Questões de Concurso
Sobre teorias e práticas para o ensino de língua portuguesa em pedagogia
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A prática de análise linguística/semiótica, tal como concebida para os Anos Iniciais, distingue-se do ensino tradicional de gramática. Analise as afirmativas a seguir:
I.A análise linguística articula-se às práticas de leitura e de produção de textos, tomando o texto como unidade de ensino e a reflexão sobre a língua a serviço dos sentidos produzidos.
II.A reflexão sobre os recursos linguísticos e semióticos abrange aspectos notacionais e gramaticais, mas os subordina à compreensão e à produção de textos em situações reais de uso.
III.A análise linguística consiste na aplicação prévia das regras da norma-padrão a frases descontextualizadas, das quais o texto constitui posterior campo de exercício.
É correto o que se afirma em:
Segundo os estudos sobre a psicogênese da língua escrita, uma criança escreve utilizando algumas sílabas representadas por mais de uma letra, enquanto outras permanecem representadas por apenas uma letra, evidenciando uma transição entre diferentes formas de compreensão do sistema de escrita.
Após a leitura e a análise do trecho acima, podemos afirmar que ele caracteriza o nível:
I. Deve envolver etapas que possibilitem ao estudante planejar o texto e revisá-lo. II. Recomenda que o estudante seja ensinado a incorporar, sistematicamente, a prática de elaborar um rascunho para seu texto. III. Opõe-se à concepção segundo a qual a escrita é compreendida como um “dom”. IV. Precisa garantir um momento de revisão do texto, centrado no trabalho de correção gramatical e ortográfica.
Está CORRETO o que se afirma:
Em uma situação de ensino, a professora encaminhou a realização de uma atividade envolvendo a prática da entrevista pelos alunos, atividade esta que deveria ocorrer na própria sala de aula e na presença dos colegas da classe.
A partir desse contexto, analise as assertivas a seguir.
I- Expressar-se em situação de intercâmbio oral com clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, boa articulação e ritmo adequado correspondem a uma das habilidades a ser desenvolvida nos anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente no componente curricular Língua Portuguesa.
II- A entrevista não é uma prática ou recurso didático indicado para o desenvolvimento das habilidades vinculadas ao campo de atuação “Oralidade”, apontado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)-Anos Iniciais do Ensino Fundamental, no componente Língua Portuguesa.
III- A entrevista é uma atividade relevante para aprofundar o conhecimento e o uso da linguagem oral, as características das interações discursivas e as estratégias de fala e escuta em intercâmbios orais.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Texto para a questão
As concepções de linguagem e língua
A forma como o professor concebe a linguagem e a língua exerce influência decisiva sobre as práticas pedagógicas adotadas no ensino de Língua Portuguesa. Conforme argumenta Travaglia (2006), não se trata apenas de uma escolha teórica, mas de um posicionamento que afeta diretamente a organização do trabalho didático e a relação entre ensino, aprendizagem e uso da língua. Nesse sentido, a concepção de linguagem assumida pelo docente orienta tanto o lugar atribuído à gramática quanto os objetivos do ensino da língua materna.
No campo dos estudos linguísticos, destacam-se três concepções de linguagem recorrentemente discutidas. A primeira entende a linguagem como expressão do pensamento, subordinando a organização linguística à capacidade individual de estruturar logicamente ideias. Nessa perspectiva, dificuldades de expressão são interpretadas como falhas do pensamento, o que sustenta práticas de ensino fortemente normativas e prescritivas, centradas na correção gramatical e na valorização de um modelo considerado culto.
A segunda concepção compreende a linguagem como instrumento de comunicação, concebendo-a como um código compartilhado entre emissor e receptor. Embora essa visão reconheça a função comunicativa da língua, ela tende a tratá-la de forma abstrata e descontextualizada, privilegiando o funcionamento interno do sistema linguístico e reduzindo o papel do sujeito e das condições sociais de uso.
Já a terceira concepção entende a linguagem como forma ou processo de interação. Nessa perspectiva, a língua é vista como prática social situada, na qual os sujeitos constroem sentidos na interação, em contextos históricos e ideológicos específicos. Essa concepção fundamenta abordagens de ensino mais alinhadas às demandas contemporâneas, pois articula gramática, uso e sentido, reconhecendo a importância da norma-padrão sem dissociá-la das práticas efetivas de linguagem.
Assim, o debate não se coloca entre ensinar ou não ensinar gramática, mas em como ensiná-la. O ensino da gramática, quando orientado por uma concepção interacionista de linguagem, deixa de ser mera reprodução de metalinguagem e passa a constituir um instrumento para ampliar a competência comunicativa dos alunos, permitindo-lhes compreender e atuar de forma crítica nas diferentes situações de uso da língua.
Texto adaptado de TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2006.
Texto para a questão
As concepções de linguagem e língua
A forma como o professor concebe a linguagem e a língua exerce influência decisiva sobre as práticas pedagógicas adotadas no ensino de Língua Portuguesa. Conforme argumenta Travaglia (2006), não se trata apenas de uma escolha teórica, mas de um posicionamento que afeta diretamente a organização do trabalho didático e a relação entre ensino, aprendizagem e uso da língua. Nesse sentido, a concepção de linguagem assumida pelo docente orienta tanto o lugar atribuído à gramática quanto os objetivos do ensino da língua materna.
No campo dos estudos linguísticos, destacam-se três concepções de linguagem recorrentemente discutidas. A primeira entende a linguagem como expressão do pensamento, subordinando a organização linguística à capacidade individual de estruturar logicamente ideias. Nessa perspectiva, dificuldades de expressão são interpretadas como falhas do pensamento, o que sustenta práticas de ensino fortemente normativas e prescritivas, centradas na correção gramatical e na valorização de um modelo considerado culto.
A segunda concepção compreende a linguagem como instrumento de comunicação, concebendo-a como um código compartilhado entre emissor e receptor. Embora essa visão reconheça a função comunicativa da língua, ela tende a tratá-la de forma abstrata e descontextualizada, privilegiando o funcionamento interno do sistema linguístico e reduzindo o papel do sujeito e das condições sociais de uso.
Já a terceira concepção entende a linguagem como forma ou processo de interação. Nessa perspectiva, a língua é vista como prática social situada, na qual os sujeitos constroem sentidos na interação, em contextos históricos e ideológicos específicos. Essa concepção fundamenta abordagens de ensino mais alinhadas às demandas contemporâneas, pois articula gramática, uso e sentido, reconhecendo a importância da norma-padrão sem dissociá-la das práticas efetivas de linguagem.
Assim, o debate não se coloca entre ensinar ou não ensinar gramática, mas em como ensiná-la. O ensino da gramática, quando orientado por uma concepção interacionista de linguagem, deixa de ser mera reprodução de metalinguagem e passa a constituir um instrumento para ampliar a competência comunicativa dos alunos, permitindo-lhes compreender e atuar de forma crítica nas diferentes situações de uso da língua.
Texto adaptado de TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. 11. ed. São Paulo: Cortez, 2006.
À luz das orientações da BNCC para o ensino de gramática, essa prática pedagógica evidencia uma concepção segundo a qual:
Considerando as orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o ensino de gramática, essa prática pedagógica caracteriza-se, sobretudo, por: