Questões de Concurso Sobre teorias e práticas para o ensino de língua portuguesa  em pedagogia

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Q3139488 Pedagogia
Considerando as diferentes concepções de leitura e suas implicações no ensino de Língua Portuguesa, analise as afirmativas a seguir:

I.A concepção de leitura como decodificação de símbolos privilegia a compreensão crítica e contextual dos textos, incentivando a formação de leitores autônomos.
II.A abordagem interacionista da leitura considera o leitor como um sujeito ativo na construção de significados, enfatizando a interação entre texto e leitor no processo interpretativo.
III.Práticas pedagógicas baseadas na concepção de leitura como mera reprodução de informações tendem a limitar o desenvolvimento da competência leitora crítica dos estudantes.
IV.A visão de leitura como processo interativo propõe que o sentido do texto é construído exclusivamente pelo autor, cabendo ao leitor apenas identificar as intenções autorais.

Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3139487 Pedagogia
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os anos finais do Ensino Fundamental, na área de Língua Portuguesa, estabelece princípios que orientam o ensino dessa disciplina para o desenvolvimento das competências de leitura, escrita, oralidade e análise linguística. Com base no documento, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3139485 Pedagogia
No contexto do ensino de Língua Portuguesa, a prática de análise linguística (AL) visa promover a reflexão dos alunos sobre o funcionamento da linguagem. Considerando as abordagens contemporâneas de AL em sala de aula, analise as seguintes afirmativas:

I.A prática de AL deve ser integrada às atividades de leitura e produção textual, permitindo que os alunos compreendam a relação entre forma e sentido nos diferentes gêneros discursivos.
II.O ensino tradicional de gramática, focado na memorização de regras e classificações, é suficiente para desenvolver nos alunos a competência comunicativa necessária para a produção de textos eficazes.
III.A reflexão sobre variação linguística em sala de aula contribui para a formação de uma consciência crítica nos alunos, permitindo-lhes reconhecer e valorizar a diversidade de usos da língua em diferentes contextos sociais.
IV.A análise linguística deve ser realizada de forma descontextualizada, priorizando a identificação de estruturas gramaticais isoladas, sem considerar os aspectos pragmáticos e discursivos dos textos.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4152866 Pedagogia
Uma professora de Língua Portuguesa resolveu realizar, com sua turma do 9º ano do Ensino Fundamental, um trabalho pedagógico para discutir a terminologia técnica usada na área da saúde. Primeiramente, escreveu na lousa a palavra “dismenorreia” e perguntou para a classe qual seria o sentido desse vocábulo. Após a pergunta, alguns alunos ficaram em silêncio e outros disseram que não tinham certeza se sabiam seu significado. Diante da hesitação dos discentes, a profissional apresentou a definição desse item lexical a partir de um site de divulgação científica (Texto 1) e de um dicionário (Texto 2). Além disso, ela teceu algumas considerações sobre a formação de termos técnico-científicos relacionados ao campo da saúde e da Medicina.

TEXTO 1

DISMENORREIA – sinônimos e nomes populares: cólica menstrual, menstruação dolorosa.

O que é: é a dor pélvica (baixo ventre) que ocorre antes ou durante o período menstrual e pode impedir as atividades normais ou necessitar de medicação específica.
DISMENORREIA. ABC da Saúde Informações Médicas. 2021. Disponível em: https://www.abcdasaude.com.br/ ginecologia-e-obstetricia/dismenorreia-colica-menstrual/. Acesso em: 12 maio 2024 (adaptado).


TEXTO 2

DISMENORREIA – substantivo feminino.
Rubrica: ginecologia – cólica antes ou durante a menstruação.
Etimologia: 2dis- + menorreia
2dis – prefixo de origem grega muito usado na terminologia científica; exprime as ideias de: 1) dificuldade: dispneia; 2) privação: dissimetria.
MENORREIA – substantivo feminino.
1 Rubrica: fisiologia – o fluxo normal das menstruações.
2 Rubrica: Medicina. Estatística: pouco usado – menstruação abundante, excessiva; menorragia.
DISMENORREIA; MENORREIA. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009 (adaptado).

Após essa dinâmica, os alunos concluíram que, apesar de conhecerem a doença nomeada pela palavra, não usam esse termo para fazer referência a ela no dia a dia, preferindo seus nomes populares: “cólica” ou “cólica menstrual”.

