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Q3911045 Português
Leia o texto e analise as estruturas a seguir. Análises em amostras de água detectam presença de substâncias farmacológica se cafeína em águas superficiais, que servem como fonte para o consumo humano, mesmo após o tratamento convencional de esgoto. Muitos desses compostos possuem estruturas que dificultam sua degradação nos processos tradicionais de purificação da água. Segundo pesquisadores, mesmo em concentrações baixas, esses agentes tóxicos podem trazer riscos à saúde e ao ambiente aquático.
(Disponível em:<https://jornal.usp.br/ciencias/residuos-farmacologicos-sao-encontrados-em-agua-destinada-ao-consumo-humano>. Acesso em: 9 jul .2025.)
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Q3911032 Português
Leia o texto a seguir.

Santaella (2003) diz que “para compreender essas passagens de uma cultura à outra” é preciso considerar seis tipos de eras culturais no processo de evolução da humanidade: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massas, a cultura das mídias e a cultura digital. Segundo a autora, “essas divisões estão pautadas na convicção de que os meios de comunicação, desde o aparelho fonador até as redes digitais atuais, não passam de meros canais para a transmissão de informação”. [...] Como já afirmava Santaella, em 2003, as novas tecnologias digitais de informação e comunicação estão mudando não apenas as formas do entretenimento e do lazer, mas potencialmente todas as esferas da sociedade: o trabalho, o gerenciamento político, as atividades militares e policiais, o consumo, a comunicação e a educação, “enfim, estão mudando toda a cultura em geral”.
(KENSKI, Vani Moreira. “Cultura Digital”. In: MILL, Daniel. Dicionário Crítico de Educação e Tecnologias e de educação a distância. Campinas: Editora Papirus, 2018.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre Cultura e Tecnologias, assinale a alternativa correta.
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Q3911026 Português
Leia o texto a seguir.

O “ofício do historiador” é um ofício de homens que escrevem a história no masculino. Os campos que abordam são os da ação e do poder masculinos, mesmo quando anexam novos territórios. Econômica, a história ignora a mulher improdutiva. Social, ela privilegia as classes e negligencia os sexos. Cultural ou “mental”, ela fala do Homem em geral, tão assexuado quanto a Humanidade. Célebres– piedosas ou escandalosas–, as mulheres alimentam as crônicas da “pequena” história, meras coadjuvantes da História!
(PERROT, Michellle. Os Excluídos da História: Operários, Mulheres e Prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.185.)

Sobre essa passagem da historiadora Michelle Perrot, considere as afirmativas a seguir.
I. A historiadora afirma que a história tem sido escrita pelo olhar masculino, relegando à mulher um lugar de coadjuvante.
II. Segundo Perrot, a história deve ser escrita apenas por homens, pois este é um ofício masculino.
III. Para a autora, todas as histórias que são escritas sobre as mulheres são pequenas crônicas.
IV. O texto da autora faz uma crítica à forma como a História tem sido escrita, pois os campos de ação analisados são geralmente masculinos.

Assinale a alternativa correta.
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Q3911023 Direito Internacional Público
Leia a seguir o trecho de uma notícia.

Israel anunciou nesta terça-feira (10/6) que começou a deportar 12 ativistas pró-palestinos, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg, cujo barco de ajuda para Gaza foi apreendido na véspera pelas forças israelenses no Mar Mediterrâneo.
(BBC News. 10 jun 2025. Disponível em: «https://www.bbc.com/portuguese/articles/ce82730eny3o». Acesso em: 14 jul. 2025.)

O trecho da notícia acima evidencia aspectos importantes da geopolítica contemporânea. A partir dela e do funcionamento do sistema internacional, assinale a alternativa correta.
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Q3911022 Direito Agrário
Sobre a questão agrária no Brasil e os processos históricos e legais que influenciam a organização do espaço rural e os movimentos sociais do campo, assinale a alternativa correta.
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Q3910973 Português
Leia o trecho do conto Soroco, sua mãe e sua filha, de Guimarães Rosa, e responda à questão a seguir.

A hora era de muito sol — o povo caçava jeito de ficarem debaixo da sombra das árvores de cedro. O carro lembrava um canoão no seco, navio. A gente olhava: nas reluzências do ar, parecia que ele estava torto, que nas pontas se empinava. O borco bojudo do telhadilho dele alumiava em preto. Parecia coisa de invento de muita distância, sem piedade nenhuma, e que a gente não pudesse imaginar direito nem se acostumar de ver, e não sendo de ninguém. Para onde ia, no levar as mulheres, era para um lugar chamado Barbacena, longe. Para o pobre, os lugares são mais longe.
O Agente da estação apareceu, fardado de amarelo, com o livro de capa preta e as bandeirinhas verde e vermelha debaixo do braço. — "Vai ver se botaram água fresca no carro..." — ele mandou. Depois, o guarda-freios andou mexendo nas mangueiras de engate. Alguém deu aviso: — “Eles vêm!...” Apontavam, da Rua de Baixo, onde morava Sorôco. Ele era um homenzão, brutalhudo de corpo, com a cara grande, uma barba, fiosa, encardida em amarelo, e uns pés, com alpercatas: as crianças tomavam medo dele; mais, da voz, que era quase pouca, grossa, que em seguida se afinava. Vinham vindo, com o trazer de comitiva.
(ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001. p. 63.)

Sobre o conto Soroco, sua mãe e sua filha, de Guimarães Rosa, é correto afirmar:
Alternativas
Q3910972 Português
Leia o excerto a seguir.

Com um olhar incrédulo,
[o rapaz] sinalizou com o braço alguns metros à minha frente e disse:
– Moça, é aquela árvore ali, a única que tem na quadra.
Era uma árvore grande. Bem grande. Naquele momento eu
reconheci a castanheira.
Envergonhada, agradeci e fui em direção ao meu destino.
Por que não vejo mais árvores?
Quando foi que deixei de perceber gentes-floresta?
Quando?
E você?
(DORRICO, Julie. Eu sou Macuxi e outras histórias. Nova Lima: Caos e Letras, 2019. p. 83.)

A partir da leitura do excerto e dos conhecimentos sobre a obra Eu sou Macuxi e outras histórias, de Julie Derrico, considere as afirmativas a seguir.
I. A obra Eu sou Macuxi e outras histórias é construída a partir da técnica da prosa poética, em que poesia e prosa se misturam, criando uma obra de difícil classificação.
II. O trecho “Quando foi que deixei de perceber gentes-floresta? / Quando? / E você?” desafia o leitor a ver, na própria estrutura do poema, a árvore que a narradora não viu.
III. A história “Makunaima e os manos deuses” conta a história de como o “homem branco” decidiu se tornar um “Deus” mais importante do que os outros deuses, negando os seus irmãos indígenas.
IV. Em dado momento da obra, a narradora informa que sua mãe fala inglês: “[...] a língua de minha mãe seria o inglês, assim [...] sua vida seria mais fácil”. Isso ocorre porque a família migrou dos Estados Unidos da América.

Assinale a alternativa correta.
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Q3910968 Português
A inteligência artificial (IA) já é uma realidade concreta na vida das pessoas. Nos últimos anos, ela tem transformado modelos de negócio, reestruturado formas de trabalho e, cada vez mais, conquistado espaço também no ambiente escolar. No campo da educação, é urgente superar o debate sobre sua pertinência– a pergunta já não é mais ‘se’ devemos usar IA, mas ‘como’ usá-la de maneira ética, responsável e pedagógica. Essa foi uma das grandes pautas da Bett Brasil 2025, maior evento de inovação e tecnologia para a educação na América Latina, que reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor. Durante o evento, um dos momentos mais relevantes foi a divulgação de uma pesquisa inédita do Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que ouviu 346 professores de todos os estados brasileiros.

O levantamento revelou que mais de 80% dos docentes reconhecem os benefícios da IA no ensino, sobretudo no planejamento de aulas e na produção de conteúdos mais dinâmicos e interativos. E mais de 60% já utilizam ferramentas generativas de IA para obter ideias, elaborar planos de aula e desenvolver materiais. Apesar disso, a pesquisa também aponta desafios importantes: apenas 14,3% dos educadores afirmam utilizar a IA na produção efetiva de materiais didáticos. Entre os entraves mais citados estão a falta de tempo, escassez de equipamentos, conectividade limitada e ausência de formação continuada. Isso mostra que, para transformar o potencial da IA em resultados concretos, será necessário formar os professores, ampliar o acesso e garantir o suporte técnico necessário.

A IA pode – e deve – ser uma aliada neste processo, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo dos educadores para aquilo que é essencial: o vínculo humano com os estudantes e a mediação da aprendizagem.

No cenário internacional, países como Estados Unidos e China já oficializaram políticas educacionais que colocam o ensino de inteligência artificial no centro de aprendizagem das escolas. Essa decisão estratégica não apenas prepara as novas gerações para o mundo do trabalho, mas também estimula o pensamento computacional, a resolução de problemas e o protagonismo juvenil.

A inteligência artificial não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para potencializar o que há de mais humano na educação: o cuidado, a escuta, a personalização da aprendizagem e a construção de conhecimento significativo.

Para isso, é necessário que políticas públicas, instituições educacionais, empresas e toda a sociedade trabalhem juntos na construção de um ecossistema que favoreça inovação com responsabilidade, inclusão digital e formação contínua.


(Adaptado de: TAVARES,Ricardo. A inteligência artificial chegou à sala de aula– e agora? Disponível em: «https://revistaeducacao.com.br
/2025/05/14/inteligencia-artificial-na-sala-de-aula/». Publicado em 14/05/2025. Acesso em: 24 jun. 2025.)
Em relação aos recursos linguístico-semânticos presentes no sexto parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910967 Português
A inteligência artificial (IA) já é uma realidade concreta na vida das pessoas. Nos últimos anos, ela tem transformado modelos de negócio, reestruturado formas de trabalho e, cada vez mais, conquistado espaço também no ambiente escolar. No campo da educação, é urgente superar o debate sobre sua pertinência– a pergunta já não é mais ‘se’ devemos usar IA, mas ‘como’ usá-la de maneira ética, responsável e pedagógica. Essa foi uma das grandes pautas da Bett Brasil 2025, maior evento de inovação e tecnologia para a educação na América Latina, que reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor. Durante o evento, um dos momentos mais relevantes foi a divulgação de uma pesquisa inédita do Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que ouviu 346 professores de todos os estados brasileiros.

O levantamento revelou que mais de 80% dos docentes reconhecem os benefícios da IA no ensino, sobretudo no planejamento de aulas e na produção de conteúdos mais dinâmicos e interativos. E mais de 60% já utilizam ferramentas generativas de IA para obter ideias, elaborar planos de aula e desenvolver materiais. Apesar disso, a pesquisa também aponta desafios importantes: apenas 14,3% dos educadores afirmam utilizar a IA na produção efetiva de materiais didáticos. Entre os entraves mais citados estão a falta de tempo, escassez de equipamentos, conectividade limitada e ausência de formação continuada. Isso mostra que, para transformar o potencial da IA em resultados concretos, será necessário formar os professores, ampliar o acesso e garantir o suporte técnico necessário.

A IA pode – e deve – ser uma aliada neste processo, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo dos educadores para aquilo que é essencial: o vínculo humano com os estudantes e a mediação da aprendizagem.

No cenário internacional, países como Estados Unidos e China já oficializaram políticas educacionais que colocam o ensino de inteligência artificial no centro de aprendizagem das escolas. Essa decisão estratégica não apenas prepara as novas gerações para o mundo do trabalho, mas também estimula o pensamento computacional, a resolução de problemas e o protagonismo juvenil.

A inteligência artificial não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para potencializar o que há de mais humano na educação: o cuidado, a escuta, a personalização da aprendizagem e a construção de conhecimento significativo.

Para isso, é necessário que políticas públicas, instituições educacionais, empresas e toda a sociedade trabalhem juntos na construção de um ecossistema que favoreça inovação com responsabilidade, inclusão digital e formação contínua.


(Adaptado de: TAVARES,Ricardo. A inteligência artificial chegou à sala de aula– e agora? Disponível em: «https://revistaeducacao.com.br
/2025/05/14/inteligencia-artificial-na-sala-de-aula/». Publicado em 14/05/2025. Acesso em: 24 jun. 2025.)
Acerca da construção sintática do texto, considere as afirmativas a seguir.

I. No primeiro parágrafo, o sujeito “inteligência artificial” é retomado três vezes por meio de diferentes pronomes: “ela”, “sua”, “-la”.
II. No segundo parágrafo, o termo “que” é pronome relativo nas duas ocorrências e introduz orações subordinadas adjetivas. 
III. No terceiro parágrafo, o termo “que” funciona como conjunção e introduz uma oração que desempenha função de complemento do verbo “revelou”.
IV. No quarto parágrafo, o uso excessivo de verbos prejudica a composição dos períodos assim como a sintaxe do enunciado.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910966 Português
A inteligência artificial (IA) já é uma realidade concreta na vida das pessoas. Nos últimos anos, ela tem transformado modelos de negócio, reestruturado formas de trabalho e, cada vez mais, conquistado espaço também no ambiente escolar. No campo da educação, é urgente superar o debate sobre sua pertinência– a pergunta já não é mais ‘se’ devemos usar IA, mas ‘como’ usá-la de maneira ética, responsável e pedagógica. Essa foi uma das grandes pautas da Bett Brasil 2025, maior evento de inovação e tecnologia para a educação na América Latina, que reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor. Durante o evento, um dos momentos mais relevantes foi a divulgação de uma pesquisa inédita do Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que ouviu 346 professores de todos os estados brasileiros.

O levantamento revelou que mais de 80% dos docentes reconhecem os benefícios da IA no ensino, sobretudo no planejamento de aulas e na produção de conteúdos mais dinâmicos e interativos. E mais de 60% já utilizam ferramentas generativas de IA para obter ideias, elaborar planos de aula e desenvolver materiais. Apesar disso, a pesquisa também aponta desafios importantes: apenas 14,3% dos educadores afirmam utilizar a IA na produção efetiva de materiais didáticos. Entre os entraves mais citados estão a falta de tempo, escassez de equipamentos, conectividade limitada e ausência de formação continuada. Isso mostra que, para transformar o potencial da IA em resultados concretos, será necessário formar os professores, ampliar o acesso e garantir o suporte técnico necessário.

A IA pode – e deve – ser uma aliada neste processo, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo dos educadores para aquilo que é essencial: o vínculo humano com os estudantes e a mediação da aprendizagem.

No cenário internacional, países como Estados Unidos e China já oficializaram políticas educacionais que colocam o ensino de inteligência artificial no centro de aprendizagem das escolas. Essa decisão estratégica não apenas prepara as novas gerações para o mundo do trabalho, mas também estimula o pensamento computacional, a resolução de problemas e o protagonismo juvenil.

A inteligência artificial não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para potencializar o que há de mais humano na educação: o cuidado, a escuta, a personalização da aprendizagem e a construção de conhecimento significativo.

Para isso, é necessário que políticas públicas, instituições educacionais, empresas e toda a sociedade trabalhem juntos na construção de um ecossistema que favoreça inovação com responsabilidade, inclusão digital e formação contínua.


(Adaptado de: TAVARES,Ricardo. A inteligência artificial chegou à sala de aula– e agora? Disponível em: «https://revistaeducacao.com.br
/2025/05/14/inteligencia-artificial-na-sala-de-aula/». Publicado em 14/05/2025. Acesso em: 24 jun. 2025.)
Sobre as informações apresentadas no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. A Educação é um dos campos com maior rejeição ao uso de IA, tanto no ambiente escolar quanto na produção de materiais pedagógicos de ensino.
II. A IA desfavorece a interação humana, prejudica a relação de ensino-aprendizagem em sala de aula e substitui o professor tecnicamente.
III. O cenário internacional é protagonista em relação ao uso de IA, devido ao estímulo à inclusão digital oficializado nas políticas educacionais escolares.
IV. A garantia de uma educação tecnológica, com equidade e impacto social, é possível a partir de políticas públicas e de formação continuada de docentes.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910392 Direito Constitucional
O conceito de “indocumentados” refere-se a indivíduos que, por diferentes razões, não possuem documentos de identificação oficiais, como a certidão de nascimento. Mesmo diante de políticas públicas para reduzir o sub-registro, como as implementadas a partir de 2003, ainda existem milhões de brasileiros nessa situação. Sobre o registro civil e o exercício da cidadania, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910387 Direito do Trabalho
Leia o texto a seguir. A terceirização, a informalidade e a flexibilidade se tornaram, então, partes inseparáveis do léxico e da pragmática da empresa corporativa global. E, com elas, a intermitência vem se tornando um dos elementos mais corrosivos da proteção do trabalho, que foi resultado de lutas históricas e seculares da classe trabalhadora em tantas partes do mundo. Vejamos alguns exemplos do tipo de trabalho que mais se expande sob o capitalismo de nosso tempo. Um deles, o zero hour contract [contrato de zero hora], por exemplo, nasceu no Reino Unido e se esparrama pelo mundo ao permitir a contratação de trabalhadores e trabalhadoras das mais diversas atividades, que ficam à disposição de uma plataforma.
(ANTUNES, R. Trabalho intermitente e uberização do trabalho no limiar da Indústria 4.0. In: ANTUNES, R. et al (org.) Uberização, Trabalho Digital e Indústria 4.0. São Paulo: Boitempo, 2020. p.11-22.)
Com base nesse texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a principal consequência do fenômeno da “plataformização do trabalho”, ao transformar as relações de trabalho em supostos serviços autônomos. 
Alternativas
Q3910361 Português
Leia o texto a seguir.
O colonizador, como se fosse um escultor, talhou a América na forma em que havia imaginado. Destruía pirâmide para construir igrejas, derrubava habitações para obter o desenho da praça ou o traçado desejado para as ruas, jogava pedras nos canais para que os cavalos pudessem circular melhor na cidade. Reconstituía-se tudo o que era possível para que o núcleo urbano lembrasse a Europa.
(THEODORO, J. Descobrimentos e renascimento. São Paulo: Contexto, 1991. p.63.)
Sobre essa citação, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910309 Português
Leia o poema a seguir.
Modinha
Tuas palavras antigas deixei-as todas, deixei-as, junto com as minhas cantigas, desenhadas nas areias.
Tantos sóis e tantas luas brilharam sobre essas linhas, das cantigas – que eram tuas – das palavras – que eram minhas!
O mar, de língua sonora, sabe o presente e o passado. Canta o que é meu, vai-se embora: que o resto é pouco e apagado.
(MEIRELES, C. Os melhores poemas de Cecília Meireles. 14.ed. São Paulo: Global, 2002. p.42.)
Com base nesse poema, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3910308 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão. 


— Fui contra a indicação. Desse americano — atalhou o Secretário num tom suave mas infeliz. — Os ratos são nossos, as soluções têm que ser nossas. Por que botar todo mundo a par das nossas mazelas? Das nossas deficiências? Devíamos só mostrar o lado positivo não apenas da sociedade mas da nossa família. De nós mesmos — acrescentou apontando para o pé em cima da almofada. — Por que não apareci ainda, por quê? Porque simplesmente não quero que me vejam indisposto, de pé inchado, mancando. Amanhã calço o sapato para a instalação, de bom grado faço esse sacrifício. O senhor, que é um candidato em potencial, desde cedo precisa ir aprendendo essas coisas, moço. Mostrar só o lado positivo, só o que pode nos enaltecer. Esconder nossos chinelos.


[...]


Bueno, é do conhecimento de Vossa Excelência que causou espécie o fato de termos escolhido este local. Por que instalar o VII Seminário dos Roedores numa casa de campo, completamente isolada? Essa a primeira indagação geral. A segunda é que gastamos demais para tornar esta mansão habitável, um desperdício quando podíamos dispor de outros locais já prontos. O noticiarista de um vespertino, marquei bem a cara dele, Excelência, esse chegou a ser insolente quando rosnou que tem tanto edifício em disponibilidade, que as implosões até já se multiplicam para corrigir o excesso. E nós gastando milhões para restaurar esta ruína... O Secretário passou o lenço na calva e procurou se sentar mais confortavelmente. Começou um gesto que não se completou. — Gastando milhões? Bilhões estão consumindo esses demônios, por acaso ele ignora as estatísticas? Estou apostando como é da esquerda, estou apostando. Ou então, amigo dos ratos. Enfim, não tem importância, prossiga por favor.


(TELLES, L. F. Seminários dos ratos. 8.ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p.155-156.)

Com base no texto e no livro “Seminário dos ratos”, de Lygia Fagundes Telles, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910306 Português
Leia o poema Nota Social, de Carlos Drumond de Andrade, a seguir e responda à questão.

O poeta chega na estação.
O poeta desembarca.
O poeta toma um auto.
O poeta vai para o hotel.
E enquanto ele faz isso
como qualquer homem da terra,
uma ovação o persegue
feito vaia.
Bandeirolas
abrem alas.
Bandas de música. Foguetes.
Discursos. Povo de chapéu de palha.
Máquinas fotográficas assestadas.
Automóveis imóveis.
Bravos...
O poeta está melancólico.

Numa árvore do passeio público
(melhoramento da atual administração)
árvore gorda, prisioneira
de anúncios coloridos,
árvore banal, árvore que ninguém vê
canta uma cigarra.
Canta uma cigarra que ninguém ouve
um hino que ninguém aplaude.
Canta, no sol danado.
O poeta entra no elevador
o poeta sobe
o poeta fecha-se no quarto.
O poeta está melancólico.

(ANDRADE, C. D. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, p.43.)
Com base no poema “Nota social”, de Carlos Drummond de Andrade, considere as afirmativas a seguir.
I. O verso “(melhoramento da atual administração)” mostra como o poeta enaltece as obras construídas pelo poder público.
II. Ocorre uma identificação entre o poeta e a natureza, uma vez que ele passa despercebido pela multidão.
III. Observa-se a relação conflituosa entre o poeta e a vida moderna, caracterizada pelos automóveis, as máquinas fotográficas e a estação.
IV. Observa-se o contraste entre a melancolia e a solidão do poeta e o alegre entusiasmo do seu entorno, com bandas, música, foguetes e anúncios coloridos.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910304 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.


Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.


Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.


Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.


Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.


“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.


(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2024.)

Em relação à sintaxe e à composição dos períodos “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”, considere as afirmativas a seguir.
I. Na fala de Fernando Venâncio, há marcas do português europeu, como o uso da locução verbal “acaba por ser”, comumente utilizada no Brasil por meio do gerúndio “acaba sendo”.
II. A palavra “engendrado” concorda com seu antecedente “idioma” desempenhando a função de adjetivo.
III. O termo “portugueses”, separado por vírgulas, indica um vocativo e agrega o sujeito “Nós”, concordando com a sequência da oração.
IV. A conjunção “E”, que introduz o segundo período, funciona na sintaxe do português europeu de modo distinto à norma do português brasileiro.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910303 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.


Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.


Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.


Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.


Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.


“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.


(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2024.)

Sobre os recursos argumentativos empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910302 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.


Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.


Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.


Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.


Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.


“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.


(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2024.)

Acerca do vocabulário empregado no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. O livro de Fernando Venâncio rejeita as visões ortodoxas sobre o nascimento do português, conforme sentido expresso no fragmento “refutar as visões puristas”.
II. O termo “xenófobo”, no segundo parágrafo, reforça a ideia de que o português brasileiro nasceu com os portugueses.
III. A expressão “corpos pretos”, usada na fala de Santana, carrega um tom pejorativo em relação ao povo africano.
IV. Na expressão “idioma rico e dúctil”, no quarto parágrafo, o termo “dúctil” reitera a ideia subsequente sobre variedades e diferenças na língua.
Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3910301 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.


Os nascimentos das línguas são misteriosos. É difícil precisar em que momento um grupo de pessoas deixa de se comunicar de uma forma para se comunicar de outra. Isso porque a transição de um sistema linguístico para outro raramente é abrupta, já que as línguas nascem da interação, da fusão e da troca. Frequentemente, várias línguas coexistem por longos períodos antes de emergirem como dominantes, embora esse domínio nunca seja permanente. A boa notícia é que os falantes de português terão uma visão privilegiada deste fantástico mundo de nascimentos, mortes e renascimentos. Em movimento sincrônico, quase astral, duas iniciativas abordam as misturas e confluências que resultaram na língua de Camões, mas também de Machado de Assis.


