De acordo com Rosely Sayão,
Leia o texto para responder à questão.
A criança está com raiva? Respire fundo
Todos os que já tiveram a oportunidade ou a responsabilidade de conviver com crianças sabem que as emoções que elas experimentam são bastante intensas. Quem já não testemunhou uma criança com raiva? É sempre bom lembrar que o motivo para desencadear a raiva pode ser, na visão do adulto, banal. Mas para a criança, nunca é.
Não faz muito tempo que o trabalho com as emoções das crianças tem sido considerado parte importante da formação delas, tanto para a família quanto para a escola. Expressões como “inteligência emocional” e “habilidades socioemocionais” já soam familiares a pais e educadores profissionais e até são consideradas prioridade nos tempos atuais.
O que acontece no momento em que a criança apresenta uma crise de birra, por exemplo? As emoções tomam conta dela a tal ponto que se descontrola globalmente. O que era emoção vai ao ato e se transforma em comportamento raivoso. Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive. Aí está: as emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.
Uma criança bem pequena sente raiva do irmão que acabou de nascer e rouba o tempo da mãe, que antes era só dela; a reação foi a de tentar bater no bebê. A mãe, atenta, interveio antes que o ato ocorresse e disse à filha: “Você está com ciúme e raiva de seu irmão, mas não pode bater nele. Quando isso acontecer novamente, bate nesta almofada”.
Genial a reação dessa mãe, por dois motivos: primeiro, traduziu em palavras as emoções que a filha, de 2 anos, estava experimentando, o que colabora para o autoconhecimento; segundo, porque intuiu que nessa idade ainda é difícil conter uma reação comportamental, ou seja, controlar-se, por isso ela trocou o objeto para diminuir o risco de a filha tentar bater no bebê. Para ela, funcionou.
Em qualquer ação educativa, é preciso respeitar a criança e/ou o adolescente e agir de modo digno, justo e amoroso com os mais novos.
(Rosely Sayão. O Estado de S.Paulo, 30 de abril de 2023. Adaptado)
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Gabarito: C
Fundamento decisivo: O trecho “Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive.” usa “isso” para retomar a transformação da emoção em comportamento raivoso. A retomada inclui os adultos nessa ocorrência e impede restringir a eles menos que às crianças a necessidade de aprendizado.
- Identifique o que pronomes como “isso” retomam e verifique a quem essa retomada se aplica.
- Diferencie inferências sustentadas por relações do texto de informações apenas possíveis: familiaridade com um tema não comprova participação em cursos.
- Observe a perspectiva atribuída a cada avaliação: considerar o motivo banal é uma possibilidade do olhar adulto, não do infantil.
- Separe emoção e comportamento: reconhecer a raiva não autoriza a agressão, e controlar a reação não significa eliminar o sentimento.
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Comentários
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“As emoções não precisam, necessariamente, se transformar em atos. Mas para que isso possa acontecer é preciso um aprendizado.”
E logo depois:
“Hoje, não é incomum observarmos isso em adultos, inclusive.”
A ideia é que adultos também precisam aprender a lidar com as emoções para evitar que elas se transformem em comportamentos agressivos/violentos.
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