar uma proposta didática que relacione a literatura brasileira com a história do povo indígena japonês chamado Ainu (apresentada no Texto 1) e com o anime Golden Kamuy (resenhado no Texto 2), que tem como referência essa tribo pouco conhecida. Seu objetivo é que os alunos adaptem o anime com base em uma obra literária brasileira que guarde semelhanças com o confronto travado entre os japoneses e o povo Ainu.
Para alcançar seu objetivo, a professora deve propor a atividade de adaptação do anime tomando como base
TEXTO 1
ZIRALDO. O menino maluquinho. Edição comemorativa do 1º milhão de exemplares. São Paulo: Melhoramentos, 2008.
TEXTO 2
Disponível em: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/. Acesso em: 9 maio 2024.
Considerando-se a intertextualidade explícita que constrói coerentemente a textualidade da charge, é correto afirmar que o intertexto realiza uma
E os caras: “Não, toma essa roubada. Toma a Bíblia, toma a cruz, toma o colégio, toma a universidade, toma a estrada, toma a ferrovia, toma a mineradora, toma a porrada”. Ao que os povos responderam: “O que é isso? Que programa esquisito! Não tem outro, não?”.
KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras. p. 29-30.
A partir da leitura desse trecho, a docente pretende destacar como a repetição da palavra “toma” cria um efeito de insistência, utilizado pelo autor como estratégia para enfatizar a imposição da civilização sobre os povos tradicionais. Ao considerar que a civilização impôs uma única visão de progresso, ignorando outras possibilidades, a professora promoverá a interdisciplinaridade com a disciplina de História, relembrando a resistência indígena no período da colonização e a preservação das tradições culturais ao longo do tempo.
Nessa situação, é adequado que a professora, ao contrapor a literatura canônica à não canônica, explique aos alunos que a literatura não canônica de Krenak
MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 3. ed.
São Paulo: Cortez, 2001. p. 48 (adaptado).
Considerando as orientações da professora e o que se refere às estratégias de retextualização de textos orais e escritos, assinale a opção que indica o percurso a ser traçado pelos alunos para compreender e retextualizar a palestra.
RAJAGOPALAN, K. Línguas nacionais como bandeiras patrióticas, ou a linguística que nos deixou na mão: observando mais de perto o chauvinismo linguístico emergente no Brasil. In: SILVA, F. L. da; RAJAGOPALAN, K. (org.). A linguística que nos faz falhar: investigação crítica. São Paulo: Parábola, 2004. p. 14 (adaptado).
Com base nas informações apresentadas, quanto ao uso de léxico estrangeiro associado à tecnologia computacional e à Internet, assinale a opção correta.