No 4º parágrafo, o vocábulo ‘almejar’ tem como sinônimo, no ...
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Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
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Gabarito comentado
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: “Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente.” Nesse trecho, ‘almejar’ significa ter como objetivo ou desejar determinado resultado. Como ‘desejar’ preserva esse sentido e mantém a rejeição da dependência como finalidade da psicoterapia, a alternativa correta é C.
- Substitua o verbo na oração completa e verifique se permanece a mesma ideia de resultado pretendido.
- Considere a negação: não desejar algo é diferente de não dispensá-lo.
- Distinga desejar um resultado de impô-lo, atraí-lo ou produzi-lo.
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Almejar = desejar = querer muito = aspirar a algo.
Almejar um cargo público = desejar um cargo público.
Eliminando:
obrigar = forçar
dispensar = liberar/afastar
desejar = almejar
atrair = chamar
elaborar = criar
Alternativa C — “desejar”.
Nesse contexto, almejar significa desejar, aspirar ou ter como objetivo alcançar algo.
Portanto, o autor defende que a psicoterapia não deve ter como objetivo fazer com que o paciente se torne dependente do terapeuta.
Por que as outras alternativas estão erradas?
- A) Obrigar: significa forçar alguém a fazer algo.
- B) Dispensar: significa deixar de precisar de algo ou de alguém.
- C) Desejar: correta! É sinônimo de almejar nesse contexto.
- D) Atrair: significa chamar a atenção ou despertar interesse.
- E) Elaborar: significa preparar, desenvolver ou produzir algo.
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