O autor do texto afirma que a idealização dos profissionais ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4194589 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.


    Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.


    A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.


    Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.


    Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.


(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

O autor do texto afirma que a idealização dos profissionais de saúde em geral
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: E

Fundamento decisivo: “É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.” A oposição introduzida por “mas” preserva a avaliação favorável da confiança apesar do possível excesso; por isso, a ressalva não invalida a alternativa E.

Tema central: Idealização e confiança no tratamento
Análise das alternativas
A
Errada
Classificar a idealização, em geral, como indesejável contraria a afirmação de que a confiança associada a ela é útil, mesmo quando excessiva. A crítica posterior à dependência na psicoterapia não elimina essa utilidade inicial.
B
Errada
A alternativa atribui à idealização uma dificuldade de comunicação que o texto não apresenta. Não há sustentação textual para afirmar que ela impeça conversas abertas entre paciente e profissional.
C
Errada
A primeira parte reconhece um benefício, mas a segunda acrescenta uma consequência sem apoio textual: a falta de confiança nos efeitos dos remédios. O segundo parágrafo associa a confiança no médico ao aumento provável das chances de eficácia do medicamento, não à desconfiança.
D
Errada
A expressão “mesmo que o remédio prescrito esteja errado” contradiz a exigência explícita: “Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo.” A confiança pode favorecer o tratamento, mas não dispensa a prescrição adequada.
E
Certa
A alternativa E relaciona a idealização do conhecimento e da capacidade de cura do profissional à confiança depositada pelo paciente, conforme descrito no primeiro parágrafo. Trata-se de uma contribuição, não de garantia de cura nem de substituição da prescrição correta.
Pegadinha da questão
Confundir a crítica à dependência permanente do psicoterapeuta com uma rejeição geral da idealização e da confiança inicial. Outra armadilha é aceitar uma alternativa parcialmente verdadeira sem conferir o acréscimo que ela faz, como a desconfiança nos remédios ou a possibilidade de compensar uma prescrição errada.
Dica para questões semelhantes
  • Observe o que a oposição introduzida por “mas” preserva: aqui, a ressalva sobre o excesso não anula a utilidade da confiança.
  • Diferencie contribuição para o resultado de garantia de sucesso: a confiança não elimina a exigência do remédio certo.
  • Confira todas as partes da alternativa; um início compatível com o texto não valida uma consequência acrescentada sem apoio.
  • Mantenha o alcance de cada crítica: a dependência permanente na psicoterapia não equivale à confiança inicial nos profissionais de saúde em geral.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

"Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione."

Gabarito E

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo