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Q3946968 Educação Artística

Os três documentos que, atualmente, norteiam a educação brasileira são os Diretrizes Nacionais Curriculares (DNCs) e a Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) – Arte Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – ARTE . , as Cada um deles apresenta características diferentes, conforme os grupos I, II e III, abaixo.


Grupo I:


˗ Define competências específicas de Arte e habilidades por etapa de ensino.


˗ Estrutura-se em cinco linguagens: artes visuais, dança, música, teatro e artes integradas (esta última, no Ensino Médio).


˗ Valoriza a criação, crítica, fruição e reflexão.


˗ Articula o ensino artístico à formação integral do estudante (intelectual, emocional, cultural e social). ˗ Estimula o uso de tecnologias e mídias no fazer artístico.


˗ Têm caráter obrigatório para redes públicas e privadas.



Grupo II:


˗ Têm caráter normativo e obrigatório.


˗ Entendem a Arte como componente curricular obrigatório em todos os níveis da Educação Básica. 


˗ Reforçam a importância da diversidade cultural e étnica brasileira.


- Estimulam o diálogo entre saberes locais e globais.


- Orientam que as práticas artísticas sejam interdisciplinares e contextualizadas.


- Destacam o papel da Arte na formação humana, ética, estética e cultural.



Grupo III:


˗ Propõem a Arte como área de conhecimento, não apenas como atividade expressiva.


˗ Defendem o ensino das linguagens artísticas: artes visuais, música, dança e teatro.


˗ Valorizam a leitura, produção e apreciação estética.


- Enfatizam o papel da arte na formação da sensibilidade e da cidadania.


- Estimulam o respeito à diversidade cultural e regional.


- Têm caráter orientador e flexível, servindo de base para currículos locais.



É CORRETO afirmar que os grupos I, II e III resumem, respectivamente, as características principais de:


Alternativas
Q3946967 Português
A charge exposta na sequência apresenta o diálogo entre dois cidadãos que avaliam uma notícia televisiva sobre fraudes no INSS. Após a análise dos recursos linguísticos utilizados nas falas de cada personagem, responda à questão.


TEXTO V




Diálogo .


Personagem 1: - Agora todo mundo diz que é bom menino.

Personagem 2: - Se fossem bons meninos, minha aposentadoria não viria com tantos descontos, e eu não teria que fazer este bico pra complementar a renda!

Com relação à formação do período: “Se fossem bons meninos, minha aposentadoria não viria com tantos descontos, e eu não teria que fazer este bico pra complementar a renda!", é CORRETO afirmar que se trata de:


Alternativas
Q3946966 Português
A charge exposta na sequência apresenta o diálogo entre dois cidadãos que avaliam uma notícia televisiva sobre fraudes no INSS. Após a análise dos recursos linguísticos utilizados nas falas de cada personagem, responda à questão.


TEXTO V




Diálogo .


Personagem 1: - Agora todo mundo diz que é bom menino.

Personagem 2: - Se fossem bons meninos, minha aposentadoria não viria com tantos descontos, e eu não teria que fazer este bico pra complementar a renda!

As frases proferidas pelos personagens permitem ao leitor fazer as seguintes inferências:

I- Os supostos autores da fraude se dizem inocentes, o que se deduz da expressão “bom menino”, empregada pelo personagem 1, quando assiste ao noticiário sobre a prisão de um dos envolvidos.

II - A inocência dos prováveis “fraudadores” é rejeitada pelo personagem 2, o que se depreende da oração “se fossem bons meninos”, que pressupõe “eles não são bons meninos”.

III- O personagem 2 é um senhor que tem idade de se aposentar, mas optou em continuar na ativa e complementando a renda com outra atividade a ter que se aposentar com baixo salário.

IV- A fraude fica atestada quando o personagem 2 declara: “se fossem ... minha aposentadoria não viria com tantos descontos”, que, nesse contexto, alude a descontos indevidos.

V- O trabalho informal, referido pelo personagem 2 por “fazer bico”, surge como uma alternativa muito lucrativa e viável para quem depende de aposentadoria.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3946965 Português

Com base na leitura dos dois textos abaixo expostos: a crônica de Ricardo Freire e o comentário do linguista Sírio Possenti, responda à questão.



TEXTO III


PARA você estar passando adiante (Ricardo Freire)


Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o futuro do gerúndio.


Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.


[...]


As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We'll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.


Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo o mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.


[...]


Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?


A única solução vai estar sendo submeter o futuro do gerúndio à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma ideia” e outros menos votados.


A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.



TEXTO IV


Gerundismo


[...] Assim, a nova locução está em perfeito acordo com a sintaxe do português: sua ordem auxiliar+ estar + -ndo é absolutamente  gramatical.


Vejamos agora o que a locução significa. Os que não gostam da forma dizem que não serve para nada, que há outra melhor para expressar a mesma coisa. Em vez de Vou estar mandando, que se diga Vou mandar ou Mandarei. Pode ser que nem todos os casos sejam claros, mas em muitos, nitidamente, a nova forma veicula um aspecto progressivo (ou seja, anuncia um evento que durará algum tempo para se realizar). Para que isso não pareça estranho, relembre-se de que o conhecido imperfeito do indicativo apresenta o mesmo aspecto: formas como amanhecia, pintava, etc. descrevem eventos ou ações não instantâneos, mas que têm alguma duração. Por isso, não é a mesma coisa dizer Vou mandar e Vou estar mandando , exatamente por causa da diferença entre “ir” (que marca só futuro) e “ir + estar” (que marca futuro, por causa do “ir” e “duração” por causa de “estar”). Vou estar providenciando significa, entre outras coisas, que a providência não se dará instantaneamente. Além disso, o compromisso expresso em Vou providenciar é mais incisivo do que o expresso em Vou estar providenciando , assim como é mais incisivo dizer Providenciarei do que Vou providenciar.


Além desses, a meu ver, há outro aspecto importante, de cunho pragmático ou interpessoal: a expressão conota gentileza, formalidade, deferência (se verdadeira ou simulada, pouco importa). [...]


Fonte: Possenti, Sírio. In: Questões de linguagem : passeio gramatical dirigido, São Paulo: Parábola editorial, 2011. p.160-161. 


Sírio Possenti não repudia o uso do gerúndio para a expressão de futuro, pois a nova locução em uso na língua


Alternativas
Q3946964 Português

Com base na leitura dos dois textos abaixo expostos: a crônica de Ricardo Freire e o comentário do linguista Sírio Possenti, responda à questão.



TEXTO III


PARA você estar passando adiante (Ricardo Freire)


Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o futuro do gerúndio.


Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet. O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.


[...]


As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We'll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.


Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo o mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.


[...]


Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?


A única solução vai estar sendo submeter o futuro do gerúndio à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma ideia” e outros menos votados.


A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.



TEXTO IV


Gerundismo


[...] Assim, a nova locução está em perfeito acordo com a sintaxe do português: sua ordem auxiliar+ estar + -ndo é absolutamente  gramatical.


Vejamos agora o que a locução significa. Os que não gostam da forma dizem que não serve para nada, que há outra melhor para expressar a mesma coisa. Em vez de Vou estar mandando, que se diga Vou mandar ou Mandarei. Pode ser que nem todos os casos sejam claros, mas em muitos, nitidamente, a nova forma veicula um aspecto progressivo (ou seja, anuncia um evento que durará algum tempo para se realizar). Para que isso não pareça estranho, relembre-se de que o conhecido imperfeito do indicativo apresenta o mesmo aspecto: formas como amanhecia, pintava, etc. descrevem eventos ou ações não instantâneos, mas que têm alguma duração. Por isso, não é a mesma coisa dizer Vou mandar e Vou estar mandando , exatamente por causa da diferença entre “ir” (que marca só futuro) e “ir + estar” (que marca futuro, por causa do “ir” e “duração” por causa de “estar”). Vou estar providenciando significa, entre outras coisas, que a providência não se dará instantaneamente. Além disso, o compromisso expresso em Vou providenciar é mais incisivo do que o expresso em Vou estar providenciando , assim como é mais incisivo dizer Providenciarei do que Vou providenciar.


Além desses, a meu ver, há outro aspecto importante, de cunho pragmático ou interpessoal: a expressão conota gentileza, formalidade, deferência (se verdadeira ou simulada, pouco importa). [...]


Fonte: Possenti, Sírio. In: Questões de linguagem : passeio gramatical dirigido, São Paulo: Parábola editorial, 2011. p.160-161. 


A respeito do Texto III, podem ser feitas as seguintes asserções:


I - O autor considera o gerundismo um vício de linguagem, por não ser a forma verbal apropriada para sinalizar futuro.


II - O autor apela para que o futuro do gerúndio não seja utilizado, argumentando que tal estrutura fere as regras de formação de locução verbal e gera problema de compreensão, dificultando o ensino dos tempos verbais.


III - Para demonstrar o quão chato é uso do dessa estrutura que tem se fixado na língua, o cronista se utiliza da estratégia da repetição, configurando uma ironia.


Está em conformidade com o texto, o que se assevera apenas em:


Alternativas
Q3946963 Português
Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II


Queixa de defunto (Lima Barreto)


        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.


      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.


       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.


          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.


        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.


         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.


        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.


       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.


       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.


    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.


    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:


    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?


      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.


     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
Diferentes mecanismos são empregados para promover a relação entre as informações no texto, dentre eles a coesão referencial, que se manifesta por formas linguísticas diversas, entre as quais pronomes, advérbios e até verbos. Analise as ocorrências indicadas na sequência e avalie as explicações fornecidas para cada situação.
Imagem associada para resolução da questão
I- O verbo “posso” e o pronome oblíquo “me” são formas dêiticas que se referem ao emissor/locutor Antônio da Conceição.
II- O advérbio relativo “onde” é uma forma referencial anafórica que recupera o sintagma “no Méier.”
III- O verbo “carregamos” é uma forma referencial dêitica que faz referência genérica a todos os cidadãos, incluindo o falante/locutor – Antônio da Conceição.
IV- O pronome demonstrativo “esta” é uma forma referencial catafórica que integra um sintagma nominal, fazendo remissão ao sintagma “a rua José Bonifácio”.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3946962 Português
Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II


Queixa de defunto (Lima Barreto)


        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.


      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.


       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.


          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.


        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.


         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.


        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.


       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.


       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.


    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.


    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:


    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?


      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.


     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

Analise o emprego do pronome relativo nos fragmentos abaixo relacionados, de forma a identificar a função sintática assumida por ele.

Imagem associada para resolução da questão

Os pronomes relativos em destaque assumem, respectivamente, as funções sintáticas de:


Alternativas
Q3946961 Português
Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II


Queixa de defunto (Lima Barreto)


        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.


      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.


       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.


          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.


        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.


         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.


        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.


       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.


       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.


    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.


    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:


    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?


      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.


     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
O sentido de um texto resulta da combinação entre informações postas na superfície textual e informações pressupostas (um tipo de implícito desencadeado por certos itens ou estruturas linguísticas). Avalie as asserções sobre o emprego das formas linguísticas em destaque nos fragmentos textuais e sua relação com a noção de PRESSUPOSIÇÃO.

I - “ESTAVA certo de ir direitinho para o céu” quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno [...]”. (O verbo no pretérito imperfeito na primeira frase pressupõe a informação de que o destino de todo aquele que morre é o céu).

II - “NUNCA fui ao espiritismo, NUNCA fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e [...] nunca procurei macumbeiros nem médiuns”. (O advérbio de negação pressupõe uma declaração afirmativa – outras pessoas procuram macumbeiros ou médiuns).

III - “Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, AINDA estou penando por sua culpa”. (O advérbio de tempo pressupõe que a penalidade iniciada anteriormente se encerra no momento em que o personagem profere a frase).

IV - “EMBORA a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma”. (O elemento de conexão introduz uma oração subordinada que pressupõe uma estrutura afirmativa – a pena foi/é leve).

V - É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3946960 Português
Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II


Queixa de defunto (Lima Barreto)


        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.


      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.


       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.


          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.


        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.


         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.


        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.


       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.


       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.


    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.


    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:


    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?


      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.


     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.
O período abaixo transcrito é constituído de três orações. Assinale a alternativa que apresenta a CORRETA classificação do sujeito da primeira oração.

“Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.”
Alternativas
Q3946959 Português
Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II


Queixa de defunto (Lima Barreto)


        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.


      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.


       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.


          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.


        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.


         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.


        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.


       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.


       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.


    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.


    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:


    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?


      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.


     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

O parágrafo que inicia o texto é constituído de um período extenso, em que a justaposição de constituintes suboracionais provoca um distanciamento entre os núcleos do sujeito e do predicado. A pontuação é, portanto, um fator muito relevante para a leitura do texto. Sendo assim, avalie a veracidade das explicações sobre o emprego da vírgula no período em questão.



“Antônio da Conceição (,) 1 natural desta cidade (,) 2 residente que foi em vida (,) 3 na Boca do Mato (,) 4 no Méier  (,)5 onde acaba de morrer (,) 6 por meios que não posso tornar público (,) mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito”.



I - A vírgula (2) separa um adjunto adverbial do outro que o antecede.



II - A vírgula (3) separa um adjunto adverbial de lugar relacionado ao aposto.



III - A vírgula (4) separa um adjunto adverbial de outro.



IV - A vírgula (5) separa a oração adverbial de lugar relacionada ao termo antecedente.



V - A vírgulas (6) e (7) isolam um adjunto adverbial.



VI - As vírgulas (1) e (7) isolam as informações subsidiárias – apostos e adjuntos.



É CORRETA a explicação que se apresenta apenas em:


Alternativas
Q3946958 Português
Utilize a crônica abaixo para responder à questão.


TEXTO II


Queixa de defunto (Lima Barreto)


        Antônio da Conceição, natural desta cidade, residente que foi em vida, na Boca do Mato, no Méier, onde acaba de morrer, por meios que não posso tornar público, mandou-me a carta abaixo que é endereçada ao prefeito. Ei-la: Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito do Distrito Federal.


      Sou um pobre homem que em vida nunca deu trabalho às autoridades públicas nem a elas fez reclamação alguma. Nunca exerci ou pretendi exercer isso que se chama os direitos sagrados de cidadão. Nasci, vivi e morri modestamente, julgando sempre que o meu único dever era ser lustrador de móveis e admitir que os outros os tivessem para eu lustrar e eu não.


       Não fui republicano, não fui florianista, não fui custodista, não fui hermista, não me meti em greves, nem em cousa alguma de reivindicações e revoltas; mas morri na santa paz do Senhor quase sem pecados e sem agonia.


          Toda a minha vida de privações e necessidades era guiada pela esperança de gozar depois de minha morte um sossego, uma calma de vida que não sou capaz de descrever, mas que pressenti pelo pensamento, graças à doutrinação das seções católicas dos jornais.


        Nunca fui ao espiritismo, nunca fui aos “bíblias”, nem a feiticeiros, e apesar de ter tido um filho que penou dez anos nas mãos dos médicos, nunca procurei macumbeiros nem médiuns.


         Vivi uma vida santa e obedecendo às prédicas do Padre André do Santuário do Sagrado Coração de Maria, em Todos os Santos, conquanto as não entendesse bem por serem pronunciadas com toda eloquência em galego ou vasconço.


        Segui-as, porém, com todo o rigor e humildade, e esperava gozar da mais dúlcida paz depois de minha morte. Morri afinal um dia destes. Não descrevo as cerimônias porque são muito conhecidas e os meus parentes e amigos deixaram-me sinceramente porque eu não deixava dinheiro algum. É bom, meu caro Senhor Doutor Prefeito, viver na pobreza, mas muito melhor é morrer nela. Não se levam para a cova maldições dos parentes e amigos deserdados; só carregamos lamentações e bênçãos daqueles a quem não pagamos mais a casa.


       Foi o que aconteceu comigo e estava certo de ir direitinho para o Céu, quando, por culpa do Senhor e da Repartição que o Senhor dirige, tive que ir para o inferno penar alguns anos ainda.


       Embora a pena seja leve, eu me amolei, por não ter contribuído para ela de forma alguma. A culpa é da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro que não cumpre os seus deveres, calçando convenientemente as ruas. Vamos ver por quê. Tendo sido enterrado no cemitério de Inhaúma e vindo o meu enterro do Méier, o coche e o acompanhamento tiveram que atravessar em toda a extensão a Rua José Bonifácio, em Todos os Santos.


    Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro do caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.


    Comigo não aconteceu isso, mas o balanço violento do coche machucou-me muito e cheguei diante de São Pedro cheio de arranhaduras pelo corpo. O bom do velho santo interpelou-me logo:


    — Que diabo é isto? Você está todo machucado! Tinham-me dito que você era bem-comportado — como é então que você arranjou isso? Brigou depois de morto?


      Expliquei-lhe, mas não me quis atender e mandou que me fosse purificar um pouco no inferno.


     Está aí como, meu caro Senhor Doutor Prefeito, ainda estou penando por sua culpa, embora tenha tido vida a mais santa possível. Sou, etc., etc. Posso garantir a fidelidade da cópia a aguardar com paciência as providências da municipalidade.


Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras / Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

Da leitura do texto de Lima Barreto, depreende-se que:


I - É uma narrativa satírica ancorada numa situação fictícia – um cidadão aborrecido com um problema de infraestrutura, o calçamento das ruas da cidade, após sua morte, dirige-se ao prefeito, por meio de uma carta, com a finalidade de denunciar falhas na administração pública.


II - É uma crônica transpassada de humor e ironia, pois o autor da carta, julgando-se injustiçado, já que nada fez que merecesse castigo, é penalizado devido à indiferença de uma autoridade com as demandas da cidade e por não ser ouvido na nova morada.


III - É uma crônica literária que promove a intertextualidade com o gênero carta, mesclando sequências dos dois gêneros, para dar vivacidade às queixas de um homem que se arrepende de não ter participado de movimentos reivindicatórios, e que agora reivindica benefícios.


IV - É uma narrativa crítica, cujo foco é a reflexão sobre como a religiosidade e o engajamento partidário perderam espaço na sociedade, não influenciando nas crenças, costumes e expectativas das pessoas humildes.


É CORRETO o que se afirma apenas em:


Alternativas
Q3946957 Português

Leia o texto abaixo, para responder à questão


TEXTO I


Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância


Impulsionados por políticas de inovação e pela cultura de alto desempenho escolar, eles ganham espaço na China


        Não deu outra, e era esperado que assim fosse. Brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) deixaram de ser curiosidade de feira tecnológica para virar hábito de quarto infantil na China. Bichos de pelúcia que “falam”, pingentes que dão voz a personagens e robôs de mesa que jogam xadrez com crianças fazem parte de um catálogo em expansão acelerada. A engrenagem que puxa a onda combina três forças conhecidas do país: o investimento público em inovação (ainda que na marra, com a mão pesada do Estado), uma cultura que trata a educação como escada social desde cedo e o avanço dos modelos locais de linguagem ancorados em algoritmos. O resultado: “companheiros digitais” que prometem ensinar, conversar e até reconhecer emoções — uma evolução evidente em relação Rosie, a funcionária doméstica dos à Jetsons dos anos 1960 e 1970, que supunha um amanhã que agora chegou. A promessa empolga famílias e empresas, mas acende, com igual intensidade, o alerta de educadores.


        Startups exibem números vistosos; segundo projeções do setor, o mercado pode ultrapassar o equivalente a cerca de 75 bilhões de reais até 2030. A multiplicação das opções criou um ecossistema em que o aprendizado e o afeto viraram produto. Um dos campeões de venda é o BubblePal, um pequeno pingente que transforma qualquer pelúcia em interlocutor falante, com 39 vozes diferentes que dão “vida” a personagens da Disney e até heróis chineses. [...]


        No marketing, os autômatos são apresentados como “ferramentas educativas”. Na sala de aula e no quintal, porém, a conta é mais complexa. “Habilidades como empatia, resolução de conflitos e generosidade só podem ser aprendidas na arena complexa das interações humanas”, afirma Daniela Pannuti, diretora da divisão primária da Avenues São Paulo, escola internacional que também mantém um campus em Nova York. A ressalva toca o coração da infância: brincar é processo, não produto. [...] Quando a criança passa a “brincar” com um outro previsível, mesmo que muito sofisticado, há o perigo de treinar o convívio sem contradição, sem espera de vez, sem o gesto de ceder. 


        Do lado de lá do balcão, o fenômeno ilumina uma política industrial cujo adversário, não há dúvida, são os Estados Unidos. O país opera há anos com metas explícitas de liderança tecnológica e digitalização. Brinquedos “inteligentes”, nesse contexto, deixam de ser apenas entretenimento para virar extensão de uma estratégia. “A China entende que a IA é uma ciência e que faz parte do progresso de uma nação. Por isso, esses brinquedos inteligentes são vistos como uma vantagem competitiva no campo da educação”, observa Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina). A leitura ajuda a explicar por que a adoção é tão veloz: se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho. O gesto é cultural, mas também pragmático: a família compra o que acredita encurtar o caminho para o desempenho acadêmico.


        Nada disso, no entanto, significa que as máquinas devam ser mantidas do lado de fora da escola ou dos hospitais, onde também atuam, cuidando de idosos. Elas são fundamentais. A tecnologia viabiliza criações que não nasceriam sem câmera, microfone e software. [...] No fim, a questão não é preparar meninos e meninas para o brinquedo de IA de hoje e, sim, para um mundo com IA no futuro; aquele em que a curiosidade, a colaboração, a empatia e o pensamento crítico, as únicas tecnologias realmente exclusivas da espécie humana, conversem com peças de metal e silício. Não abandonemos ao léu os simpáticos robozinhos. 


Fonte: MORAES, Ligia. Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância. Veja, 25 out. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tecnologia/robos-no-parquinho-brinquedos-inteligentes-levantam-duvidas-sobre-efeitos-na-infancia/. Acesso em: 10 fev. 2026.


Sob o aspecto estrutural, ou do plano global do texto, o texto se organiza da seguinte forma:

I - O texto pertence ao gênero divulgação científica por expor/descrever fatos reais, mesclando o raciocínio lógico, depreendido das comparações, refutações, justificativas.

II - Os parágrafos 1 e 2 centram-se em demonstrar o motivo de a China investir em brinquedos inteligentes: interesse por inovação e em promover aprendizado por meio de atividades lúdicas.

III - O parágrafo 3 problematiza a percepção desses brinquedos como ferramenta educativa, sinalizando os prejuízos à infância, quando as interações humanas são substituídas por máquinas.

IV - O parágrafo 4 menciona a competitividade entre China e Estados Unidos, apontando ainda que os pais simpatizam com a ideia de adotar os brinquedos, por serem instrumentos educativos.

V - O parágrafo 5, ao inserir um novo tópico temático – a influência da tecnologia na área hospitalar – enfraquece a argumentação sobre a relevância da tecnologia no contexto escolar.

É CORRETO o que se afirma apenas em:
Alternativas
Q3946956 Português

Leia o texto abaixo, para responder à questão


TEXTO I


Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância


Impulsionados por políticas de inovação e pela cultura de alto desempenho escolar, eles ganham espaço na China


        Não deu outra, e era esperado que assim fosse. Brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) deixaram de ser curiosidade de feira tecnológica para virar hábito de quarto infantil na China. Bichos de pelúcia que “falam”, pingentes que dão voz a personagens e robôs de mesa que jogam xadrez com crianças fazem parte de um catálogo em expansão acelerada. A engrenagem que puxa a onda combina três forças conhecidas do país: o investimento público em inovação (ainda que na marra, com a mão pesada do Estado), uma cultura que trata a educação como escada social desde cedo e o avanço dos modelos locais de linguagem ancorados em algoritmos. O resultado: “companheiros digitais” que prometem ensinar, conversar e até reconhecer emoções — uma evolução evidente em relação Rosie, a funcionária doméstica dos à Jetsons dos anos 1960 e 1970, que supunha um amanhã que agora chegou. A promessa empolga famílias e empresas, mas acende, com igual intensidade, o alerta de educadores.


        Startups exibem números vistosos; segundo projeções do setor, o mercado pode ultrapassar o equivalente a cerca de 75 bilhões de reais até 2030. A multiplicação das opções criou um ecossistema em que o aprendizado e o afeto viraram produto. Um dos campeões de venda é o BubblePal, um pequeno pingente que transforma qualquer pelúcia em interlocutor falante, com 39 vozes diferentes que dão “vida” a personagens da Disney e até heróis chineses. [...]


        No marketing, os autômatos são apresentados como “ferramentas educativas”. Na sala de aula e no quintal, porém, a conta é mais complexa. “Habilidades como empatia, resolução de conflitos e generosidade só podem ser aprendidas na arena complexa das interações humanas”, afirma Daniela Pannuti, diretora da divisão primária da Avenues São Paulo, escola internacional que também mantém um campus em Nova York. A ressalva toca o coração da infância: brincar é processo, não produto. [...] Quando a criança passa a “brincar” com um outro previsível, mesmo que muito sofisticado, há o perigo de treinar o convívio sem contradição, sem espera de vez, sem o gesto de ceder. 


        Do lado de lá do balcão, o fenômeno ilumina uma política industrial cujo adversário, não há dúvida, são os Estados Unidos. O país opera há anos com metas explícitas de liderança tecnológica e digitalização. Brinquedos “inteligentes”, nesse contexto, deixam de ser apenas entretenimento para virar extensão de uma estratégia. “A China entende que a IA é uma ciência e que faz parte do progresso de uma nação. Por isso, esses brinquedos inteligentes são vistos como uma vantagem competitiva no campo da educação”, observa Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina). A leitura ajuda a explicar por que a adoção é tão veloz: se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho. O gesto é cultural, mas também pragmático: a família compra o que acredita encurtar o caminho para o desempenho acadêmico.


        Nada disso, no entanto, significa que as máquinas devam ser mantidas do lado de fora da escola ou dos hospitais, onde também atuam, cuidando de idosos. Elas são fundamentais. A tecnologia viabiliza criações que não nasceriam sem câmera, microfone e software. [...] No fim, a questão não é preparar meninos e meninas para o brinquedo de IA de hoje e, sim, para um mundo com IA no futuro; aquele em que a curiosidade, a colaboração, a empatia e o pensamento crítico, as únicas tecnologias realmente exclusivas da espécie humana, conversem com peças de metal e silício. Não abandonemos ao léu os simpáticos robozinhos. 


Fonte: MORAES, Ligia. Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância. Veja, 25 out. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tecnologia/robos-no-parquinho-brinquedos-inteligentes-levantam-duvidas-sobre-efeitos-na-infancia/. Acesso em: 10 fev. 2026.


A noção de negação é inerente à preposição SEM; mas, de acordo com o contexto, podem ser incorporados novos sentidos. Indique o sentido expresso pelo adjunto introduzido por esse item no período abaixo.

A tecnologia viabiliza criações que não nasceriam sem câmera, microfone e software.
Alternativas
Q3946955 Português

Leia o texto abaixo, para responder à questão


TEXTO I


Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância


Impulsionados por políticas de inovação e pela cultura de alto desempenho escolar, eles ganham espaço na China


        Não deu outra, e era esperado que assim fosse. Brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) deixaram de ser curiosidade de feira tecnológica para virar hábito de quarto infantil na China. Bichos de pelúcia que “falam”, pingentes que dão voz a personagens e robôs de mesa que jogam xadrez com crianças fazem parte de um catálogo em expansão acelerada. A engrenagem que puxa a onda combina três forças conhecidas do país: o investimento público em inovação (ainda que na marra, com a mão pesada do Estado), uma cultura que trata a educação como escada social desde cedo e o avanço dos modelos locais de linguagem ancorados em algoritmos. O resultado: “companheiros digitais” que prometem ensinar, conversar e até reconhecer emoções — uma evolução evidente em relação Rosie, a funcionária doméstica dos à Jetsons dos anos 1960 e 1970, que supunha um amanhã que agora chegou. A promessa empolga famílias e empresas, mas acende, com igual intensidade, o alerta de educadores.


        Startups exibem números vistosos; segundo projeções do setor, o mercado pode ultrapassar o equivalente a cerca de 75 bilhões de reais até 2030. A multiplicação das opções criou um ecossistema em que o aprendizado e o afeto viraram produto. Um dos campeões de venda é o BubblePal, um pequeno pingente que transforma qualquer pelúcia em interlocutor falante, com 39 vozes diferentes que dão “vida” a personagens da Disney e até heróis chineses. [...]


        No marketing, os autômatos são apresentados como “ferramentas educativas”. Na sala de aula e no quintal, porém, a conta é mais complexa. “Habilidades como empatia, resolução de conflitos e generosidade só podem ser aprendidas na arena complexa das interações humanas”, afirma Daniela Pannuti, diretora da divisão primária da Avenues São Paulo, escola internacional que também mantém um campus em Nova York. A ressalva toca o coração da infância: brincar é processo, não produto. [...] Quando a criança passa a “brincar” com um outro previsível, mesmo que muito sofisticado, há o perigo de treinar o convívio sem contradição, sem espera de vez, sem o gesto de ceder. 


        Do lado de lá do balcão, o fenômeno ilumina uma política industrial cujo adversário, não há dúvida, são os Estados Unidos. O país opera há anos com metas explícitas de liderança tecnológica e digitalização. Brinquedos “inteligentes”, nesse contexto, deixam de ser apenas entretenimento para virar extensão de uma estratégia. “A China entende que a IA é uma ciência e que faz parte do progresso de uma nação. Por isso, esses brinquedos inteligentes são vistos como uma vantagem competitiva no campo da educação”, observa Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina). A leitura ajuda a explicar por que a adoção é tão veloz: se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho. O gesto é cultural, mas também pragmático: a família compra o que acredita encurtar o caminho para o desempenho acadêmico.


        Nada disso, no entanto, significa que as máquinas devam ser mantidas do lado de fora da escola ou dos hospitais, onde também atuam, cuidando de idosos. Elas são fundamentais. A tecnologia viabiliza criações que não nasceriam sem câmera, microfone e software. [...] No fim, a questão não é preparar meninos e meninas para o brinquedo de IA de hoje e, sim, para um mundo com IA no futuro; aquele em que a curiosidade, a colaboração, a empatia e o pensamento crítico, as únicas tecnologias realmente exclusivas da espécie humana, conversem com peças de metal e silício. Não abandonemos ao léu os simpáticos robozinhos. 


Fonte: MORAES, Ligia. Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância. Veja, 25 out. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tecnologia/robos-no-parquinho-brinquedos-inteligentes-levantam-duvidas-sobre-efeitos-na-infancia/. Acesso em: 10 fev. 2026.


Nos fragmentos textuais abaixo relacionados, cada um dos itens gramaticais em destaque é responsável por introduzir um tipo específico de oração.

“[...] O resultado: “companheiros digitais” que (1) prometem ensinar, conversar e até reconhecer emoções.

[...] A leitura ajuda a explicar por que (2) a adoção é tão veloz: se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho.

[...] Nada disso, no entanto, significa que (3) as máquinas devam ser mantidas do lado de fora da escola ou dos hospitais, onde (4) também atuam, cuidando de idosos. Elas são fundamentais.

[...] No fim, a questão não é preparar meninos e meninas para o brinquedo de IA de hoje e, sim, para um mundo com IA no futuro; aquele em que (5) a curiosidade, a colaboração, a empatia e o pensamento crítico, as únicas tecnologias realmente exclusivas da espécie humana, conversem com peças de metal e silício. [...]”

Indique a alternativa que faz a correspondência CORRETA entre a classificação dos itens gramaticais e da oração por eles introduzida.
Alternativas
Q3946954 Português

Leia o texto abaixo, para responder à questão


TEXTO I


Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância


Impulsionados por políticas de inovação e pela cultura de alto desempenho escolar, eles ganham espaço na China


        Não deu outra, e era esperado que assim fosse. Brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) deixaram de ser curiosidade de feira tecnológica para virar hábito de quarto infantil na China. Bichos de pelúcia que “falam”, pingentes que dão voz a personagens e robôs de mesa que jogam xadrez com crianças fazem parte de um catálogo em expansão acelerada. A engrenagem que puxa a onda combina três forças conhecidas do país: o investimento público em inovação (ainda que na marra, com a mão pesada do Estado), uma cultura que trata a educação como escada social desde cedo e o avanço dos modelos locais de linguagem ancorados em algoritmos. O resultado: “companheiros digitais” que prometem ensinar, conversar e até reconhecer emoções — uma evolução evidente em relação Rosie, a funcionária doméstica dos à Jetsons dos anos 1960 e 1970, que supunha um amanhã que agora chegou. A promessa empolga famílias e empresas, mas acende, com igual intensidade, o alerta de educadores.


        Startups exibem números vistosos; segundo projeções do setor, o mercado pode ultrapassar o equivalente a cerca de 75 bilhões de reais até 2030. A multiplicação das opções criou um ecossistema em que o aprendizado e o afeto viraram produto. Um dos campeões de venda é o BubblePal, um pequeno pingente que transforma qualquer pelúcia em interlocutor falante, com 39 vozes diferentes que dão “vida” a personagens da Disney e até heróis chineses. [...]


        No marketing, os autômatos são apresentados como “ferramentas educativas”. Na sala de aula e no quintal, porém, a conta é mais complexa. “Habilidades como empatia, resolução de conflitos e generosidade só podem ser aprendidas na arena complexa das interações humanas”, afirma Daniela Pannuti, diretora da divisão primária da Avenues São Paulo, escola internacional que também mantém um campus em Nova York. A ressalva toca o coração da infância: brincar é processo, não produto. [...] Quando a criança passa a “brincar” com um outro previsível, mesmo que muito sofisticado, há o perigo de treinar o convívio sem contradição, sem espera de vez, sem o gesto de ceder. 


        Do lado de lá do balcão, o fenômeno ilumina uma política industrial cujo adversário, não há dúvida, são os Estados Unidos. O país opera há anos com metas explícitas de liderança tecnológica e digitalização. Brinquedos “inteligentes”, nesse contexto, deixam de ser apenas entretenimento para virar extensão de uma estratégia. “A China entende que a IA é uma ciência e que faz parte do progresso de uma nação. Por isso, esses brinquedos inteligentes são vistos como uma vantagem competitiva no campo da educação”, observa Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina). A leitura ajuda a explicar por que a adoção é tão veloz: se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho. O gesto é cultural, mas também pragmático: a família compra o que acredita encurtar o caminho para o desempenho acadêmico.


        Nada disso, no entanto, significa que as máquinas devam ser mantidas do lado de fora da escola ou dos hospitais, onde também atuam, cuidando de idosos. Elas são fundamentais. A tecnologia viabiliza criações que não nasceriam sem câmera, microfone e software. [...] No fim, a questão não é preparar meninos e meninas para o brinquedo de IA de hoje e, sim, para um mundo com IA no futuro; aquele em que a curiosidade, a colaboração, a empatia e o pensamento crítico, as únicas tecnologias realmente exclusivas da espécie humana, conversem com peças de metal e silício. Não abandonemos ao léu os simpáticos robozinhos. 


Fonte: MORAES, Ligia. Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância. Veja, 25 out. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tecnologia/robos-no-parquinho-brinquedos-inteligentes-levantam-duvidas-sobre-efeitos-na-infancia/. Acesso em: 10 fev. 2026.


Observe o emprego das formas verbais em destaque nos fragmentos textuais abaixo elencados e, em seguida, analise as proposições.

“Não deu outra, e era esperado que assim fosse. Brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) deixaram de ser curiosidade de feira tecnológica para virar hábito de quarto infantil na China.

