Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4443501 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
Do emprego conotativo do termo "agreste", em "a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste" (primeiro parágrafo), conclui-se que o narrador é um homem rude, rústico, sem instrução formal. 
Alternativas
Q4443500 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
No texto, predomina a função conativa da linguagem, o que se evidencia pelo objetivo do narrador de conduzir o leitor a determinada interpretação dos fatos por meio das experiências que ele vivenciou. 
Alternativas
Q4443499 Português
    Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.

    E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

    Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as ideias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel. 

    Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração. 

    Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão. 

    (...)

    Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem. Quanto às corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau. E foram tapados os buracos de grilos.  

    Repito que tudo isso continua a azucrinar-me.

    O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me. 

Graciliano Ramos. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 117-120.



Julgue o item a seguir, relativo ao excerto da obra literária São Bernardo, do alagoano Graciliano Ramos.  
Da predominância de descrições do ambiente e dos estados emocionais do personagem conclui-se que o texto, quanto à tipologia, é essencialmente descritivo e pertence ao gênero carta pessoal. 
Alternativas
Q4443475 Português
    A importância da aquisição, desenvolvimento e ampliação dos conhecimentos lexicais na aprendizagem de línguas é consensual entre os pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. Esse consenso deve-se ao fato de o léxico ser compreendido, nos estudos acadêmicos contemporâneos — sobretudo naqueles de base cognitivista —, como o elemento linguístico mais dinâmico que propicia ao usuário de uma dada língua formalizar, por processos de textualização, os conhecimentos construídos cognitivamente, no e pelo discurso. 

    Pretende-se afirmar, com isso, que, sem o domínio do léxico, a compreensão e a produção textual-discursiva, nas modalidades oral e escrita dos usos linguísticos, se torna fragilizada, o que impede ou dificulta a ascensão do aprendiz aos diferentes níveis de proficiência pleiteados no processo de aprendizagem de uma língua ou para a formação do "poliglota na própria língua", no caso do ensino de línguas para nativos. 

    Desse modo, o léxico não é tratado pura e simplesmente como um conjunto de unidades vocabulares isoladas da língua, mas passa a ser tratado como uma peça-chave para orientar o leitor na ordenação das representações conceituais necessárias para a compreensão de um texto que lhe é fornecido, numa dinâmica recursiva em que da palavra se chega ao texto e, ao mesmo tempo, do texto se ampliam os conhecimentos sobre as palavras. 

Cassiano Butti. Educação linguística na formação do professor de
língua portuguesa: reflexões para a pedagogia léxico-gramatical. Verbum.
Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 9, n.º 3, p. 103-121, 2020 (com adaptações). 



Julgue o item que se segue, a respeito de vocábulos e da pontuação empregados no texto precedente.
No trecho "uma dada língua" (primeiro parágrafo), o vocábulo "dada", originariamente forma nominal de particípio do verbo "dar", exerce, no contexto, função adjetiva, equivalendo a determinada ou específica.
Alternativas
Q4443418 Português
Com relação ao racionalismo de Descartes e ao empirismo de Bacon, julgue o seguinte item. 
No Discurso do Método, após recomendar a decomposição das dificuldades em tantas partes quantas forem necessárias para resolvê-las, Descartes determina que a ordenação do pensamento deve reproduzir necessariamente a ordem natural de dependência existente entre os próprios objetos.
Alternativas
Q4441755 Português
Considere a frase: "Após horas de negociação, a proposta finalmente saiu do papel." Assinale a alternativa que analisa CORRETAMENTE o sentido da expressão destacada. 
Alternativas
Q4441606 Português
Ao longo do tempo, ainda que a palavra história tenha sido usada para designar uma forma específica de conhecimento, os assuntos que os historiadores abordaram variaram bastante. Considerando a pesquisa e o ensino de história no Brasil ao longo dos últimos setenta anos, julgue o seguinte item. 
A formação dos historiadores brasileiros, em tempos recentes, suprimiu o eurocentrismo, uma vez que os currículos têm privilegiado o estudo das histórias dos diferentes povos, em diferentes continentes. 
Alternativas
Q4441605 Português
Ao longo do tempo, ainda que a palavra história tenha sido usada para designar uma forma específica de conhecimento, os assuntos que os historiadores abordaram variaram bastante. Considerando a pesquisa e o ensino de história no Brasil ao longo dos últimos setenta anos, julgue o seguinte item. 
Dada a tradição de excelência do ensino básico no Brasil, coadjuvada pela ubiquidade das bibliotecas públicas no país desde o início do século XX, a habilidade de leitura e sua prática é difundida há mais de um século entre os brasileiros de todas as classes sociais, criando-se um amplo mercado editorial que demanda a pesquisa em história e a difunde por meio de livros de consumo popular. 
Alternativas
Q4441535 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

A coesão textual é importante mecanismo que autor(a) e leitor(a) precisam mobilizar para se alcançar um texto claro, construir sentidos e compreender o que diz o texto. Tendo isso em consideração, analise as sentenças a seguir:

I.Em "Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto", o pronome possessivo acompanhando o substantivo "pai" gera uma ambiguidade porque o leitor não consegue definir se "Seu pai" tem como referente a fisioterapeuta ou o filho da autora do texto. Isso prejudica a compreensão do texto.
II.Em "ele costuma se aventurar às escondidas" e em "A última empreitada envolveu uma receita [...]", a autora constrói sentidos ao escolher a palavras "se aventurar" e "empreitada". Isso porque, dado o contexto, elas se referem aos processos do idoso de passar boa parte do dia assistindo vídeos sobre saúde, publicados na internet, e a testar o que é proposto/ensinado nesses vídeos. São uma aventura assistir esses vídeos e testar as receitas, tanto que ele o faz às escondidas. Uma verdadeira empreitada, inclusive para não ser descoberto.
III.Em "Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias", a autora do texto provocou um problema de referenciação. Não há nada, sejam palavras, sejam ideias, anteriormente explicitadas, que estabeleçam a coesão referencial para o substantivo "robô".

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4441533 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

A partir da leitura atenta do texto e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)De acordo com o texto, pode-se inferir que novas ferramentas e novos modos de dizer têm sido usados para propagar desinformação.
(__)A aparência, a indumentária, os instrumentos e o vocabulário relacionados à área da saúde são suficientes para certificar que o sujeito do vídeo é um médico e lhe conferem autoridade tanto quanto um diploma e os saberes científicos.
(__)No contexto de uso de IA relatado, compreende-se que a população idosa é um alvo mais facilmente conquistado e convencido a adotar as práticas ensinadas nos vídeos.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4441532 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

Os significados e os sentidos das palavras são dados de forma contextualizada. Uma palavra pode ter vários significados e vários sentidos, que serão mobilizados ou não conforme o contexto. Analise o 5º parágrafo do texto e assinale a alternativa que indica corretamente o antônimo de "estapafúrdias": 
Alternativas
Q4441531 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

A modalização diz respeito à expressão das intenções e pontos de vista do enunciador, sem que ele use, necessariamente, a primeira pessoa do singular, por exemplo. Tendo isso em consideração e texto em análise, na frase "Esse médico simplesmente não existe", o advérbio "simplesmente" produz o efeito de sentido de:
Alternativas
Q4441325 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

A modalização diz respeito à expressão das intenções e pontos de vista do enunciador, sem que ele use, necessariamente, a primeira pessoa do singular, por exemplo. Tendo isso em consideração e texto em análise, na frase "Esse médico simplesmente não existe", o advérbio "simplesmente" produz o efeito de sentido de:
Alternativas
Q4441324 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

 A partir da leitura atenta do texto e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)De acordo com o texto, pode-se inferir que novas ferramentas e novos modos de dizer têm sido usados para propagar desinformação.
(__)A aparência, a indumentária, os instrumentos e o vocabulário relacionados à área da saúde são suficientes para certificar que o sujeito do vídeo é um médico e lhe conferem autoridade tanto quanto um diploma e os saberes científicos.
(__)No contexto de uso de IA relatado, compreende-se que a população idosa é um alvo mais facilmente conquistado e convencido a adotar as práticas ensinadas nos vídeos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4441322 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

A coesão textual é importante mecanismo que autor(a) e leitor(a) precisam mobilizar para se alcançar um texto claro, construir sentidos e compreender o que diz o texto. Tendo isso em consideração, analise as sentenças a seguir:

