Questões de Concurso Para psicólogo

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Q4324132 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
“As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.”. Progressão textual é um conceito que abrange a continuidade de ideias em torno de uma temática desenvolvida. Colaboram com a efetividade desse conceito mecanismos linguísticos como elementos diversos em torno da Coesão a fim de se edificar a Coerência na macroestrutura. Assim sendo, assinale a alternativa cuja passagem retirada do texto I não se refira contextual e argumentativamente à mesma linha crítica na continuidade de sua elaboração.
Alternativas
Q4324131 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Analise cada afirmação abaixo sobre o texto I antes de julgar o que se pede.

( ) Em “Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.” (1º par.), a descrição inicial feita pelo cronista representa que a crítica objetiva do cenário testemunhado por ele se estende para um período ulterior de existência daquele público juvenil.
( ) Em “Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.” (2º par.), nota-se a intencionalidade autoral restritamente ligada à crítica feita em relação à delinquência juvenil. 
( ) Em “A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. [...] A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.” (5º par.), infere-se que, para o autor, o domínio linguístico se relaciona com o desenvolvimento social no que tange à civilidade necessária para o indivíduo julgara si próprio e o meio circundante.
( ) Em “Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve.” (6º par.), o autor expõe como a articulação do pensamento prescinde de domínio linguístico.
( ) Em “Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões.” (8º par.), o autor expõe quão profícuo se mostra a existência das teorias citadas para a formação do espírito coletivo.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se afirmar que, pela ordem, a sequência correta é:
Alternativas
Q4324130 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
Sobre a elaboração do texto I e a exposição de suas ideias, é correto dizer que se trata de um(a):
Alternativas
Q4324129 Português
TEXTO I

Q1_10.png (272×121)

A perda da linguagem e a perda da liberdade

Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa


Roberto Motta


    São 5h30 da manhã e eu começo a caminhada pela praia do Rio de Janeiro. Há grupos espalhados pela areia, muita gente. Não são banhistas. Estão se recuperando de uma longa noite. Ao redor deles há uma mancha de lixo: garrafas de todos os tipos, embalagens de alimentos industrializados e restos de comida. E o odor de maconha. Caixas de som estão ligadas na potência máxima. As músicas são todas do mesmo tipo: “canções” sem melodia ou harmonia, nas quais vozes desafinadas e desagradáveis – algumas aos berros – se submetem à tirania de ritmos que soam como pancadas. As “letras” são relatos de atos sexuais, uso de drogas e crimes; algumas dessas músicas servem de hinos a facções. Álcool, carboidratos industrializados, drogas e violência: essa foi a dieta da noite na praia, onde a escuridão não acaba quando o sol nasce.

    Essa praia é o meu quintal. Sempre que o mar permite, eu nado. Nos outros dias, eu leio. Não levo nada comigo além dos livros, porque nas praias roubam tudo. Menos livros. Deixo os meus sobre a cadeira quando vou dar um mergulho, sem preocupação. O risco de serem roubados é zero.

    Não tenho uma boa explicação para minha obsessão por leitura. Uma parte do meu cérebro se ilumina quando leio. É uma sensação física. Sempre foi assim. Quando era muito criança, livros já me interessavam. No final da década de 1970, minha mãe me deixava na biblioteca pública de Salvador enquanto ia fazer compras. Não leio em busca de conhecimento ou cultura. Dizer isso seria mentir. Sou curioso sim, e isso me leva a ler de tudo. Preciso de variedade. Mas minha obsessão tem outra origem. É uma necessidade orgânica: sou dependente de leitura. Na falta de livros e revistas, leio bulas de remédio, rótulos de embalagens e manuais de instruções. Para alguém como eu, a internet foi um milagre. Nunca mais fiquei sem ter algo para ler. 

    Além de disponibilizar infinito material de leitura, a internet transformou todo mundo em escritor, nem que sejam apenas de comentários em postagens alheias. Com isso, ficou evidente o prejuízo causado pela degradação da linguagem, um fenômeno encorajado por sistemas políticos populistas como forma de igualdade. É a ideia de que existem muitos “saberes” igualmente importantes, mesmo que alguns desses saberes não saibam nada. O cidadão ocidental confortavelmente instalado em um sistema de bem-estar social que lhe garante a sobrevivência, é alimentado com o equivalente cultural de uma dieta de carboidratos, álcool e maconha. Exatamente como o pessoal da praia do início deste texto. 

    Comentários nas redes sociais expõem a torturante experiência de ter algo a dizer, mas não saber como. A linguagem foi reduzida a seus componentes mais rudimentares, e estão desaparecendo a capacidade de observação e descrição, a sutileza e a moderação necessárias à expressão de ideias e ao exame equilibrado da vida em geral. Tudo se reduz a “amo” ou “odeio” e a “comunistas” versus “fascistas”. Políticos são classificados como santos ou impostores, submetidos aleatoriamente a ataques virulentos ou a adulação desmedida. A cidadania – se é que algo assim já existiu por essas terras – se esfarela junto com a linguagem.

    Ninguém consegue expressar um sentimento ou visão do mundo sem um vocabulário apropriado; sem isso, é impossível traduzir a realidade interior em algo que possa ser transmitido a outra pessoa. Fiz uma postagem com a recomendação do livro Trilogia Cósmica, de C. S. Lewis. Um dos comentários foi feito por alguém que se identificou como Alberto, ex-usuário de tudo. Ele disse: “Minha geração não lê livros. Jogamos games e assistimos vídeos. Acho que estamos certos porque a realidade é líquida. Preferimos receber o resumo da sua geração”. Alberto, o resumo é esse: de todas as perdas que alguém pode sofrer, a perda da linguagem é uma das mais graves, principalmente porque é impossível notar a perda de algo que você nunca teve. 

    Acontece que a linguagem é a ferramenta do raciocínio. Pensamentos são expressos em uma voz interior que usa a linguagem que aprendemos. Até que esses pensamentos sejam articulados, eles não existem de forma consciente. Bom senso e clareza de raciocínio não são privilégio de pessoas instruídas, isso é evidente; existem pessoas simples que conduzem suas vidas com padrões morais elevados e acumulam conquistas pessoais maiores do que as de muitos “intelectuais”. Entretanto, na maioria dos casos – e exceto por um esforço extraordinário – a falta de um vocabulário leva a um embotamento da sensibilidade e do raciocínio, assim como a falta de treinamento leva à atrofia muscular. O universo fica reduzido a um estreito conjunto de experiências mundanas, quase sempre primitivas, quase sempre envolvendo as partes inferiores do corpo. O resultado é um vazio experiencial – um mal tornado ainda mais terrível porque o portador da aflição não consegue nomear a enfermidade. O primeiro impulso é preencher o vazio com barulho, porque o silêncio é insuportável para uma mente que não tem como pensar. Por isso, a onipresença de equipamentos sonoros em todos os lugares e momentos. 

    É impossível encontrar, na minha cidade, uma praia livre de caixas de som, ou uma clínica cujos pacientes, nas salas de espera, não sejam tutelados – não sei se essa é a melhor palavra – por aparelhos de televisão permanentemente ligados. A forma mais popular de anestesia, claro, é o celular: não há desespero existencial que resista a uma sequência de reels. Esse vazio também é preenchido por ideologias e filosofias calamitosas, do neomarxismo woke ao ambientalismo xiita, dos métodos infalíveis para enriquecer com criptomoedas ao extremismo religioso. Improváveis teorias da conspiração se transformam na justificativa existencial de multidões. O lixo criado pelo homem é consumido pelo homem como se fosse o caminho da verdade.

    Permitam-me sugerir a redescoberta da linguagem, por meio da leitura, como remédio. Mas o caminho da libertação não passa apenas por livros – ele exige bons livros. Como disse o filósofo Arthur Schopenhauer: “A arte de não ler é uma arte muito importante. Ela consiste em não se interessar por aquilo que, em determinado momento, esteja ocupando a atenção do público em geral. Quando algum panfleto político ou eclesiástico, ou um romance, ou um poema estiver provocando grande alvoroço, você deve se lembrar de que aquele que escreve para tolos sempre encontra um grande público. Uma condição prévia para ler bons livros é não ler livros ruins: pois a vida é curta”.


Fonte: MOTTA, Roberto. A perda da linguagem e a perda da liberdade. https://revistaoeste.com/revista/edicao-305/a-perda-da-linguagem-e-a-perda-da-liberdade/ 
A partir da leitura do texto I e das ideias defendidas por seu autor, pode-se indicar como constatação correta o que se afirma em:
Alternativas
Q4323169 Legislação dos Municípios do Estado de Santa Catarina
A Lei Orgânica Municipal de Guaraciaba estabelece diretrizes que devem ser observadas na organização dos planos de cargos e carreiras do serviço público municipal, relacionando aspectos remuneratórios e de desenvolvimento funcional à legislação aplicável. Com base no Art. 83 da Lei Orgânica Municipal de Guaraciaba, analise as assertivas abaixo e classifique cada uma como verdadeira (V) ou falsa (F).
(__)A remuneração assegurada aos funcionários públicos deve ser compatível com o mercado de trabalho correspondente à respectiva função.
(__)A progressão funcional deve observar compatibilização com a legislação federal e estadual aplicável.
(__)Os planos de cargos e carreiras podem estabelecer remuneração independentemente das condições do mercado de trabalho da função exercida.
(__)A compatibilização com a legislação federal e estadual aplicável constitui exigência relacionada à progressão funcional prevista no dispositivo. 
(__)O dispositivo condiciona a progressão funcional exclusivamente ao tempo de serviço, afastando a necessidade de compatibilização com outras normas.

A sequência correta, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4323168 Direito Sanitário
A relação entre pacientes, profissionais e serviços de saúde envolve questões relacionadas à autonomia, informação, privacidade e participação nas decisões terapêuticas. Em abril de 2026, foi criado um estatuto que reuniu regras destinadas a disciplinar direitos e responsabilidades aplicáveis aos cuidados prestados por serviços e profissionais de saúde. Considerando a abordagem deste estatuto, qual alternativa caracteriza corretamente essa inovação normativa?
Alternativas
Q4323167 Legislação dos Municípios do Estado de Santa Catarina
A trajetória administrativa de Guaraciaba evidencia mudanças na organização territorial do Extremo Oeste de Santa Catarina. Antes de alcançar autonomia municipal, a localidade esteve vinculada a São Miguel do Oeste e foi elevada à condição de distrito em 1956; posteriormente, a Lei Estadual nº 733, de 20 de julho de 1961, criou o Município de Guaraciaba, cuja instalação ocorreu em 1º de outubro daquele ano. Considerando essa trajetória político-administrativa, qual interpretação explica corretamente a formação do município?
Alternativas
Q4323166 Português
A aula-passeio à Fazenda Ponte Alta proporcionou aos alunos do 7º ano uma experiência de contato com a história do café. O patrimônio arquitetônico e ambiental da fazenda preserva importantes marcas desse período histórico . No Vale do Paraíba, o café tornou-se um dos principais produtos de exportação do Brasil e alcançou seu apogeu durante o Segundo Império.

A região era considerada adequada ao cultivo e, por isso, grandes propriedades exploraram a produção cafeeira com o uso de mão de obra escravizada. A atividade econômica transformou profundamente a região e deixou marcas que ainda podem ser observadas em seu patrimônio histórico.

Texto adaptado de Aula-passeio à Fazenda Ponte Alta, Colégio Santo Antônio, 11 jul. 2018.
Considere o período destacado no texto: "O patrimônio arquitetônico e ambiental da fazenda preserva importantes marcas desse período histórico." A respeito da estrutura sintática desse período, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4323165 Português
Leia o texto a seguir.

No poema "Pronominais", de 1925, Oswald de Andrade registrava que o brasileiro tinha duas formas de pedir um cigarro: os letrados dizem "dê-me um cigarro" e "o bom negro e o bom branco" falam "me dá um cigarro". Em sua pesquisa de pós-doutorado apresentada no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o pesquisador Marcelo Limeira dos Anjos endossa a constatação de que as regras de colocação pronominal do português brasileiro têm raízes no uso da linguagem como critério de diferenciação de classes. Mais: além da origem classista, a história da norma sugere que outros fatores, como questões políticas e até inimizades entre autores, ajudam a explicar o porquê de o país ter regras tão rígidas no posicionamento de pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos e seus eventuais plurais) frente a verbos.

A pesquisa, que segue perspectiva linguística, destaca o fato de, apesar da falta de consenso entre os teóricos sobre essas normas, em geral a gramática brasileira mais disseminada trazer obrigações quanto à colocação de pronomes, o que não ocorre da mesma forma na gramática portuguesa. "O tema não atormenta os portugueses como aos brasileiros. Em tese, até mesmo a proibição do pronome em início de oração só faz sentido para nós", diz Anjos.

Entre esses impeditivos mencionados pelo pesquisador está o uso do pronome antes do verbo (próclise) em início de frase, que inspirou Oswald de Andrade. Outro é a "atração" que certas palavras, como os advérbios ou as de sentido negativo, exerceriam sobre o pronome, o que forçaria a próclise, como em "nunca te vi", em oposição a "nunca vi-te".

Anjos estudou a história das regras de colocação pronominal e concluiu que a maioria delas foi inventada e, depois de levantadas em discussões intelectuais, acabou imposta pelo ensino formal. Na historiografia levantada pela pesquisa, consta que as gramáticas do século XVIII, por exemplo, apenas citavam a existência da próclise e da ênclise.

Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colocação pronominal. Ciência UFPR. Disponível em: https://ciencia.ufpr.br/portal/colocacao-pronominal/
Considerando as informações apresentadas no texto e as regras de colocação dos pronomes oblíquos átonos, analise as afirmações a seguir.
I.Em "dê-me um cigarro", ocorre ênclise, pois o pronome oblíquo átono aparece posposto ao verbo.
II.Em "me dá um cigarro", ocorre próclise, uma vez que o pronome oblíquo átono está colocado antes do verbo.
III.Em "nunca te vi", o advérbio de negação "nunca" favorece a próclise, levando o pronome "te" a ocupar posição anterior ao verbo.
IV.Em "nunca vi-te", a posição do pronome está de acordo com a regra apresentada no texto, pois, diante de palavra de sentido negativo, a ênclise é obrigatória.

Assinale a alternativa que apresenta apenas as afirmações corretas.
Alternativas
Q4323164 Português
Leia o texto a seguir.

No poema "Pronominais", de 1925, Oswald de Andrade registrava que o brasileiro tinha duas formas de pedir um cigarro: os letrados dizem "dê-me um cigarro" e "o bom negro e o bom branco" falam "me dá um cigarro". Em sua pesquisa de pós-doutorado apresentada no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o pesquisador Marcelo Limeira dos Anjos endossa a constatação de que as regras de colocação pronominal do português brasileiro têm raízes no uso da linguagem como critério de diferenciação de classes. Mais: além da origem classista, a história da norma sugere que outros fatores, como questões políticas e até inimizades entre autores, ajudam a explicar o porquê de o país ter regras tão rígidas no posicionamento de pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos e seus eventuais plurais) frente a verbos.

A pesquisa, que segue perspectiva linguística, destaca o fato de, apesar da falta de consenso entre os teóricos sobre essas normas, em geral a gramática brasileira mais disseminada trazer obrigações quanto à colocação de pronomes, o que não ocorre da mesma forma na gramática portuguesa. "O tema não atormenta os portugueses como aos brasileiros. Em tese, até mesmo a proibição do pronome em início de oração só faz sentido para nós", diz Anjos.

