Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
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Que inflexível se mostra, que constante
Se vê este penhasco! já ferido
Do proceloso vento, e já batido
Do mar, que nele quebra a cada instante!
Não vi; nem hei de ver mais semelhante
Retrato dessa ingrata, a que o gemido
Jamais pode fazer, que enternecido
Seu peito atenda às queixas de um amante.
Tal és, ingrata Nise: a rebeldia,
Que vês nesse penhasco, essa dureza
Há de ceder aos golpes algum dia:
Mas que diversa é tua natureza!
Dos contínuos excessos da porfia,
Recobras novo estímulo à fereza.
Publicado no livro Obras (1768). In: COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. Introd. cronol. e bibliogr. Antônio Soares Amora. Lisboa: Bertrand, 1959. (Obras primas da Língua Portuguesa)
Marque a alternativa que analisa corretamente o poema.
COSSON, R. Letramento literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2014 (adaptado).
Com o intuito de ensinar aos alunos sobre os principais autores do Romantismo no Brasil, um professor da 2ª série do Ensino Médio elaborou uma sequência didática que trazia os seguintes passos: 1) Esquema no quadro contendo as principais características de cada uma das três fases do Romantismo no Brasil; 2) Fichas impressas com foto e resumo das biografias dos principais autores; 3) Fotocópias com trechos das obras I-Juca-Pirama, Senhora e Os escravos; 4) Atividade escrita na qual os alunos precisariam identificar as características de cada fase nos trechos selecionados das obras.
Considerando o exposto por Rildo Cosson e a sequência apresentada nessa situação, é correto afirmar que
A fim de que a pesquisa propiciasse a construção de conhecimentos interdisciplinares, seria adequado que a professora solicitasse aos estudantes identificar na obra
[...] os olhos do homem parecem sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana. As pálpebras arregaladas, a pele crispada da cara, as sobrancelhas de repente revoltas, tudo isso, qualquer o pode verificar, é que se descompôs pela angústia. Num movimento rápido, o que estava à vista desapareceu atrás dos punhos fechados do homem, como se ele ainda quisesse reter no interior do cérebro a última imagem recolhida, uma luz vermelha, redonda, num semáforo. Estou cego, estou cego, repetia com desespero enquanto o ajudavam a sair do carro, e as lágrimas, rompendo, tornaram mais brilhantes os olhos que ele dizia estarem mortos. Isso passa, vai ver que isso passa, às vezes são nervos, disse uma mulher. [...] A mulher que falara de nervos foi de opinião que se devia chamar uma ambulância, transportar o pobrezinho ao hospital, mas o cego disse que isso não, não queria tanto, só pedia que o encaminhassem até à porta do prédio onde morava, Fica aqui muito perto, seria um grande favor que me faziam. E o carro, perguntou uma voz. Outra voz respondeu, A chave está no sítio, põe-se em cima do passeio. Não é preciso, interveio uma terceira voz, eu tomo conta do carro e acompanho este senhor a casa. Ouviram-se murmúrios de aprovação. O cego sentiu que o tomavam pelo braço, Venha, venha comigo, dizia-lhe a mesma voz. Ajudaram-no a sentar-se no lugar ao lado do condutor, puseram-lhe o cinto de segurança, não vejo, não vejo, murmurava entre o choro, Diga-me onde mora, pediu o outro. Pelas janelas do carro espreitavam caras vorazes, gulosas da novidade.
SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1995 (adaptado).
A partir da situação apresentada, é uma alternativa possível para o professor
RAMA, Á. Transculturación narrativa en América Latina. México: Siglo XXI, 1987. p. 143 (adaptado).
Uno de los exponentes del fenómeno transculturador en nuestra literatura es el peruano José María Arguedas, quien, en su famoso discurso “No soy un aculturado”, declara en una parte: “Yo no soy un aculturado; yo soy un peruano que orgullosamente, como un demonio feliz habla en cristiano y en indio, en español y en quechua”.
Considerando que Arguedas representa la figura del sujeto transculturado, o sea, que entre la tradición y la modernidad se ubica en un punto intermedio, es correcto afirmar que
Hace algún tiempo, los estudios de género se enfrentaron a un problema teórico elemental: diferenciar la literatura feminista de la literatura escrita por mujeres. Hoy ese dilema ha quedado en el pasado, pues, sabemos, que no toda la literatura femenina es, necesariamente, feminista. Lo femenino es genérico, aquello que escribe cualquier mujer; el feminismo, en cambio, es sociopolítico ya que el sujeto femenino que escribe lo hace desde una postura contra el patriarcado, pues demanda la igualdad de derechos respecto al hombre, entre otras reivindicaciones.
GOLUBOV, N. La crítica literaria feminista contemporánea: entre el esencialismo y la diferencia. Disponible en: https://debatefeminista.cieg.unam.mx/index.php/debate_feminista/article/view/1754. Acceso en: 16 mar. 2020 (adaptado).
TEXTO 2
1 Amor, la noche estaba trágica y sollozante
2 cuando tu llave de oro cantó en mi cerradura;
3 luego, la puerta abierta sobre la sombra helante,
4 tu forma fue una mancha de luz y de blancura.
5 Todo aquí lo alumbraron tus ojos de diamante;
6 bebieron en mi copa tus labios de frescura;
7 y descansó en mi almohada tu cabeza fragante;
8 me encantó tu descaro y adoré tu locura.
AGUSTINI, D. “El intruso”. In: El libro blanco (Frágil). Poesías completas. Madrid: Cátedra, 2012 (adaptado).
Considerando lo que se afirma en el Texto 1, los versos de la modernista uruguaya Delmira Agustini (1886-1914), presentes en el Texto 2, representan una actitud feminista, porque
¡Oh qué bien tan sin segundo!
¡Oh casamiento sagrado!
Que el Rey de la Magestad,
Haya sido el desposado.
¡Oh qué venturosa suerte,
Os estaba aparejada,
Que os quiere Dios por amada,
Y ha os ganado con su muerte!
En servile estad muy fuerte,
Pues que lo habeis profesado,
Que el Rey de la Magestad,
Es ya vuestro desposado.
Ricas joyas os dará.
DE JESÚS, S. T. Poesías de Santa Teresa. Madrid: M. Rivadeneyra, 1861. p. 513.
Después de la lectura, un estudiante dice que el poema era un buen ejemplo de poesía mística.
La afirmación del estudiante está correcta porque en el poema, por medio del lenguaje amoroso y religioso, concreta la vía
SILVA, V. M. A. Teoria da Literatura. 8. ed. Coimbra: Almedina, 2018. p. 764 (adaptado).
Considerando essa abordagem, assinale a opção que apresenta um trecho da obra Quincas Borba, de Machado de Assis, em que se encontra essa voz dual por meio do discurso indireto livre.
OLIVEIRA, J. V. dos S.; SILVA, S. B. B. da. Os gêneros textuais digitais como estratégias pedagógicas no ensino de língua portuguesa na perspectiva dos (multi)letramentos e dos multiletramentos. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 59, n. 3, p. 2162-2182, 2021 (adaptado).
A leitura escolar, em seu formato canônico, normalmente não autoriza ligações com aquilo que se situa fora do literário: o universo do leitor. Ciente disso, o professor de uma escola dos anos finais do Ensino Fundamental tem o propósito de oportunizar a formação de leitores trazendo para a sala de aula autores que questionem o valor do cânone, aproximando a literatura da cultura de massa.
Para relacionar a literatura não canônica com o contexto digital apresentado anteriormente, uma estratégia adequada seria o professor abordar
Poeminha do Contra
Todos estes que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
QUINTANA, M. Poesia completa: Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005.
TEXTO 2
Disponível em: https://www.facebook.com/mentirinhas/photos/. Acesso em: 7 jun. 2024.
TEXTO 3
Disponível em: https://denisemiletto.blogspot.com/2014/05/eles-passarao-eu-passarinho.html.
Acesso em: 7 jun. 2024. A respeito da relação estabelecida entre o Texto 1 e os Textos 2 e 3, os quais apresentam uma releitura do poema, assinale a opção correta.
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
AZEVEDO, A. O cortiço. SP: Ática, 1995. p. 36.
Uma das características da literatura está na literariedade, termo cunhado pelo formalismo russo na tentativa de identificar propriedades presentes nas obras literárias que as diferenciam de outros discursos produzidos na sociedade.
No fragmento apresentado de O cortiço, a literariedade está presente no trecho
Lembro-me ainda do temor de minha mãe nos dias de fortes chuvas. Em cima da cama, agarrada a nós, ela nos protegia com seu abraço. E com os olhos alagados de prantos balbuciava rezas a Santa Bárbara, temendo que o nosso frágil barraco desabasse sobre nós. E eu não sei se o lamento-pranto de minha mãe, se o barulho da chuva... Sei que tudo me causava a sensação de que a nossa casa balançava ao vento. Nesses momentos os olhos de minha mãe se confundiam com os olhos da natureza. Chovia, chorava! Chorava, chovia! Então, por que eu não conseguia lembrar a cor dos olhos dela?
[...]
E também, já naquela época, eu entoava cantos de louvor a todas as nossas ancestrais, que desde a África vinham arando a terra da vida com as suas próprias mãos, palavras e sangue. Não, eu não esqueço essas Senhoras, nossas Yabás, donas de tantas sabedorias. Mas de que cor eram os olhos de minha mãe?
EVARISTO, C. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas. Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Nessa situação, para promover uma discussão com a turma, é adequado o professor explicar aos alunos que a narrativa apresentada pelo texto
Dudu gostava muito de brincar de ser, brincava todos os dias na escola. Aliás, acho que foi ele quem inventou essa brincadeira.
– Vamos brincar de ser?
– Vamos! Eu vou ser a princesa!
– Eu vou ser a fada!
Mariana e Lili falaram ao mesmo tempo. Elas adoravam essa brincadeira.
– Eu vou ser a bruxa!
– disse Dudu.
– Mas, Dudu, homens não podem ser bruxas! Você pode ser um mago...
Dudu não queria, ele gostava mesmo era de ser a bruxa. Os amigos da escola acabaram se acostumando.
MARTINS, G. da C. O menino que brincava de ser. 4. ed. São Paulo: DCL, 2000 (adaptado).
TEXTO 2
Os juízos de valor que constituem a literatura são historicamente variáveis e têm, eles próprios, uma estreita relação com as ideologias sociais. Eles se referem, em última análise, não apenas ao gosto particular, mas aos pressupostos pelos quais certos grupos sociais exercem e mantêm o poder sobre outros.
EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006 (adaptado).
Considerando-se os textos apresentados, é correto afirmar que os textos literários possibilitam discutir os papéis atribuídos aos gêneros feminino e masculino na sociedade porque
Os clássicos não são lidos por dever ou por respeito, mas só por amor. Exceto na escola: a escola deve fazer com que você conheça bem ou mal um certo número de clássicos dentre os quais (ou em relação aos quais) você poderá depois reconhecer os “seus” clássicos. A escola é obrigada a dar-lhe instrumentos para efetuar uma opção: mas as escolhas que contam são aquelas que ocorrem fora e depois de cada escola.
CALVINO, l. Por que ler os clássicos. Tradução: Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das Letras, 1993 (adaptado).
O excerto provocou grande debate sobre o que é sugerido como leitura na escola, em contraposição às obras que os adolescentes realmente gostam de ler. Nessa conversa, os alunos mencionaram livros que leram por indicação da escola e outros que conheceram fora dela, com os quais se identificavam mais. Uma aluna, então, trouxe à tona textos que havia lido a partir das redes sociais, como o Instagram, e acrescentou um novo ponto à discussão: a instapoesia.
Aproveitando a introdução desse novo tópico, a professora refletiu sobre a instapoesia como uma produção contemporânea. Em sala, a docente leu instapoemas de autoras populares no Instagram, como Rupi Kaur e Ryane Leão, poetas feministas indiano-canadense e brasileira, respectivamente. Contudo, em meio à discussão, um aluno questionou se tais produções seriam mesmo literatura. Como encaminhamento, a professora sugeriu que os estudantes fizessem uma pesquisa sobre instapoesia e informou que, nas aulas seguintes, retomaria as reflexões sobre o que se lê na escola, bem como sobre o que é literatura clássica e o que é arte marginal.
Nessa situação, na retomada das reflexões sobre esse tema, seria adequado a professora
CORIFEU
Vede bem, habitantes de Tebas, meus concidadãos! Este é Édipo, decifrador dos enigmas famosos; ele foi um senhor poderoso e por certo o invejastes em seus dias passados de prosperidade invulgar. Em que abismos de imensa desdita ele agora caiu! Sendo assim, até o dia fatal de cerrarmos os olhos não devemos dizer que um mortal foi feliz de verdade antes dele cruzar as fronteiras da vida inconstante sem jamais ter provado o sabor de qualquer sofrimento!
(SÓFOCLES. Rei Édipo. A Trilogia Tebana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p.105.)
Quando as trinta naus de Atenas chegaram à costa da Trácia, encontraram Potidéia e outros lugares já em revolta. Os comandantes das naus, considerando impossível, com sua força presente, fazer a guerra ao mesmo tempo contra Perdicas e os lugares que este sublevou, voltaram a sua atenção para a Macedônia – seu objetivo inicial – e, conseguindo um ponto de apoio lá, iniciaram as operações de guerra em combinação com Filipe e os irmãos de Derdas, que já haviam invadido a Macedônia vindos do interior à frente de suas tropas.
(TUCIDIDE. História da Guerra do Peloponeso. Brasília: Editora da Universidade de Brasilia, 1987. p.80.)
Com base nos textos e tendo como referência o debate aristotélico sobre a relação entre poesia, história e filosofia na obra Poética, de Aristóteles, considere as afirmativas a seguir.
I. A superioridade da filosofia reside no fato de tratar do particular, ao passo que a história versa principalmente sobre o universal.
II. Ao dar nomes aos personagens, a poesia se torna particular e mergulha no domínio da história, afastando o teatro da filosofia.
III. Não é função do poeta descrever o que aconteceu na realidade, mas representar o que poderia acontecer.
IV. O compromisso do poeta não é com a verdade, mas sim com a verossimilhança e a necessidade dos fatos descritos para a obra de arte.
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema O Quinto Império, de Fernando Pessoa, a seguir, e responda à questão abaixo.
Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz —
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade,
Europa — os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
PESSOA, Fernando. Melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção Teresa Rita Lopes. 12. ed. São Paulo: Global, 2004, p. 54-55.

