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Q3910968 Português
A inteligência artificial (IA) já é uma realidade concreta na vida das pessoas. Nos últimos anos, ela tem transformado modelos de negócio, reestruturado formas de trabalho e, cada vez mais, conquistado espaço também no ambiente escolar. No campo da educação, é urgente superar o debate sobre sua pertinência– a pergunta já não é mais ‘se’ devemos usar IA, mas ‘como’ usá-la de maneira ética, responsável e pedagógica. Essa foi uma das grandes pautas da Bett Brasil 2025, maior evento de inovação e tecnologia para a educação na América Latina, que reuniu educadores, gestores, especialistas e empresas do setor. Durante o evento, um dos momentos mais relevantes foi a divulgação de uma pesquisa inédita do Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que ouviu 346 professores de todos os estados brasileiros.

O levantamento revelou que mais de 80% dos docentes reconhecem os benefícios da IA no ensino, sobretudo no planejamento de aulas e na produção de conteúdos mais dinâmicos e interativos. E mais de 60% já utilizam ferramentas generativas de IA para obter ideias, elaborar planos de aula e desenvolver materiais. Apesar disso, a pesquisa também aponta desafios importantes: apenas 14,3% dos educadores afirmam utilizar a IA na produção efetiva de materiais didáticos. Entre os entraves mais citados estão a falta de tempo, escassez de equipamentos, conectividade limitada e ausência de formação continuada. Isso mostra que, para transformar o potencial da IA em resultados concretos, será necessário formar os professores, ampliar o acesso e garantir o suporte técnico necessário.

A IA pode – e deve – ser uma aliada neste processo, automatizando tarefas repetitivas e liberando tempo dos educadores para aquilo que é essencial: o vínculo humano com os estudantes e a mediação da aprendizagem.

No cenário internacional, países como Estados Unidos e China já oficializaram políticas educacionais que colocam o ensino de inteligência artificial no centro de aprendizagem das escolas. Essa decisão estratégica não apenas prepara as novas gerações para o mundo do trabalho, mas também estimula o pensamento computacional, a resolução de problemas e o protagonismo juvenil.

A inteligência artificial não deve ser vista como um fim em si mesma, mas como um meio para potencializar o que há de mais humano na educação: o cuidado, a escuta, a personalização da aprendizagem e a construção de conhecimento significativo.

Para isso, é necessário que políticas públicas, instituições educacionais, empresas e toda a sociedade trabalhem juntos na construção de um ecossistema que favoreça inovação com responsabilidade, inclusão digital e formação contínua.


(Adaptado de: TAVARES,Ricardo. A inteligência artificial chegou à sala de aula– e agora? Disponível em: «https://revistaeducacao.com.br
/2025/05/14/inteligencia-artificial-na-sala-de-aula/». Publicado em 14/05/2025. Acesso em: 24 jun. 2025.)
Em relação aos recursos linguístico-semânticos presentes no sexto parágrafo do texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: No sexto parágrafo, o trecho "Essa decisão estratégica não apenas prepara as novas gerações para o mundo do trabalho, mas também estimula o pensamento computacional, a resolução de problemas e o protagonismo juvenil." apresenta a correlação aditiva "não apenas... mas também", que encadeia as orações com valor de acréscimo. Esse é o critério linguístico decisivo que confirma a alternativa E.

Tema central: correlação aditiva
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. A expressão inicial "No cenário internacional" é uma locução adverbial que delimita o âmbito em que a informação será apresentada. Ela situa o contexto do enunciado; não há exagero intencional de ideia, portanto não há hipérbole.
B
Errada
Incorreta. Em "países como Estados Unidos e China", o termo "como" introduz exemplificação, com valor equivalente a "tais como". O trecho não relaciona elementos por semelhança; apenas apresenta exemplos de países.
C
Errada
Incorreta. Em "políticas educacionais que colocam o ensino", o pronome "que" retoma "políticas educacionais" e funciona na oração relativa como sujeito de "colocam". A substituição por "onde" é inadequada, porque "onde" remete a lugar, e esse não é o caso do antecedente.
D
Errada
Incorreta. A referência a "o protagonismo juvenil" aparece como parte de uma enumeração de efeitos positivos da decisão estratégica. O parágrafo tem tom expositivo-argumentativo e afirmativo, sem marca de ironia, sem contraste entre o que se diz e o que se pretende significar.
E
Certa
A alternativa E está correta porque identifica exatamente a função da estrutura correlativa presente no trecho decisivo. A construção "não apenas... mas também" liga duas orações com sentido de adição: à ideia de preparar as novas gerações para o mundo do trabalho acrescenta-se a de estimular outras competências. Esse encadeamento produz coesão e progressão argumentativa no parágrafo.
Pegadinha da questão
A banca explora principalmente a tendência de ler "como" como comparação em qualquer contexto e de não reconhecer que "não apenas... mas também" é uma estrutura correlativa de acréscimo.
Dica para questões semelhantes
  • Em conectores correlativos, verifique o valor semântico da dupla inteira, não de cada termo isolado.
  • Quando aparecer "como", confirme pelo contexto se ele está comparando ou apenas exemplificando.
  • Na análise de pronomes relativos, observe qual termo é retomado e se a substituição preserva essa relação.
  • Antes de marcar ironia, procure sinais textuais concretos de contraste ou inversão valorativa.

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