Vindo do lado de lá do Atlântico, acaba de aportar no Brasil o livro do filólogo português Fernando Venâncio. Assim nasce uma língua tem o mérito de refutar as visões puristas que defendem que o português nasceu no século 12, com a formação do reino de Portugal, descendendo diretamente da língua romana. Para o autor, a língua portuguesa teve uma origem muito mais prosaica, cerca de seis séculos antes, derivando do galego, língua falada por camponeses no noroeste da Península Ibérica. A conclusão, aparentemente simples, joga por terra o argumento xenófobo que por séculos inferiorizaram as variações faladas fora do território europeu: a ideia de que nossa língua nasceu com os portugueses. “O português considera a si mesmo como um ser único. Nas suas formas mais extremas, esta convicção chega a supor uma intervenção providencial. Portugal teria, e isso desde sempre, um povo, uma cultura, uma religião e, claro, uma língua própria”, disse o autor à Veja.


Como conceber, então, que um idioma igual ao português existisse antes mesmo de Portugal? “Nesse caso, os sentimentos se misturam”, pondera Venâncio. “Nós, portugueses, concebemos mal que o nosso idioma tenha sido engendrado fora do nosso território. E, efetivamente, toda a história do português acaba por ser a de um gradual distanciamento do galego”. Distância esta que o autor tenta, agora, encurtar trazendo esse passado que por muito tempo foi jogado para baixo do tapete e evidenciando as misturas incômodas e diversas que sempre constituíram a língua.


Ao analisar certas proximidades, porém, Venâncio não deixa de notar evidentes afastamentos. O livro conclui que esta língua está fadada a dividir-se em outros idiomas, como outrora aconteceu com os romanos. “A história do Português mostra que ele sabe se adaptar com facilidade. Ele superou as dores do crescimento e se apresenta de rosto renovado. Isto permite prever que brasileiros, africanos e portugueses continuarão a dispor de um idioma rico e dúctil, sem receio das variedades e mesmo das diferenças”, sintetiza o autor que lembra que a pouca consideração dada por Portugal à língua que vinha se constituindo no Brasil resultou em uma invejável liberdade criativa para os brasileiros que, enquanto povo, tiraram o máximo proveito disso.


Do lado de cá do Atlântico, as línguas se encontram. Se o português de Portugal se formou a partir do galego, foi no Brasil que ele encontrou seu âmago, misturando-se a outras formas de falar e constituir o mundo. Essas intersecções são abordadas na nova mostra temporária aberta no Museu da Língua Portuguesa, seguindo até janeiro de 2025. Chamada de Línguas Africanas que Fazem o Brasil, com curadoria do músico e filósofo baiano Tiganá Santana, a exposição se debruça menos sobre a língua de Camões e mais sobre o tempero de Machado de Assis. As sincronias entre Venâncio e Santana, porém, se evidenciam nos detalhes. Ambos repensam o apagamento das influências linguísticas que por muito tempo foram consideradas inferiores na formação do nosso vocabulário e mostram que todas as línguas só são possíveis a partir das misturas que as constituem. “É preciso lembrar sempre que Portugal não foi exclusivo por aqui. Se hoje temos uma língua brasileira é porque o Brasil constituiu sua própria dinâmica e, nessa dinâmica, os corpos pretos foram grandes difusores de um novo modo de fala”, sintetiza Santana.


“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”, questionava José de Alencar no fim do século XIX. Dois séculos depois, Tiganá Santana e Fernando Venâncio parecem finalmente concluir que há beleza, mistura e riqueza em cada uma, à sua própria maneira e com seu próprio tempero.


(Adaptado de: MONITCHELE, M. Como nasce uma língua: exposição e livro questionam origens do português. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2024.)

Sobre os recursos linguístico-semânticos utilizados no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. O termo “já que”, no primeiro parágrafo, foi utilizado para expressar a consequência das ações citadas nos enunciados anteriores.
II. As palavras “filólogo” e “filósofo”, empregadas para se referir ao português e ao brasileiro, respectivamente, têm sentidos antônimos.
III. A expressão idiomática “jogado para baixo do tapete”, pertencente à linguagem conotativa, faz remissão ao “passado” citado anteriormente.
IV. José de Alencar utiliza um jogo entre as palavras sinônimas “chupa” e “sorve”, referindo-se, respectivamente, ao Brasil e a Portugal.
Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Respostas
1: A
2: A
3: B
4: A
5: D
6: C
7: D
8: E
9: D
10: C
11: A
12: B
13: A
14: D
15: E
16: C
17: A
18: D
19: B
20: C