O discurso indireto livre, presente em diversos romancistas ...

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Q4152831 Literatura
O discurso indireto livre, presente em diversos romancistas do século XIX e desenvolvido, sob formas refinadas, no romance do século XX, manifesta-se mesclando, no mesmo enunciado, a voz do narrador e a voz da personagem, resultando, de acordo com a elucidativa expressão de Roy Pascal, em uma voz dual. Essa voz dual, na sua contaminação, ora satírica, ora irônica, ora simpateticamente lírica, da voz da personagem e da voz do narrador, pode gerar no leitor dificuldade na interpretação do texto, em particular no que diz respeito à focalização.
SILVA, V. M. A. Teoria da Literatura. 8. ed. Coimbra: Almedina, 2018. p. 764 (adaptado).

Considerando essa abordagem, assinale a opção que apresenta um trecho da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, em que se encontra essa voz dual por meio do discurso indireto livre.
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O enunciado pedia o trecho com discurso indireto livre, isto é, narração em 3ª pessoa contaminada pela interioridade avaliativa da personagem. Em A, a voz do narrador é atravessada por juízos e exclamações de Rubião, sem verbo de elocução nem marca de citação, o que atende exatamente ao critério pedido e define o gabarito.

Tema central: Discurso indireto livre
Análise das alternativas
A
Certa
A está correta porque realiza a fusão entre a voz do narrador e a interioridade avaliativa de Rubião no mesmo enunciado. O trecho permanece em 3ª pessoa, mas incorpora apreciações subjetivas imediatas da personagem, como "Que era bem escrita, era.", "O diabo do homem parecia ter assistido à cena." e "Que narração! Que viveza de estilo!", sem travessão, aspas ou verbo declarativo introduzindo fala ou pensamento. Esse é o critério técnico do discurso indireto livre: subjetividade da personagem infiltrada na narração, produzindo a voz dual mencionada no enunciado.
B
Errada
Está errada porque o trecho apenas relata ações e reações de Rubião e dos ouvintes. Há narração externa factual, sem contaminação do enunciado por pensamento ou avaliação interna da personagem.
C
Errada
Está errada porque o trecho apresenta descrição narrativa de Sofia e ainda traz referência do narrador a capítulo anterior. A valoração descritiva não aparece como fusão inequívoca com a consciência de Rubião, mas como descrição do narrador.
D
Errada
Está errada porque o trecho organiza ações sucessivas de Rubião e informa um fato final sobre a notícia. Não há incorporação direta da voz mental da personagem ao enunciado, mas relato objetivo de acontecimentos.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi fazer o candidato tomar descrição expressiva, emoção no trecho ou mera focalização em Rubião como se isso bastasse para caracterizar discurso indireto livre. O decisivo era a subjetividade da personagem fundida à narração sem marca formal de citação.
Dica para questões semelhantes
  • Procure narração em 3ª pessoa com avaliações, exclamações ou léxico subjetivo atribuíveis à personagem.
  • Verifique se essa subjetividade aparece sem travessão, aspas ou verbo de elocução como "pensou" ou "disse".
  • Elimine trechos que apenas descrevem ações, ambiente ou personagens a partir de narrador externo.
  • Não confunda adjetivação do narrador com interioridade mesclada da personagem.

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