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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152293 Pedagogia
A instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito linguístico e de outras formas de discriminação. Uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vistas à criação de uma sociedade democrática e igualitária, é um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso.
BAGNO, M. Preconceito Linguístico. Termos de Alfabetização, Leitura e Escrita para Educadores. Glossário Ceale. Disponível em: ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceito-linguistico. Acesso em: 2 maio 2024 (adaptado).

Uma professora de Língua Portuguesa, ao avaliar um texto produzido por um aluno da 1ª série do Ensino Médio, assinalou quatro sentenças. Na primeira, havia sido usado o verbo “ter” como sinônimo de “existir”. Na segunda, a forma infinitiva “considerar” havia sido escrita como “considerá”, ou seja, sem o “r” e com vogal final acentuada graficamente. Na terceira, constava a forma “barrer”, em vez de “varrer”. Na quarta, constava a expressão “dar um jeito na corrupção”.

Considerando-se a perspectiva apresentada por Bagno, a fim de promover a autonomia e a valorização discente e os conhecimentos sobre variação e mudança linguísticas, é adequado nessa situação a professora
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era verificar se a professora reconhecia a expressão como legítima em uso informal e, ao mesmo tempo, a adequava ao texto formal. Entre as alternativas, só a D faz isso sem estigmatizar o aluno.

Tema central: preconceito linguístico escolar
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque rejeita a forma com base em desvalorização social e histórica — 'própria de pessoas de idade' e 'forma antiga' —, e não com base em convenção ortográfica ou adequação ao contexto. O problema pedagógico apontado pela base não é condenar variante por sua associação social, mas evitar hierarquização estigmatizante.
B
Errada
Está errada porque afirma que desvios de escrita decorrem de 'erros da fala' e que a escrita correta depende de pronúncia adequada. Segundo a base, isso estigmatiza a variedade oral e confunde oralidade com norma ortográfica, estabelecendo uma relação causal imprópria entre pronúncia e correção escrita.
C
Errada
Está errada porque transforma o uso de 'ter' como sinônimo de 'existir' em sinal de incapacidade expressiva do aluno e opõe esse uso ao verbo 'haver' como marca de 'pessoas cultas'. A base identifica isso como preconceito linguístico direto, por associar variante linguística a incultura e inferioridade.
D
Certa
A alternativa D está correta porque reconhece a legitimidade da expressão em contexto informal e orienta sua substituição por formas mais adequadas ao registro formal.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tomar ensino de norma formal como licença para desqualificar variantes linguísticas. A resposta correta não deixa 'qualquer forma' no texto formal, mas também não corrige com estigma social.
Dica para questões semelhantes
  • Ao corrigir produção escolar, separe legitimidade da variante linguística da adequação ao registro exigido pela situação.

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