Leia o texto a seguir. O “ofício do historiador” é um ofíci...

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Q3911026 Português
Leia o texto a seguir.

O “ofício do historiador” é um ofício de homens que escrevem a história no masculino. Os campos que abordam são os da ação e do poder masculinos, mesmo quando anexam novos territórios. Econômica, a história ignora a mulher improdutiva. Social, ela privilegia as classes e negligencia os sexos. Cultural ou “mental”, ela fala do Homem em geral, tão assexuado quanto a Humanidade. Célebres– piedosas ou escandalosas–, as mulheres alimentam as crônicas da “pequena” história, meras coadjuvantes da História!
(PERROT, Michellle. Os Excluídos da História: Operários, Mulheres e Prisioneiros. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.185.)

Sobre essa passagem da historiadora Michelle Perrot, considere as afirmativas a seguir.
I. A historiadora afirma que a história tem sido escrita pelo olhar masculino, relegando à mulher um lugar de coadjuvante.
II. Segundo Perrot, a história deve ser escrita apenas por homens, pois este é um ofício masculino.
III. Para a autora, todas as histórias que são escritas sobre as mulheres são pequenas crônicas.
IV. O texto da autora faz uma crítica à forma como a História tem sido escrita, pois os campos de ação analisados são geralmente masculinos.

Assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é distinguir a crítica descritiva do texto de uma prescrição normativa e evitar generalização indevida: em "O “ofício do historiador” é um ofício de homens que escrevem a história no masculino. Os campos que abordam são os da ação e do poder masculinos [...] Célebres– piedosas ou escandalosas–, as mulheres alimentam as crônicas da “pequena” história, meras coadjuvantes da História!", a autora critica uma historiografia centrada no masculino e a posição secundária atribuída às mulheres; por isso, I e IV se sustentam, enquanto II e III extrapolam o sentido do trecho.

Tema central: crítica à historiografia masculina
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui a afirmativa II. O texto diz "é um ofício de homens que escrevem a história no masculino" para criticar um padrão historiográfico, não para defender que a História deva ser escrita apenas por homens. A I, isoladamente, está correta; o erro da alternativa está na distorção semântica da II, que transforma constatação crítica em prescrição normativa.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne exatamente as duas afirmativas autorizadas pelo texto. A I decorre de "escrevem a história no masculino" e de "meras coadjuvantes da História!", que sustentam a leitura de que a escrita da História tem sido conduzida por um olhar masculino que relega as mulheres a plano secundário. A IV também se apoia diretamente no texto, sobretudo em "Os campos que abordam são os da ação e do poder masculinos", além das referências à exclusão das mulheres nos campos econômico, social e cultural. O trecho inteiro tem valor crítico-descritivo: mostra como a História vem sendo escrita, não como deveria ser escrita.
C
Errada
Está errada porque a afirmativa III não é sustentada pelo texto. Quando a autora afirma que "as mulheres alimentam as crônicas da “pequena” história", ela está indicando o lugar secundário que lhes é atribuído nessa historiografia criticada. Isso não equivale a dizer que todas as histórias escritas sobre mulheres sejam pequenas crônicas. A IV está correta, mas a presença da III invalida a alternativa.
D
Errada
Está errada porque inclui II e III, ambas incompatíveis com o texto. A II erra ao ler como defesa aquilo que é crítica; a III erra por generalização indevida, pois o texto não universaliza a ideia de que toda escrita sobre mulheres seja "pequena" história. Como só I e IV se sustentam, essa alternativa não pode ser correta.
E
Errada
Está errada por dois motivos textualmente verificáveis: exclui a afirmativa I, que é sustentada por "escrevem a história no masculino" e "meras coadjuvantes da História!", e inclui II e III, que distorcem o sentido do trecho. A alternativa contraria, ao mesmo tempo, o que o texto afirma e o que ele não autoriza inferir.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar a frase crítica "é um ofício de homens" como se fosse aprovação da autora e transformar a referência às mulheres na "pequena" história em afirmação absoluta sobre toda história escrita sobre mulheres.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o texto está descrevendo criticamente uma prática ou defendendo essa prática; essa diferença muda totalmente o valor da afirmativa.
  • Desconfie de palavras absolutas como "apenas" e "todas" quando o texto faz constatação histórica sem universalizar.
  • Apoie a inferência em marcas explícitas do texto; aqui, "história no masculino", "ação e poder masculinos" e "meras coadjuvantes" são as chaves de leitura.

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