Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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I. Um texto pode ter frases certas isoladamente e ainda assim carecer de coerência, se ideias chocam-se ou não seguem linha de raciocínio.
II. Coesão envolve pronomes, conectores e repetições controladas, recursos que ajudam a ligar partes do texto.
III. Coerência depende também do que autor e leitor partilham quanto a contexto, gênero e objetivo comunicativo.
IV. Texto plenamente coeso sempre será coerente, pois marcas linguísticas bastam para sustentar qualquer sequência.
V. Quebras planejadas de coesão podem aparecer em textos literários, desde que contribuam para o efeito de sentido.
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
I. Propaganda institucional sobre meio ambiente tende a combinar função conativa e função referencial, porque orienta o público e traz dados.
II. Poema que explora som, ritmo e metáforas reforça função poética, mesmo quando trata de temas simples.
III. Bilhete em porta de sala com recado pontual prioriza função referencial, ainda que traga pequena saudação.
IV. Manual de escrita que discute estilos e escolhas de linguagem, aproxima-se da função metalinguística.
V. Conversa em que pessoas testam ligação ao telefone liga-se, de forma central, à função fática.
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
I. Anúncio que destaca vantagens de um produto e usa recursos expressivos combina função conativa com função poética.
II. Bilhete que informa horário e local de reunião privilegia função referencial, ainda que traga marcas de proximidade entre interlocutores.
III. Poema que explora ritmo, som e disposição gráfica valoriza função poética, mesmo quando trata de situações cotidianas.
IV. Discurso de formatura centrado em características de quem fala, liga-se principalmente à função fática.
V. Texto que descreve passo a passo um procedimento técnico enfatiza função metalinguística, porque fala de maneira direta sobre linguagem.
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
Observe o enunciado abaixo e assinale a alternativa que apresenta o termo que preenche corretamente a lacuna:
Observa-se que, em geral, as edificações escolares são de má qualidade e não atendem aos mínimos requisitos de conforto ambiental. Algumas escolas funcionam em torres de igrejas, casas alugadas e prédios pré-fabricados em condições extremamente precárias. Verifica-se um excesso de tolerância, quanto aos __________ escolares, principalmente, aos das redes municipais. A baixa qualidade do ambiente escolar é geralmente atribuída à urgência e aos custos implicados. Entretanto, sabe-se que subjacente a isso, está a pouca importância dada às escolas destinadas às classes populares.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O cronista anuncia a primavera
Chega a primavera, a estação preferida de muitos cronistas, mas não deste. Enquanto a maioria vê na primavera um símbolo de esperança, representada pelo renascimento das flores, a filosofia de vida pessimista e niilista deste escrevinhador faz com que ele não espere nada de bom nesta época florida.
Distante que está dos grandes cronistas, não consegue ter para a natureza um olhar lírico e de uma simplicidade inatingível como o de Rubem Braga, que em “Recado da primavera” viu na varanda um “tico-tico com uma folhinha seca de capim no bico” como “o sinal mais humilde da chegada da Primavera”. Tampouco chega aos pés da Cecília Meireles, que escreveu que “só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz”. Sente inveja da ironia certeira de Luis Fernando Veríssimo, para quem a “primavera é um descontrole glandular da Natureza”, sendo que o “outono é a única estação civilizada”. (...)
Leon Eliachar, em crônica que ironiza os temas dos cronistas, diz que “fazer crônica não é escrever palavras bonitas” e nem, entre outras coisas, “anunciar a primavera”, o que Rubem Braga fazia costumeiramente. Pois este cronista aqui iniciou justamente como tantos outros, mas para dizer que não vê nada de bom na primavera; afinal, não sabe que roupa usar nesta época, pois ora sente calor, ora sente frio. Também não gosta do pólen das flores que suja o vidro do carro. Além disso, prefere os dias mais cinzentos do outono e do inverno, e não o colorido primaveril.
Sim, este cronista é um chato, que reclama do frio no inverno e do calor no verão, mas também não gosta de meia estação porque não faz nem frio nem calor. É um sujeito insuportável que não espera nada da vida, pois, quando entrou neste inferno que é a Terra, viu a mesma inscrição que se lê na Divina Comédia, de Dante: “Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!”
O bom deste inferno é que você, leitor, pode discordar do cronista, e aproveitar a primavera que inicia.
PETRY, Cassionei Niches. O cronista anuncia a primavera. Gazeta do Sul, 22/09/2021 Disponível em <https://cassionei.blogspot.com/2021/09/o cronista-anuncia-primavera.html>
“(...) chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz”
Referindo-se à estação da primavera, o trecho sublinhado acima apresenta-se sob a seguinte figura de linguagem:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O cronista anuncia a primavera
Chega a primavera, a estação preferida de muitos cronistas, mas não deste. Enquanto a maioria vê na primavera um símbolo de esperança, representada pelo renascimento das flores, a filosofia de vida pessimista e niilista deste escrevinhador faz com que ele não espere nada de bom nesta época florida.
Distante que está dos grandes cronistas, não consegue ter para a natureza um olhar lírico e de uma simplicidade inatingível como o de Rubem Braga, que em “Recado da primavera” viu na varanda um “tico-tico com uma folhinha seca de capim no bico” como “o sinal mais humilde da chegada da Primavera”. Tampouco chega aos pés da Cecília Meireles, que escreveu que “só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz”. Sente inveja da ironia certeira de Luis Fernando Veríssimo, para quem a “primavera é um descontrole glandular da Natureza”, sendo que o “outono é a única estação civilizada”. (...)
Leon Eliachar, em crônica que ironiza os temas dos cronistas, diz que “fazer crônica não é escrever palavras bonitas” e nem, entre outras coisas, “anunciar a primavera”, o que Rubem Braga fazia costumeiramente. Pois este cronista aqui iniciou justamente como tantos outros, mas para dizer que não vê nada de bom na primavera; afinal, não sabe que roupa usar nesta época, pois ora sente calor, ora sente frio. Também não gosta do pólen das flores que suja o vidro do carro. Além disso, prefere os dias mais cinzentos do outono e do inverno, e não o colorido primaveril.
Sim, este cronista é um chato, que reclama do frio no inverno e do calor no verão, mas também não gosta de meia estação porque não faz nem frio nem calor. É um sujeito insuportável que não espera nada da vida, pois, quando entrou neste inferno que é a Terra, viu a mesma inscrição que se lê na Divina Comédia, de Dante: “Deixai, ó vós que entrais, toda a esperança!”
O bom deste inferno é que você, leitor, pode discordar do cronista, e aproveitar a primavera que inicia.
PETRY, Cassionei Niches. O cronista anuncia a primavera. Gazeta do Sul, 22/09/2021 Disponível em <https://cassionei.blogspot.com/2021/09/o cronista-anuncia-primavera.html>