Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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Leia o texto para responder à questão.
Auxiliar de transporte
O Movimento Maio Amarelo está completando dez anos. Uma década de ousadia de convocar toda a sociedade a refletir sobre um tema que quase ninguém, até então, havia parado para pensar. Ousadia de querer mobilizar um País inteiro, que no início do movimento já passava de 200 milhões de habitantes. E de acreditar que uma ONG pudesse ser ouvida e acreditada na proposta de alertar a todos que a dura e cruel realidade de mortes e feridos diariamente no trânsito poderia mudar.
Nascia, em 2014, o que hoje já é considerada a maior mobilização social em torno da causa segurança no trânsito. A maioria das pessoas se identifica com o propósito do movimento e sua missão de salvar vidas no trânsito. Essa identificação acontece porque a maioria dos brasileiros conhece ou teve algum familiar que sofreu um acidente, mas poucos cidadãos param para pensar em como poderiam ajudar a melhorar os índices, que continuam, como em 2014, estarrecedores: 88 pessoas morrem todo dia no Brasil.
Alertamos muitos brasileiros que suas atitudes fazem toda a diferença para trazer mais segurança viária para toda a sociedade. Esse propósito foi facilmente incorporado, no início, pelos órgãos gestores, e, em seguida, por outras ONGs que também trabalhavam na conscientização do cidadão comum com o objetivo de que o Brasil saia do ranking dos países mais violentos no trânsito do mundo. Quando o cidadão se depara com os números de acidentes de trânsito no Brasil e entende que nenhuma guerra mata mais do que nosso trânsito, ele compreendeu a mensagem do Maio Amarelo: tenha atenção pela vida.
Nesta celebração de dez anos, nosso desejo é que cada pessoa faça do mês de maio o ponto de partida para que péssimos hábitos sejam transformados, como se distrair no trânsito com o celular, não usar ou mesmo deixar de cobrar do outro o uso do cinto no banco traseiro e do passageiro, exceder os limites de velocidade, ou, ainda mais grave, beber álcool e dirigir. É urgente que se mudem comportamentos, para sermos exemplos de atenção pela vida!
(Embaixador Paulo Guimarães CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária. O Estado de S.Paulo, 26 de abril de 2023. Adaptado)
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Auxiliar de transporte
O Movimento Maio Amarelo está completando dez anos. Uma década de ousadia de convocar toda a sociedade a refletir sobre um tema que quase ninguém, até então, havia parado para pensar. Ousadia de querer mobilizar um País inteiro, que no início do movimento já passava de 200 milhões de habitantes. E de acreditar que uma ONG pudesse ser ouvida e acreditada na proposta de alertar a todos que a dura e cruel realidade de mortes e feridos diariamente no trânsito poderia mudar.
Nascia, em 2014, o que hoje já é considerada a maior mobilização social em torno da causa segurança no trânsito. A maioria das pessoas se identifica com o propósito do movimento e sua missão de salvar vidas no trânsito. Essa identificação acontece porque a maioria dos brasileiros conhece ou teve algum familiar que sofreu um acidente, mas poucos cidadãos param para pensar em como poderiam ajudar a melhorar os índices, que continuam, como em 2014, estarrecedores: 88 pessoas morrem todo dia no Brasil.
Alertamos muitos brasileiros que suas atitudes fazem toda a diferença para trazer mais segurança viária para toda a sociedade. Esse propósito foi facilmente incorporado, no início, pelos órgãos gestores, e, em seguida, por outras ONGs que também trabalhavam na conscientização do cidadão comum com o objetivo de que o Brasil saia do ranking dos países mais violentos no trânsito do mundo. Quando o cidadão se depara com os números de acidentes de trânsito no Brasil e entende que nenhuma guerra mata mais do que nosso trânsito, ele compreendeu a mensagem do Maio Amarelo: tenha atenção pela vida.
Nesta celebração de dez anos, nosso desejo é que cada pessoa faça do mês de maio o ponto de partida para que péssimos hábitos sejam transformados, como se distrair no trânsito com o celular, não usar ou mesmo deixar de cobrar do outro o uso do cinto no banco traseiro e do passageiro, exceder os limites de velocidade, ou, ainda mais grave, beber álcool e dirigir. É urgente que se mudem comportamentos, para sermos exemplos de atenção pela vida!
(Embaixador Paulo Guimarães CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária. O Estado de S.Paulo, 26 de abril de 2023. Adaptado)
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Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente que vislumbra a fase adulta, é possível que aos seus responsáveis reste uma sensação oposta, de um mundo com menos brilho do que havia antes de os filhos crescerem. E não precisa nem que o tal ninho vazio se concretize — muitas vezes, a dor já começa antes.
A educadora e pesquisadora do comportamento adolescente Carolina Delboni diz que, para muitos pais, a sensação nessa fase da vida é de que perderam os filhos. “E, como os pais não sabem se relacionar com essa ‘perda’, muitas vezes eles acabam se relacionando pela raiva”, afirma. Com isso, a distância em casa só aumenta: adultos num canto, magoados, e os jovens no outro, se sentindo incompreendidos e buscando compreensão lá fora.
Também é papel dos pais, segundo Delboni, quebrar os estereótipos da adolescência — evitar cair na tentação, por exemplo, de acusar os filhos de serem lacônicos, de não saírem do quarto e do celular, ou de dizer que conversar com eles é impossível. “A gente tem o costume de rebater tudo o que vem do universo adolescente, de dizer que é coisa fútil, de chamar a música que eles gostam de ruim, de falar que o lugar que eles escolheram para ir passear não é o melhor etc. Sempre temos algo a dizer que mostra que eles deveriam estar fazendo diferente”, afirma a pesquisadora.
Para ela, este hábito “corta todos os vínculos” com o jovem. “O que isso vai acrescentar às relações? Nada. Não vai melhorar o vínculo, pelo contrário, e ainda não vai tirar ele dali do celular. Por outro lado, você já experimentou perguntar o que ele está vendo? Pode ser que ele não mostre, mas você fez uma pergunta, demonstrou interesse. Nesse cotidiano, estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do seu lugar em vez de nos deslocarmos para o canto dele, sem reclamar”.
(Marcella Franco. Estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do seu lugar, diz educadora. Folha de S. Paulo, 12.10.2023. Adaptado)
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Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
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Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
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Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
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Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
Leia o texto para responder à questão.
Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
Leia a tira para responder à questão.

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A criança está com raiva? Respire fundo
Todos os que já tiveram a oportunidade ou a responsabilidade de conviver com crianças sabem que as emoções que elas experimentam são bastante intensas. Quem já não testemunhou uma criança com raiva? É sempre bom lembrar que o motivo para desencadear a raiva pode ser, na visão do adulto, banal. Mas para a criança, nunca é.
Não faz muito tempo que o trabalho com as emoções das crianças tem sido considerado parte importante da formação delas, tanto para a família quanto para a escola. Expressões como “inteligência emocional” e “habilidades socioemocionais” já soam familiares a pais e educadores profissionais e até são consideradas prioridade nos tempos atuais.
O que acontece no momento em que a criança apresenta uma crise de birra, por exemplo? As emoções tomam conta dela a tal ponto que se descontrola globalmente. O que era emoção vai ao ato e se transforma em comportamento raivoso. Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive. Aí está: as emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.
Uma criança bem pequena sente raiva do irmão que acabou de nascer e rouba o tempo da mãe, que antes era só dela; a reação foi a de tentar bater no bebê. A mãe, atenta, interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha: “Você está com ciúme e raiva de seu irmão, mas não pode bater nele. Quando isso acontecer novamente, bate nesta almofada”.
Genial a reação dessa mãe, por dois motivos: primeiro, traduziu em palavras as emoções que a filha, de 2 anos, estava experimentando, o que colabora para o autoconhecimento; segundo, porque intuiu que nessa idade ainda é difícil conter uma reação comportamental, ou seja, controlar-se, por isso ela trocou o objeto para diminuir o risco de a filha tentar bater no bebê. Para ela, funcionou.
Em qualquer ação educativa, é preciso respeitar a criança e/ou o adolescente e agir de modo digno, justo e amoroso com os mais novos.
(Rosely Sayão. O Estado de S.Paulo, 30 de abril de 2023. Adaptado)
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A criança está com raiva? Respire fundo
Todos os que já tiveram a oportunidade ou a responsabilidade de conviver com crianças sabem que as emoções que elas experimentam são bastante intensas. Quem já não testemunhou uma criança com raiva? É sempre bom lembrar que o motivo para desencadear a raiva pode ser, na visão do adulto, banal. Mas para a criança, nunca é.
Não faz muito tempo que o trabalho com as emoções das crianças tem sido considerado parte importante da formação delas, tanto para a família quanto para a escola. Expressões como “inteligência emocional” e “habilidades socioemocionais” já soam familiares a pais e educadores profissionais e até são consideradas prioridade nos tempos atuais.
O que acontece no momento em que a criança apresenta uma crise de birra, por exemplo? As emoções tomam conta dela a tal ponto que se descontrola globalmente. O que era emoção vai ao ato e se transforma em comportamento raivoso. Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive. Aí está: as emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.
Uma criança bem pequena sente raiva do irmão que acabou de nascer e rouba o tempo da mãe, que antes era só dela; a reação foi a de tentar bater no bebê. A mãe, atenta, interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha: “Você está com ciúme e raiva de seu irmão, mas não pode bater nele. Quando isso acontecer novamente, bate nesta almofada”.
Genial a reação dessa mãe, por dois motivos: primeiro, traduziu em palavras as emoções que a filha, de 2 anos, estava experimentando, o que colabora para o autoconhecimento; segundo, porque intuiu que nessa idade ainda é difícil conter uma reação comportamental, ou seja, controlar-se, por isso ela trocou o objeto para diminuir o risco de a filha tentar bater no bebê. Para ela, funcionou.
Em qualquer ação educativa, é preciso respeitar a criança e/ou o adolescente e agir de modo digno, justo e amoroso com os mais novos.
(Rosely Sayão. O Estado de S.Paulo, 30 de abril de 2023. Adaptado)
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Os benefícios das aulas de música são vistos desde os primeiros anos escolares. A música é reconhecida por muitos pesquisadores como uma modalidade que desenvolve a mente humana, promove o equilíbrio, proporcionando um estado agradável de bem-estar, facilitando a concentração e o desenvolvimento do raciocínio, em especial em questões reflexivas voltadas para o pensamento filosófico.
Segundo estudos realizados por pesquisadores alemães, pessoas que analisam tons musicais apresentam área do cérebro 25% maior em comparação aos indivíduos que não desenvolvem trabalho com música, bem como aos que estudaram as notas musicais e as divisões rítmicas, obtiveram notas 100% maiores que os demais colegas em relação a um determinado conteúdo de matemática.
A valorização do contato da criança com a música já era existente há tempos. Platão dizia que “a música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”.
Hoje é perfeitamente compreensível essa visão apresentada por Platão, visto que a música treina o cérebro para formas relevantes de raciocínio.
Eis uma reflexão para pais e educadores incentivarem a criança a estudar música.
(Elen Campos Caiado. Equipe Brasil Escola. mentemusical.com.br. Adaptado)
Leia a tirinha.

Da leitura, é correto concluir que
Leia o texto para responder à questão.
A caverna conectada
Sócrates explicava: “Imagine que todos os homens vivam em um mundo escuro, fracamente iluminado pelos seus smartphones. Tudo o que sabem das formas vem pela luz das telas. É uma imensa caverna onde só podem contemplar seus aparelhos”.
Glauco começava a conceber o ambiente. Pela luz dos aparelhos, passavam imagens refletidas, pequenos vídeos, dancinhas, notícias falsas e trends*. Os moradores da caverna nunca viram o mundo, apenas suas telas iluminadas. Eles foram sendo adestrados a usar o indicador e passar adiante, sem análise. Na caverna, as coisas só existem se postadas. “Que coisa terrível!”, comentava Glauco. “Que vida medonha essas pessoas levariam!” “Sim!”, disse o sábio calvo, “se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que veem, pensariam nomear seres reais?”. O discípulo consentiu.
"Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho e saísse para o mundo real. Seria um caminho árduo até lá fora. Em um primeiro instante, os olhos doeriam diante da luz real. Enfim, uma pessoa liberta veria o Sol do real e não mais mensagens com imagens (e um texto com emojis).”
O filósofo continuava a incentivar que Glauco navegasse na alegoria. “E se a pessoa que viu o mundo real voltasse para a caverna e começasse a dizer dos objetos concretos, mas não mais do critério do real dado por likes e seguidores? ‘Existe um mundo fora do algoritmo’, diria o ser iluminado. É possível comer sem fotografar e ver o mar sem postar. O que vemos são simulacros, representações. Há algo lá fora!”
O jovem Glauco amou a história. Imaginou com o mestre que o ser “iluminado” pelo Sol real seria desacreditado pelos outros habitantes da funda caverna. Sofreria até violência real. Que aula Sócrates tinha dado! Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador e pediu uma selfie. Queria publicar no horário que lhe ensinaram a ter mais visualizações. Saiu da casa feliz. “O post sobre a prisão das redes está bombando!”, comentou Glauco, impactado com a sabedoria filosófica daquela república. Melhorou a luz da foto, colocou uma música e pronto! Agora tinha esperança de viralizar nas redes!
(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 8 de julho de 2022.Adaptado)
*Trends: tendências.
Observe a seguinte passagem do texto:
“Agora imagine, caro, se um deles decidisse desligar o aparelho...
Assinale a alternativa em que a reescrita da passagem, substituindo-se as formas verbais e mantendo-se, correta e respectivamente, os mesmos tempos verbais da frase apresentada, está correta.
Leia a crônica para responder à questão.
Fiscais de barriga
Confesso: nos últimos tempos engordei. Não, não virei uma bola de boliche, mas esses últimos quilos se concentraram na barriga. Todos eles. Tornei-me o alvo ideal para um tipo que virou uma praga na vida urbana. É o fiscal de barriga. Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. Você se encontra com o tipo, ele abre um sorriso até as orelhas e tasca:
– Engordou, hein?!
Todo fofo sabe quando e quanto subiu de peso. Quem nunca observou uma pessoa volumosa aferindo os gramas numa balança de farmácia? Primeiro sobe, com expressão de esperança. Ao observar o marcador implacável, o rosto se contorce entre dúvida e desespero. Algumas tiram o casaco, como se um reles objeto pudesse pesar os 5 ou 10 quilos extras apontados. Suspira fundo e olha o marcador novamente.
Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria:
– Balança de farmácia não presta!!
E sai à procura de outra.
O fiscal de barriga só serve para acrescentar fel1 à vida dos outros. Conheço um, diretor de teatro, com a silhueta elegante como um balde. Deveria ficar quieto, mas mede o peso de cada um com olhos argutos2:
– Quando fomos almoçar juntos, você estava bem mais magro.
– Que é isso? Eu já estava gordinho – defendo-me.
– Não, não... agora você está pior – contesta satisfeito.
Na fofura e na magreza, sempre haverá um fiscal para comentar que, depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final:
– Só falo porque sou seu amigo.
Que ninguém acredite na expressão de solidariedade. Torturar o próximo, eis seu maior prazer.
(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 06.11.1996. Adaptado)
1 fel: amargura, azedume.
2 argutos: muito atentos.
“se eles pudessem conversar, não acha que...” (2º parágrafo)
...mas não mais do critério do real dado por likes... (4º parágrafo)
Sofreria até violência real. (5º parágrafo)
As palavras em destaque estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de:
... fracamente iluminado... (1º parágrafo)
... só podem contemplar... (1º parágrafo)
Enfim, uma pessoa liberta veria ... (3º parágrafo)
Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador... (5º parágrafo)
As expressões destacadas expressam, correta e respectivamente, sentido de: