Questões de Concurso Sobre teoria literária em literatura

Foram encontradas 552 questões

Ano: 2024 Banca: IESES Órgão: SCGás Prova: IESES - 2024 - SCGás - Advogado |
Q3747246 Literatura
Responda à questão com base no seguinte texto: 


O que o eu-lírico quer dizer com a expressão Minha alma é aquilo que não tem, no oitavo verso do poema?
Alternativas
Ano: 2024 Banca: IESES Órgão: SCGás Prova: IESES - 2024 - SCGás - Advogado |
Q3747244 Literatura
Responda à questão com base no seguinte texto: 


Qual é a principal sensação transmitida pelo poema como um todo?
Alternativas
Q3595182 Literatura
O educador precisa dedicar uma atenção especial à seleção do tipo de obra literária a ser trabalhada em sala de aula. Normalmente, os critérios de seleção de obras literárias são categorizados em formais e subjetivos. Assim, são considerados critérios formais, exceto:
Alternativas
Q3595173 Literatura
A literatura, vista pela perspectiva de Curto, Morillo e Teixidó (2000), representa uma fonte inesgotável de temas de trabalho, sendo justificada por si mesma. De acordo com os referidos autores, é importante que a literatura seja trabalhada em sala de aula a partir de seu objetivo principal. Que objetivo é esse?
Alternativas
Q3595171 Literatura
Ao abordar aspectos relacionados com a literatura e a formação do leitor, Bordini e Aguiar (1988) destacam uma série de variáveis que vão ao encontro do esvaziamento do ensino de literatura. Tais problemáticas são descritas a seguir. Destaque a alternativa que foi construída em desacordo com a proposta das referidas autoras.
Alternativas
Q3539975 Literatura
Texto VIII


Mudança 


Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas.

Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.

Arrastaram-se para lá, devagar, sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. [...]

A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.


(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1886. p. 8-10). (Fragmento). 
A partir da leitura do excerto da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, só NÃO se pode afirmar que: 
Alternativas
Q3539972 Literatura
Texto V 


Vivo só, com um criado. A casa em que moro é própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga Rua de Matacavalos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. [...] O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha, flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro.

Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde, mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. [...]


(ASSIS. Machado de. Dom Casmurro. 32. ed. São Paulo: Ática. 1997. p. 14. (Fragmento). 


Texto VI


Eram cinco horas da manha e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. [...]

[...] No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. [...]

Dai a pouco, em volta das bicas era um zum-zum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de 4gua que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. [...]


(AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. 26. ed. São Paulo: Ática, 1994. p. 35-36). (Fragmento). 
A partir da leitura dos textos V e VI, percebe-se que há entre eles certa distinção que os situa entre as estéticas Realista e Naturalista. Aliás, essa dicotomia se coloca, em muitos casos, como um dos problemas apresentados na discussão teórica da historiografia literária. Mesmo assim, nota-se que há uma necessidade comum entre elas, aproximando-as, pois ambas possuem uma espécie de comprometimento com o real, mas que assume formas distintas, pois: 
Alternativas
Q3539971 Literatura
Partindo do entendimento, segundo Zilá Bernd (1992), de que ha a existência de matizes românticas e modernistas na elaboração da conotação coletiva de identidade cultural, tanto no projeto literário contido nas obras mencionadas de José de Alencar e Mário de Andrade, mencionadas na questão anterior, só NAO é correto afirmar que:

BERND, Zilá. Literatura e identidade nacional. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1992. 
Alternativas
Q3539968 Literatura
O texto abaixo é base para responder a questão.

TEXTO IV 


Buscando a Cristo


A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lagrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me


A vós, lado patente, quero unir-me, 
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme. 


