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Q4232946 Português
TEXTO III (Leia o texto abaixo a fim de responder corretamente à questão)

   Quando indaguei a alguns escritores de sucesso que manuais de estilo tinham consultado durante seu aprendizado, a resposta mais comum foi “nenhum”. Disseram que escrever, para eles, aconteceu naturalmente. Eu seria o último dos mortais a duvidar que os bons escritores foram abençoados com uma dose inata de fluência mais sintaxe e memória para as palavras. Ninguém nasceu com competência para redigir. Essa competência pode não se ter originado nos manuais de estilo, mas deve ter vindo de algum lugar.
    Esse algum lugar é a escrita de outros escritores. Bons escritores são leitores ávidos. Assimilaram um grande inventário de palavras, expressões idiomáticas, construções, tropos e truques retóricos e, com eles, a sensibilidade para o modo como se combinam ou se repelem. Essa é a ardilosa “sensibilidade” de um escritor hábil — o tácito sentido de estilo que os manuais de estilo honestos admitem ser impossível ensinar explicitamente. Os biógrafos dos grandes autores sempre tentam rastrear os livros que seus personagens leram na juventude, porque sabem que essas fontes escondem o segredo de seu aperfeiçoamento como escritores.
    O ponto de partida para alguém tornar-se um bom escritor é ser um bom leitor. Os escritores adquirem sua técnica identificando, saboreando e aplicando engenharia reversa em exemplos de boa prosa.

Steven Pinker. Guia de escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância. Trad. Rodolfo Ilari. São Paulo: Contexto, 2016, p. 23-4 (com adaptações).
Analisando-se ainda a temática abordada no texto III, assinale a alternativa cujo fragmento se mostre convergente com a linha pedagógica necessária segundo a visão autoral:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O comando pede o fragmento que converga com a linha pedagógica defendida pelo autor. O trecho obrigatório “O ponto de partida para alguém tornar-se um bom escritor é ser um bom leitor.” é a formulação explícita dessa tese e, por isso, sustenta o gabarito E.

Tema central: formação do escritor
Análise das alternativas
A
Errada
O fragmento relata uma resposta dada por escritores sobre o uso de manuais de estilo durante o aprendizado. Isso funciona como dado inicial da argumentação, não como formulação da linha pedagógica defendida pelo autor. O texto parte dessa informação para chegar a outra conclusão: a aprendizagem da escrita se vincula à leitura de bons autores.
B
Errada
O trecho apresenta uma concessão argumentativa à possibilidade de haver uma dose inata de fluência, sintaxe e memória para as palavras. Mas essa concessão não se converte em orientação pedagógica. O núcleo da defesa autoral desloca o foco do inatismo para a formação pela leitura de outros escritores.
C
Errada
A frase nega que alguém nasça com competência para redigir, mas isso ainda é apenas uma constatação geral sobre a origem da escrita. O comando exige a linha pedagógica necessária segundo o autor, isto é, o caminho formativo afirmado positivamente. Essa alternativa elimina o inatismo, mas não indica a via da leitura como ponto de partida.
D
Errada
O fragmento afasta os manuais de estilo como origem necessária da competência, mas permanece incompleto para responder ao comando. Ele só exclui uma hipótese; não enuncia a tese inteira. A linha pedagógica central só se completa quando o texto afirma explicitamente que o ponto de partida é ser um bom leitor.
E
Certa
A alternativa E está correta porque reproduz a tese pedagógica central do texto: a formação do bom escritor começa pela leitura. Essa conclusão é construída ao longo do texto e explicitada no último parágrafo, com apoio de ideias como “Esse algum lugar é a escrita de outros escritores.” e “Bons escritores são leitores ávidos.” Portanto, E não traz apenas uma observação lateral, mas a própria orientação formativa defendida pelo autor.
Pegadinha da questão
A banca explora a diferença entre frases verdadeiras do texto e a tese pedagógica conclusiva. A, C e D podem parecer plausíveis porque retomam ideias relevantes, mas nenhuma delas formula o caminho de formação defendido pelo autor; apenas E faz isso de modo explícito.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando pedir a visão autoral ou a linha defendida, procure a conclusão que sintetiza a proposta central do texto, não uma frase isolada do início.
  • Diferencie constatação, concessão e exclusão de hipótese da tese principal: a correta costuma apresentar o caminho afirmado pelo autor.
  • Se várias alternativas forem trechos literais do texto, escolha a que exprime a conclusão normativa-expositiva, não apenas uma etapa da argumentação.

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