Entre esses impeditivos mencionados pelo pesquisador está o uso do pronome antes do verbo (próclise) em início de frase, que inspirou Oswald de Andrade. Outro é a "atração" que certas palavras, como os advérbios ou as de sentido negativo, exerceriam sobre o pronome, o que forçaria a próclise, como em "nunca te vi", em oposição a "nunca vi-te".

Anjos estudou a história das regras de colocação pronominal e concluiu que a maioria delas foi inventada e, depois de levantadas em discussões intelectuais, acabou imposta pelo ensino formal. Na historiografia levantada pela pesquisa, consta que as gramáticas do século XVIII, por exemplo, apenas citavam a existência da próclise e da ênclise.

Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colocação pronominal. Ciência UFPR. Disponível em: https://ciencia.ufpr.br/portal/colocacao-pronominal/
Leia o trecho: "A pesquisa, que segue perspectiva linguística, destaca o fato de, apesar da falta de consenso entre os teóricos sobre essas normas, em geral a gramática brasileira mais disseminada trazer obrigações quanto à colocação de pronomes, o que não ocorre da mesma forma na gramática portuguesa." Considerando o emprego da pontuação no período, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4323163 Psicologia
A psicóloga lotada em um órgão gestor municipal de assistência social precisa redigir um relatório psicológico e recorre à resolução do Conselho Federal de Psicologia que regulamenta os documentos escritos produzidos pela categoria e fixa as seções desse documento. Considere as seções do relatório psicológico listadas abaixo:
(1)Análise dos dados colhidos, com fundamentação nos referenciais teóricos e técnicos adotados.
(2)Identificação do documento, com o nome do autor, do solicitante e da pessoa atendida.
(3)Conclusão do trabalho realizado, com os encaminhamentos pertinentes, a data e a assinatura.
(4)Descrição da demanda que motivou a solicitação do documento.
(5)Procedimento adotado, com o registro do raciocínio técnico e das fontes consultadas.

Assinale a alternativa que apresenta a ordem sequencial correta em que essas seções são dispostas no documento:
Alternativas
Q4323161 Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741 de 2003
Analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I.A pessoa idosa em situação de risco social pode ser encaminhada para abrigo em entidade de longa permanência quando verificada a inexistência de grupo familiar, o abandono ou a carência de recursos financeiros próprios ou da família.
PORQUE
II.A garantia de prioridade assegurada pelo Estatuto da Pessoa Idosa compreende a preferência do atendimento asilar sobre o atendimento prestado à pessoa idosa por sua própria família.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4323160 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
A gestão de um órgão municipal de assistência social pactuou com as instituições do sistema de justiça um fluxo de atendimento para os casos que envolvem violação de direitos de crianças e adolescentes. Associe cada instituição da Coluna I à atribuição correspondente da Coluna II:
Coluna I
1.Poder Judiciário.
2.Ministério Público.
3.Defensoria Pública.
4.Conselho Tutelar.

Coluna II
(__)Órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.
(__)Instituição incumbida da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
(__)Instância a quem compete proferir a decisão que determina o afastamento de criança ou adolescente do convívio com a família de origem.
(__)Instituição que presta orientação jurídica e assistência integral, em juízo e fora dele, às pessoas necessitadas.

Assinale a alternativa que apresenta a associação correta, de cima para baixo:
Alternativas
Q4323159 Serviço Social
O setor responsável pela vigilância socioassistencial de um município elabora a cada semestre um painel de indicadores que orienta a gestão na revisão da oferta de serviços. Nesse painel, a dimensão que trata da incidência de _______ nos territórios apoia o dimensionamento da demanda potencial por proteção, enquanto a dimensão que trata dos _______ verifica a adequação da oferta existente. Considerando essas dimensões, assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem:
Alternativas
Q4323158 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Durante a revisão dos fluxos de proteção de um município, a equipe gestora retomou os dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente que estruturam a política de atendimento, as medidas de proteção e as competências dos integrantes do sistema de garantia de direitos. Acerca do assunto, registre V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:
(__)O acolhimento institucional é medida provisória e excepcional, utilizável como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta.
(__)A permanência em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de dezoito meses, salvo comprovada necessidade que atenda ao superior interesse do acolhido, fundamentada pela autoridade judiciária.
(__)O conselho tutelar aplica ao adolescente autor de ato infracional as medidas socioeducativas de liberdade assistida e de prestação de serviços à comunidade.
(__)A autoridade judiciária reavalia a situação da criança ou do adolescente em programa de acolhimento a cada doze meses, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4323157 Serviço Social
A gestão municipal de assistência social revisou o fluxo de encaminhamentos entre as unidades da rede para qualificar a integração entre os níveis de proteção. Associe cada serviço da Coluna I à descrição correspondente da Coluna II:
Coluna I
1.Serviço de proteção e atendimento integral à família.
2.Serviço de convivência e fortalecimento de vínculos.
3.Serviço de proteção e atendimento especializado a famílias e indivíduos.
4.Serviço de acolhimento institucional.

Coluna II
(__)Acompanhamento continuado a pessoas cujos direitos foram violados, mantido o convívio com o grupo doméstico de origem.
(__)Trabalho social continuado de caráter preventivo com o grupo doméstico referenciado na unidade pública de base local.
(__)Moradia provisória a pessoas afastadas do lar por medida judicial ou por ausência de referência que assegure proteção.
(__)Atividades em grupos etários que estimulam a socialização e complementam o trabalho desenvolvido com as famílias no território.

Assinale a alternativa que apresenta a associação correta, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4323156 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) estabelece disposições relacionadas à caracterização da deficiência e aos procedimentos aplicáveis à sua avaliação. Considerando essas disposições, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I.Quando necessária, a avaliação da deficiência será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando, entre outros aspectos, fatores socioambientais, psicológicos e pessoais.
PORQUE
II.A aferição da deficiência não se esgota na constatação clínica de um impedimento de longo prazo, uma vez que sua caracterização jurídica depende também da análise das repercussões funcionais e contextuais que, em interação com barreiras, podem restringir a participação da pessoa em igualdade de condições com as demais.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4323155 Direito Constitucional
A equipe de uma secretaria municipal responsável pela política de assistência social preparou material de educação permanente para esclarecer aos servidores recém-nomeados qual a posição dessa política no arranjo da seguridade social desenhado pela Constituição Federal de 1988. Considerando esse desenho constitucional, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4323154 Serviço Social
A coordenação de proteção social básica de um município revisou com as equipes os dispositivos da Lei Orgânica da Assistência Social que estruturam os objetivos da política, o benefício assistencial e as unidades públicas responsáveis pela oferta dos serviços. Acerca do assunto, registre V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:
(__)O benefício de prestação continuada garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e à pessoa idosa com sessenta e cinco anos ou mais que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família.
(__)O Centro de Referência Especializado de Assistência Social é a unidade pública municipal de base territorial implantada nas áreas de maior vulnerabilidade e risco social para executar o serviço de proteção e atendimento integral à família.
(__)A vigilância socioassistencial figura entre os objetivos da assistência social e volta-se a analisar territorialmente a capacidade protetiva das famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos.
(__)A gestão das ações e dos recursos da assistência social organiza-se sob a forma de sistema centralizado no âmbito federal, ao qual pertence a execução direta dos serviços de proteção social básica.

Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
Alternativas
Q4323153 Estatuto da Pessoa Idosa - Lei nº 10.741 de 2003
A saída da pessoa idosa de sua residência para uma unidade de moradia coletiva costuma ocorrer em contextos de fragilidade social, e a oferta desse tipo de proteção obedece a parâmetros próprios, que delimitam tanto o público a ser atendido quanto o modo de organizar o dia a dia da unidade. À luz desses parâmetros, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
201: D
202: E
203: A
204: C
205: A
206: B
207: D
208: C
209: C
210: A
211: C
212: B
213: B
214: C
215: B
216: B
217: A
218: A
219: D
220: D