O jogo, no ensino de língua, não pode servir apenas para ens...

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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152298 Português
O jogo, no ensino de língua, não pode servir apenas para ensinar um repertório de palavras, nem pode, a rigor, ser visto como tarefa. Além disso, não podemos desmerecer a característica de entretenimento que algumas mídias digitais apresentam. Podemos aproveitá-la na educação, mas não nos desviar totalmente dela.
Acerca do uso dessas tecnologias em sala de aula, é conveniente lembrar que os games se distinguem da gamificação porque esta última consiste na incorporação de elementos de um jogo, como a estética, a mecânica e a dinâmica, em contextos não relacionados a jogos. Ambos podem ser utilizados de modo favorável à aprendizagem em ambiente escolar.
MATTE, A. C. F.; LISKA, G. J. R.; GOMES, S. A. Formação de professores de línguas: games, gamificação e cultura maker. Leitura: teoria e prática, Campinas, São Paulo, v. 40, n. 86, p. 55-67, 2022 (adaptado).

Estimulados pela nova gestão da escola de Ensino Médio onde trabalham, os professores de Português, História e Informática decidiram utilizar um software para a criação de um jogo, em uma plataforma que permite desenvolver games complexos e perfeitamente jogáveis em diferentes sistemas operacionais. Os professores definiram dois objetivos para os alunos: a) que o herói seja um personagem da corte brasileira do século XIX, o qual, por sua particularidade, faça uso de flexões verbais que concordem com o pronome “vós”; b) que o desafio das fases do game se baseie no empenho do herói pela libertação dos escravizados, seja ajudando-os a chegar aos quilombos, seja negociando sua alforria.

Considerando-se as reflexões apresentadas no texto e a situação descrita, o professor de Português deverá, relativamente à constituição do personagem, pedir aos estudantes que atentem para a
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O comando delimita a constituição do personagem pelo requisito “que o herói seja um personagem da corte brasileira do século XIX, o qual, por sua particularidade, faça uso de flexões verbais que concordem com o pronome “vós””. Esse objetivo linguístico explícito sustenta a alternativa D.

Tema central: Gramática na caracterização do personagem
Análise das alternativas
A
Errada
A veracidade das fases se refere aos acontecimentos que compõem o jogo. O comando, porém, pede uma orientação relativa à constituição do personagem, cujo requisito linguístico explícito é empregar flexões verbais concordantes com “vós”. A ambientação no século XIX não transforma a fidelidade histórica das fases no critério solicitado.
B
Errada
O empenho do herói na libertação dos escravizados não permite inferir uma exigência de reprodução dos discursos dominantes sobre a escravidão. Além dessa ausência de sustentação textual, a alternativa não contempla o requisito de caracterizar a linguagem do personagem pela concordância com “vós”.
C
Errada
A produção de narrativas multissemióticas é compatível com a criação de jogos, mas descreve uma dimensão geral da atividade. Ela não identifica a exigência delimitada para a constituição do herói: incorporar à sua linguagem flexões verbais concordantes com “vós”.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o conhecimento da concordância com “vós” deixa de ser um exercício isolado de flexão verbal e passa a integrar a caracterização e a atuação do herói no jogo. Nesse contexto, “ressignificação” significa atribuir finalidade ao emprego das regras gramaticais, não modificá-las. Essa leitura também se articula à orientação de não reduzir o jogo a uma tarefa de ensino descontextualizado.
Pegadinha da questão
Confundir uma dimensão pertinente à criação do jogo, como a multissemiose ou a ambientação histórica, com a exigência linguística específica do personagem. Também é preciso evitar a leitura de “ressignificação” como alteração das regras: trata-se de dar função ao seu emprego.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o recorte do comando: uma orientação sobre a constituição do personagem não equivale a uma orientação sobre toda a elaboração do jogo.
  • Relacione a exigência linguística explícita à função que ela desempenha na atividade; aqui, a concordância com “vós” caracteriza a linguagem do herói.
  • Distinga contextualizar uma regra de modificá-la: atribuir finalidade ao conhecimento gramatical não implica alterar a concordância prevista.

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