Questões de Concurso Sobre teorias e práticas para o ensino de língua portuguesa  em pedagogia

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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português e Inglês |
Q4158866 Pedagogia
Ter autonomia implica agir com responsabilidade, posicionar-se de forma consciente e crítica, assumir compromissos e consequências de atos ou ações, ser consciente das influências externas que sofre e, a partir delas, tomar decisões sobre submeter-se ou não às imposições sociais, tendo clareza dos aspectos políticos, econômicos e ideológicos que permeiam tais imposições, ou seja, ter consciência das condições materiais que caracterizam as práticas sociais.

Na perspectiva freiriana, a autonomia é compreendida como processo de liberdade e produção histórica e social, embasada em experiências nas quais o educando possa fazer escolha e tomada de decisões, para aprimorar sua capacidade de autogovernar-se; logo, Paulo Freire adota uma compreensão mais complexa com relação à autonomia. O autor ainda acrescenta que isso não acontece de repente, é uma construção que tem a participação da família e dos educadores como mediadores desse processo de amadurecimento.
ALVES, J. C.; OLIVEIRA, M. L. A. M.; MELO, S. P. A. L. Uma reflexão sobre a importância da construção da autonomia no processo educativo. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 30, 2022 (adaptado).

Considerando o texto apresentado, uma ação propícia à prática de autonomia discente em aulas de descrição e análise linguísticas a ser proposta pelo professor é
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português e Inglês |
Q4158862 Pedagogia
A gestão escolar solicitou que duas professoras de Língua Portuguesa trabalhassem o conteúdo da disciplina utilizando um fôlder, ilustrado a seguir, referente à campanha de vacinação contra a gripe, a fim de conscientizar os estudantes da importância da vacinação. 

Imagem associada para resolução da questão Disponível em:https://www.gov.br/saude. Acesso em: 07 maio 2024.

A professora 1 explicou a diferença entre oração e período e, depois, explanou a diferença entre orações coordenadas e subordinadas; em seguida, com o intuito de divulgar o fôlder, distribuiu cópias para os estudantes e solicitou a eles que identificassem e classificassem as orações ali presentes.

A professora 2 fez a leitura coletiva do fôlder com os estudantes e, depois, expôs e comparou alguns períodos e orações, a fim de que eles identificassem como a produção de sentido acontecia naquele exemplar. Trouxe também para a discussão informações sobre a queda dos índices de vacinação ocorrida nos últimos anos.

Considerando essa situação, assinale a opção que indica os fundamentos teórico-metodológicos subjacentes às duas práticas descritas.
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Q4152851 Pedagogia
O que é gênero do discurso?

Quando interagimos com outras pessoas por meio da linguagem, seja a linguagem oral, seja a linguagem escrita, produzimos certos textos que, com poucas variações, se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem e na estrutura. Esses textos constituem os chamados gêneros do discurso ou gêneros textuais e foram historicamente criados pelo ser humano a fim de atender a determinadas necessidades de interação verbal.
CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C. Português: linguagens. 9. ed. v. 1. São Paulo: Ática, 2013. p. 32 (adaptado).

O trecho acima, retirado de um livro didático de Português aprovado no PNLD 2015 e destinado a turmas do 1º ano do Ensino Médio, fundamenta-se na
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Q4152848 Pedagogia
Ao pensar em ensinar e aprender com as tecnologias digitais de informação e comunicação, uma professora planejou uma sequência didática, constituída de dez aulas, referente ao componente curricular Língua Portuguesa, voltada ao 9º ano do Ensino Fundamental. O resultado desse planejamento era a produção de um vídeo sobre a polêmica da criminalização do funk no Brasil. Essa proposta estava baseada na perspectiva de metodologias ativas (sala de aula invertida), bem como na Base Nacional Comum Curricular, e integrou a tecnologia em sala de aula aos conteúdos pedagógicos, promovendo nos discentes a motivação para aprender e viabilizando uma aprendizagem de qualidade.

Ao propor a produção do vídeo, a professora estimula as produções orais em sala de aula, uma vez que
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152295 Pedagogia
Um professor de Língua Portuguesa do Ensino Médio planeja utilizar, em sua aula, a seguinte charge, produzida no contexto das enchentes que assolaram muitos munícipios do Rio Grande do Sul em 2024. Seu objetivo é trabalhar os elementos verbais e não verbais do texto, além de desenvolver a postura crítica dos seus estudantes.
Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://www.instagram.com/. Acesso em: 15 maio 2024.

Nessa situação, para estimular uma postura crítica a partir da reflexão sobre a charge, o professor deve debater o tema de forma que os estudantes
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152294 Pedagogia
TEXTO 1
No conto O colocador de pronomes, Monteiro Lobato narra a trajetória de Aldrovando Cantagalo, ferrenho defensor da tradição gramatical. Ao longo da narrativa, o personagem se depara com uma tabuleta, na qual está escrito: “Ferra-se cavalos”. Indignado com o desvio gramatical, Aldrovando imediatamente interpela o ferreiro, dizendo que o erro precisa ser reparado. A seguir, encontra-se um trecho do diálogo entre Aldrovando e o ferreiro:

— O sujeito sendo cavalos, continuou o mestre, a forma verbal é ferram-se. Portanto, o certo é: ferram-se cavalos!
— Ah! respondeu o ferreiro, começo agora a compreender. Diz V. Sa. que...
— ...que ferra-se cavalos é um solecismo horrendo e o certo é ferram-se cavalos. Digo que está a forma verbal com eiva grave.
— V. Sa. me perdoe, mas o sujeito que ferra os cavalos sou eu, e eu não sou plural. Aquele se da tabuleta refere-se cá a este seu criado. É como quem diz: “Serafim ferra cavalos” — “Ferra Serafim cavalos”. Para economizar tinta e tábua, abreviaram o meu nome, e ficou como está: Ferra Se(rafim) cavalos. Isto me explicou o pintor, e entendi-o muito bem.
LOBATO, M. O colocador de pronomes. In: Negrinha. São Paulo: Brasiliense, 1956 (adaptado).

TEXTO 2
Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://entrelinhasdavida1.wordpress.com/. Acesso em: 7 maio 2024.

Um professor de Língua Portuguesa que planeje relacionar os textos apresentados para construir uma atividade avaliativa que considere tanto o gênero quanto o conteúdo deverá abordar nessa atividade
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152292 Pedagogia
TEXTO 1
O Gualín do TTK, ou língua do Catete, foi criado por moradores do bairro do Catete, na zona sul do Rio de Janeiro, na década de 1960, com o intuito de driblar a repressão da ditadura militar. A fim de se comunicarem de uma forma que os militares não entendessem, os moradores mudavam a ordem das sílabas das palavras, ou seja, falavam as frases de trás para frente. Com praticantes até hoje, o Gualín do TTK é considerado a segunda língua da cidade do Rio de Janeiro.
Disponível em: https://agenciauva.net/. Acesso em: 11 jun. 2024 (adaptado).

TEXTO 2
Oi, tudo legal? Oi, dotú gal-lê?
Meu nome é Gabriel, meu menô é Elbrigá
Meu filho é Davi, meu lhofí é Vidá
Os nomes nessa língua, os mesnô sané gualín
são assim, são sim-a
Se cevô besá larfá sané gualín, lafá bemtâm
É de trás pra tefrén, se quiser falar também
Se você sabe falar nessa língua, fala também
è de tr´s pra frente, se serquí larfá bemtâm
Oi tudo legal? Oi, dotú gal-lê?
tá tudo tranquilão, tá dotú lãoquitrân
tá tudo tranquilão, tá dotú lãoquitrân
Oi, tudo legal? Oi, dotú gal-lê?
Disponível em: https://www.letras.com/gabriel-pensador/. Acesso em: 2 jun. 2024.

Ao elaborar seu plano de aula para uma turma da 3ª série do Ensino Médio, uma professora de Língua Portuguesa definiu os seguintes passos: revisão da aula anterior, em que havia abordado a variação linguística e seus desdobramentos nas comunidades; discussão sobre o fenômeno linguístico denominado Gualín do TTK, a partir da leitura do Texto 1; apresentação de um rap que ilustra o Gualín (Texto 2); orientações à turma para a elaboração de um texto que leve em consideração aspectos da variação linguística, a ser apresentado em um evento escolar.

Com esse planejamento, além de abordar a questão do preconceito linguístico, a proposta didático-pedagógica da professora é condizente com o objetivo de
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152279 Pedagogia
Um professor de Língua Portuguesa, ao discutir as propriedades semânticas das palavras com seus estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, preparou uma aula a partir dos sentidos associados à palavra ‘pena’, derivada da palavra latina peona (castigo, punição sofrimento), na construção de sentidos em uma campanha de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: http://www.pautasocial.com.br/. Acesso em: 8 maio 2024.

Nessa situação, a aula preparada pelo professor exemplifica o fenômeno semântico da
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152278 Pedagogia
Em uma aula de Língua Portuguesa para uma turma do Ensino Fundamental, a professora apresentou à turma o gênero fanzine de forma metalinguística. A proposta da atividade era mobilizar os alunos a realizar leituras distintas, com dinâmica e vivacidade cultural. Na introdução, a professora apresentou a seguinte imagem.

Imagem associada para resolução da questão JESUS, C. E. A. Caderno de Atividades Zine. Disponível em: https://acesse.dev/BNF13. Acesso em: 25 maio 2024.

Considerando essa situação, assinale a opção que apresenta a relação adequada entre o trecho destacado do fanzine e a intervenção pedagógica a ser realizada pela professora.
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152277 Pedagogia
Uma professora de Língua Portuguesa, preparando uma aula para sua turma do Ensino Médio, decidiu trabalhar com gêneros orais, tendo por base o conteúdo literário próprio desse segmento de ensino. Assim, organizou os estudantes em círculo e pediu a eles sugestões de como abordar a produção literária por meio da oralidade. A sugestão da maioria dos alunos foi a batalha de rimas (slam), que consiste em uma competição de poesia falada, um espaço para livre expressão poética, um local onde questões da atualidade são debatidas ou até mesmo uma forma de entretenimento.
Nessa situação, uma prática pedagógica adequada para se trabalhar com o gênero sugerido pelos alunos é
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152274 Pedagogia
Suponha que a personagem da tirinha a seguir seja uma estudante do 4º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública brasileira.

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://web.facebook.com/tirinhasinteligentess/posts/. Acesso em: 3 jun. 2024.

Considerando o contexto escolar dessa estudante, assinale a opção correta, a respeito do texto produzido por ela.
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152272 Pedagogia
No mundo impulsionado pela tecnologia de hoje, é preciso expandir o conceito de letramento para que ele abranja também a capacidade de interpretar e de se comunicar de forma eficaz e absorver e produzir informações por meio de variados modos de representação. Para isso, o professor deve promover na escola a passagem do letramento ao multiletramento que reconhece a existência de múltiplas maneiras de abordar informações.
ROJO, R. H. R. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012 (adaptado).

Nesse contexto, ao preparar uma atividade para o desenvolvimento do letramento digital em uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o professor deve considerar que
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Inglês |
Q4151655 Pedagogia
West Side Story is a contemporary film inspired in William Shakespeare’s Romeo and Juliet. The central theme of forbidden love between young lovers from opposing groups portrays the destructive nature of prejudice and hatred, leading to tragic outcomes. The lovers, Romeo and Juliet, and Tony and Maria, face immense societal pressures and personal sacrifices. Ultimately, both narratives highlight the senselessness of violence and the enduring power of love amidst conflict.
A teacher presents to her High School students the film West Side Story, and then associates it with the play Romeo and Juliet to conduct a thematic comparative analysis; by doing this, she
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Pedagogia |
Q4151253 Pedagogia
A concepção de aprendizagem em uma perspectiva histórico-cultural revela uma relação com a linguagem, na constituição da consciência e da identidade. Nesse contexto, a Língua Portuguesa, como instrumento de apropriação do conhecimento, deve ser trabalhada como meio de expansão das possibilidades de uso social da língua, já conhecida e dominada em sua variedade oral, pelos estudantes.
GOMES, M. L. de C. Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa. Curitiba: Intersaberes, 2015 (adaptado).
Na área de Língua Portuguesa, o planejamento de ensino para estudantes do 1º segmento da Educação de Jovens e Adultos, com base na concepção de aprendizagem citada, deve contemplar
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Q3967728 Pedagogia

Para responder à questão, considere o conjunto de textos da prova. 

