Limpeza da casa ajuda a evitar doenças,
ensinam especialistas
Há quem afirme que ficamos mais
paranoicos com limpeza após a pandemia de
coronavírus. Hábitos como higienizar as mãos
com álcool em gel, lavar as compras do mercado
e deixar calçados do lado de fora entraram no
repertório usual de muita gente. Apesar dos
números da Covid-19 terem diminuído, algumas
dessas atitudes (e outros cuidados) devem ser
mantidos em prol do bem estar dentro de casa,
afirmam especialistas. Os microrganismos estão
em toda parte. Ao pisar com o tênis no chão do
apartamento, por exemplo, você está levando
para o ambiente doméstico bactérias e outros
potenciais patógenos. Esses agentes são
causadores de doenças respiratórias, como
asmas, pneumonia; de pele, como dermatites; ou
até infecções intestinais, como diarreias.
Recentemente, a imagem do banheiro do “BBB
23”, com o piso do box imundo, viralizou na
internet. Trata-se justamente de um dos principais
focos de agentes infecciosos em uma casa, ao
lado do quarto e a cozinha.
Mas com que frequência deve-se limpar
essas partes? E como fazer para impedir a
proliferação de bactérias, vírus e fungos? Limpar
o banheiro é uma tarefa que muitos preferem
procrastinar, porém o hábito é importante para a
saúde, já que ali depositamos dejetos, fluidos
orgânicos e fazemos a higiene pessoal. O
cômodo exige mais cuidados com a limpeza do
que outros locais da casa. Segundo um estudo
realizado pelo Centro de Higiene e Saúde em
Casa e Comunidade, do Simmons College, em
Boston, EUA, em uma banheira há mais bactérias
que causam infecções na pele do que em uma
lata de lixo — foram encontrados 25%
microrganismos do gênero, em comparação a 5%
identificado na lixeira. “O banheiro é um local
onde a fonte de proliferação de fungos e
bactérias é muito alta. O ideal é fazer a limpeza
completa, com desinfetantes específicos e água
sanitária, ao menos uma vez por semana” afirma
Gabriela Castro, microbiologista da Richet
Medicina & Diagnóstico.
Algumas partes específicas merecem uma
atenção ainda maior. O vaso sanitário, por
exemplo, deve ser limpo de duas a três vezes por
semana com agentes desinfetantes, dependendo
de quantas pessoas usam a privada. A banheira e
o box também devem ser higienizados de acordo
com a frequência de uso. Se forem usados por
uma pessoa, que toma de um a dois banhos por
dia, recomenda-se uma limpeza uma vez por
semana ou a cada 15 dias. As pias, por terem
contato direto com fluidos da boca e nariz,
também devem ser lavadas duas vezes por
semana, enquanto os pisos, azulejos e armários (parte interna e externa), precisam ser
higienizados uma vez por semana. ‘Para
minimizar a proliferação de bactérias e fungos,
algumas medidas podem ser adotadas. A ação de
dar a descarga com a tampa fechada minimiza
muito a formação de aerossóis, que são
mecanismos pelos quais as bactérias e fungos
são dispersados no meio ambiente, podendo ficar
em suspensão no ar por até duas horas, sendo
fonte potencial de contaminação’ recomenda
Castro.
Estudos apontam o espaço da cozinha
como uma das áreas mais problemáticas da casa
para a proliferação de bactérias e fungos —até
mais do que o banheiro. Isso porque o espaço
recebe todo o tipo de alimento cru, como carnes
e frangos, e mesmo verduras e legumes não
lavados podem conter larvas. O manuseio correto
dos ingredientes é chave para evitar problemas.
“Entre os lugares onde mais encontramos
bactérias e fungos estão a esponja que faz a
limpeza da louça, a pia, a geladeira, as gavetas
dos vegetais, os botões do fogão e a alça do
forno. São ambientes propícios para essa
proliferação, com calor e umidade” alerta o
infectologista José Cerbino, da Fiocruz.
Especialistas afirmam que o melhor seria lavar as
principais partes da cozinha e as mais usadas,
como a pia e o fogão, enquanto a comida é
preparada. O acumulo de lixo e utensílios sujos
pode atrair moscas, baratas e proliferação de
microrganismos patogênicos. “O grande vilão na
cozinha é a contaminação cruzada, ou seja, usar
os mesmos utensílios para coisas diferentes.
Quando a faca que cortou o frango cru é utilizada
para cortar os legumes e verduras, as bactérias
da carne passam para os vegetais. Ela precisa
ser limpa muito bem antes de ser usada em outro
alimento” explica o chef Carlos Siffert, consultor
da Escola Wilma Kövesi de Cozinha. Entre as
principais patógenos encontrados na cozinha
estão as bactérias do gênero Campylobacter e os
parasitas Criptosporidium e Cyclospora
cayetanensis, encontradas em carnes e
alimentos contaminados que não foram
preparados adequadamente. A conhecida
Salmonella é outra fonte de infecção bacteriana
encontrada na cozinha. “Não podemos esquecer
dos cantinhos da pia, embaixo do fogão ou atrás
da geladeira, onde o calor cria o ambiente
perfeito para as baratas procriarem” diz Siffert.
Fonte: Jornal O Globo, 6 de abril de 2023.