A partir da atividade realizada, a docente espera que os alunos sejam capazes de
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Q4152848 Pedagogia
Ao pensar em ensinar e aprender com as tecnologias digitais de informação e comunicação, uma professora planejou uma sequência didática, constituída de dez aulas, referente ao componente curricular Língua Portuguesa, voltada ao 9º ano do Ensino Fundamental. O resultado desse planejamento era a produção de um vídeo sobre a polêmica da criminalização do funk no Brasil. Essa proposta estava baseada na perspectiva de metodologias ativas (sala de aula invertida), bem como na Base Nacional Comum Curricular, e integrou a tecnologia em sala de aula aos conteúdos pedagógicos, promovendo nos discentes a motivação para aprender e viabilizando uma aprendizagem de qualidade.

Ao propor a produção do vídeo, a professora estimula as produções orais em sala de aula, uma vez que
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152296 Pedagogia
Entre os gêneros textuais digitais que têm surgido no contexto da cibercultura e que têm provocado novas possibilidades de acesso ao conhecimento, há o gênero narrativa digital (digital storytelling). Visando à sua produção, os alunos, em sua maioria, além de tablets e notebooks, possuem um artefato digital quase indispensável atualmente: o smartphone. Este agrega múltiplas funções: acesso às redes sociais e a sites diversos, jogos, câmeras fotográficas, ferramentas de gravação de áudio. Essas e outras funcionalidades permitem a participação ativa em construções de narrativas variadas, de forma autoral, individual e(ou) coletivamente, criando-se e recriando-se histórias.
OLIVEIRA, J. V. dos S.; SILVA, S. B. B. da. Os gêneros textuais digitais como estratégias pedagógicas no ensino de língua portuguesa na perspectiva dos (multi)letramentos e dos multiletramentos. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2162-2182, 2021 (adaptado).

A leitura escolar, em seu formato canônico, normalmente não autoriza ligações com aquilo que se situa fora do literário: o universo do leitor. Ciente disso, o professor de uma escola dos anos finais do Ensino Fundamental tem o propósito de oportunizar a formação de leitores trazendo para a sala de aula autores que questionem o valor do cânone, aproximando a literatura da cultura de massa.

Para relacionar a literatura não canônica com o contexto digital apresentado anteriormente, uma estratégia adequada seria o professor abordar
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152293 Pedagogia
A instituição escolar tem sido há séculos a principal agência de manutenção e difusão do preconceito linguístico e de outras formas de discriminação. Uma formação docente adequada, com base nos avanços das ciências da linguagem e com vistas à criação de uma sociedade democrática e igualitária, é um passo importante na crítica e na desconstrução desse círculo vicioso.
BAGNO, M. Preconceito Linguístico. Termos de Alfabetização, Leitura e Escrita para Educadores. Glossário Ceale. Disponível em: ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceito-linguistico. Acesso em: 2 maio 2024 (adaptado).

Uma professora de Língua Portuguesa, ao avaliar um texto produzido por um aluno da 1ª série do Ensino Médio, assinalou quatro sentenças. Na primeira, havia sido usado o verbo “ter” como sinônimo de “existir”. Na segunda, a forma infinitiva “considerar” havia sido escrita como “considerá”, ou seja, sem o “r” e com vogal final acentuada graficamente. Na terceira, constava a forma “barrer”, em vez de “varrer”. Na quarta, constava a expressão “dar um jeito na corrupção”.

Considerando-se a perspectiva apresentada por Bagno, a fim de promover a autonomia e a valorização discente e os conhecimentos sobre variação e mudança linguísticas, é adequado nessa situação a professora
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152290 Pedagogia
Entre as fases do ensino de línguas mediado por computador, destaca-se a integrativa, caracterizada pela chegada da Rede Mundial de Computadores (World Wide Web — WWW), pela criação das tecnologias de publicação e compartilhamento de informação, bem como pelo envio de mensagens de forma síncrona (ex.: chat) e assíncrona (ex.: e-mail). Nessa perspectiva, os equipamentos e os telefones celulares passaram por uma verdadeira revolução, tornando-se inteligentes e, por isso mesmo, sendo chamados de smartphones (telefones inteligentes).
PAIVA, V. L. M. de O. e. Tecnologias digitais no ensino de línguas: passado, presente e futuro. Revista da Abralin, v. XVIII, n. 1, p. 1-26, 2019 (adaptado).

Preocupada em atender às habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Língua Portuguesa que discorrem sobre o ensino mediado pelas tecnologias, uma professora dos Anos Finais do Ensino Fundamental propôs, em seu planejamento, uma atividade que mobilizasse o uso criativo dos recursos tecnológicos. Para tanto, solicitou a seus alunos que gravassem, em seus smartphones, um vídeo divertido, destinado a um amigo, e que utilizassem os recursos disponíveis no aparelho ou em aplicativos para torná-lo animado, como aceleração ou diminuição da velocidade da voz, ruídos estranhos, performance de algum personagem preferido, entre outras possibilidades. Feito isso, deveriam postá-lo em uma rede social e marcar o colega na publicação. Se este colega o repostasse em suas próprias redes sociais, a atividade teria êxito.

Nesse contexto, ao associar diferentes linguagens e tecnologias ao planejamento de ensino a partir de uma abordagem sociointeracional de linguagem, o uso de recursos tecnológicos favorece a
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152284 Pedagogia
Ao elaborar uma aula sobre as relações entre fala e escrita para uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental, uma professora de Português incluiu no planejamento a escuta ativa dos alunos de uma palestra informativa sobre a dengue, que havia sido oferecida por um agente de saúde. Na aula subsequente ao evento, a professora solicitou aos alunos que retextualizassem a palestra em registro escrito, para posterior divulgação em uma rede social da escola. Para instruir os alunos sobre o processo de retextualização, a professora se fundamentou teoricamente nos estudos de Marcuschi, conforme esquematizado a seguir.

Imagem associada para resolução da questão MARCUSCHI, L. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 48 (adaptado).

Considerando as orientações da professora e o que se refere às estratégias de retextualização de textos orais e escritos, assinale a opção que indica o percurso a ser traçado pelos alunos para compreender e retextualizar a palestra.
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152277 Pedagogia
Uma professora de Língua Portuguesa, preparando uma aula para sua turma do Ensino Médio, decidiu trabalhar com gêneros orais, tendo por base o conteúdo literário próprio desse segmento de ensino. Assim, organizou os estudantes em círculo e pediu a eles sugestões de como abordar a produção literária por meio da oralidade. A sugestão da maioria dos alunos foi a batalha de rimas (slam), que consiste em uma competição de poesia falada, um espaço para livre expressão poética, um local onde questões da atualidade são debatidas ou até mesmo uma forma de entretenimento.
Nessa situação, uma prática pedagógica adequada para se trabalhar com o gênero sugerido pelos alunos é
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152275 Pedagogia
Ao planejar uma atividade com o gênero discursivo meme sob a perspectiva dos processos de letramento e de multiletramento para alunos do Ensino Médio, um professor pretende verificar as visões dos alunos sobre o assunto tratado de forma humorística. Para a discussão, o professor escolheu apresentar à sua turma os seguintes textos.

TEXTO 1

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://www.instagram.com/escola_ da_depressao2018/. Acesso em: 10 jun. 2024.  

TEXTO 2

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://www.instagram.com/escoladadepressao/. Acesso em: 10 jun. 2024.

Nessa situação, ao analisar os textos com os alunos, o professor deve considerar que
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152272 Pedagogia
No mundo impulsionado pela tecnologia de hoje, é preciso expandir o conceito de letramento para que ele abranja também a capacidade de interpretar e de se comunicar de forma eficaz e absorver e produzir informações por meio de variados modos de representação. Para isso, o professor deve promover na escola a passagem do letramento ao multiletramento que reconhece a existência de múltiplas maneiras de abordar informações.
ROJO, R. H. R. Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012 (adaptado).

Nesse contexto, ao preparar uma atividade para o desenvolvimento do letramento digital em uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA), o professor deve considerar que
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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Pedagogia |
Q4151253 Pedagogia
A concepção de aprendizagem em uma perspectiva histórico-cultural revela uma relação com a linguagem, na constituição da consciência e da identidade. Nesse contexto, a Língua Portuguesa, como instrumento de apropriação do conhecimento, deve ser trabalhada como meio de expansão das possibilidades de uso social da língua, já conhecida e dominada em sua variedade oral, pelos estudantes.
GOMES, M. L. de C. Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa. Curitiba: Intersaberes, 2015 (adaptado).
Na área de Língua Portuguesa, o planejamento de ensino para estudantes do 1º segmento da Educação de Jovens e Adultos, com base na concepção de aprendizagem citada, deve contemplar
Alternativas
Q3967728 Pedagogia

Para responder à questão, considere o conjunto de textos da prova. 

A abordagem planejada e sistematizada da oralidade em sala de aula 

Alternativas
Q3595175 Pedagogia
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, é possível analisar a aplicabilidade e características das atividades metalinguísticas. Em conformidade com o referido documento, é improcedente afirmar:
Alternativas
Q3585406 Pedagogia
Marlene, professora do 1º ano do Ensino Fundamental, deseja que seus alunos aprendam a usar a língua escrita em diferentes situações. Para isso, incluiu, em seu planejamento, propostas de leitura e escrita de bilhetes e convites, porque entende que os gêneros textuais são: 
Alternativas
Q3550770 Pedagogia

Para responder à questão, leia o texto a seguir.


  Fonte: CABRAL, Ivan. Charge sobre ética. Disponível em: wwww.ivancabral.com/2007/06/html. Acesso em: 04 de jul de 2024.

Após ler a charge, um professor de língua portuguesa dos Anos Finais do Ensino Fundamental elaborou as seguintes questões:
I- Qual a função do uso do negrito na palavra ética?
II- Qual o modo verbal da palavra “escreva”?
III- Apalavra “professora” tem qual função na oração?
IV- Se a palavra “professora” for deslocada para o início da frase, ela muda o sentido do que foi enunciado?
V- Qual sentido implica o uso do sujeito indeterminado para a forma verbal “roubaram”?
Quais questões demonstram uma abordagem reflexiva sobre o ensino das linguagens da charge? 
Alternativas
Q3550768 Pedagogia

Para responder à questão, leia o Texto II.


Texto II - Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção - Aldo Bizzocchi


    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente, e toda uma interminável cantilena de rabugices.

    

    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante de um erro linguístico. Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão linguística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade.

    

    Para a linguística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão linguística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência. Amaioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso linguístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas, tampouco vai à praia de terno. Assim como há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão linguística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso. [...] Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim.

    

    Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

Fonte: Bizzocci, Aldo. Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção. Revista Língua Portuguesa, ano 03, nº 25, novembro de 2007.

A partir da leitura do texto, pensando em atividades pedagógicas para se trabalhar o ensino da leitura e da escrita que contemplem as variações linguísticas, de maneira a priorizar o acolhimento das diferenças e a adequação linguística das situações comunicativas, analise as alternativas e marque a CORRETA. 
Alternativas
Q3550767 Pedagogia

Para responder à questão, leia o Texto II.


Texto II - Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção - Aldo Bizzocchi


    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente, e toda uma interminável cantilena de rabugices.

    

    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante de um erro linguístico. Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão linguística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade.

    

    Para a linguística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão linguística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência. Amaioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso linguístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas, tampouco vai à praia de terno. Assim como há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão linguística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso. [...] Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim.

    

    Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

Fonte: Bizzocci, Aldo. Noção de erro de português é afetada pela ideia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção. Revista Língua Portuguesa, ano 03, nº 25, novembro de 2007.

Levando em consideração a discussão proposta no texto sobre o ensino da língua materna nas escolas, observando-se o respeito à diversidade linguística proposto na BNCC e a concepção de língua adotada no documento legal, analise as assertivas.
I- Estudar variação linguística inclui pensar sobre as regularidades e irregularidades ortográficas do português do Brasil na escrita de textos.
II- É importante que a escola proporcione situações de aprendizagem para que o (a) estudante conheça algumas variedades linguísticas do português do Brasil e suas diferenças fonológicas, prosódicas, lexicais e sintáticas, avaliando seus efeitos semânticos.
III- O texto colabora como argumento de que é necessário discutir, no fenômeno da variação linguística, variedades prestigiadas e estigmatizadas e o preconceito linguístico que as cerca, questionando suas bases de maneira crítica.
IV- O trabalho com a variação linguística também deve contemplar reflexões sobre os fenômenos da mudança linguística e da variação linguística, inerentes a qualquer sistema linguístico.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3550765 Pedagogia

Para responder à questão, leia o Texto I.


Texto I - Tecnologia: Manuais de aparelhos devem ter linguagem multimodal - Elisandra Vilella G. Sé


    Manuais de aparelhos eletrônicos, como celulares, rádios, MP3, palms, smarphones, câmeras fotográficas, notebooks, filmadoras, televisores, aparelhos domésticos, circulam no nosso dia a dia e ajudam a concretizar o uso efetivo de determinado aparelho ou objeto pessoal. Mas o que são textos multimodais?

[...]

    

    Os textos multimodais são aqueles que empregam duas ou mais modalidades de formas linguísticas, a composição da linguagem verbal e não verbal com o objetivo de proporcionar uma melhor inserção do leitor no mundo contemporâneo. Alinguagem utilizada nos manuais é uma unidade de produção verbal coletiva e social que veicula uma mensagem linguisticamente organizada e que tende a produzir um efeito de coerência sobre seu destinatário.

    

    Assim, a facilidade da compreensão e o impacto que essa linguagem causa no leitor é que vai justificar a ação, a usabilidade, o agir com os objetos nos universos variados dos leitores e usuários. Dessa forma, a prática de leitura da mensagem escrita com a prática da decodificação das imagens e outros recursos visuais, a decodificação dessa multimodalidade nos textos é que irá facilitar o entendimento do usuário.

    

    Para as pessoas que apresentam dificuldades de leitura, déficits sensoriais e dificuldades nas instruções muito abstratas, os melhores manuais de instruções são os que apresentam essa multimodalidade. Os vários elementos e recursos visuais, pictóricos, representações diversas, cores etc. são facilitadores da compreensão.

    

    Quando lemos um texto, somos expostos a uma grande quantidade de estímulos sensoriais e visuais, aos quais se somam os nossos objetivos de leitura. Lemos os textos de modo diferente, porque são diferentes as motivações que nos conduzem a essa prática. Na condição de leitores, criamos expectativas diretamente relacionadas com o tipo de texto que será lido, no qual esperamos encontrar uma gama de recursos multimodais que nos ajudem na utilização dos objetos.

    

    Uma pesquisa realizada por Pereira e Silva (2009), em São Leopoldo/RS, sobre a linguagem dos manuais de aparelho celular, focalizando os efeitos e impactos da leitura do manual sobre os leitores e o consequente uso do aparelho, evidenciou a dificuldade enfrentada pelos usuários durante a leitura de manuais, nos procedimentos de observação e de ordem semântica. Trocando em miúdos, o propósito das mensagens desses manuais não foi atingido, as explicações para o leitor saber manusear o aparelho não estavam claras e objetivas.

    

    Assim, a observação calma e detalhada do texto, da formatação, das mensagens de capa e contracapa dos manuais, dos elementos sublinhados, a familiaridade com o vocabulário tecnológico, das partes em negrito, itálico e tamanho de fontes diferenciadas, sinalizações de setas, gráficos, entre outras imagens e componentes visuais, utilização de estratégia e ajuda de outras pessoas, é que tornam os textos mais acessíveis.

    

    É importante salientar que a própria palavra, texto verbal, constitui uma imagem, considerando, principalmente, a forma como ela é apresentada no texto, de forma diversificada, que assume importância na construção do significado nos manuais. Para atingir o objetivo instrucional dos manuais, é essencial a manipulação paralela do aparelho ou instrumento junto à leitura. Isso facilita o aprendizado da usabilidade dos equipamentos, pois nenhum sinal ou código, seja ele visual ou não, pode ser entendido ou estudado com sucesso se separado do equipamento.

    

    Todo usuário, seja qual for seu grau de escolaridade, deve encontrar num manual informações que atendam ao seu grau de dificuldade e nível de experiência para que possa usufruir satisfatoriamente do produto adquirido.

    

    A usabilidade é um conceito utilizado dentro das ciências exatas, como a Engenharia de Produção, e se refere à qualidade da interação do usuário com os produtos e os itens que o compõem, como, por exemplo, manuais do usuário e softwares com aplicativos e configuração.

Fonte: SÉ, Elisandra Vilella G. Tecnologia: manuais de aparelhos devem ter linguagem multimodal (Adaptado). Disponível em: www.vyaestelar.com.br.manuais-deaparelhos-devem-ter-linguagem-multimodal. Acesso em: 07 de jul. 2024.

Observe o trecho em destaque.
“Na condição de leitores, criamos expectativas diretamente relacionadas com o tipo de texto que será lido, no qual esperamos encontrar uma gama de recursos multimodais que nos ajudem na utilização dos objetos.”
Fazendo uma analogia do que se refere no trecho com as aulas de língua portuguesa, numa situação em que o estudante deve ser estimulado a criar expectativas, confirmando-as e confrontando-as durante a leitura, pressupõe-se que: 
Alternativas
Respostas
281: B
282: C
283: B
284: A
285: C
286: D
287: D
288: C
289: C
290: B
291: C
292: B
293: A
294: C
295: D
296: B
297: A
298: E
299: C
300: B