Questões de Concurso
Sobre o fazer filosófico em filosofia
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O positivismo como fundamento da geografia tradicional
I manifesta-se na redução da realidade ao mundo dos sentidos, circunscrevendo todo trabalho científico ao domínio da aparência dos fenômenos.
II baseia-se na concepção crítica à hierarquização das ciências, postulando a geografia como ciência de análise.
III sustenta a ideia da existência de um único método de interpretação, comum a todas as ciências, isto é, a não aceitação da diferença de qualidade entre o domínio das ciências humanas e o das ciências naturais.
IV priorizou a diversidade e a flexibilidade dos princípios elaborados ao longo do processo de constituição da disciplina.
Assinale a opção correta.
"A ideia de que os brancos podem tudo e que os outros povos têm que se adaptar a esse mundo é uma violência permanente. Não somos todos iguais, e essa ideia de humanidade homogênea é uma ficção. Os povos indígenas têm outras formas de habitar a Terra, outras formas de se relacionar com a vida, com o tempo, com os rios, com as montanhas. Talvez seja hora de suspender o céu que está caindo sobre nós e reconhecer que existem muitos mundos dentro deste mundo. Adiar o fim do mundo é também reconhecer a pluralidade das existências e respeitar outras maneiras de viver."
(KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras. Adaptado.)
A partir do excerto e considerando a filosofia brasileira e latino-americana, especialmente no que se refere às perspectivas decoloniais e às cosmovisões indígenas, analise as afirmativas a seguir:
I.A crítica à ideia de humanidade homogênea implica reconhecer a pluralidade de modos de existência e questionar paradigmas universalizantes.
II.A cosmovisão indígena, conforme apresentada, propõe uma relação integrada entre seres humanos e natureza, rompendo com a separação moderna entre sujeito e objeto.
III.A perspectiva apresentada sustenta a superioridade epistemológica do pensamento ocidental como fundamento para o diálogo intercultural.
É correto o que se afirma em:
A digitalização não é apenas uma nova ferramenta para velhos métodos, mas um desafio à própria autocompreensão da didática da filosofia. Plataformas de diálogo assíncrono, inteligência artificial generativa e ambientes de realidade virtual colocam questões sobre a natureza do diálogo filosófico, a autoria do pensamento e a mediação da experiência. Podemos falar em um ‘digitales Philosophieren’ específico? Ele amplia ou empobrece as condições da reflexão? A didática precisa desenvolver critérios normativos para o uso digital que preservem os objetivos centrais da filosofia: a profundidade reflexiva, a autoria do pensamento e a relação intersubjetiva crítica.
KIRCHNER, C.; WIESE, M. Digitales Philosophieren. Journal für Didaktik der Philosophie und Ethik, Sonderheft “Digitalität”, p. 10–15, 2022.
A partir do texto acima e de seus conhecimentos, pode-se concluir que:
Durante aula sobre argumentação filosófica, um professor apresenta aos estudantes o seguinte texto de um aluno:
"Eutanásia deveria ser legalizada. Muitas pessoas sofrem dores insuportáveis em doenças terminais. É cruel prolongar sofrimento desnecessário. Países como Holanda e Bélgica já legalizaram. Portanto, deveríamos seguir esse exemplo."
O professor solicita que os estudantes identifiquem: (1) a tese defendida, (2) os argumentos oferecidos, (3) distinção entre premissas factuais e normativas, e (4) lacunas argumentativas.
Assinale a alternativa que apresenta a identificação correta.
O fato de que o atual professor de filosofia seja um funcionário do Estado pode definir um papel institucional mais ou menos importante na reprodução do estado de coisas, mas não esgota necessariamente a fertilidade do lugar em que se inscreve. As escolas, ou as instituições educativas em geral, são lugares de encontros entre pessoas, saberes, tradições, pensamentos. Portanto, a dimensão eventual de toda prática educativa, e da filosófica em especial, constitui o suplemento permanente de toda repetição, por mais intensa ou fechada que aparente ser. Todo saber está sempre exposto a ser interpelado e nisso a filosofia joga sua condição de possibilidade.
(Alejandro Cerletti.
O ensino de filosofia como problema filosófico, 2009. Adaptado)
Segundo Cerletti, mesmo como funcionário do Estado, o professor de filosofia pode fazer do ensino uma prática de resistência porque a
(Renato Noguera. O Ensino de Filosofia e a Lei no 10.639, 2011. Adaptado)
Quando associada a um horizonte intercultural, a Filosofia em afroperspectiva enfatiza a
(Cipriano Carlos Luckesi e Elizete Passos. Introdução à filosofia: aprendendo a pensar, 2012)
No trecho, é descrito como se formaria um “conceito explicativo” do real. Segundo os autores, tal conceito resultaria de uma
(David Hume. Tratado da natureza humana, 2009. Adaptado)
No trecho, Hume introduz o célebre “tom de azul ausente”. À luz desse recurso, conclui-se que, para o filósofo, o episódio serve para
(Alejandro Cerletti. O ensino de filosofia como problema filosófico, 2009. Adaptado)
Segundo Cerletti, a ideia de que cada professor transmite a “sua biblioteca” indica que a formação filosófica
Isso se deve ao fato de o trabalho ser
Com base no texto e nos fundamentos das Ciências da Religião, julgue as afirmativas a seguir como (V) verdadeiras ou (F) falsas:
(__)A atitude filosófica estimula o questionamento e o pensamento crítico, sendo essencial para compreender o fenômeno religioso de forma reflexiva.
(__)A dúvida filosófica é um obstáculo para o aprendizado, pois impede que o estudante forme convicções pessoais.
(__)O diálogo é parte constitutiva da atitude filosófica, pois favorece o confronto respeitoso de ideias e a construção coletiva do conhecimento.
(__)A atitude filosófica no ensino de Ciências da Religião contribui para desenvolver autonomia intelectual e respeito à diversidade de crenças.
Assinale a sequência correta de cima para baixo:
§23. Quantas espécies de frases existem? Afirmação, pergunta e comando, talvez? — Há inúmeras de tais espécies: inúmeras espécies diferentes de emprego daquilo que chamamos de “signo”, “palavras”, “frases”. E essa pluralidade não é nada fixa, um dado para sempre; mas novos tipos de linguagem, novos jogos de linguagem, como poderíamos dizer, nascem e outros envelhecem e são esquecidos. (Uma imagem aproximada disso podem nos dar as modificações da matemática) [...]. O termo “jogo de linguagem” deve aqui salientar que o falar da linguagem é uma parte de uma atividade ou de uma forma de vida. Imagine a multiplicidade de jogos de linguagem por meio destes exemplos e outros: Comandar, e agir segundo comandos; Descrever um objeto conforme aparência ou conforme medidas; Produzir um objeto segundo uma descrição (desenho); Relatar um acontecimento; Conjecturar sobre o acontecimento; Expor uma hipótese e prová-la; Apresentar os resultados de um experimento por meio de tabelas e diagramas; Inventar uma história, ler; Representar teatro; Cantar uma cantiga de roda; Resolver enigmas; Fazer uma anedota, contar; Resolver um exemplo de cálculo aplicado; Traduzir de uma língua para outra; Pedir, agradecer, maldizer, saudar, orar.
É interessante comparar a multiplicidade das ferramentas da linguagem e seus modos de emprego, a multiplicidade das espécies de palavras e frases com aquilo que os lógicos disseram sobre a estrutura da linguagem (e também o autor do Tractatus Logico-Philosophicus)(Wittgenstein, 1979).
Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre a transição filosófica de Wittgenstein do “Tractatus Logico-Philosophicus” para as “Investigações Filosóficas”, analise as assertivas e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A ideia de jogos de linguagem substitui a concepção de linguagem como representação lógica do mundo, afirmando a pluralidade dos usos linguísticos como parte integrante das formas de vida humanas.
( ) O conceito de linguagem nas “Investigações Filosóficas” continua subordinado ao ideal de uma estrutura formal universal, sendo os jogos de linguagem instâncias derivadas dessa estrutura lógica.
( ) A crítica ao essencialismo na segunda fase de Wittgenstein implica a rejeição da busca por definições unívocas dos termos filosóficos, valorizando em seu lugar a descrição dos modos de uso nas práticas concretas.
( ) Ao abandonar a busca por fundamentos últimos da linguagem, Wittgenstein estabelece uma nova metafísica da linguagem baseada em jogos ontológicos fixos, que garantem o sentido como produto de uma gramática transcendental.
( ) A noção de que “o significado de uma palavra é seu uso na linguagem” representa uma ruptura com a tentativa anterior de fixar o sentido por meio da correspondência lógica entre proposições e estados de coisas.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: