Questões de Concurso
Sobre geografia cultural em geografia
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Disponível em: https://www.todamateria.com.br/diversidade-cultural-no-brasil/. Acesso em: 1 ago. 2025.
“O problema de rupturas e de continuidade paradigmática aparece nitidamente em uma ciência como a geografia. No século XIX, a concepção de um conhecimento apoiado na descrição dos lugares, com ênfase nas relações de causalidade entre o homem e o meio, colocou a geografia sob a égide da análise regional: uma ciência empírica, descritiva e de síntese. Entre as décadas de 1950-1970, o embate entre a geografia quantitativa, a geografia cultural e a geografia crítica, em relação ao seu objeto de estudo, ainda ocupava o centro das preocupações. O reducionismo epistemológico não tardou em classificar essas abordagens em ‘quase-escolas’”, as quais são baseadas, respectivamente:
Carla: — Prima, ganhei uma panela elétrica de pressão novinha, posso comprar uma pra você de presente. Faz tudo sozinha: feijão, carne, arroz, até bolo! Agora quero tudo elétrico.
Raquel: — Pois na minha cozinha, eu desconfio de panela que não chia!
Carla: — Mas é mais segura, mais rápida, você não precisa ficar mexendo e ela desliga sozinha. Lá onde moro, é moda, por ser prática. Quem não tem está atrasado.
Raquel: — E onde fica o sabor do bacon e do alho fritinho? Panela elétrica não sabe o ponto do feijão que minha avó me ensinou.
A partir desse diálogo, o professor pode trabalhar o conteúdo da aula partindo dos pressupostos teóricos que configuram
“A glorificação do consumo acompanha-se da diminuição gradativa de outras sensibilidades, como a noção de individualidade, que, aliás, constitui um dos alicerces da cidadania. Enquanto constrói e alimenta um individualismo feroz e sem fronteiras, o consumo contribui ao aniquilamento da personalidade, sem a qual o homem não se reconhece como distinto, a partir da igualdade entre todos”.
A partir desse texto e considerando o assunto da conversa dos alunos no dia anterior, o professor trabalhou com os alunos o tema
( ) Uma possibilidade para a professora seria trabalhar o conceito de “lugar” na perspectiva histórico-dialética, segundo a qual “lugar” é compreendido nas suas particularidades e como expressão concreta da globalização, sendo definido como o espaço onde se manifestam tanto os impactos globais quanto as resistências locais, identitárias e subjetivas.
( ) A professora pode trabalhar o conceito de “lugar” na perspectiva da geografia humanística, em que “lugar” é compreendido como o espaço que se torna próximo e significativo para o indivíduo, um espaço vivido e experienciado, considerando tanto o comportamento geográfico quanto os sentimentos e ideias sobre o espaço e o lugar.
( ) A perspectiva pós-moderna é uma alternativa para a professora trabalhar o conceito de “lugar”, já que enfatiza a noção de totalidade, alinhando-se à concepção crítica e valorizando a razão como fundamento da explicação da realidade.
( ) A concepção do determinismo geográfico é uma possibilidade para a professora trabalhar o conceito de “lugar”, que é visto como um espaço humanizado, o qual expressa identidades coletivas e memórias sociais, sendo fundamental para compreender a diversidade das formas de viver e organizar o espaço.
As produções evidenciaram distintas formas de apreensão do espaço — umas mais voltadas à materialidade do lugar, outras associadas a experiências, memórias e relações sociais.
Com base nas concepções téoricas contemporâneas e conforme as orientações da Base Nacional Comum Curricular, é correto afirmar que:
Assinale a alternativa que corretamente completa a lacuna no excerto:
Leia, a seguir, sobre o conceito geográfico de região.
A região “integra lugares vividos e espaços sociais com um mínimo de coerência e de especificidade, que fazem dela um conjunto com uma estrutura própria (a combinação regional) e que a distinguem por certas representações na percepção dos habitantes ou dos estranhos (as imagens regionais). A região é menos nitidamente conhecida e percepcionada do que os lugares do quotidiano ou os espaços sociais da familiaridade. Mas, na organização do espaçotempo vivido, constitui um invólucro essencial antes do acesso a entidades muito mais abstratas, muito mais desconcertantes em relação ao hábito... Seria a região o espaço que podemos visitar sem nos sentirmos incomodados, um conjunto-regulação de nível superior na organização do espaço de vida e na percepção e valorização do espaço vivido?”
FRÉMONT, Armand. A região, espaço vivido. Coimbra: Livraria Almedina, 1980.
Assinale a alternativa correta que indica precisamente a escola de pensamento geográfico que está alinhada ao conceito de região do enunciado.
Assim, analise as afirmativas a seguir sobre os conceitos norteadores da Geografia:
I. Território, na perspectiva da Geografia Política e Crítica (influenciada por Raffestin), é definido como um espaço delimitado e controlado por relações de poder, sejam elas estatais (fronteiras), econômicas (zona de influência de uma empresa) ou simbólicas (território de um grupo cultural).
II. Paisagem refere-se à totalidade do espaço geográfico, incluindo os fluxos de informação, as redes invisíveis de capital e as relações sociais que o produzem, sendo, portanto, um sinônimo de espaço geográfico em sua completude.
III. Lugar, segundo a Geografia Humanística (como em Yi-Fu Tuan), é o espaço dotado de significado, vivência e afeto, sendo uma construção subjetiva e identitária que se opõe ao 'não-lugar' (espaços de passagem impessoais, como aeroportos).
Está correto o que se afirma em:
O meu lugar, é caminho de Ogum e Iansã, lá tem samba até de manhã, uma ginga em cada andar.
O verso da canção de Arlindo Cruz remete à presença de marcadores simbólicos na constituição do espaço vivido que remete:
(Adaptado de: HAESBAERT, Rogério. O mito da des-territorialização: do "fim dos territórios" à multiterritorialidade. 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. p. 312.)
A passagem exposta define a desterritorialização sob uma perspectiva crítica. Assinale a alternativa que indica a correta compreensão desse processo em relação aos grupos sociais mais excluídos:
SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel, 1987, p. 16-17.
Um dos elementos marcantes para a transformação do cidadão para um consumidor, na ótica de pensadores como Milton Santos, envolve a: