TEXTO II Qualquer língua, escrita ou não, tem uma gramá...
Qualquer língua, escrita ou não, tem uma gramática que é complexa. Do ponto de vista naturalista, não faz sentido afirmar que há gramáticas melhores e gramáticas piores. Não é certo, por exemplo, dizer que a gramática que produz “Os meninos saíram” é melhor do que a que produz “Os menino saiu”. Ambas as frases cumprem a sua função, que é transmitir um certo conteúdo. São duas maneiras de chegar ao mesmo lugar. São duas gramáticas distintas, uma em que a pluralidade é marcada em todos os termos da oração, outra em que o plural aparece marcado apenas no artigo.
Mas esses dois modos de falar não são avaliados socialmente da mesma maneira. O valor social de cada um deles é muito diferente. Aquele que fala “Os menino saiu” não sabe falar, diz a voz que define qual variedade está correta. Só que há línguas, como o inglês, em que o plural só ocorre em um dos termos: The tall boys left (tradução literal possível, desconsiderada a marca de plural: O alto meninos saiu). É claro que a gramática do inglês não é a mesma gramática do português, mas o nosso ponto é que o plural só está em um lugar na oração do inglês e isso não recebe uma avaliação negativa. No português do dia a dia, é possível marcar o plural em apenas um dos elementos, mas isso é avaliado negativamente.
Roberta Pires de Oliveira e Sandra Quarezemin. Gramáticas na escola. Petrópolis: Vozes, 2016, p. 44 (com adaptações).
A partir da exposição das ideias do texto II, é correto afirmar que:
Gabarito comentado
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Gabarito: A
Fundamento decisivo: A questão se resolve pela oposição explícita entre a avaliação naturalista e a avaliação social das variedades: “Do ponto de vista naturalista, não faz sentido afirmar que há gramáticas melhores e gramáticas piores. (...) Mas esses dois modos de falar não são avaliados socialmente da mesma maneira. O valor social de cada um deles é muito diferente.” Assim, a alternativa correta é a que relaciona a “voz que define qual variedade está correta” ao julgamento social presente no texto.
- Identifique se o texto está descrevendo o funcionamento da língua ou relatando como a sociedade avalia esse funcionamento.
- Quando houver contraste introduzido por “Mas”, verifique a mudança de plano argumentativo; aqui, da equivalência funcional para a desigualdade de avaliação social.
- Não transforme comparação entre línguas em conclusão normativa se o texto a usa apenas para evidenciar diferença de julgamento.
- Se o texto declara equivalência de conteúdo entre exemplos, elimine alternativas que inventem diferença de sentido.
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