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Q3947141 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Da desigualdade entre os homens


   Disse Plutarco que a diferença entre um animal e outro é menor do que a que vai de um a outro homem. Referia-se ele à alma e às qualidades intelectuais. Por mim, não hesitaria em ser mais peremptório, dizendo que a diferença entre tal e tal homem é maior do que entre tal homem e tal bicho. O espírito humano comporta tantos graus quantas braças vão daqui ao céu.

   No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira. Elogiamos um cavalo por ser vigoroso e ágil, e não por causa do arreio; elogiamos o galgo pela velocidade e não pela coleira; por que, pois, não apreciarmos o homem pelas suas qualidades especificas? É necessário julgar o homem em si e não pelos seus adornos. Como diz espirituosamente um filósofo do passado: "Sabeis por que achais grande esse homem? Porque o medis com o pedestal."

    Os cortesãos elogiavam de uma feita o imperador Juliano porque se esforçava por ser justo. "Orgulhar-me-ia de vossas louvações - disse se viessem de pessoas que ousassem denunciar e censurar meus atos, caso me conduzisse de outra maneira." Os aduladores de Alexandre, o Grande, repetiam-lhe sem descontinuar que ele era filho de Júpiter. Certa vez, olhando o sangue que Ihe escorria de um ferimento, disse ele: "Então, que vos parece? Não achais que é um sangue vermelho como o de qualquer ser humano? Ou ele é da cor do sangue que o poeta Homero põe nos ferimentos dos deuses?"

  Se um homem não tiver valor próprio não lho dará o império do mundo. Mesmo que as jovens o disputem, que por toda parte nasçam rosas sob seus pés, de que servirá tudo isso se tem a alma grosseira e o espírito lerdo? Sem vigor e sem espírito não se chega a sentira plena felicidade, sequer a volúpia. O valor das coisas depende de quem as possui: boas para os que sabem utilizá-las, são más para quem as emprega mal. Para saborear os bens, quaisquer que sejam os que nos outorga o destino, cumpre ter o bom sentimento que a sensação cria. 


(Adaptado de: MONTAIGNE, Michel. Ensaios. São Paulo: Editora 34, 2016. p. 287-294, passim)
As frases do imperador Juliano e de Alexandre, o Grande, citadas no 3º parágrafo,
Alternativas
Q3947140 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Da desigualdade entre os homens


   Disse Plutarco que a diferença entre um animal e outro é menor do que a que vai de um a outro homem. Referia-se ele à alma e às qualidades intelectuais. Por mim, não hesitaria em ser mais peremptório, dizendo que a diferença entre tal e tal homem é maior do que entre tal homem e tal bicho. O espírito humano comporta tantos graus quantas braças vão daqui ao céu.

   No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira. Elogiamos um cavalo por ser vigoroso e ágil, e não por causa do arreio; elogiamos o galgo pela velocidade e não pela coleira; por que, pois, não apreciarmos o homem pelas suas qualidades especificas? É necessário julgar o homem em si e não pelos seus adornos. Como diz espirituosamente um filósofo do passado: "Sabeis por que achais grande esse homem? Porque o medis com o pedestal."

    Os cortesãos elogiavam de uma feita o imperador Juliano porque se esforçava por ser justo. "Orgulhar-me-ia de vossas louvações - disse se viessem de pessoas que ousassem denunciar e censurar meus atos, caso me conduzisse de outra maneira." Os aduladores de Alexandre, o Grande, repetiam-lhe sem descontinuar que ele era filho de Júpiter. Certa vez, olhando o sangue que Ihe escorria de um ferimento, disse ele: "Então, que vos parece? Não achais que é um sangue vermelho como o de qualquer ser humano? Ou ele é da cor do sangue que o poeta Homero põe nos ferimentos dos deuses?"

  Se um homem não tiver valor próprio não lho dará o império do mundo. Mesmo que as jovens o disputem, que por toda parte nasçam rosas sob seus pés, de que servirá tudo isso se tem a alma grosseira e o espírito lerdo? Sem vigor e sem espírito não se chega a sentira plena felicidade, sequer a volúpia. O valor das coisas depende de quem as possui: boas para os que sabem utilizá-las, são más para quem as emprega mal. Para saborear os bens, quaisquer que sejam os que nos outorga o destino, cumpre ter o bom sentimento que a sensação cria. 


(Adaptado de: MONTAIGNE, Michel. Ensaios. São Paulo: Editora 34, 2016. p. 287-294, passim)
Há adequada correlação entre os tempos e modos verbais na frase:
Alternativas
Q3947139 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Da desigualdade entre os homens


   Disse Plutarco que a diferença entre um animal e outro é menor do que a que vai de um a outro homem. Referia-se ele à alma e às qualidades intelectuais. Por mim, não hesitaria em ser mais peremptório, dizendo que a diferença entre tal e tal homem é maior do que entre tal homem e tal bicho. O espírito humano comporta tantos graus quantas braças vão daqui ao céu.

   No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira. Elogiamos um cavalo por ser vigoroso e ágil, e não por causa do arreio; elogiamos o galgo pela velocidade e não pela coleira; por que, pois, não apreciarmos o homem pelas suas qualidades especificas? É necessário julgar o homem em si e não pelos seus adornos. Como diz espirituosamente um filósofo do passado: "Sabeis por que achais grande esse homem? Porque o medis com o pedestal."

    Os cortesãos elogiavam de uma feita o imperador Juliano porque se esforçava por ser justo. "Orgulhar-me-ia de vossas louvações - disse se viessem de pessoas que ousassem denunciar e censurar meus atos, caso me conduzisse de outra maneira." Os aduladores de Alexandre, o Grande, repetiam-lhe sem descontinuar que ele era filho de Júpiter. Certa vez, olhando o sangue que Ihe escorria de um ferimento, disse ele: "Então, que vos parece? Não achais que é um sangue vermelho como o de qualquer ser humano? Ou ele é da cor do sangue que o poeta Homero põe nos ferimentos dos deuses?"

  Se um homem não tiver valor próprio não lho dará o império do mundo. Mesmo que as jovens o disputem, que por toda parte nasçam rosas sob seus pés, de que servirá tudo isso se tem a alma grosseira e o espírito lerdo? Sem vigor e sem espírito não se chega a sentira plena felicidade, sequer a volúpia. O valor das coisas depende de quem as possui: boas para os que sabem utilizá-las, são más para quem as emprega mal. Para saborear os bens, quaisquer que sejam os que nos outorga o destino, cumpre ter o bom sentimento que a sensação cria. 


(Adaptado de: MONTAIGNE, Michel. Ensaios. São Paulo: Editora 34, 2016. p. 287-294, passim)
No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira.

Preservam-se o sentido e a correção da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
Alternativas
Q3947138 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.


Da desigualdade entre os homens


   Disse Plutarco que a diferença entre um animal e outro é menor do que a que vai de um a outro homem. Referia-se ele à alma e às qualidades intelectuais. Por mim, não hesitaria em ser mais peremptório, dizendo que a diferença entre tal e tal homem é maior do que entre tal homem e tal bicho. O espírito humano comporta tantos graus quantas braças vão daqui ao céu.

   No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira. Elogiamos um cavalo por ser vigoroso e ágil, e não por causa do arreio; elogiamos o galgo pela velocidade e não pela coleira; por que, pois, não apreciarmos o homem pelas suas qualidades especificas? É necessário julgar o homem em si e não pelos seus adornos. Como diz espirituosamente um filósofo do passado: "Sabeis por que achais grande esse homem? Porque o medis com o pedestal."

    Os cortesãos elogiavam de uma feita o imperador Juliano porque se esforçava por ser justo. "Orgulhar-me-ia de vossas louvações - disse se viessem de pessoas que ousassem denunciar e censurar meus atos, caso me conduzisse de outra maneira." Os aduladores de Alexandre, o Grande, repetiam-lhe sem descontinuar que ele era filho de Júpiter. Certa vez, olhando o sangue que Ihe escorria de um ferimento, disse ele: "Então, que vos parece? Não achais que é um sangue vermelho como o de qualquer ser humano? Ou ele é da cor do sangue que o poeta Homero põe nos ferimentos dos deuses?"

  Se um homem não tiver valor próprio não lho dará o império do mundo. Mesmo que as jovens o disputem, que por toda parte nasçam rosas sob seus pés, de que servirá tudo isso se tem a alma grosseira e o espírito lerdo? Sem vigor e sem espírito não se chega a sentira plena felicidade, sequer a volúpia. O valor das coisas depende de quem as possui: boas para os que sabem utilizá-las, são más para quem as emprega mal. Para saborear os bens, quaisquer que sejam os que nos outorga o destino, cumpre ter o bom sentimento que a sensação cria. 


(Adaptado de: MONTAIGNE, Michel. Ensaios. São Paulo: Editora 34, 2016. p. 287-294, passim)
Ao afirmar que O espírito humano comporta tantos graus quantas braças vão daqui ao céu (1º parágrafo), Montaigne está considerando que
Alternativas
Q3947137 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



Memórias sem imaginação



     Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.


    Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.


   Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, а digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.



(Almino Valares, a editar)

Em nova redação de uma frase do texto, está adequada a substituição do elemento sublinhado em:
Alternativas
Q3947136 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



Memórias sem imaginação



     Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.


    Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.


   Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, а digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.



(Almino Valares, a editar)

Transpõe-se adequadamente uma frase para a voz passiva, mantendo-se o respeito à concordância verbal, em:
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Q3947135 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



Memórias sem imaginação



     Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.


    Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.


   Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, а digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.



(Almino Valares, a editar)

A expressão Mas de repente, repetida logo na abertura do 2º parágrafo, indica o súbito momento em que o autor
Alternativas
Q3947134 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



Memórias sem imaginação



     Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.


    Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.


   Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, а digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.



(Almino Valares, a editar)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
Alternativas
Q3947133 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.



Memórias sem imaginação



     Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdido? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia - tudo se estampava agora em imagens nitidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.


    Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensações, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.


   Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente - convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, а digitalização computacional suprime as franjas e as sombras que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.



(Almino Valares, a editar)

O autor exprime uma impressão sua por meio de um paradoxo ao se valer das seguintes expressões:
Alternativas
Q3946997 Inglês
Which sentence uses the future perfect in a way that is both semantically appropriate and syntactically precise, CORRECTLY expressing an action that will be completed before a specified future point?
Alternativas
Q3946996 Inglês
Which option employs the connector in a way that most accurately reflects concessive contrast while maintaining syntactic CORRECTNESS academic tone, and logical coherence?

Target meaning: The theory is widely accepted; however, it still fails to explain several anomalies in the data.
Alternativas
Q3946995 Inglês
Which option below provides the most accurate and pragmatically appropriate transformation of the sentence from direct to indirect speech, preserving the original temporal, modal, and attitudinal meanings?

“Had I known you were coming,” she exclaimed, “I could have arranged something far more suitable!”
Alternativas
Q3946994 Inglês
Which of the following rewrites most accurately preserves both meaning and pragmatic emphasis of the sentence: “People have long considered multilingualism to foster cognitive flexibility.”while shifting it into a reliable and natural passive construction?
Alternativas
Q3946993 Inglês

Imagem associada para resolução da questão


Source: GLASBERGEN, Randy. Education Cartoons. Glasbergen Cartoon Service, [s.d.]. Disponível em: https://www.glasbergen.com/education-cartoons/. Acesso em: 10 mar. 2026.


In the cartoon, the student tells Mr. Smith that she is an “Abstract-Sequential learner.” What is the primary source of humor in this interaction?


Alternativas
Q3946992 Inglês


Source: KIRKMAN, Rick; SCOTT, Jerry. Baby Blues. GoComics, 12 fev. 2024. Disponível em: www.gocomics.com. Acesso em: 10 mar. 2026.

In the comic strip, the man replies “Knock yourself out” when the woman says she should start cleaning the garage. What is the most accurate interpretation of this expression in that context?
Alternativas
Q3946991 Inglês


Source: KIRKMAN, Rick; SCOTT, Jerry. Baby Blues. GoComics, 12 fev. 2024. Disponível em: www.gocomics.com. Acesso em: 10 mar. 2026.

What primarily motivates the man to suddenly run toward the garage at the end of the comic strip?


Alternativas
Q3946990 Inglês
        Digital technologies have transformed the way English is taught and learned, offering educators and students more dynamic and flexible ways to engage with language. According to recent research, tools such as computer-assisted instruction, mobile devices, and online multimedia platforms enable both teachers and learners to access a wide variety of resources — from interactive exercises, videos, and audio recordings to adaptive learning modules. 


        These tools facilitate exposure to real language input, allow for repetition and individual pacing, and help learners practise all four language skills (listening, speaking, reading, writing) beyond the constraints of the traditional classroom schedule. 


        Moreover, the integration of technology in English-language instruction tends to increase student motivation and engagement. Studies report that when classrooms incorporate digital media and interactive tasks, students often show greater participation, interest, and willingness to communicate — factors that contribute to better learning outcomes.


        In contexts where technology offers immediate feedback or allows for collaborative online work, learners also benefit from more autonomy and personalized learning paths, which can boost confidence and foster a more learner-centered environment. 


       However, effective technology integration depends on thoughtful planning, teacher training, and pedagogical balance. The literature warns that simply having access to digital tools does not guarantee improved learning; educators must design meaningful tasks, adapt materials appropriately, and support learners' needs. 


          Furthermore, in settings where access to devices or internet is limited, or where teachers lack sufficient training, the potential benefits may not be realized — which underlines the importance of institutional support and professional development for successful implementation. 



Source: Günüç, S. (2023). Technology Integration in English Language Teaching and Learning. International Journal of Language Learning and Applied Linguistics. Nishat Tasneem (2024). The Impact of Technology-Enhanced EFL Reading Classes on Learners' Performances and Participations. International Journal of English Learning and Applied Linguistics.

In the sentence “These tools facilitate exposure to real language input, allow for repetition and individual pacing, and help learners practise all four language skills…”, the word “These” refers to:
Alternativas
Q3946989 Inglês
        Digital technologies have transformed the way English is taught and learned, offering educators and students more dynamic and flexible ways to engage with language. According to recent research, tools such as computer-assisted instruction, mobile devices, and online multimedia platforms enable both teachers and learners to access a wide variety of resources — from interactive exercises, videos, and audio recordings to adaptive learning modules. 


        These tools facilitate exposure to real language input, allow for repetition and individual pacing, and help learners practise all four language skills (listening, speaking, reading, writing) beyond the constraints of the traditional classroom schedule. 


        Moreover, the integration of technology in English-language instruction tends to increase student motivation and engagement. Studies report that when classrooms incorporate digital media and interactive tasks, students often show greater participation, interest, and willingness to communicate — factors that contribute to better learning outcomes.


        In contexts where technology offers immediate feedback or allows for collaborative online work, learners also benefit from more autonomy and personalized learning paths, which can boost confidence and foster a more learner-centered environment. 


       However, effective technology integration depends on thoughtful planning, teacher training, and pedagogical balance. The literature warns that simply having access to digital tools does not guarantee improved learning; educators must design meaningful tasks, adapt materials appropriately, and support learners' needs. 


          Furthermore, in settings where access to devices or internet is limited, or where teachers lack sufficient training, the potential benefits may not be realized — which underlines the importance of institutional support and professional development for successful implementation. 



Source: Günüç, S. (2023). Technology Integration in English Language Teaching and Learning. International Journal of Language Learning and Applied Linguistics. Nishat Tasneem (2024). The Impact of Technology-Enhanced EFL Reading Classes on Learners' Performances and Participations. International Journal of English Learning and Applied Linguistics.

In the text, the noun “integration” is used when discussing how technology is incorporated into teaching. Which option CORRECTLY provides the adjective form that best fits the context of describing this process?
Alternativas
Q3946988 Inglês
        Digital technologies have transformed the way English is taught and learned, offering educators and students more dynamic and flexible ways to engage with language. According to recent research, tools such as computer-assisted instruction, mobile devices, and online multimedia platforms enable both teachers and learners to access a wide variety of resources — from interactive exercises, videos, and audio recordings to adaptive learning modules. 


        These tools facilitate exposure to real language input, allow for repetition and individual pacing, and help learners practise all four language skills (listening, speaking, reading, writing) beyond the constraints of the traditional classroom schedule. 


        Moreover, the integration of technology in English-language instruction tends to increase student motivation and engagement. Studies report that when classrooms incorporate digital media and interactive tasks, students often show greater participation, interest, and willingness to communicate — factors that contribute to better learning outcomes.


        In contexts where technology offers immediate feedback or allows for collaborative online work, learners also benefit from more autonomy and personalized learning paths, which can boost confidence and foster a more learner-centered environment. 


       However, effective technology integration depends on thoughtful planning, teacher training, and pedagogical balance. The literature warns that simply having access to digital tools does not guarantee improved learning; educators must design meaningful tasks, adapt materials appropriately, and support learners' needs. 


          Furthermore, in settings where access to devices or internet is limited, or where teachers lack sufficient training, the potential benefits may not be realized — which underlines the importance of institutional support and professional development for successful implementation. 



Source: Günüç, S. (2023). Technology Integration in English Language Teaching and Learning. International Journal of Language Learning and Applied Linguistics. Nishat Tasneem (2024). The Impact of Technology-Enhanced EFL Reading Classes on Learners' Performances and Participations. International Journal of English Learning and Applied Linguistics.

In the sentence “Studies report that when classrooms incorporate digital media and interactive tasks, students often show greater participation, interest, and willingness to communicate”, the word “incorporate” is closest in meaning to:
Alternativas
Q3946987 Inglês
        Digital technologies have transformed the way English is taught and learned, offering educators and students more dynamic and flexible ways to engage with language. According to recent research, tools such as computer-assisted instruction, mobile devices, and online multimedia platforms enable both teachers and learners to access a wide variety of resources — from interactive exercises, videos, and audio recordings to adaptive learning modules. 


        These tools facilitate exposure to real language input, allow for repetition and individual pacing, and help learners practise all four language skills (listening, speaking, reading, writing) beyond the constraints of the traditional classroom schedule. 


        Moreover, the integration of technology in English-language instruction tends to increase student motivation and engagement. Studies report that when classrooms incorporate digital media and interactive tasks, students often show greater participation, interest, and willingness to communicate — factors that contribute to better learning outcomes.


        In contexts where technology offers immediate feedback or allows for collaborative online work, learners also benefit from more autonomy and personalized learning paths, which can boost confidence and foster a more learner-centered environment. 


       However, effective technology integration depends on thoughtful planning, teacher training, and pedagogical balance. The literature warns that simply having access to digital tools does not guarantee improved learning; educators must design meaningful tasks, adapt materials appropriately, and support learners' needs. 


          Furthermore, in settings where access to devices or internet is limited, or where teachers lack sufficient training, the potential benefits may not be realized — which underlines the importance of institutional support and professional development for successful implementation. 



Source: Günüç, S. (2023). Technology Integration in English Language Teaching and Learning. International Journal of Language Learning and Applied Linguistics. Nishat Tasneem (2024). The Impact of Technology-Enhanced EFL Reading Classes on Learners' Performances and Participations. International Journal of English Learning and Applied Linguistics.

Based on the information in the text, what can be inferred about the role of technology in English-language teaching?


Alternativas
Respostas
15321: A
15322: E
15323: C
15324: B
15325: C
15326: E
15327: E
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15339: A
15340: E