A abordagem planejada e sistematizada da oralidade em sala de aula 

Alternativas
Q3595175 Pedagogia
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, é possível analisar a aplicabilidade e características das atividades metalinguísticas. Em conformidade com o referido documento, é improcedente afirmar:
Alternativas
Q3585406 Pedagogia
Marlene, professora do 1º ano do Ensino Fundamental, deseja que seus alunos aprendam a usar a língua escrita em diferentes situações. Para isso, incluiu, em seu planejamento, propostas de leitura e escrita de bilhetes e convites, porque entende que os gêneros textuais são: 
Alternativas
Q3550770 Pedagogia

Para responder à questão, leia o texto a seguir.


  Fonte: CABRAL, Ivan. Charge sobre ética. Disponível em: wwww.ivancabral.com/2007/06/html. Acesso em: 04 de jul de 2024.

Após ler a charge, um professor de língua portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental elaborou as seguintes questões:
I- Qual a função do uso do negrito na palavra ética?
II- Qual o modo verbal da palavra “escreva”?
III- Apalavra “professora” tem qual função na oração?
IV- Se a palavra “professora” for deslocada para o início da frase, ela muda o sentido do que foi enunciado?
V- Qual sentido implica o uso do sujeito indeterminado para a forma verbal “roubaram”?
Quais questões demonstram uma abordagem reflexiva sobre o ensino das linguagens da charge? 
Alternativas
Q3550768 Pedagogia

Para responder à questão, leia o Texto II.


Texto II - Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção - Aldo Bizzocchi


    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente, e toda uma interminável cantilena de rabugices.

    

    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante de um erro linguístico. Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão linguística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade.

    

    Para a linguística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão linguística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência. Amaioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso linguístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas, tampouco vai à praia de terno. Assim como há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão linguística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso. [...] Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim.

    

    Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

Fonte: Bizzocci, Aldo. Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção. Revista Língua Portuguesa, ano 03, nº 25, novembro de 2007.

A partir da leitura do texto, pensando em atividades pedagógicas para se trabalhar o ensino da leitura e da escrita que contemplem as variações linguísticas, de maneira a priorizar o acolhimento das diferenças e a adequação linguística das situações comunicativas, analise as alternativas e marque a CORRETA. 
Alternativas
Q3550767 Pedagogia

Para responder à questão, leia o Texto II.


Texto II - Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção - Aldo Bizzocchi


    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente, e toda uma interminável cantilena de rabugices.

    

    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante de um erro linguístico. Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão linguística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade.

    

    Para a linguística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão linguística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência. Amaioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso linguístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas, tampouco vai à praia de terno. Assim como há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão linguística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso. [...] Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim.

    

    Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

Fonte: Bizzocci, Aldo. Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção. Revista Língua Portuguesa, ano 03, nº 25, novembro de 2007.

Levando em consideração a discussão proposta no texto sobre o ensino da língua materna nas escolas, observando-se o respeito à diversidade linguística proposto na BNCC e a concepção de língua adotada no documento legal, analise as assertivas.
I- Estudar variação linguística inclui pensar sobre as regularidades e irregularidades ortográficas do português do Brasil na escrita de textos.
II- É importante que a escola proporcione situações de aprendizagem para que o (a) estudante conheça algumas variedades linguísticas do português do Brasil e suas diferenças fonológicas, prosódicas, lexicais e sintáticas, avaliando seus efeitos semânticos.
III- O texto colabora como argumento de que é necessário discutir, no fenômeno da variação linguística, variedades prestigiadas e estigmatizadas e o preconceito linguístico que as cerca, questionando suas bases de maneira crítica.
IV- O trabalho com a variação linguística também deve contemplar reflexões sobre os fenômenos da mudança linguística e da variação linguística, inerentes a qualquer sistema linguístico.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Respostas
381: B
382: C
383: A
384: C
385: B
386: D
387: B
388: D
389: C
390: B
391: D
392: B
393: B
394: A
395: C
396: D
397: B
398: A
399: E
400: C