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Considerando as contribuições da neurociência para a compreensão da aprendizagem associada às funções executivas, assinale a afirmativa INCORRETA:
A neurociência, cada vez mais, tem colaborado com a aprendizagem, principalmente indicando novas abordagens relacionadas às funções cognitivas e executivas.
Considerando as contribuições da neurociência para a compreensão da aprendizagem relacionada às funções cognitivas, assinale a afirmativa INCORRETA:
Alícia Fernandes (1944 – 2015), uma das pioneiras da Psicopedagogia, evidencia que o modo como cada um se relaciona com o professor, com a sua aprendizagem pessoal e com o que é ensinado, é particular a cada indivíduo.
Analise criticamente as seguintes proposições relativas aos modos de aprendizagem, considerando as múltiplas dimensões envolvidas no processo educativo. Em seguida, selecione a alternativa que indica a combinação correta das afirmações consideradas pertinentes à compreensão da dinâmica da aprendizagem.
I. O processo de aprendizagem é intrinsecamente relacional, envolvendo o desejo de ensinar e aprender, a afetividade e a motivação.
II. As experiências vivenciadas no ambiente familiar, social e cultural modulam significativamente a maneira como o conhecimento é internalizado e experienciado pelo indivíduo.
III. A aprendizagem é um processo dialógico, no qual deve-se considerar o
que o sujeito aprendente já sabe e, da mesma maneira, aquele que está
ensinando precisa reconhecer que o outro (aprendente), ao aprender, o
ensina.
IV. A construção da aprendizagem do sujeito instaura-se primordialmente
a partir da idade escolar. O psicopedagogo, ao identificar dificuldades
de aprendizagem no aprendente, deve avaliar os conteúdos que o sujeito aprendeu, ou não, para direcionar as intervenções psicopedagógicas.
Está CORRETO o que se afirma em:
Para garantir um sistema educacional inclusivo, é fundamental adequar o ensino-aprendizagem, oferecendo adaptações curriculares que assegurem aos estudantes com deficiência o acesso igualitário ao currículo.
Examine as afirmações relacionadas ao currículo adaptado e, a seguir, indique a ordem CORRETA.
I. O psicopedagogo clínico tem como ação essencial elaborar as adaptações curriculares, indicando os conteúdos e os métodos adequados
para que o aluno com necessidades educacionais especiais desenvolva
sua aprendizagem.
II. As adaptações curriculares consistem em uma simplificação redutiva
dos conteúdos, visando facilitar a aprendizagem de todos os alunos com
deficiência, diminuindo o rigor ou a relevância dos objetivos de aprendizagem.
III. Existem dois tipos de adaptação curricular: Adaptações de grande
porte, que são inerentes às adaptações realizadas no plano anual de
ensino, exigindo grande intensidade de suporte pedagógico. Adaptações de pequeno porte, que são utilizadas na sala de aula para desenvolver tarefas com pequena complexidade.
IV. As adaptações de acesso ao currículo são modificações e ajustes que
visam eliminar barreiras para que todos os alunos, incluindo aqueles
com deficiência e/ou outras necessidades educacionais específicas,
possam ter acesso físico, comunicacional e metodológico ao que está
sendo ensinado.
V. As adaptações curriculares podem ser planejadas para atender um
aluno, um grupo de alunos e, até mesmo, atender à demanda global da
turma de uma sala de aula, sendo realizadas somente nos casos em
que a proposta geral não corresponda às necessidades específicas
deste público.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei nº 13.146, 6 de julho de 2015) é destinada às pessoas com deficiência, com o objetivo de assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais em prol da inclusão social e cidadania.
Em consonância com o dispositivo legal em questão, os sistemas educacionais devem garantir as condições essenciais para o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem dos indivíduos a que se refere a lei. Dentro deste escopo, analise as seguintes proposições e selecione a sequência CORRETA:
I. O poder público deve assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar o sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida.
II. As escolas inclusivas devem ofertar a educação bilíngue para surdos
assegurando a utilização da Libras como língua de instrução e o português escrito como segunda língua.
III. Os sistemas educacionais devem disponibilizar para os estudantes com
deficiência o atendimento educacional especializado na sala de aula,
com o intuito de facilitar o aprendizado e a participação dos alunos que
necessitam de um suporte diferenciado e imediato. Este profissional,
além de tornar o conteúdo acessível aos alunos com necessidades educacionais especiais, auxilia na comunicação e na interação entre os pares, promovendo a inclusão social.
IV. As instituições privadas devem obrigatoriamente disponibilizar formulário de inscrição com as indicações dos cursos de graduação que apresentam recursos de acessibilidade e de tecnologia assistiva necessários para a plena participação da pessoa com deficiência.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
A Epistemologia Genética, proposta por Jean Piaget (1896-1980), representa um dos pilares teóricos da Psicopedagogia. Piaget demonstra que a aprendizagem se desenvolve em um processo gradual. À medida que a criança se desenvolve, seu aprendizado se torna mais elaborado, atingindo patamares cognitivos mais complexos.
Seguindo este viés, analise os diferentes estágios de desenvolvimento cognitivo apresentado por Piaget.
Associe corretamente cada estágio às mudanças de estruturas cognitivas correspondente. Em seguida, assinale a alternativa que apresenta a ordem CORRETA dessas associações.
(1) Sensório-motor
(2) Pré-operatório
(3) Pensamento operatório-concreto
(4) Pensamento operatório-formal
( ) Corresponde à fase em que a criança desenvolve a capacidade de
pensamento simbólico.
(...) Caracteriza-se como a etapa na qual a criança aprende sobre o
mundo por intermédio das interações, experiências sensoriais e
motoras, levando à capacidade de desenvolver representações
mentais.
(...) Designa o estágio que representa a transição de uma inteligência
essencialmente prática para uma inteligência com habilidades
para usar símbolos (palavras, imagens, representar objetos, pessoas e eventos que não estão fisicamente presentes.
(...) Refere-se ao estágio caracterizado pelo desenvolvimento do pensamento abstrato e hipotético-dedutivo, proporcionando ao indivíduo a capacidade de pensar sobre possibilidades, mediante a formulação de hipóteses, explorando ideias e conceitos abstratos.
(...) Esta fase do desenvolvimento cognitivo caracteriza-se pela aquisição da capacidade de pensamento lógico aplicado a objetos e
eventos concretos, permitindo a realização de operações mentais
com mais lógica, desde que circunscritas à realidade física. Marca
a transição de um pensamento intuitivo e egocêntrico para uma
forma mais objetiva e racional dentro desses limites.
A ordem CORRETA é:
O Código de Ética da Psicopedagogia brasileira tem como objetivo primordial delinear os referenciais e orientar a conduta dos profissionais no Brasil no que diz respeito a princípios, regras e valores importantes para a prática profissional adequada.
Tendo em vista o documento supracitado, analise as afirmativas no que concerne aos fundamentos éticos, normativos e valores essenciais para a excelência da prática profissional:
I. Os princípios da Psicopedagogia estão entrelaçados na área de atuação em Educação e Saúde. Utiliza instrumentos e procedimentos próprios, fundamentados em referenciais teóricos inerentes à aprendizagem humana, levando em conta a ligação intrínseca entre os processos de aprendizagem e suas dificuldades.
II. A intervenção psicopedagógica utiliza recursos específicos da Pedagogia e instrumentos de avaliação psicológica para aprofundar a
compreensão do processo de aprender.
III. A formação do psicopedagogo é promovida por instituições de ensino superior que apresentam o devido reconhecimento e autorização dos órgãos competentes. Ela se dá em curso de graduação
e/ou em curso de pós-graduação (especialização em “lato sensu”)
em Psicopedagogia.
IV. O psicopedagogo tem o dever de resguardar o sigilo profissional de
dados obtidos por intermédio de sua atuação. Não caracteriza quebra de sigilo compartilhar tais informações com especialistas e/ou
instituições comprometidos com o atendido e/ou com o atendimento, mesmo quando não autorizado pelos próprios sujeitos e/ou
seus responsáveis legais e sistemas.
V. O psicopedagogo tem o dever de usar a ciência psicológica, por
meio de diversas técnicas e abordagens, que promovam a saúde
mental e o bem-estar do indivíduo, auxiliando-o a lidar com os desafios emocionais, comportamentais e sociais.
Está CORRETO o que se afirma em:
Considerando a trajetória histórico-cultural da Psicopedagogia e seu progressivo desenvolvimento como campo de saber transdisciplinar, avalie as asserções subsequentes no que concerne à atuação do psicopedagogo na contemporaneidade. Este profissional atua
O processo didático tem por objetivo dar respostas a uma necessidade: ensinar. O resultado do ensinar é dar respostas a uma outra necessidade: a do estudante aprendiz. Ensinar e aprender envolvem o pesquisar. E essas três dimensões necessitam do avaliar. Esse processo não se faz de forma isolada, mas implica interação entre sujeitos e objetos.
Fonte: VEIGA, Ilma P.A. (org.). Lições de didática. Campinas, SP: Papirus, 2006.
Considerando a abordagem da autora, como se caracteriza a atividade de ensino no contexto da formação docente e quais são as implicações dessa complexidade para o desenvolvimento de práticas pedagógicas significativas?
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) de uma escola é o documento que estabelece os objetivos, as diretrizes, as metas e os princípios fundamentais que orientam as práticas pedagógicas no ambiente escolar. Ele deverá expressar a identidade e os valores da comunidade e do território em que a escola está inserida, caracterizando os sujeitos atendidos, acolhendo e potencializando as suas particularidades.
Sobre o Projeto Político-Pedagógico e a estreita relação entre o Plano de Ensino, o Plano de Aula e a gestão da sala de aula, assinale a afirmativa que descreve corretamente como esses elementos se integram para garantir a coerência entre a visão institucional e as práticas pedagógicas cotidianas.
A prática da avaliação da aprendizagem, para manifestar-se como tal, deve apontar para a busca do melhor de todos os educandos, e não ser voltada para a seleção de uns poucos, como se comportam os exames. Por si, a avaliação, como dissemos, é inclusiva e, por isso mesmo, democrática e amorosa. Por ela, por onde quer que se passe, não há exclusão. Não há submissão, mas sim liberdade. Não há medo, mas sim espontaneidade e busca. Não há chegada definitiva, mas sim travessia permanente, em busca do melhor. Sempre!
Fonte: LUCKESI, Cipriano Carlos. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Revista Pátio On-line. Porto alegre: Artmed, ano 3, n. 12, fev./abr. 2000. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/2511.pdf Acesso em: 08 out. 2024.
Na perspectiva de Luckesi, a avaliação da aprendizagem vai além de sua função meramente classificatória e punitiva e deve ser compreendida como um processo que busca promover o desenvolvimento integral dos estudantes.
Considerando essa perspectiva, qual concepção é crucial para a prática avaliativa efetiva proposta pelo autor?
Na perspectiva da educação inclusiva, supõe-se que todos os alunos tenham uma resposta educativa na escola regular onde seja proporcionado o desenvolvimento de todas as suas capacidades, a fim de minimizar o preconceito e a exclusão, pois o preconceito pode resultar em sentimentos de diminuição da autoestima e em obstáculos nas interações emocionais e sociais para as pessoas com deficiência, tendo um impacto negativo na qualidade de vida que elas experimentam.
Fonte: SANTOS, T. E. de C. dos. O currículo na escola inclusiva: flexibilização curricular. Caderno Pedagógico, 21(8), 2024. Disponível em: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/6500/4149 Acesso em: 08 out. 2024.
Considerando a proposta curricular na perspectiva da inclusão e da diversidade, analise as afirmações a seguir, identificando aquela que representa o princípio fundamental para garantir o direito à aprendizagem de todos os estudantes.
A Política da Educação Integral e Integrada em Minas Gerais foi instituída pelo Decreto Estadual n. 47.227/2017. Em seu Art. 1º, é estabelecido que a Educação Integral e Integrada visa a assegurar o acesso e a permanência dos estudantes na Educação Básica, com a melhoria da qualidade do ensino e o respeito à diversidade, garantindo-se as condições necessárias ao desenvolvimento dos diversos saberes e habilidades pelos estudantes e a ampliação da oferta da jornada em tempo integral, em consonância com as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação.
Considerando seus princípios e diretrizes, analise as afirmações a seguir:
I. A gestão da Escola terá a responsabilidade de criar estratégias operacionais para a implementação da educação integral e integrada, a partir da constituição de Escolas Polo de Educação Múltipla.
II. Essa política prioriza o desenvolvimento acadêmico dos estudantes, desconsiderando aspectos socioemocionais e culturais que impactam a formação integral.
III. A Educação Integral e Integrada deve ser organizada a partir de três
eixos estruturantes como o projeto político pedagógico, a infraestrutura e o sistema de gestão.
IV. O projeto político pedagógico contemplará estratégias para a integração com outros órgãos locais do campo da proteção social, com vistas
à superação de mecanismos de exclusão social que afetam o desenvolvimento e o aprendizado dos estudantes.
Está CORRETO o que se afirma apenas em:
O Art. 2º da Resolução CNE/CP n. 1/2012 dispõe sobre a Educação em Direitos Humanos, um dos eixos fundamentais do direito à educação. Esse documento refere-se ao uso de concepções e práticas educativas fundadas nos Direitos Humanos e em seus processos de promoção, proteção, defesa e aplicação na vida cotidiana e cidadã de sujeitos de direitos e de responsabilidades individuais e coletivas. Os Direitos Humanos, internacionalmente reconhecidos como um conjunto de direitos civis, políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais, sejam eles individuais, coletivos, transindividuais ou difusos, referem-se à necessidade de igualdade e de defesa da dignidade humana. Assim, aos sistemas de ensino e suas instituições, cabe a efetivação da Educação em Direitos Humanos, implicando a adoção sistemática dessas diretrizes por todos(as) os(as) envolvidos(as) nos processos educacionais.
Considerando os princípios e objetivos dessa Resolução, assinale a afirmativa que apresenta corretamente um dos enfoques fundamentais que devem ser integrados ao currículo escolar:
De acordo com as normas de organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, a estrutura curricular deve garantir a implementação de práticas pedagógicas que contemplem os princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as especificidades locais. As escolas da rede estadual, assegurando o seu caráter de qualidade social, deverão respeitar os princípios éticos, estéticos e políticos, tendo como centralidade o estudante e a aprendizagem, considerando a inclusão, o respeito à diversidade e às diferenças, o seu desenvolvimento integral, a sua autonomia intelectual e o pensamento crítico.
Sobre a organização e funcionamento do ensino nas Escolas Estaduais de Educação Básica de Minas Gerais, analise as afirmativas a seguir:
I. As escolas devem se basear unicamente nas diretrizes da Secretaria de Estado de Educação, desconsiderando as especificidades regionais, para garantir uniformidade no ensino, em todo o estado de Minas Gerais.
II. O dia escolar é aquele em que são realizadas atividades de caráter pedagógico e administrativo, com a presença obrigatória do pessoal docente, técnico e administrativo, podendo incluir a representação de pais e alunos.
III. O Projeto Político-Pedagógico (PPP), elaborado por toda comunidade
escolar, deve ser amplamente divulgado e as ações implementadas
devem ser avaliadas, periódica e coletivamente, para se ajustar o processo pedagógico.
IV. Os cursos presenciais da EJA dos anos finais do Ensino Fundamental
e Médio têm duração de dois anos letivos, organizados em quatro períodos semestrais.
Está CORRETO o que se afirma apenas em:
O Decreto n. 8.752/2016 dispõe sobre a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica e estabelece diretrizes para garantir a qualidade da formação inicial e continuada de professores. Em seu Art. 1º, Fica instituída a Política Nacional, com a finalidade de fixar seus princípios e objetivos, e de organizar seus programas e ações, em regime de colaboração entre os sistemas de ensino e em consonância com o Plano Nacional de Educação - PNE, aprovado pela Lei n. 13.005, de 24 de junho de 2014, e com os planos decenais dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Em relação aos objetivos dessa política, assinale a afirmativa CORRETA.
A Educação do Campo ganhou legitimação no Estado de Minas Gerais por meio da Resolução SEE n. 2.820/2015, que apresenta as diretrizes para a Educação do Campo no Estado. Essa legislação institucionalizou o entendimento que compõe a Educação do Campo e sobre os sujeitos que a caracterizam. De acordo com o documento, agricultores familiares, ribeirinhos, população assentada em acampamentos de reforma agrária, trabalhadores assalariados rurais quilombolas, integrantes dos movimentos atingidos pelas barragens, entre outras condições que desenvolvam suas sobrevivências materiais e de existência a partir da relação com a terra, são condições características da modalidade. Assim, a Educação do Campo enquanto política destina-se à qualificação e à ampliação da oferta da Educação Básica, tendo como parâmetro o que dispõe o Plano Nacional de Educação, priorizando a diminuição das desigualdades educacionais, principalmente, no que diz respeito às diferenças elencadas no âmbito da geografia e à universalização da Educação Básica. Essa modalidade, assim, deve proporcionar um processo de construção do saber no qual a autonomia do estudante seja colocada em destaque para se aprimorar juntamente com uma perspectiva de relação com a terra de forma sustentável.
Fonte: A Educação do Campo. Disponível em: https://srenovaera.educacao.mg.gov.br/47- divep/287-escola-do-campo. Acesso em: 10 out. 2024. (com adaptações)
Considerando as Diretrizes para a Educação Básica nas escolas do campo em Minas Gerais, qual princípio orienta a formulação das práticas pedagógicas nesse contexto, promovendo uma educação que responda às especificidades socioeconômicas e culturais das comunidades rurais?
A Educação Escolar Quilombola no Brasil é uma modalidade da Educação Básica, cujos fundamentos podem ser encontrados no Parecer CNE/CP n. 03/2004 e na Resolução CNE/CP n. 01/2004, que instituem a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana nos currículos das escolas públicas e privadas da Educação Básica. Posteriormente, foi assegurada nas Diretrizes Curriculares Gerais para a Educação Básica (Resolução CNE/CEB. n. 04/2010 e pela Resolução CNE/CEB n. 08/2012, bem como pelas demais orientações e resoluções do Conselho Nacional de Educação.
Qual das alternativas abaixo reflete os principais objetivos desta modalidade de ensino, conforme previsto nas diretrizes educacionais brasileiras?
A questão refere-se ao texto a seguir.
O arquivo
No fim de um ano de trabalho,
joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
joão transformou-se num arquivo de metal.
(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561).
O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
Nesse fragmento, há
A questão refere-se ao texto a seguir.
O arquivo
No fim de um ano de trabalho,
joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
joão transformou-se num arquivo de metal.
(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561).
O uso de letra minúscula em “joão”
I - representa a coisificação e a insignificância do personagem.
II - intensifica a despersonalização e o anonimato do personagem.
III - corrobora a ausência de destaque da existência do personagem.
IV - acentua a personalidade idiossincrática e dinâmica do personagem.
É CORRETO o que se afirma em