Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4138758 Português
Texto 7


A música na era da velocidade: reflexões sobre consumo e experiência


Se analisarmos os desdobramentos das últimas três décadas, veremos um movimento acelerado de transformações tecnológicas e culturais, cujas tendências surgem e desaparecem em um intervalo muito curto. Vivemos na “sociedade líquida”, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman (1925-2017), cujo vetor dominante é o da velocidade. Práticas culturais cotidianas como ler um livro ou um jornal, assistir a um filme ou ouvir um álbum de música, continuam nos informando, entretendo e alimentando, mas já não são as mesmas experiências de outrora. Hoje essas práticas aparecem fragmentadas, sintetizadas nas linguagens do ciberespaço, distantes do formato que nos provocava o desejo de mergulho profundo.
Não quero soar saudosista. Sou fascinado pelas soluções digitais e reconheço o quanto elas facilitam nossas vidas. Contudo, como lembra o pensador Edgar Morin, precisamos praticar o que ele chama de pensamento complexo. É nesse espírito que convido o leitor a refletir sobre o caso da música – uma expressão artística fugidia, noturna, de contornos indefinidos e de inapreensível imaterialidade. Diferentemente de um quadro que podemos contemplar por longos minutos, a música escapa no instante em que a ouvimos.
Os discos de vinil são exemplo emblemático. Para além da função sonora, eles condensavam um universo estético: capas elaboradas que traduzem visualmente o conceito das músicas, encartes com letras e imagens, sequências pensadas como narrativas coesas. Era um convite ao mergulho integral na obra. Após o reinado dos vinis, o fenômeno do downsizing levou ao surgimento de mídias mais compactas, como o CD, pequeno, portátil, moderno, cabia na mochila, no carro ou no discman. Em seguida vieram os mp3 players, que permitia que criássemos nossas próprias listas. A experiência musical se individualizou, fragmentando-se em canções avulsas. O tempo correu ainda mais rápido até chegarmos à era do streaming, em que plataformas e algoritmos não apenas oferecem acesso ilimitado, mas também ditam, em grande medida, o que vamos ouvir. Não se trata de negar as vantagens desse modelo. O ponto é outro: até que ponto essa abundância de opções, mediada por algoritmos, não torna nossas relações mais superficiais?
A música se abre a múltiplas formas de fruição. Alguns a escutam como pano de fundo para atividades diárias. Outros, com fones de ouvido, mergulham em melodias e harmonias. Há quem explore playlists com canções de artistas variados, e há quem prefira a imersão no vinil, interagindo intensamente com capas e letras. Nenhum desses modos é superior. Como diria Wittgenstein, há uma forma de ouvir – e há outra forma de ouvir. O que me interessa sublinhar é a complexidade dessa arte tão profundamente entrelaçada às nossas memórias afetivas e às nossas histórias de vida. Não há problema em consumir música em um ambiente midiático hiperdinâmico e supersaturado de estímulos, desde que não nos esqueçamos do impacto transformador que ela possui. Mesmo em meio à rotina acelerada, com smartphones sempre à mão, podemos abrir nosso serviço de streaming favorito e nos entregar à contemplação de uma obra. Não importa o formato: vinil, CD, mp3 ou playlist. O essencial é cultivar o espaço para que a música continue sendo aquilo que sempre foi – uma das experiências mais intensas de habitar o mundo.

Disponível em: https://diplomatique.org.br/a-musica-na-era-da-velocidadereflexoes-sobre-consumo-e-experiencia/ Acesso em: 10 jan. 2026. [Adaptado].
Diante de uma sociedade “líquida” como descrita no artigo, o autor argumenta que a música apresenta um caráter de
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Q4138757 Português
PODCAST

Bem viver nas cidades/ #3 águas urbanas


Neste episódio, uma conversa sobre águas urbanas com Raquel Ludermir, da Habitat para a Humanidade Brasil; Joice Paixão, da Associação Gris; e Halan Jackson de Assis, do Fórum de Juventudes do Bom Jardim. Ouça agora o 3º e último episódio da série “Bem viver nas cidades: lutas por direitos e movimentos populares urbanos”, nova parceria do Guilhotina, o podcast do Le Monde Diplomatique, com a com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).
Neste episódio, conversamos sobre águas urbanas com Raquel Ludermir (@raquel_ludermir), doutora em desenvolvimento urbano e que está como gerente de incidência política da Habitat para a Humanidade Brasil; Joice Paixão, cofundadora e presidente da Associação Gris, no bairro da Várzea em Recife; e Halan Jackson de Assis (@halan.aksom), do Fórum de Juventudes do Bom Jardim, Fortaleza. Disponível agora no Guilhotina!

Disponível em: https://diplomatique.org.br/bem-viver-nas-cidades-3-aguasurbanas/. Acesso em: 15 jan. 2026.
Um dos principais propósitos sócio-discursivos do gênero Podcast é apresentar 
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Q4138756 Português
PODCAST

Bem viver nas cidades/ #3 águas urbanas


Neste episódio, uma conversa sobre águas urbanas com Raquel Ludermir, da Habitat para a Humanidade Brasil; Joice Paixão, da Associação Gris; e Halan Jackson de Assis, do Fórum de Juventudes do Bom Jardim. Ouça agora o 3º e último episódio da série “Bem viver nas cidades: lutas por direitos e movimentos populares urbanos”, nova parceria do Guilhotina, o podcast do Le Monde Diplomatique, com a com a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).
Neste episódio, conversamos sobre águas urbanas com Raquel Ludermir (@raquel_ludermir), doutora em desenvolvimento urbano e que está como gerente de incidência política da Habitat para a Humanidade Brasil; Joice Paixão, cofundadora e presidente da Associação Gris, no bairro da Várzea em Recife; e Halan Jackson de Assis (@halan.aksom), do Fórum de Juventudes do Bom Jardim, Fortaleza. Disponível agora no Guilhotina!

Disponível em: https://diplomatique.org.br/bem-viver-nas-cidades-3-aguasurbanas/. Acesso em: 15 jan. 2026.
A nota do Le Monde Diplomatique-Brasil esclarece o leitor sobre uma série de podcasts como uma área importante do jornal. Atualmente, esses podcasts têm crescido nas redes sociais e abrangido variados públicos. Com base na Nota introdutória ao Podcast Bem viver nas cidades, é possível afirmar que a leitura sobre esse veículo informativo tem
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Q4138754 Português
Texto 5

Vozes-mulheres


A voz de minha bisavó
ecoou criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos
de uma infância perdida.

A voz de minha avó
ecoou obediência
aos brancos-donos de tudo.

A voz de minha mãe
ecoou baixinho
revolta no fundo
das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.


EVARISTO, Conceição. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/24-textos-das-autoras/923- conceicao-evaristo-vozes-mulheres. Acesso em: 15 jan. 2025.

A voz discursiva no poema de Conceição Evaristo desperta no leitor
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Q4138753 Português

Leia o texto a seguir.



Imagem associada para resolução da questão



Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2025/03/08/enfrentar-aextrema-direita-e-enfrentar-a-violencia-que-as-mulheres-ja-conhecem-diz-cidagoncalves/. Acesso em: 15 jan. 2026.



Uma campanha publicitária é construída com base em informações de natureza verbal e não verbal. Na campanha contra o feminicídio, a apresentação das informações verbais é construída a partir de

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Q4138752 Português
Leia o texto a seguir.
A criminalização do abuso sexual a partir do Código Penal e do ECA

O Código Penal, assim como o Estatuto da Criança e do Adolescente, criminaliza diversas condutas cometidas contra a criança e adolescente. O delito de abuso está tipificado no artigo 217-A do Código Penal e diz que: – Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena — reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos, este crime qualifica Estupro de Vulnerável. Já o artigo 213 – Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. E o artigo 218 – Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. (BRASIL. Código Penal Brasileiro/1940).
Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-criminalizacao-do-abusosexual-a-partir-do-codigo-penal-e-do-eca/1872493559. Acesso em: 10 jan. 2026.

Do ponto de vista do discurso legal, o texto jurídico deve seguir padrões organizacionais, tais como 
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Q4138751 Português
A sequência de verbos apresentados em primeira pessoa do singular no terceiro quadrinho tem por objetivo 
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Q4138750 Português
Na imagem, a organização temática da tira se dá mediante
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Q4138749 Português
Texto 4


‘O Agente Secreto’ é um ‘thriller político estiloso e vibrante’ candidato a Oscar, diz crítico da BBC


Um dos maiores destaques da temporada de premiações de 2025 foi Ainda Estou Aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional e que retrata a crueldade da ditadura militar no Brasil nos anos 70. Agora, um outro filme, com a mesma temática, está ganhando atenção e também se destaca na próxima temporada de premiações. O diretor Kleber Mendonça Filho foi premiado em Cannes e o protagonista Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator, o primeiro nessa categoria conquistada por uma obra brasileira no festival francês. O filme se passa na cidade de Recife, durante o efervescente Carnaval e transborda sexo, tiroteios, matadores de aluguel e carros antigos — e mostra uma perna humana decepada encontrada na barriga de um tubarão. Mesmo com todo o visual exagerado, com cores vibrantes e uma estética grindhouse, O Agente Secreto está enraizado nas angústias de tragédias reais de cidadãos comuns. Na verdade, seu herói não é um agente secreto, apesar de Wagner Moura ser alto, moreno e tão charmoso quanto qualquer outro superespião do cinema. Ele interpreta Marcelo, um sujeito pacato que aparece na primeira cena dirigindo o seu fusca amarelo com destino a Recife.
O filme não tem pressa, mas, aos poucos, descobrimos que Marcelo é um professor viúvo que se opôs às tentativas de um funcionário do governo de roubar sua pesquisa patenteada. Agora, Marcelo planeja se reencontrar com o filho pequeno, que mora com os avós, e conseguir os documentos para deixar o país. Enquanto isso, trabalha disfarçado em um cartório, onde espera encontrar ao menos uma prova oficial da existência de sua falecida mãe. Antes mesmo de chegar a Recife, Marcelo encontra um cadáver no pátio de um posto de gasolina — um corpo que ninguém se deu ao trabalho de remover —, o que mostra que ele não é ingênuo sobre o quanto a vida está difícil naquele momento. Mas Marcelo fica chocado ao descobrir que um dos seus inimigos antigos contratou dois assassinos para segui-lo e fica horrorizado com a falta de moral do chefe da polícia local.
Marcelo observa os acontecimentos de Recife com um olhar de turista maravilhado. Ele ri incrédulo de um gato de duas caras, da obsessão de seu filho em assistir Tubarão no cinema, das pessoas fazendo sexo em lugares públicos, e de uma lenda urbana surreal sobre uma perna decepada que volta à vida e chuta homens em um local de paquera.
Com mais de duas horas e meia de duração, o filme divaga aqui e ali, acompanhando vários personagens que sonham em fugir do Brasil. Um dos temas centrais do filme é o que é lembrado e o que é esquecido no Brasil, e Kléber Mendonça Filho, que cresceu em Recife, parece determinado em registrar, na película, todos esses detalhes antes que eles sejam apagados para sempre. Além de riqueza e comédia para a trama de espionagem, esses detalhes da época reforçam a melancolia silenciosa que Wagner Moura transmite tão bem em cena: de um jeito ou de outro, Marcelo não vai ficar no Brasil por muito tempo para aproveitar tudo isso. Uma perseguição pelas ruas da cidade, coreografada com maestria, leva a um clímax sangrento e espetacular, mas, assim como em Ainda Estou Aqui, ainda há perguntas perturbadoras a serem respondidas e mistérios a serem resolvidos. Afinal de contas, de quem era aquela perna na barriga do tubarão?


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4geld2gk1go. Acesso em: 15 jan. 2026.
No encadeamento textual, a expressão “na verdade”, contida na resenha, tem a função linguística de
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Q4138748 Português
Texto 4


‘O Agente Secreto’ é um ‘thriller político estiloso e vibrante’ candidato a Oscar, diz crítico da BBC


Um dos maiores destaques da temporada de premiações de 2025 foi Ainda Estou Aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional e que retrata a crueldade da ditadura militar no Brasil nos anos 70. Agora, um outro filme, com a mesma temática, está ganhando atenção e também se destaca na próxima temporada de premiações. O diretor Kleber Mendonça Filho foi premiado em Cannes e o protagonista Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator, o primeiro nessa categoria conquistada por uma obra brasileira no festival francês. O filme se passa na cidade de Recife, durante o efervescente Carnaval e transborda sexo, tiroteios, matadores de aluguel e carros antigos — e mostra uma perna humana decepada encontrada na barriga de um tubarão. Mesmo com todo o visual exagerado, com cores vibrantes e uma estética grindhouse, O Agente Secreto está enraizado nas angústias de tragédias reais de cidadãos comuns. Na verdade, seu herói não é um agente secreto, apesar de Wagner Moura ser alto, moreno e tão charmoso quanto qualquer outro superespião do cinema. Ele interpreta Marcelo, um sujeito pacato que aparece na primeira cena dirigindo o seu fusca amarelo com destino a Recife.
O filme não tem pressa, mas, aos poucos, descobrimos que Marcelo é um professor viúvo que se opôs às tentativas de um funcionário do governo de roubar sua pesquisa patenteada. Agora, Marcelo planeja se reencontrar com o filho pequeno, que mora com os avós, e conseguir os documentos para deixar o país. Enquanto isso, trabalha disfarçado em um cartório, onde espera encontrar ao menos uma prova oficial da existência de sua falecida mãe. Antes mesmo de chegar a Recife, Marcelo encontra um cadáver no pátio de um posto de gasolina — um corpo que ninguém se deu ao trabalho de remover —, o que mostra que ele não é ingênuo sobre o quanto a vida está difícil naquele momento. Mas Marcelo fica chocado ao descobrir que um dos seus inimigos antigos contratou dois assassinos para segui-lo e fica horrorizado com a falta de moral do chefe da polícia local.
Marcelo observa os acontecimentos de Recife com um olhar de turista maravilhado. Ele ri incrédulo de um gato de duas caras, da obsessão de seu filho em assistir Tubarão no cinema, das pessoas fazendo sexo em lugares públicos, e de uma lenda urbana surreal sobre uma perna decepada que volta à vida e chuta homens em um local de paquera.
Com mais de duas horas e meia de duração, o filme divaga aqui e ali, acompanhando vários personagens que sonham em fugir do Brasil. Um dos temas centrais do filme é o que é lembrado e o que é esquecido no Brasil, e Kléber Mendonça Filho, que cresceu em Recife, parece determinado em registrar, na película, todos esses detalhes antes que eles sejam apagados para sempre. Além de riqueza e comédia para a trama de espionagem, esses detalhes da época reforçam a melancolia silenciosa que Wagner Moura transmite tão bem em cena: de um jeito ou de outro, Marcelo não vai ficar no Brasil por muito tempo para aproveitar tudo isso. Uma perseguição pelas ruas da cidade, coreografada com maestria, leva a um clímax sangrento e espetacular, mas, assim como em Ainda Estou Aqui, ainda há perguntas perturbadoras a serem respondidas e mistérios a serem resolvidos. Afinal de contas, de quem era aquela perna na barriga do tubarão?


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4geld2gk1go. Acesso em: 15 jan. 2026.
O modo discursivo representado pela resenha do filme O Agente Secreto reflete uma opção por sequências descritivas que
Alternativas
Q4138747 Português
Texto 4


‘O Agente Secreto’ é um ‘thriller político estiloso e vibrante’ candidato a Oscar, diz crítico da BBC