I.Em "Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto", o pronome possessivo acompanhando o substantivo "pai" gera uma ambiguidade porque o leitor não consegue definir se "Seu pai" tem como referente a fisioterapeuta ou o filho da autora do texto. Isso prejudica a compreensão do texto.
II.Em "ele costuma se aventurar às escondidas" e em "A última empreitada envolveu uma receita [...]", a autora constrói sentidos ao escolher a palavras "se aventurar" e "empreitada". Isso porque, dado o contexto, elas se referem aos processos do idoso de passar boa parte do dia assistindo vídeos sobre saúde, publicados na internet, e a testar o que é proposto/ensinado nesses vídeos. São uma aventura assistir esses vídeos e testar as receitas, tanto que ele o faz às escondidas. Uma verdadeira empreitada, inclusive para não ser descoberto.
III.Em "Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias", a autora do texto provocou um problema de referenciação. Não há nada, sejam palavras, sejam ideias, anteriormente explicitadas, que estabeleçam a coesão referencial para o substantivo "robô".

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4441321 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

Os significados e os sentidos das palavras são dados de forma contextualizada. Uma palavra pode ter vários significados e vários sentidos, que serão mobilizados ou não conforme o contexto. Analise o 5º parágrafo do texto e assinale a alternativa que indica corretamente o antônimo de "estapafúrdias":
Alternativas
Q4441249 Português

Leia o texto abaixo com atenção:


Raios podem danificar redes elétricas residenciais mesmo sem atingir a casa


Pesquisadores explicam os cuidados que se deve tomar com equipamentos elétricos e com a vida humana nos casos de tempestade de raios


No dia 1º de junho de 2011, um raio atingiu a escola primária Runyanya, a 225 quilômetros de Kampala, capital da Uganda, país da África Central. Devastadora, a descarga elétrica matou 18 crianças e um professor de imediato. Uma criança morreu em decorrência de queimaduras no dia seguinte e outras 50 ficaram feridas. O acidente ficou conhecido como a maior quantidade de crianças mortas em decorrência de uma única descarga atmosférica, conta o professor Hélio Eiji Sueta da Escola Politécnica da USP. Desde então, o dia 28 de junho é lembrado como Dia Internacional de Segurança contra Raios.

Que medidas de segurança podem ser tomadas para evitar que tragédias como a de Runyanya se repitam? Como podemos nos proteger de descargas elétricas fortíssimas, que parecem cair de maneira aleatória? O professor Carlos Augusto Morales Rodriguez é meteorólogo pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. Ele conta que os relâmpagos são uma forma de a atmosfera liberar a energia que contém: “As nuvens têm cargas elétricas e, uma vez que essas cargas elétricas se separam, geram um campo elétrico. Quando a gente olha para a água, eletricamente, ela tem cargas positivas e negativas, só que ela está neutra, porque as cargas negativas e positivas estão juntas”, explica Morales.

Quando olhamos para nuvens, o que vemos na verdade são incontáveis gotículas de água em movimento caótico, se colidindo e aumentando de tamanho. Quando chega em certo ponto, a gota cai em forma de chuva ou granizo, se as condições meteorológicas forem propícias. Nessas colisões ocorrem transferência de carga. “E toda vez que você tem uma colisão, seja água ou gelo, você tem transferência de carga. Uma parte externa da gota d’água fica carregada com uma carga e a parte externa da que rebater fica carregada com outra polaridade. São criados dois centros de carga e, uma vez que o campo elétrico é suficientemente alto para romper a resistência do ar, ocorre o raio”, detalha o professor. […]


Os riscos dos raios


As descargas atmosféricas são de altíssima intensidade: segundo a Sociedade Brasileira de Física, um raio pode chegar de 100 milhões a 1 bilhão de volts. Com tamanha força, as descargas eletromagnéticas trazem riscos aos seres humanos e equipamentos elétricos.

O professor Hélio Eiji Sueta, além da Poli, é membro da comissão de proteção contra raios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ele conta que um raio não precisa cair exatamente em cima da residência para causar danos, basta que caia próximo: “O raio gera um campo eletromagnético que acopla com tudo quanto é fio e tudo quanto é parte metálica, e isso gera surtos que vão queimar os equipamentos. Também tem aquele raio que cai direto ou próximo da linha de telefone ou de energia e leva esse surto para dentro da casa”

Caso a instalação elétrica não tenha sido feita seguindo os parâmetros técnicos de segurança, o relâmpago pode causar um centelhamento na rede elétrica da casa, iniciando um incêndio. Justamente pela descarga se acoplar tão facilmente em estruturas metálicas, não é recomendado utilizar aparelhos eletroeletrônicos na tomada durante uma tempestade.

“Só ano passado, a gente teve conhecimento de pelo menos cinco casos de pessoas que morreram utilizando o celular na tomada, por causa do raio. Tem também os casos de pessoas abrindo uma geladeira, por exemplo,” conta Sueta. Portanto, ao perceber uma tempestade de raios se aproximando, vale o alerta de tirar os equipamentos da tomada; contudo, deve-se desligar os equipamentos bem antes da tempestade começar. “A gente teve conhecimento de pessoas tirando, por exemplo, o plug da TV em períodos de chuva para proteger o equipamento e justamente nesse momento caiu um raio. Não precisou nem cair na casa onde ele está, pode ter caído na linha e ele sofreu um choque”, finaliza Hélio Eiji Sueta.



Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/raios-podem-danificarredes-eletricas-residenciais-mesmo-sem-atingir-a-casa/

No desenvolvimento do texto, a apresentação de casos concretos de pessoas atingidas ao utilizar equipamentos elétricos durante tempestades contribui principalmente para:
Alternativas
Q4441246 Português

Leia o texto abaixo com atenção:


Raios podem danificar redes elétricas residenciais mesmo sem atingir a casa


Pesquisadores explicam os cuidados que se deve tomar com equipamentos elétricos e com a vida humana nos casos de tempestade de raios


No dia 1º de junho de 2011, um raio atingiu a escola primária Runyanya, a 225 quilômetros de Kampala, capital da Uganda, país da África Central. Devastadora, a descarga elétrica matou 18 crianças e um professor de imediato. Uma criança morreu em decorrência de queimaduras no dia seguinte e outras 50 ficaram feridas. O acidente ficou conhecido como a maior quantidade de crianças mortas em decorrência de uma única descarga atmosférica, conta o professor Hélio Eiji Sueta da Escola Politécnica da USP. Desde então, o dia 28 de junho é lembrado como Dia Internacional de Segurança contra Raios.

Que medidas de segurança podem ser tomadas para evitar que tragédias como a de Runyanya se repitam? Como podemos nos proteger de descargas elétricas fortíssimas, que parecem cair de maneira aleatória? O professor Carlos Augusto Morales Rodriguez é meteorólogo pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. Ele conta que os relâmpagos são uma forma de a atmosfera liberar a energia que contém: “As nuvens têm cargas elétricas e, uma vez que essas cargas elétricas se separam, geram um campo elétrico. Quando a gente olha para a água, eletricamente, ela tem cargas positivas e negativas, só que ela está neutra, porque as cargas negativas e positivas estão juntas”, explica Morales.

Quando olhamos para nuvens, o que vemos na verdade são incontáveis gotículas de água em movimento caótico, se colidindo e aumentando de tamanho. Quando chega em certo ponto, a gota cai em forma de chuva ou granizo, se as condições meteorológicas forem propícias. Nessas colisões ocorrem transferência de carga. “E toda vez que você tem uma colisão, seja água ou gelo, você tem transferência de carga. Uma parte externa da gota d’água fica carregada com uma carga e a parte externa da que rebater fica carregada com outra polaridade. São criados dois centros de carga e, uma vez que o campo elétrico é suficientemente alto para romper a resistência do ar, ocorre o raio”, detalha o professor. […]


Os riscos dos raios


As descargas atmosféricas são de altíssima intensidade: segundo a Sociedade Brasileira de Física, um raio pode chegar de 100 milhões a 1 bilhão de volts. Com tamanha força, as descargas eletromagnéticas trazem riscos aos seres humanos e equipamentos elétricos.

O professor Hélio Eiji Sueta, além da Poli, é membro da comissão de proteção contra raios da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ele conta que um raio não precisa cair exatamente em cima da residência para causar danos, basta que caia próximo: “O raio gera um campo eletromagnético que acopla com tudo quanto é fio e tudo quanto é parte metálica, e isso gera surtos que vão queimar os equipamentos. Também tem aquele raio que cai direto ou próximo da linha de telefone ou de energia e leva esse surto para dentro da casa”

Caso a instalação elétrica não tenha sido feita seguindo os parâmetros técnicos de segurança, o relâmpago pode causar um centelhamento na rede elétrica da casa, iniciando um incêndio. Justamente pela descarga se acoplar tão facilmente em estruturas metálicas, não é recomendado utilizar aparelhos eletroeletrônicos na tomada durante uma tempestade.