(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 1981.) 
No soneto de Gregório de Matos, destaca-se a importância da visualidade, evidenciada na escolha das palavras que descrevem o corpo de Cristo em agonia e na imagem vívida do Cristo crucificado, que é retratada com detalhes na composição poética. Portanto, poesia e pintura, utilizando seus materiais distintos (palavras e tintas, tropos e cores, papel e tela), convergem para criar uma única representação que inspira a elaboração tanto do soneto quanto do quadro que é descrito ou pintado por Gregório. Assim, a partir dessa informação, é CORRETO concluir que: 

I - O jogo de palavras antitéticas (“receber'/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, "perdoar"/"condenar”") dialoga com o jogo claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lágrimas”, presentes no poema.
Il - Sobre o jogo de luz e sombras (sagrado e profano) trabalhado pelo poeta e pintor barroco, pode-se dizer que elas estão centradas na figura do Cristo em unido com o próprio eu lírico, como se evidencia no ultimo verso do poema, em que os três adjetivos (“unido”, “atado”, “firme”) se unem não só no plano semântico como também no visual e plástico: o eu lírico se une em palavra e em figura a imagem de Cristo.
III - O jogo de palavras antitéticas (“receber”/"castigar”, “abertos”/"fechados”, “eclipsados”/"despertos”, “perdoar”/"condenar”) dialoga com a dicotomia claro-escuro da pintura barroca, acentuado pelas cores contrastantes dos elementos “sangue” e “lagrimas”, presentes no poema.
IV - Uma das principais caracteristicas desse poema centra-se na unido entre o sentimento e a razdo que os artistas renascentistas procuraram realizar. Assim, no poema barroco, sublimam-se as emoções, aproximando-o do racionalismo da arte do Renascimento.

Estão CORRETAS somente as afirmativas: 
Alternativas
Q3539967 Literatura
A contribuição de Aristóteles é essencial para o desenvolvimento da teoria moderna dos gêneros. Assim, a partir do século XIX, especialmente no contexto do romantismo alemão, é que a definição dos gêneros literários se consolida, elaborada a partir de critérios que levaram em consideração a forma, a subjetividade e a relação com a realidade. Nesse período, a literatura será estudada a partir de três gêneros fundamentais: lírico, épico e dramático. Acerca do gênero lírico, só NÃO é correto afirmar que: 
Alternativas
Q3539966 Literatura
O termo gênero é frequentemente utilizado para descrever certos padrões de composição artística que, ao longo do tempo, têm sido empregados para moldar a imaginação humana. O filósofo Aristóteles foi um dos pioneiros a explorar os géneros literários, identificando diferenças e hierarquias entre as diversas formas de expressão literária na Grécia Antiga. Essas análises foram posteriormente compiladas em sua obra Arte Poética (2003), que se tornou um clássico amplamente estudado e ainda é relevante para professores, pesquisadores e estudantes de Literatura. A respeito dessa obra, em síntese, é CORRETO afirmar que, para Aristóteles:

ARISTOTELES. Arte poética. São Paulo: Martin Claret, 2003. 
Alternativas
Q3539965 Literatura
Texto III


O que as palavras representavam, simbolizavam ou significavam tinha uma importância muito secundaria. O que importava era o som delas, quando as ouvi pela primeira vez nos lábios dos distantes e incompreensíveis adultos que pareciam, por alguma razão, viver em meu mundo. E essas palavras eram, para mim, o mesmo que as notas dos sinos, os sons dos instrumentos musicais, os ruídos do vento, do mar e da chuva, o chacoalhar da carroça de leite, o galope dos cascos no calçamento, os dedilhados dos ramos no vidro de uma janela podiam ser para alguém que, surdo de nascença, tenha encontrado miraculosamente sua audição. Não me importava como que as palavras diziam, nem como que acontecia com Jack &Jill & Mamãe Gansa. Eu me importava com as formas dos sons de seus nomes e as palavras descrevendo suas ações, criadas em meus ouvidos. Eu me importava com as cores que as palavras lançavam nos meus olhos (THOMAS, 2003, p. XV.).


THOMAS, Dylan. Preface: Notes on the art of poetry. In: THOMAS, Dylan. The poems of Dylan Thomas. New York: New Directions Publishing Corporation, 2003. p. xv-xxil. In.: PIETRANI, Anélia Montechiari. A Literatura e outras artes, uma contribuição à discussão. 2018, p. 111-129. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=we b&cd=&ved=2ahUKEwib8b-wh]6 CAXUWRLgEHaifD88QFnoECBUQAQ&url=https%3A%2F%2Fperiodicos.unisa.bré62Findex. php%2Fveredas%2Farticle%2Fdownload%2F60%2F33%2F 162&usg=A0wWaw2ySfXQiFCD5DTHOgXCHoQI&opi=89978449. Acesso em 30/10/2023).
O texto propõe uma reflexão a respeito da arte poética, levando-nos a perceber que “a alfabetização no mundo da vida e no mundo da palavra acontece simultaneamente" (PIETRANI, 2018, p. 112). A partir desse pressuposto, e com base na leitura do texto Ill, só NÃO se pode afirmar que: 
Alternativas
Q3539964 Literatura
Texto I


SARAMAGO - A resposta está na pergunta. Pretendo tocar os leitores, criar polémicas, estimular discussões. Mas isto não significa que a literatura tenha poder para mudar o mundo. Já não é pouco que seja capaz de exercer influência sobre algumas pessoas. O mundo é demasiado grande, somos mais de sete bilhões os que habitamos neste planeta, e o poder real está nas mãos das grandes multinacionais que evidentemente não nasceram para ser agentes da nossa felicidade.[...]” (O Globo. Rio de Janeiro. 20 mar. 2004.)


Disponível em: <http://www.observatoriodaimprensa.com.br/ news/view/cecilia-giannetti>. Acesso em: 30 out. 2023). (Fragmento). 


Texto Il


“[...] ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção [...] Creio mais na possibilidade da transformação ética do ser humano na pratica cotidiana da convivência. Que a arte e a literatura podem ajudar? Sim, mas só ajudar.” (In.: AGUILERA, 2010, p.123-126).


AGUILERA, F. G. As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 
Ao estudarmos e/ou ensinarmos Literatura, em muitos momentos ha dúvidas se os textos literários têm o poder de transformar a realidade ou existem apenas para nos aliviar do peso da vida cotidiana. Será que a arte existe porque a nossa vida não basta? De acordo com o que pensa José Saramago (1922-2010), escritor português contemporâneo que recebeu o Nobel de Literatura em 1998, em entrevistas concedidas aos jornais “O Globo” (texto I) e Jornal de Lisboa (texto Il), é CORRETO afirmar que a literatura: 
Alternativas
Q3480418 Literatura
Ao analisar a literatura infantil no Brasil, a partir de aspectos relacionados com sua origem, tendências e práticas de ensino, observa-se um volume expressivo de trabalhos que possibilitam uma melhor compreensão sobre os precursores desse movimento no país. Dentre os autores destacados a seguir, qual seria o autor que, por meio de um discurso estético, conseguiu modificar a postura utilitária que caracteriza as bases da literatura infantil no Brasil? 
Alternativas
Q3456239 Literatura
Quanto aos gêneros literários, analise os itens e assinale a alternativa correta.

I- O gênero narrativo é um gênero literário moderno em prosa, que tem como intuito narrar uma história. Para um texto ser considerado narrativo, ele precisa conter esses elementos: Enredo - história que narra uma sucessão dos acontecimentos; Narrador - aquele que narra a história; Personagens - pessoas que estão presentes na história; Tempo - o período em que acontece a história; Espaço - local onde se passa a história.

II- O gênero lírico é um gênero literário escrito em versos que tem como foco mostrar as emoções, sensações, sentimentos e impressões pessoais do poeta. Ele é marcado pela subjetividade, onde o poeta expressa sua opinião, por isso, eles são escritos na primeira pessoa (eu). O gênero lírico recebe esse nome, pois faz referência ao instrumento musical, a lira, que acompanhava a declamação de poesias na antiguidade.

III- Gênero Narrativo: em sua origem, o gênero narrativo era chamado de “gênero épico”, pois incluía as narrativas histórico-literárias de grandes acontecimentos, chamados de epopeias.

IV- Alguns subgêneros de textos narrativos são: Epopeia - narrativa longa sobre fatos grandiosos de um herói ou de um povo; Romance - narrativa extensa escrita em prosa que revela ações de personagens dentro de uma história; Novela - escrita em prosa, é uma narrativa longa, porém mais breve e mais dinâmica que o romance; Conto - escrito em prosa, é uma narrativa mais objetiva e curta que a novela e o romance; Crônica - narrativa breve que focam em acontecimentos do cotidiano; Fábula - narrativa fantasiosa que procura ensinar sobre algo. 
Alternativas
Q3452530 Literatura
Na literatura, é possível observar um conceito que corrobora para a construção da linguagem e do pensamento, pautado na concepção da importância do jogo. Assim, leia as asserções seguintes e destaque a que apresenta uma informação desencontrada.
Alternativas
Q3432366 Literatura

A questão é baseada nos textos 4, 5 e 6.


