O cortiço Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, a...

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Ano: 2024 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2024 - INEP - Letras - Português |
Q4152276 Literatura
O cortiço
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
AZEVEDO, A. O cortiço. SP: Ática, 1995. p. 36.

Uma das características da literatura está na literariedade, termo cunhado pelo formalismo russo na tentativa de identificar propriedades presentes nas obras literárias que as diferenciam de outros discursos produzidos na sociedade.
No fragmento apresentado de O cortiço, a literariedade está presente no trecho 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A decisão dependia do confronto entre os trechos citados e suas justificativas: embora A também traga personificação e seja materialmente defensável, o gabarito oficial manteve D por apontar o trecho que melhor sustenta o efeito literário pedido.

Tema central: Literariedade no fragmento
Análise das alternativas
A
Errada
O trecho “o cortiço acordava” realmente traz personificação, que é um recurso típico de literariedade. Por isso, a alternativa é materialmente defensável e concorre com a oficial. Ainda assim, sob a restrição do gabarito oficial, a banca não a tomou como resposta; a fragilidade da questão está justamente nessa concorrência interpretativa.
B
Errada
O erro está na classificação do recurso sonoro. Em “luz loura”, o efeito não é de rima entre vocábulos, mas de aproximação sonora interna, sobretudo aliteração; portanto, a justificativa técnica da alternativa está errada.
C
Errada
“Dormiu de uma assentada” não identifica narrador-personagem. O foco narrativo permanece em terceira pessoa, sem participação do narrador como personagem; portanto, a alternativa erra ao atribuir à expressão uma indicação de narrador-personagem.
D
Certa
A alternativa D se sustenta porque o trecho “suspiro de saudade” apresenta elaboração estética da linguagem, com valor imagético e conotativo, afastando-se do uso meramente informativo. Esse é o critério pedido na questão: identificar uma marca de literariedade pelo uso expressivo da linguagem. Como a própria base admite, há concorrência com A, já que “o cortiço acordava” também traz personificação; ainda assim, mantido o gabarito oficial, D é a resposta preservada, embora a justificativa da alternativa — “narrativa psicológica” — seja tecnicamente imprecisa.
Pegadinha da questão
A confusão real foi dupla: A também aponta corretamente um recurso de literariedade, enquanto D traz um trecho efetivamente expressivo, mas com justificativa conceitualmente frouxa; além disso, B tenta fazer o candidato confundir aproximação sonora com rima, e C tenta confundir expressão do narrador com foco narrativo.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pedir literariedade, procure o trecho em que a linguagem produz efeito estético por conotação, imagem ou associação subjetiva, e não apenas informação.
  • Separe o trecho citado da justificativa técnica da alternativa: às vezes o fragmento é literário, mas o rótulo usado pela banca pode estar impreciso.
  • Em recursos sonoros, não chame de rima toda repetição de sons: rima não se confunde com aproximação sonora interna.
  • Para identificar narrador-personagem, verifique o foco narrativo e a participação do narrador na história; uma expressão isolada não basta.

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