Questões de Concurso
Sobre teoria literária em literatura
Foram encontradas 552 questões
A questão é baseadas nos textos 4, 5 e 6.
TEXTO 4
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
ANDRADE, Oswald de. Pau-brasil. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.80.
TEXTO 5
Poema autobiográfico
Quando eu nasci meu
pai batia sola
minha mãe pisava milho no pilão
para o angu das manhãs.
Eu sou um trabalhador
Ouvi o ritmo das caldeiras...
Obedeci ao chamado das sirenes...
Morei num mocambo do “Bode”
e hoje moro num barraco na Saúde...
Não mudei nada...
TRINDADE, Solano (1908-1974). Poemas antológicos de Solano Trindade. São Paulo: Nova Alexandria, 2007. p.52.
TEXTO 6
Mestre Amaro
A questão é baseadas nos textos 4, 5 e 6.
TEXTO 4
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
ANDRADE, Oswald de. Pau-brasil. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.80.
TEXTO 5
Poema autobiográfico
Quando eu nasci meu
pai batia sola
minha mãe pisava milho no pilão
para o angu das manhãs.
Eu sou um trabalhador
Ouvi o ritmo das caldeiras...
Obedeci ao chamado das sirenes...
Morei num mocambo do “Bode”
e hoje moro num barraco na Saúde...
Não mudei nada...
TRINDADE, Solano (1908-1974). Poemas antológicos de Solano Trindade. São Paulo: Nova Alexandria, 2007. p.52.
TEXTO 6
Mestre Amaro
A questão é baseadas nos textos 4, 5 e 6.
TEXTO 4
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
ANDRADE, Oswald de. Pau-brasil. 4 ed. São Paulo: Globo, 2000. p.80.
TEXTO 5
Poema autobiográfico
Quando eu nasci meu
pai batia sola
minha mãe pisava milho no pilão
para o angu das manhãs.
Eu sou um trabalhador
Ouvi o ritmo das caldeiras...
Obedeci ao chamado das sirenes...
Morei num mocambo do “Bode”
e hoje moro num barraco na Saúde...
Não mudei nada...
TRINDADE, Solano (1908-1974). Poemas antológicos de Solano Trindade. São Paulo: Nova Alexandria, 2007. p.52.
TEXTO 6
Mestre Amaro
A questão é baseada nos textos 1, 2 e 3.
TEXTO 1
Fios de ouro
Quando Halima, a suave, desembarcou nas águas marítimas brasileiras, em 1852, a idade dela era de 12 anos. Da aldeia dela parece que só Halima sobreviveu em um tempo de viagem que durou quase dois meses. Das lembranças da travessia, Halima conseguia falar pouco. Séculos depois, pedaços de relatos viriam compor uma memória esgarçada, que seus descendentes recontam como histórias de família. E eu que chamo Halima, trago em meu nome, a lembrança daquela que na linhagem familiar materna, foi a mãe de minha tataravó.
Assim reconto a história de Halima:
Halima em solo africano, lugar impreciso por falta de informações históricas, portanto vazios de nossa história e de nossa memória, pertencia a um clã, em que um dos signos de beleza de um corpo era o cabelo. A arte de tecer cabelos era exercida por mulheres mais velhas que imprimiam aos penteados as regras sociais do grupo. [...]
EVARISTO, Conceição. Histórias de leves enganos e parecenças. Rio de Janeiro: Malê, 2017. p.49.
TEXTO 2
Contadora de histórias
Venha, minha avó
Traga sua memória
Vamos relembrar
Pegadas de nossa história
Solte a fumaça da cultura
Pelo cachimbo do saber
Fale para nossas crianças
Das lutas que tivemos que viver
Sentimos o genocídio
Atravessadas
Pela espada da opressão
Estupro, morte, invasão
Tem sangue das parentas pelo chão
Estamos em guerra
Mas nossa caminhada não se encerra
Porque sempre terá quem conte uma história
Narrando cenas de dor e de glória
Sob a fumaça da memória
KAMBEBA, Márcia Wayna. De almas e águas kunhãs. São Paulo: Jandaíra, 2023. p.157.
TEXTO 3
Leia o Poema:
“A voz de minha filha
recolhe em si
a fala e o ato.
O ontem – o hoje – o agora.
Na voz de minha filha
se fará ouvir a ressonância
O eco da vida-liberdade.”
Os versos citados são da escritora brasileira:
( )Nasceu em Minas Gerais, negra e catadora de papelão.
( )Apesar de semianalfabeta, tornou-se escritora e ficou nacionalmente conhecida.
( )No seu livro Quarto de despejo: diário de uma favelada, relatou o seu dia a dia na favela do Canindé, na cidade de São Paulo.
( )Gravou um disco com composições próprias.
A sequência CORRETA é:
Nos trechos abaixo, observe o conteúdo e a forma das três estrofes;
I
“Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”
II
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
III
- Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua.
Analisando-se os trechos, marque a alternativa
correta quanto ao estilo literário.
Para responder à questão, considere o fragmento de texto abaixo.

(Disponível em: CAMARGO, Diones. A mulher arrastada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. – texto adaptado especialmente para esta prova).
Os Ombros Suportam o Mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Analise as proposições abaixo como (V) verdadeiras ou (F) falsas.
(_) Segundo o poema, as "certezas" que cercam a pessoa, além de isolá-la, também servem como proteção contra o sofrimento. Apesar de a solidão não ter uma carga dramática, ela é obscura e deprimente.
(_) A terceira e última estrofe é também a mais longa. É nela que se encontra o verso que dá o nome ao poema e o tema central: a posição do ser neste mundo e neste tempo.
(_) A matéria do poeta é a realidade, o tempo presente e também a relação entre o "eu" e o mundo.
(_) Drummond compara as guerras às discussões em edifícios, como se ambos fossem igualmente "corriqueiros" e "banais" em um mundo cada vez mais desumano.
(_) A vida sem mistificação é uma retomada aos primeiros versos do poema.
A sequência correta de cima para baixo é:
Em uma obra literária, refere-se a uma curta citação que introduz o que será lido em seguida. Quando presente, encontra-se na página ímpar posterior à página da dedicatória ou no início das seções ou capítulos da obra.
Leia o texto abaixo e, em seguida, responda à questão sobre ele.
O PRIMEIRO BEIJO
Clarice Lispector
Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
- Sim, já beijei antes uma mulher.
- Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! Como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engolia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes, mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que, mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede, mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia-se intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele... Ele se tornara homem.
(In "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998 Disponível em: https://midiasstoragesec.blob.core.windows.net/001/2017/02/o_primeiro_beij o_clarice_lispector_2.pdf /Acesso em 18.09.2023)