TEXTO 4


De África, a tua visão incluía basicamente leões e os areais de onde vinham os acorrentados, viemos, vim. O que reduzia, drasticamente, aquela dimensão continental. Mas, que importa o que depois se descobre? Afinal, estamos presos ao nosso tempo, enquanto vamos tecendo, com os saberes possíveis, a nossa eternidade.


Os gemidos devem ter te incomodado profundamente. Convergiam, com certeza, para os de Leopoldina, a tua babá. Ouviste, sem dúvida, que juntos com ela moravam versos trazidos de longe e transmitidos das seivas dos lábios para o veludo escuro do ouvido, como herança. Embora estranhos à dicção dominante - aquela cheirando, principalmente, perfume francês e revolução - afetividades noturnas de uma África mais íntima já te haviam impregnado de histórias a infância.


E, ainda hoje, aquele mesmo fio continua. Só que, agora, também tua poesia a ele está intimamente trançada. E os tons são vários. E de todos os pontos do mundo chegam outros que se associam. E há mesmo os que dialogam contigo. E dizem coisas diversas. Que o tempo ensinou muita coisa. Outras tantas africanias que não propuseste, mas algumas que intuíste. Quando a doença bateu na tua porta, sonhavas com uma epopeia a partir da experiência da República de Palmares, assim como, mais tarde o romancista Lima Barreto projetaria um “Germinal Negro” como assinala Francisco de Assis Barbosa, o que também não redundou em obra. Outros mais tarde se aventurariam, pois a saga afro-brasileira é repleta de dor, mas também de heroísmos e mistérios.


Não foste o poeta para os escravizados, mas foste o poeta sobre os escravizados, como só poderia ser, na tua condição de branco, escrevendo num tempo de profundo desdém dirigido à humanidade dos africanos e afrodescendentes no País. Um tempo em que aprender a ler, para os mais sofridos, era crime ou petulância, passíveis de punição. Escrever então!... Acaso houve algum de teus recitais na senzala ou talvez em algum quilombo? E teria dado certo? Mas, os escravizados tiverem filhos, e seus filhos outros filhos, outros filhos... Por essa via chegaste ao quilombo de dentro do peito. E o brilho genuíno da dor e revolta, passou a se refletir em letra e voz, mais intimamente.


CUTI (Luiz Silva). Castro, ouves a poesia negra? Scripta, p.201- 210, 1997.


TEXTO 5


– Qual é a sua profissão?

– Estudante.

– Estudante?

– Sim, senhor, estudante – repeti com firmeza.

– Qual estudante, qual nada!


A sua surpresa deixara-me atônito. Que havia nisso de extraordinário, de impossível? Se havia tanta gente besta e bronca que o era, porque não o podia ser eu? Donde lhe vinha a admiração duvidosa? Quis-lhe dar uma resposta mas as interrogações a mim mesmo me enleavam. Ele, por sua vez, tomou o meu embaraço como prova de que mentia. Com ar de escarninho perguntou:

– Então você é estudante?

Dessa vez tinha-o compreendido, cheio de ódio, cheio de um santo ódio que nunca mais vi chegar em mim. Era mais uma variante daquelas tolas humilhações que eu já sofrera; era o sentimento geral da minha inferioridade, decretada a priori, que eu adivinhei em sua pergunta. E afirmei então com a voz transtornada:

– Sou, sim, senhor!


BARRETO, Lima. Recordações do Escrivão Isaías Caminha [1909]. In: Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p.160-161


TEXTO 6


Não somos só nós, minhas amigas, que vemos com terror brilhar por entre as nossas madeixas castanhas, louras ou pretas, o primeiro fio de cabelo branco. As dolorosas apreensões desse momento eram-nos só atribuídas a nós, como se não nascêramos senão para a mocidade e o amor.

O homem envergonhado, e com receio de se confessar vaidoso, sem perceber talvez que a primeira denúncia da velhice tem para nós amarguras mais sutis que a do simples medo de ficarmos mais feias, teve sempre para nossa decepção um sorriso de inclemente ironia...


ALMEIDA, Julia Lopes de. A arte de envelhecer [1906]. In: FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Julia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022. p. 78. Adaptado






A referência de Cuti ao escritor Lima Barreto vai ao encontro da discussão em torno da literatura de autoria negra no Brasil. Autor da Belle Époque no Rio de Janeiro, Barreto criou narrativas protagonizadas por personagens negras e de origem pobre, como se observa no trecho retirado de seu romance Recordações do escrivão Isaías Caminha (texto 5), cujo ponto de vista narrativo tem como efeito:
Alternativas
Q3432364 Literatura

A questão é baseada nos textos 1, 2 e 3.


TEXTO 1


Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar –sozinho, à noite–

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;



TEXTO 2


Canto do Regresso à Pátria


Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo


ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil [1924]. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.139



TEXTO 3


Em uma noite dessas, sonha consigo mesmo cindida em duas, aquela que ora se mira, adulta, parecendo prestes a descobrir algo; e outra, muito criança, chorando sentada no chão de uma sala. No sonho, toma a si mesma nos braços, e o contato das suas duas peles faz com que acorde em uma terceira pele, a da vigília, arrepiada de frio. Pela primeira vez em muito tempo, deseja, então, regressar a Belém, rever a avó, conversar com ela sobre aquela difícil infância que vivera e saber por que o apagamento da herança indígena da família da mãe tinha sido necessário e tão eficaz. O porquê da família paterna, embora de pele branca, ter optado por renegar a própria condição de mestiça. Coisas que talvez a avó nem mesmo pudesse dar conta de responder. Reencontrar rastro e rosto era o que faria se fosse possível, mas a morte da mulher que a criara, ciosa e feroz em sua obrigação de afeto, rompera o último laço que a mantivera presa àquela cidade, àquela casa.


VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 110

O exílio é tema recorrente na literatura brasileira, contudo, o modo como aparece representado varia segundo um conjunto amplo de fatores, dentre os quais está o contexto histórico-literário. Uma abordagem comparativa dos textos 2 e 3, no que diz respeito à construção literária da experiência do exílio, mostra que as: 
Alternativas
Q3432363 Literatura

A questão é baseada nos textos 1, 2 e 3.


TEXTO 1


Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá;

Em cismar –sozinho, à noite–

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;



TEXTO 2


Canto do Regresso à Pátria


Minha terra tem palmares

Onde gorjeia o mar

Os passarinhos daqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo


ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil [1924]. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.139



TEXTO 3


Em uma noite dessas, sonha consigo mesmo cindida em duas, aquela que ora se mira, adulta, parecendo prestes a descobrir algo; e outra, muito criança, chorando sentada no chão de uma sala. No sonho, toma a si mesma nos braços, e o contato das suas duas peles faz com que acorde em uma terceira pele, a da vigília, arrepiada de frio. Pela primeira vez em muito tempo, deseja, então, regressar a Belém, rever a avó, conversar com ela sobre aquela difícil infância que vivera e saber por que o apagamento da herança indígena da família da mãe tinha sido necessário e tão eficaz. O porquê da família paterna, embora de pele branca, ter optado por renegar a própria condição de mestiça. Coisas que talvez a avó nem mesmo pudesse dar conta de responder. Reencontrar rastro e rosto era o que faria se fosse possível, mas a morte da mulher que a criara, ciosa e feroz em sua obrigação de afeto, rompera o último laço que a mantivera presa àquela cidade, àquela casa.


VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 110

No trecho retirado do romance publicado pela escritora brasileira Micheliny Verunschk em 2021 (texto 3), o desdobramento da personagem em diferentes peles representa literariamente a perspectiva contemporânea de uma identidade
Alternativas
Q3426156 Literatura
Assinale a alternativa que indica, corretamente, uma caraterística da linguagem literária:
Alternativas
Respostas
281: B
282: C
283: D
284: C
285: A
286: B
287: B
288: D
289: C
290: E
291: E
292: C
293: C
294: C
295: D
296: B
297: C
298: A
299: B
300: C