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Q4036827 Pedagogia
A Tecnologia Assistiva (TA) é um conceito utilizado para reunir recursos e serviços que ampliam habilidades funcionais de pessoas com deficiência, promovendo maior autonomia, vida independente e inclusão social.
Fonte: BERSCH; TONOLLI (2006) apud SANTOS, Adriana Prado Santana; GOES, Ricardo Schers de. Língua Brasileira de Sinais − Libras. UNIASSELVI, 2016.
Considerando os recursos tecnológicos que podem ser utilizados por alunos surdos para favorecer a comunicação e o acesso à informação, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4036826 Pedagogia
De acordo com o Art. 4o da Lei n° 10.436/2002, o sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de (X) , em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), conforme legislação vigente. Assinale a alternativa que substitui corretamente o (X) do texto.
Alternativas
Q4036825 Pedagogia
Uma escola está realizando uma formação com professores sobre a história da deficiência intelectual, destacando que, ao longo dos séculos, as formas de ver a pessoa com deficiência oscilaram entre abandono, extermínio, caridade, segregação, integração e inclusão. A partir dessa compreensão histórica, qual postura pedagógica estaria alinhada com a perspectiva inclusiva contemporânea? Assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4036824 Pedagogia
Ao longo da história brasileira, a escolarização de pessoas com deficiência passou por diferentes fases, indo desde a ausência de oportunidades educacionais até modelos assistencialistas e segregadores. Com o tempo, novos referenciais teóricos e políticos contribuíram para o surgimento de práticas inclusivas, apoiadas por documentos nacionais e internacionais que influenciaram reformas educacionais, formação docente e condições de acessibilidade nas escolas. Considerando esse percurso histórico, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4036823 Pedagogia
Os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são caracterizados por alterações qualitativas no desenvolvimento infantil, que envolvem prejuízos significativos em áreas fundamentais para a aprendizagem escolar. Considerando esses aspectos, marque a alternativa CORRETA sobre implicações do TGD no contexto educativo.
Alternativas
Q4036822 Pedagogia
A inclusão de alunos surdos no Ensino Comum exige que a escola compreenda as diferenças entre os tipos de surdez, pois cada um deles pode demandar estratégias pedagógicas e recursos específicos. Correlacione os tipos de surdez apresentados na coluna I com as implicações pedagógicas correspondentes da coluna II.
Coluna I
I.Surdez de condução (ou transmissão).
II.Surdez neurossensorial.
III.Surdez mista.
Coluna II
a.Pode exigir o uso de Libras como língua de instrução, além de recursos visuais e apoio do intérprete, pois geralmente envolve perda permanente no ouvido interno.
b.Por afetar o ouvido externo/médio, a amplificação sonora por aparelhos auditivos costuma ser eficaz, facilitando a comunicação oral em sala de aula.
c.Pode exigir tanto recursos de amplificação sonora quanto estratégias bilíngues (Libras e português), pois combina características das perdas condutiva e neurossensorial.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
Alternativas
Q4036821 Terapia Ocupacional
A Tecnologia Assistiva envolve recursos que ampliam as habilidades funcionais e a autonomia de pessoas com diferentes tipos de deficiência. Considerando os princípios de acessibilidade, funcionalidade e adequação de recursos às necessidades específicas dos usuários, analise as afirmativas:
I.A utilização de Tecnologia Assistiva para pessoas com deficiência física limita-se à adaptação de equipamentos eletrônicos, não incluindo recursos de apoio que envolvem modificações posturais, organizacionais ou de uso cotidiano.
II.Entre os recursos voltados à deficiência visual, incluem-se dispositivos que permitem ao usuário realizar, de forma autônoma, atividades relacionadas à leitura de informações, orientação espacial, identificação de elementos do ambiente e monitoramento de condições pessoais, como temperatura corporal e pressão arterial.
Com base na análise dos itens, é possível AFIRMAR que: 
Alternativas
Q4036820 Português
As línguas de sinais não são inferiores às línguas orais; ao contrário, possuem estrutura própria, completa e plenamente capaz de expressar ideias abstratas, emoções, conceitos complexos e relações gramaticais.
Fonte: MEC (2007) apud SANTOS, Adriana Prado Santana; GOES, Ricardo Schers de. Língua Brasileira de Sinais − Libras. UNIASSELVI, 2016.
Diante do texto e dos seus conhecimentos sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras), assinale a opção CORRETA. 
Alternativas
Q4036819 Libras
A proposta bilíngue para a educação de surdos reconhece a singularidade linguística dessa comunidade, garantindo-lhes acesso pleno à Libras como primeira língua e à língua portuguesa como segunda língua. Considerando esse princípio, analise as afirmativas:
I.O bilinguismo assegura que a Libras seja a língua de instrução principal, utilizada no processo de ensino-aprendizagem, enquanto a língua portuguesa é ensinada como segunda língua, preferencialmente em sua modalidade escrita.
II.A abordagem bilíngue pressupõe que o estudante surdo desenvolva competência linguística tanto em Libras quanto em português, garantindo acesso ao currículo, à comunicação e à produção de conhecimento.
III.A proposta bilíngue busca substituir a Libras pela língua portuguesa oral ao longo da escolarização, para facilitar a comunicação com ouvintes e reduzir barreiras linguísticas.
Com base nas afirmativas, é CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4036818 Psicologia
Observe a história abaixo:
"A casa pode cair, o circo pegar fogo, o mundo virar de cabeça para baixo... Carlos não está nem aí... Ele fica o tempo todo mexendo as mãos em volta de um brinquedo que só ele pode ver. Acho que Carlos não vê, não ouve e não compreende o mundo de cá. E no seu mundo, que parece tão diferente do nosso, ele não deixa ninguém entrar. Já tentei bater à porta de seu mundo, mas de nada adiantou. Ele nunca quis atender... Ele não diz, mas acho que aquele mundo é só seu e ninguém pode entrar... Às vezes fico pensando, pensando... Será que no mundo de Carlos existem brinquedos iguais aos meus? Será que eu, você e todos nós já não estamos morando lá e por isso ele não nos deixa entrar? Não, não dá para saber. Mas, um dia, eu ainda vou tirar todos os cadeados do mundo de Carlos, e aí vamos brincar de verdade, sem nos importarmos em que mundo estamos. Nesse dia, as fechaduras da mente não terão mais segredos e todos seremos muito felizes. Enquanto isso não acontece faço uma promessa: seu mundo eu vou respeitar."
Fonte: MACHADO; MAZARRO (2008) apud LYRA, Glaciene Januário Hottis; SOUPER, Hévilla Moyara. Transtornos Globais do Desenvolvimento na escola. Revista Electrónica de Investigación y Docencia (REID), n. 10, 2013.
A história apresentada retrata um comportamento típico observado em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Considerando essa condição clínica, assinale a alternativa que apresenta uma marca comportamental importante e frequentemente observada nesse quadro: 
Alternativas
Q4036817 Pedagogia

Observe a imagem:


16.jpg (351×378)


Fonte: Práticas Pedagógicas Inclusivas: estratégias e possibilidades de ensino e aprendizagem. Tutóia, MA: Diálogos, 2023. 


A aula de Educação Física ocorreu no pátio da escola com uma turma de estudantes, entre eles uma criança de oito anos com deficiência física nos membros inferiores em decorrência de paralisia cerebral, que utilizava órteses (muletas) para locomoção. O conteúdo trabalhado era jogos populares, e o objetivo de aprendizagem consistia em vivenciar diferentes formas de brincar com corda. Na atividade da cobrinha e da A aula de Educação Física ocorreu no pátio da escola com uma turma de estudantes, entre eles uma criança de oito anos com deficiência física nos membros inferiores em decorrência de paralisia cerebral, que utilizava órteses (muletas) para locomoção. O conteúdo trabalhado era jogos populares, e o objetivo de aprendizagem consistia em vivenciar diferentes formas de brincar com corda. Na atividade da cobrinha e da

Alternativas
Q4036816 Matemática
Uma empresa utiliza urnas com bolas coloridas para simular eventos aleatórios em um treinamento. Em uma das atividades, a urna contém 5 bolas vermelhas e 7 bolas azuis, sendo realizados diversos sorteios com e sem reposição para estudo das probabilidades envolvidas. O instrutor apresenta quatro afirmações sobre esses sorteios e solicita que os participantes avaliem sua veracidade com base nos cálculos correspondentes. Considere as informações fornecidas e analise as assertivas a seguir.
I.Uma urna contém 5 bolas vermelhas e 7 bolas azuis; a probabilidade de sair uma bola vermelha em um único sorteio é 5/12.
II.Se duas bolas forem retiradas com reposição, a probabilidade de ambas serem azuis é (7/12)(7/12).
III.A probabilidade de sair pelo menos uma bola vermelha em dois sorteios com reposição é 1 − (7/12)(7/12).
IV.Retirando três bolas sem reposição, a probabilidade de todas serem vermelhas é 5/12.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4036815 Raciocínio Lógico
Um pesquisador analisa quatro afirmações gerais para identificar a conclusão mais coerente por analogia. Ele observa que "alguns sistemas adaptativos melhoram com feedback", "certas equipes aprendem com revisões constantes" e "vários algoritmos evolutivos aprimoram soluções por iterações sucessivas". Considerando essas relações, ele busca a conclusão mais alinhada ao padrão inferido entre os exemplos. Com base nesse conjunto, determine qual conclusão se ajusta logicamente a essa analogia. 
Alternativas
Q4036814 Matemática
Uma empresa teve receita de R$ 240.000,00 em um trimestre e registrou, no trimestre seguinte, aumento de 12%. Em seguida, no terceiro trimestre, houve redução de 10% sobre o novo valor. Analise as assertivas e classifique como verdadeira (V) ou falsa (F).
(__)Após o aumento de 12%, a receita passou para R$ 268.800,00.
(__)Após a redução de 10%, a receita ficou em R$ 241.920,00.
(__)A variação líquida total nos dois trimestres foi um aumento de 1%.
(__)A variação líquida final corresponde a um aumento de R$ 2.400,00 em relação ao valor inicial.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é 
Alternativas
Q4036813 Raciocínio Lógico
Considere o conjunto A com 50 elementos e o conjunto B com 30 elementos. Sabe-se que exatamente 18 elementos pertencem simultaneamente a A e B. Um analista deseja calcular quantos elementos pertencem a ¬(A ∪ B), utilizando as leis de De Morgan e considerando um universo U com 100 elementos. Quantos elementos estão fora de A e de B. 
Alternativas
Q4036812 Matemática
Um docente calcula a nota final de um estudante usando três avaliações com pesos 2, 3 e 5. As notas obtidas foram 6, 8 e 7, respectivamente. Além disso, ele compara essa média ponderada com a média simples dessas mesmas notas para avaliar consistência no desempenho. Determine a diferença entre a média ponderada e a média simples.
Alternativas
Q4036811 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A velha


A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.


Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.


Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.


Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto. 


Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.


Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir. 


Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.


O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.


Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.


Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?


BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 21 nov. 2025.

Assinale a alternativa cuja palavra em destaque foi acentuada pela mesma regra que a palavra "resíduos" em "A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar".
Alternativas
Q4036810 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A velha


A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.


Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.


Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.


Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto. 


Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.


Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir. 


Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.


O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.


Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.


Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?


BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 21 nov. 2025.

Na frase "Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta", o emprego da forma "alerta" respeita a norma culta quanto à concordância e à classificação gramatical do termo. Com base nessa construção, assinale a alternativa que apresenta a explicação correta para o uso da palavra "alerta" nesse contexto. 
Alternativas
Q4036809 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A velha


A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.


Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.


Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.


Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto. 


Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.


Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir. 


Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.


O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.


Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.


Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?


BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 21 nov. 2025.

A construção narrativa do texto "A velha" transcende a descrição de uma experiência individual e propõe uma crítica simbólica a transformações sociais profundas. Nesse contexto, assinale a alternativa que expressa a mensagem central da narrativa.
Alternativas
Q4036808 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A velha


A velha um dia despirocou. Era como se uma sirene ambulatorial gritasse corredor adentro. Não se debruçava mais sobre os muros, janelas e balcões a colher as memórias sórdidas dos vizinhos e familiares.


Emudeceu oca e aquele olhar de ave de rapina que saltava curioso sobre o mundo a abandonou.


Era um corpo todo abandonado, como se o brilho da carne viva tivesse ganho a opacidade de um porco decapitado, daqueles abatidos e expostos nos açougues, e num silêncio-pânico daquela madrugada, algo lhe foi extorquido.


Desde a aparição do vírus na narrativa cotidiana, a velha ficou alerta. Observava tudo amedrontada. Era máscara na cara, os dedos ensopados de álcool e uma solidão corrosiva que havia se alojado como sua parceira de quarto. 


Desassistida engolia a vida em atropelo: o café, a cápsula de antipsicótico, a bolacha Maria, tudo ingerido a contragosto. A resistência se via nos resíduos constantes entre os dentes que a velha puxava com os dedos, agoniada na tentativa de limpar.


Vivendo em cárcere privado, a velha não se lavava mais, não falava ao telefone e desistira do mundo que lhe privara de existir. 


Assistia apática ao noticiário que calculava constantemente um cadáver a mais no número de mortos.


O calendário a engolia, arrancando-lhe as gramas, as dobras, as memórias de cinquenta anos atrás que ela recebia contrariada, e a casa agora era assombrada pelos defuntos do pai, do avô e da mãe que morrera quando completara a idade agora da filha. Todos a indagavam, pediam explicações, e ela, confusa, balbuciava respostas inaudíveis.


Não havendo mais o presente para lhe invadir os dias, o passado adentrava sua morada espaçoso. Os pássaros esbravejavam irritados desde que a velha desfalecera. No pote de alpiste vazio gotejava um pingo barrento que escorria da telha, e a velha não dormia, perturbada pelo berrante som da vida exterior.


Era estranha esta sensação de estar trancada sem ao menos passar as chaves na porta. Do que adiantava a liberdade das frestas entreabertas se a morte caçava os aposentados nas calçadas, parques e botecos?


BRISOLARA, Maria Isabel Teixeira. A velha. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Pandemia em contos. Florianópolis: UFSC, 2023. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/244169/Pandemi a_em_contos-Ebook-2fev23.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em: 21 nov. 2025.

A construção simbólica da personagem no texto aponta para uma experiência de dissolução subjetiva que transcende os efeitos imediatos da pandemia. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação coerente com os recursos metafóricos e o percurso narrativo da personagem.
Alternativas
Respostas
1501: D
1502: C
1503: C
1504: A
1505: B
1506: D
1507: B
1508: A
1509: C
1510: A
1511: A
1512: C
1513: A
1514: C
1515: D
1516: C
1517: D
1518: C
1519: B
1520: D