Comumente, inteligência artificial (IA) é relacionada com
a imagem de robôs que pensam e agem como humanos, numa
analogia às cenas clássicas dos filmes de ficção científica. Porém,
mesmo com muitos avanços no desenvolvimento de “substitutos”
para os humanos, diversas outras formas de IA bem mais
discretas já fazem parte da rotina de pessoas por todo o mundo.
A IA se caracteriza por sistemas de machine learning,
que, em uma explicação simples, são algoritmos treinados a partir
de uma grande base de dados. Exemplos desses algoritmos no
cotidiano são os sistemas de busca, que consideram o histórico de
preferências do usuário para oferecer melhores resultados em
aplicativos que calculam rotas e que são capazes de sugerir o
melhor caminho de volta para casa em um dia de trânsito
complicado. Toda vez que você tem a impressão de que a
máquina leu seus pensamentos ou antecipou uma necessidade
sua, você provavelmente está diante de um sistema de IA.
A advogada Thays Joana Tumelero, especialista em
proteção de dados e privacidade, explica que atualmente o
Poder Judiciário brasileiro utiliza recursos de inteligência
artificial para fins mais simples, como a leitura de documentos e
a classificação de processos. Isso evita o trabalho repetitivo de
dezenas ou centenas de servidores, mas representa apenas parte
do que as máquinas são capazes de fazer. No sistema elaborado
pelo STJ, por exemplo, os algoritmos verificam o assunto e
classificam os processos que entram no tribunal, agilizando a fase
de distribuição.
Sistemas de inteligência artificial que extrapolam a
simples promoção de agilidade na tramitação de processos já têm
sido questionados, do ponto de vista legal e também ético, em
diversas partes do mundo. Isso porque, se os algoritmos são
capazes de ler processos e sugerir classificações e procedimentos,
eles também podem ser usados para estudar padrões de decisão
dos magistrados e apontar tendências em ações específicas.
Tumelero também acredita que a transformação digital é
um movimento inevitável nas organizações. Mas, ao contrário
das previsões apocalípticas que apontam uma total substituição
do trabalho dos operadores do direito pela mão de obra de robôs,
Thays aposta em um cenário no qual homem e máquina se
complementam: “Nenhuma solução tecnológica vem com
criatividade, sensibilidade e ética. Esses são elementos comuns
aos operadores do direito que a inteligência artificial não é capaz
de substituir”, conclui.
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