“Só ano passado, a gente teve conhecimento de pelo menos cinco casos de pessoas que morreram utilizando o celular na tomada, por causa do raio. Tem também os casos de pessoas abrindo uma geladeira, por exemplo,” conta Sueta. Portanto, ao perceber uma tempestade de raios se aproximando, vale o alerta de tirar os equipamentos da tomada; contudo, deve-se desligar os equipamentos bem antes da tempestade começar. “A gente teve conhecimento de pessoas tirando, por exemplo, o plug da TV em períodos de chuva para proteger o equipamento e justamente nesse momento caiu um raio. Não precisou nem cair na casa onde ele está, pode ter caído na linha e ele sofreu um choque”, finaliza Hélio Eiji Sueta.



Fonte: https://jornal.usp.br/atualidades/raios-podem-danificarredes-eletricas-residenciais-mesmo-sem-atingir-a-casa/

No trecho “A gente teve conhecimento de pessoas tirando, por exemplo, o plug da TV em períodos de chuva […] e justamente nesse momento caiu um raio. Não precisou nem cair na casa onde ele está, pode ter caído na linha e ele sofreu um choque”, a citação desse comportamento específico visa a demonstrar que:
Alternativas
Q4441105 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

 A modalização diz respeito à expressão das intenções e pontos de vista do enunciador, sem que ele use, necessariamente, a primeira pessoa do singular, por exemplo. Tendo isso em consideração e texto em análise, na frase "Esse médico simplesmente não existe", o advérbio "simplesmente" produz o efeito de sentido de:
Alternativas
Q4441104 Português

Médicos de IA e idosos


Já não se propaga desinformação como antigamente


A fisioterapeuta do meu filho chegou aqui em casa indignada. Seu pai convive com um diagnóstico de Parkinson e passa boa parte da rotina em busca de dicas para desfrutar da vida com mais conforto. Nas muitas horas diárias em que passa mergulhado no celular, os vídeos que mais o atraem estão relacionados ao tratamento de insônia, condição que piora seus sintomas.

Sabendo que a descendente monitora seus hábitos de forma rigorosa, trabalha com pesquisa e dá muito valor às evidências científicas, ele costuma se aventurar às escondidas. Já testou combinações de medicamentos para vermes com o intuito de "curar" condições do Parkinson, misturas inusitadas de alimentos envolvendo ovos e sardinha, além de cápsulas de ervas.

A última empreitada envolveu uma receita que juntou Biotônico Fontoura com amendoim e precisava fermentar por alguns dias. O líquido que resultasse da iguaria deveria ser ingerido para melhorar a disposição e aumentar as taxas de ferro no sangue.

A fisioterapeuta encontrou o vidro com a mistura camuflado no quarto do idoso. Quando questionado sobre a origem da peripécia, ele mostrou um vídeo de um médico num canal do Youtube, que disse confiar muito. Afinal, era um médico, de jaleco, com estetoscópio pendurado no pescoço e falando palavras difíceis em um cenário que lembrava um consultório.

Não é o tipo de golpe de que já temos notícia, quando um indivíduo sem formação na área se passa por um profissional da Medicina. Esse médico simplesmente não existe. Trata-se apenas de alguém ou de uma empresa que inventou um personagem por meio da Inteligência Artificial (IA). Para chamar atenção e conseguir mais visualizações, o robô propaga pseudociências das mais estapafúrdias e com uma linguagem claramente voltada aos idosos. [...]


(Juliana Gomes. Disponível em: https://jornaldoveneno.substack.com/p/medicos-de-ia-e-idosos-159. Acesso em: 25 set. 2026. Adaptado.)

 A partir da leitura atenta do texto e mobilizando seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)De acordo com o texto, pode-se inferir que novas ferramentas e novos modos de dizer têm sido usados para propagar desinformação.
(__)A aparência, a indumentária, os instrumentos e o vocabulário relacionados à área da saúde são suficientes para certificar que o sujeito do vídeo é um médico e lhe conferem autoridade tanto quanto um diploma e os saberes científicos.
(__)No contexto de uso de IA relatado, compreende-se que a população idosa é um alvo mais facilmente conquistado e convencido a adotar as práticas ensinadas nos vídeos.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Respostas
21: E
22: E
23: E
24: C
25: E
26: C
27: E
28: E
29: D
30: E
31: A
32: D
33: C
34: B
35: A
36: B
37: A
38: B
39: E
40: C