De acordo com Rosely Sayão,

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Q4194454 Português

Leia o texto para responder à questão.


A criança está com raiva? Respire fundo


    Todos os que já tiveram a oportunidade ou a responsabilidade de conviver com crianças sabem que as emoções que elas experimentam são bastante intensas. Quem já não testemunhou uma criança com raiva? É sempre bom lembrar que o motivo para desencadear a raiva pode ser, na visão do adulto, banal. Mas para a criança, nunca é.


    Não faz muito tempo que o trabalho com as emoções das crianças tem sido considerado parte importante da formação delas, tanto para a família quanto para a escola. Expressões como “inteligência emocional” e “habilidades socioemocionais” já soam familiares a pais e educadores profissionais e até são consideradas prioridade nos tempos atuais.


    O que acontece no momento em que a criança apresenta uma crise de birra, por exemplo? As emoções tomam conta dela a tal ponto que se descontrola globalmente. O que era emoção vai ao ato e se transforma em comportamento raivoso. Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive. Aí está: as emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.


    Uma criança bem pequena sente raiva do irmão que acabou de nascer e rouba o tempo da mãe, que antes era só dela; a reação foi a de tentar bater no bebê. A mãe, atenta, interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha: “Você está com ciúme e raiva de seu irmão, mas não pode bater nele. Quando isso acontecer novamente, bate nesta almofada”.


    Genial a reação dessa mãe, por dois motivos: primeiro, traduziu em palavras as emoções que a filha, de 2 anos, estava experimentando, o que colabora para o autoconhecimento; segundo, porque intuiu que nessa idade ainda é difícil conter uma reação comportamental, ou seja, controlar-se, por isso ela trocou o objeto para diminuir o risco de a filha tentar bater no bebê. Para ela, funcionou.


    Em qualquer ação educativa, é preciso respeitar a criança e/ou o adolescente e agir de modo digno, justo e amoroso com os mais novos.


(Rosely Sayão. O Estado de S.Paulo, 30 de abril de 2023. Adaptado) 

De acordo com Rosely Sayão,
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O trecho “Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive.” usa “isso” para retomar a transformação da emoção em comportamento raivoso. A retomada inclui os adultos nessa ocorrência e impede restringir a eles menos que às crianças a necessidade de aprendizado.

Tema central: Aprendizado do controle das reações
Análise das alternativas
A
Errada
Inverte os pontos de vista. O motivo da raiva pode parecer banal ao adulto, mas o texto nega expressamente essa avaliação na perspectiva infantil: “Mas para a criança, nunca é.”
B
Errada
Acrescenta uma informação sem sustentação textual. O segundo parágrafo afirma que expressões relacionadas à educação emocional são familiares a pais e educadores; essa familiaridade não comprova que frequentem cursos.
C
Certa
A alternativa C expressa a inferência de que o adulto precisa aprender a conter a reação raivosa. A tentativa de bater no bebê oferece apoio contextual à referência à violência. Controlar a reação não significa deixar de sentir raiva, mas evitar sua manifestação agressiva.
D
Errada
Transforma em inevitável uma passagem que o texto apresenta como controlável. A autora afirma que as emoções não precisam necessariamente se converter em atos e que evitar essa transformação exige aprendizado, contrariando a ideia de que ações violentas ocorreriam mesmo com ele.
E
Errada
Confunde limitar a agressão com punir a emoção. A mãe reconhece a raiva da filha, impede que ela bata no bebê e oferece outra forma de reação. O texto não classifica a raiva como sentimento que deva ser punido nem recomenda punição por sua manifestação.
Pegadinha da questão
Embora trate principalmente de crianças, o texto inclui expressamente os adultos no problema do comportamento raivoso. Ignorar essa inclusão pode levar à rejeição de C, que apresenta uma inferência autorizada, e não uma reprodução literal.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o que pronomes como “isso” retomam e verifique a quem essa retomada se aplica.
  • Diferencie inferências sustentadas por relações do texto de informações apenas possíveis: familiaridade com um tema não comprova participação em cursos.
  • Observe a perspectiva atribuída a cada avaliação: considerar o motivo banal é uma possibilidade do olhar adulto, não do infantil.
  • Separe emoção e comportamento: reconhecer a raiva não autoriza a agressão, e controlar a reação não significa eliminar o sentimento.

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Comentários

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“As emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.”

E logo depois:

“Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive.”

A ideia é que adultos também precisam aprender a lidar com as emoções para evitar que elas se transformem em comportamentos agressivos/violentos.

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