Um dos maiores destaques da temporada de premiações de 2025 foi Ainda Estou Aqui, que ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional e que retrata a crueldade da ditadura militar no Brasil nos anos 70. Agora, um outro filme, com a mesma temática, está ganhando atenção e também se destaca na próxima temporada de premiações. O diretor Kleber Mendonça Filho foi premiado em Cannes e o protagonista Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator, o primeiro nessa categoria conquistada por uma obra brasileira no festival francês. O filme se passa na cidade de Recife, durante o efervescente Carnaval e transborda sexo, tiroteios, matadores de aluguel e carros antigos — e mostra uma perna humana decepada encontrada na barriga de um tubarão. Mesmo com todo o visual exagerado, com cores vibrantes e uma estética grindhouse, O Agente Secreto está enraizado nas angústias de tragédias reais de cidadãos comuns. Na verdade, seu herói não é um agente secreto, apesar de Wagner Moura ser alto, moreno e tão charmoso quanto qualquer outro superespião do cinema. Ele interpreta Marcelo, um sujeito pacato que aparece na primeira cena dirigindo o seu fusca amarelo com destino a Recife.
O filme não tem pressa, mas, aos poucos, descobrimos que Marcelo é um professor viúvo que se opôs às tentativas de um funcionário do governo de roubar sua pesquisa patenteada. Agora, Marcelo planeja se reencontrar com o filho pequeno, que mora com os avós, e conseguir os documentos para deixar o país. Enquanto isso, trabalha disfarçado em um cartório, onde espera encontrar ao menos uma prova oficial da existência de sua falecida mãe. Antes mesmo de chegar a Recife, Marcelo encontra um cadáver no pátio de um posto de gasolina — um corpo que ninguém se deu ao trabalho de remover —, o que mostra que ele não é ingênuo sobre o quanto a vida está difícil naquele momento. Mas Marcelo fica chocado ao descobrir que um dos seus inimigos antigos contratou dois assassinos para segui-lo e fica horrorizado com a falta de moral do chefe da polícia local.
Marcelo observa os acontecimentos de Recife com um olhar de turista maravilhado. Ele ri incrédulo de um gato de duas caras, da obsessão de seu filho em assistir Tubarão no cinema, das pessoas fazendo sexo em lugares públicos, e de uma lenda urbana surreal sobre uma perna decepada que volta à vida e chuta homens em um local de paquera.
Com mais de duas horas e meia de duração, o filme divaga aqui e ali, acompanhando vários personagens que sonham em fugir do Brasil. Um dos temas centrais do filme é o que é lembrado e o que é esquecido no Brasil, e Kléber Mendonça Filho, que cresceu em Recife, parece determinado em registrar, na película, todos esses detalhes antes que eles sejam apagados para sempre. Além de riqueza e comédia para a trama de espionagem, esses detalhes da época reforçam a melancolia silenciosa que Wagner Moura transmite tão bem em cena: de um jeito ou de outro, Marcelo não vai ficar no Brasil por muito tempo para aproveitar tudo isso. Uma perseguição pelas ruas da cidade, coreografada com maestria, leva a um clímax sangrento e espetacular, mas, assim como em Ainda Estou Aqui, ainda há perguntas perturbadoras a serem respondidas e mistérios a serem resolvidos. Afinal de contas, de quem era aquela perna na barriga do tubarão?


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4geld2gk1go. Acesso em: 15 jan. 2026.
A resenha do filme O Agente Secreto, como um gênero de opinião, tem por objetivo 
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Q4138746 Português
Leia o texto a seguir.
História esquecida

Há mais de 8.500 anos, muito antes de a Noruega ter um nome, uma mulher viveu à beira do mar, em um mundo moldado pelo fim da Era do Gelo e pela lenta elevação dos oceanos. Hoje ela é conhecida como a Mulher de Søgne, identificada pela arqueologia como Hummervikholmen, mas em sua vida foi apenas parte de uma comunidade costeira, filha, pescadora e viajante do litoral. Ela caminhou por terras que não existem mais, posteriormente engolidas pelo avanço das águas. Seus restos mortais foram encontrados abaixo do atual nível do mar, no sul da Noruega, em uma área que era terra firme ou uma costa rasa. Ao longo de milênios, o oceano selou sua história, preservando-a até sua redescoberta. A mulher viveu durante o Mesolítico Inicial (cerca de 6600 e 6400 a.C.), sendo uma das pessoas mais antigas já identificadas em território norueguês. Pertencia às primeiras comunidades de caçadores-coletores que se estabeleceram na Escandinávia após o recuo das geleiras. Análises científicas indicam que mais de 80% de sua alimentação vinha de recursos marinhos, como peixes, mariscos e focas, o que revela um profundo conhecimento do mar, das marés e das tecnologias de pesca. Apenas fragmentos de seu crânio sobreviveram, mas eles indicam que era uma mulher adulta, possivelmente entre 20 e 40 anos. Geneticamente, fazia parte dos caçadores-coletores mesolíticos escandinavos, uma população formada pela mistura de linhagens do oeste e do leste da Europa glacial. Não é possível determinar com precisão sua aparência, mas sabe-se que havia grande diversidade física nesses grupos. Qualquer reconstrução facial é, portanto, uma interpretação informada, não uma verdade absoluta. Ainda assim, sua existência lembra que a história europeia começou muito antes das cidades e da escrita, com pessoas comuns enfrentando mudanças ambientais profundas e deixando rastros silenciosos que atravessaram o tempo até chegar a nós.
Disponível em: https://www.instagram.com/p/DTcYKTylP03/?igsh=MWFqZ3hyMzFqaWZkO A%3D%3D. Acesso em: 15 jan. 2026.

Segundo o texto, qual a importância de se reconstruir a imagem da mulher encontrada na Escandinávia?
Alternativas
Q4138745 Português
Texto 3


Por que o leite é um “apito de cachorro” racista?

Uma foto em preto e branco de Donald Trump com um bigode de leite, publicada pelo perfil do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no X, tem provocado considerações a respeito da real mensagem. A imagem remete à campanha “Got Milk?”, dos anos 1990 e foi rapidamente replicada por aliados do republicano, gerando reação nas redes. A postagem veio após mudanças nas regras federais de nutrição escolar, que voltaram a permitir a oferta de leite integral nas escolas públicas do país. A decisão coloca em pauta o debate antigo sobre alimentação, gordura saturada e o papel do Estado na definição do que crianças consomem no dia a dia, mesmo com especialistas em saúde pública alertando para os riscos do incentivo do consumo de leite integral sem considerar o conjunto da dieta. Trump passou a tratar o produto como símbolo de uma alimentação “de verdade”, em oposição ao leite desnatado ou semidesnatado.

O uso do leite, porém, não se limita ao debate nutricional. Nos Estados Unidos, o alimento vem sendo apropriado como símbolo por grupos supremacistas brancos. Essa associação tem contexto histórico, segundo o qual, dentre as décadas de 1920-1930, panfletos e relatórios afirmavam que pessoas que consumiam mais leite seriam mais avançadas intelectualmente e que povos arianos eram os maiores consumidores de laticínios, hábito relacionado a um suposto desenvolvimento superior.
Em artigo publicado no The Conversation, a professora de direito Andrea Freeman, da Universidade do Havaí, observa que a ligação entre leite e supremacismo branco é direta e contínua. A autora afirma que a indústria alimentícia dos EUA explorou diferenças raciais na digestão da lactose para estimular o consumo entre elites brancas, embora grande parte da população mundial não digira bem o leite. No Brasil, o símbolo considerado um “apito de cachorro” carrega significados específicos para determinados grupos e passou a ser usado para descrever estratégias de comunicação indireta, constituindo um código político, conectando alimentação, identidade racial e poder.

Disponível em: https://revistaforum.com.br/global/por-que-o-leite-e-um-apitode-cachorro-racista. Acesso em: 15 jan. 2026. [Adaptado]. 
A expressão “apito de cachorro” no texto refere-se
Alternativas
Q4138744 Português
Texto 3


Por que o leite é um “apito de cachorro” racista?

Uma foto em preto e branco de Donald Trump com um bigode de leite, publicada pelo perfil do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos no X, tem provocado considerações a respeito da real mensagem. A imagem remete à campanha “Got Milk?”, dos anos 1990 e foi rapidamente replicada por aliados do republicano, gerando reação nas redes. A postagem veio após mudanças nas regras federais de nutrição escolar, que voltaram a permitir a oferta de leite integral nas escolas públicas do país. A decisão coloca em pauta o debate antigo sobre alimentação, gordura saturada e o papel do Estado na definição do que crianças consomem no dia a dia, mesmo com especialistas em saúde pública alertando para os riscos do incentivo do consumo de leite integral sem considerar o conjunto da dieta. Trump passou a tratar o produto como símbolo de uma alimentação “de verdade”, em oposição ao leite desnatado ou semidesnatado.

O uso do leite, porém, não se limita ao debate nutricional. Nos Estados Unidos, o alimento vem sendo apropriado como símbolo por grupos supremacistas brancos. Essa associação tem contexto histórico, segundo o qual, dentre as décadas de 1920-1930, panfletos e relatórios afirmavam que pessoas que consumiam mais leite seriam mais avançadas intelectualmente e que povos arianos eram os maiores consumidores de laticínios, hábito relacionado a um suposto desenvolvimento superior.
Em artigo publicado no The Conversation, a professora de direito Andrea Freeman, da Universidade do Havaí, observa que a ligação entre leite e supremacismo branco é direta e contínua. A autora afirma que a indústria alimentícia dos EUA explorou diferenças raciais na digestão da lactose para estimular o consumo entre elites brancas, embora grande parte da população mundial não digira bem o leite. No Brasil, o símbolo considerado um “apito de cachorro” carrega significados específicos para determinados grupos e passou a ser usado para descrever estratégias de comunicação indireta, constituindo um código político, conectando alimentação, identidade racial e poder.

Disponível em: https://revistaforum.com.br/global/por-que-o-leite-e-um-apitode-cachorro-racista. Acesso em: 15 jan. 2026. [Adaptado]. 
Um título, ao conter uma indagação, como expressa o título da notícia, revela
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Q4138743 Português

Analise a imagem a seguir. 


Imagem associada para resolução da questão



FRAGA, Gilmar. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2025/02/gilmar-fraga-riocm72lg7vk008g015amyr4z0nk.html. Acesso em: 10 jan. 2026.



A charge faz alusão a uma situação recorrente no Rio de Janeiro. O efeito de sentido expresso pela imagem indica que

Alternativas
Q4138701 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.
No contexto do poema, ao afirmar que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder, o menino deixa claro
Alternativas
Q4138700 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.
Na relação que o menino mantém com um irmão e outros observadores de sua conduta,
Alternativas
Q4138698 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.
Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém

A frase acima conservará seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por
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Q4138697 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Procurar o quê*


    O que a gente procura muito e sempre não é isto nem aquilo. É outra coisa.

    Se me perguntam que coisa é essa, não respondo, porque não é da conta de ninguém o que estou procurando.

    Mesmo que quisesse responder, eu não podia. Não sei o que procuro. Deve ser por isso mesmo que procuro.

    Me chamam de bobo porque vivo olhando aqui e ali, nos ninhos, nos caramujos, nas panelas, nas folhas de bananeira, nas gretas do muro, nos espaços vazios.

    Até agora não encontrei nada. Ou encontrei coisas que não eram a coisa procurada sem saber, e desejada.

    Meu irmão diz que não tenho mesmo jeito, porque não sinto o prazer dos outros na água do açude, na comida, na manja, e procuro inventar um prazer que ninguém sentiu ainda.

    Ele tem experiência de mato e de cidade, sabe explorar os mundos, as horas. Eu tropeço no possível e não desisto de fazer a descoberta do que tem dentro da casca do impossível.

    Um dia descubro. Vai ser fácil, existente, de pegar na mão e sentir. Não sei o que é. Não imagino forma, cor, tamanho. Nesse dia vou rir de todos.

    Ou não. A coisa que me espera, não poderei mostrar a ninguém. Há de ser invisível para todo mundo, menos para mim, que de tanto procurar fiquei com merecimento de achar e direito de esconder.


* Este poema em prosa é de Carlos Drummond de Andrade, e consta do livro Esquecer para lembrar, no qual o poeta se dedica a recordar experiências marcantes de sua infância. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 43.
Para o poeta, a ação de procurar
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Q4138695 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Um inseto sentimental 


    A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve e envereda para um lugar desconhecido...

    No entanto, basta surgir um inseto para mudar toda a história: o movimento da mão é interrompido pelo intruso, que voa em círculos e zoa com insistência. Uma picada no pescoço ou no braço pode acabar com a alegria de escrever uma crônica, mesmo sabendo que vou reescrevê-la mais tarde. Deixo a caneta na mesa, pego ao acaso uma revista e tento afugentar o intruso. Não há mais silêncio, já me desconcentrou, apagou a ideia luminosa da crônica que nasceria.

    Apago a lâmpada: talvez ele se acalme na penumbra. O voo lento pode ser uma trégua e, pensando bem, o inseto não é tão ameaçador assim. De repente, um voo rápido em espiral, e a três palmos ele se equilibra no ar, helicóptero perfeito. Uns segundos depois, navega na horizontal e se refugia numa caixa de papelão. 

    Acendo a lâmpada, me aproximo da caixa e vejo meu ex-inimigo no centro de uma fotografia antiga. Repousa no rosto de uma mulher ainda jovem, que sorri para a lente do fotógrafo. Pego com cuidado a foto, saio do quarto e o inseto some na tarde morna. Minha mãe me abraça numa manhã de 1960: nós dois aninhados no banco da praça da Matriz, aonde ela levara seu menino para ver o aviário e conversar com os pássaros. Devo essa lembrança ao inseto estranho e sentimental, que me roubou a ideia de umа crônica, mas me deu outra. Agora, quando já escurece, é pegara caneta e escrever a primeira frase, quase sempre a mais difícil.


(Adaptado de HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p. 11-12)
A primeira frase da crônica é quase sempre a mais difícil, mas quando as palavras aparecem no papel, a mão que segura a caneta fica mais leve (...).

No enunciado acima, o segmento sublinhado tem como equivalência de sentido
Alternativas
Respostas
41: B
42: C
43: D
44: D
45: B
46: A
47: C
48: D
49: C
50: D
51: C
52: A
53: C
54: B
55: A
56: E
57: C
58: C
59: B
60: A