[...] A multiplicação das opções criou um ecossistema em que o aprendizado e o afeto viraram deixaram de ser produto.

[...] Quando a criança passa a “brincar” curiosidade de com um outro previsível, mesmo que muito sofisticado, há o perigo de treinar o convívio sem contradição, sem espera de vez, sem o gesto de ceder. 

-[...] Se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho. 



Considerando os contextos de uso das formas verbais nos fragmentos citados, deduz-se que: 

I - As perífrases DEIXARAM DE SER e PASSA A BRINCAR pressupõem respectivamente – “os brinquedos eram curiosidade de feira tecnológica” e “a criança não brincava e agora vai brincar com um outro previsível”.

II - O verbo VIRAR de valor equivalente a TORNAR-SE ilustra o uso de forma verbal simples como geradora de pressuposição – a mudança de percepção sobre o que representa o aprendizado e o afeto.

III - As formas auxiliares PASSAR e PROMETER constitutivos das locuções “passar a brincar” e “promete treinar” classificam-se como modais e expressam os mesmos valores semânticos.

IV - O verbo auxiliar ACABAR na locução “acaba entrando” classifica-se como aspectual e expressa noção de término recente de uma ação.


É CORRETA a explicação proposta apenas nos itens:
Alternativas
Q3946953 Português

Leia o texto abaixo, para responder à questão


TEXTO I


Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância


Impulsionados por políticas de inovação e pela cultura de alto desempenho escolar, eles ganham espaço na China


        Não deu outra, e era esperado que assim fosse. Brinquedos equipados com inteligência artificial (IA) deixaram de ser curiosidade de feira tecnológica para virar hábito de quarto infantil na China. Bichos de pelúcia que “falam”, pingentes que dão voz a personagens e robôs de mesa que jogam xadrez com crianças fazem parte de um catálogo em expansão acelerada. A engrenagem que puxa a onda combina três forças conhecidas do país: o investimento público em inovação (ainda que na marra, com a mão pesada do Estado), uma cultura que trata a educação como escada social desde cedo e o avanço dos modelos locais de linguagem ancorados em algoritmos. O resultado: “companheiros digitais” que prometem ensinar, conversar e até reconhecer emoções — uma evolução evidente em relação Rosie, a funcionária doméstica dos à Jetsons dos anos 1960 e 1970, que supunha um amanhã que agora chegou. A promessa empolga famílias e empresas, mas acende, com igual intensidade, o alerta de educadores.


        Startups exibem números vistosos; segundo projeções do setor, o mercado pode ultrapassar o equivalente a cerca de 75 bilhões de reais até 2030. A multiplicação das opções criou um ecossistema em que o aprendizado e o afeto viraram produto. Um dos campeões de venda é o BubblePal, um pequeno pingente que transforma qualquer pelúcia em interlocutor falante, com 39 vozes diferentes que dão “vida” a personagens da Disney e até heróis chineses. [...]


        No marketing, os autômatos são apresentados como “ferramentas educativas”. Na sala de aula e no quintal, porém, a conta é mais complexa. “Habilidades como empatia, resolução de conflitos e generosidade só podem ser aprendidas na arena complexa das interações humanas”, afirma Daniela Pannuti, diretora da divisão primária da Avenues São Paulo, escola internacional que também mantém um campus em Nova York. A ressalva toca o coração da infância: brincar é processo, não produto. [...] Quando a criança passa a “brincar” com um outro previsível, mesmo que muito sofisticado, há o perigo de treinar o convívio sem contradição, sem espera de vez, sem o gesto de ceder. 


        Do lado de lá do balcão, o fenômeno ilumina uma política industrial cujo adversário, não há dúvida, são os Estados Unidos. O país opera há anos com metas explícitas de liderança tecnológica e digitalização. Brinquedos “inteligentes”, nesse contexto, deixam de ser apenas entretenimento para virar extensão de uma estratégia. “A China entende que a IA é uma ciência e que faz parte do progresso de uma nação. Por isso, esses brinquedos inteligentes são vistos como uma vantagem competitiva no campo da educação”, observa Thomas Law, presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina). A leitura ajuda a explicar por que a adoção é tão veloz: se o objeto promete treinar língua, lógica ou matemática, ele ganha o carimbo de utilidade e acaba entrando no carrinho. O gesto é cultural, mas também pragmático: a família compra o que acredita encurtar o caminho para o desempenho acadêmico.


        Nada disso, no entanto, significa que as máquinas devam ser mantidas do lado de fora da escola ou dos hospitais, onde também atuam, cuidando de idosos. Elas são fundamentais. A tecnologia viabiliza criações que não nasceriam sem câmera, microfone e software. [...] No fim, a questão não é preparar meninos e meninas para o brinquedo de IA de hoje e, sim, para um mundo com IA no futuro; aquele em que a curiosidade, a colaboração, a empatia e o pensamento crítico, as únicas tecnologias realmente exclusivas da espécie humana, conversem com peças de metal e silício. Não abandonemos ao léu os simpáticos robozinhos. 


Fonte: MORAES, Ligia. Robôs no parquinho: brinquedos inteligentes levantam dúvidas sobre efeitos na infância. Veja, 25 out. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/tecnologia/robos-no-parquinho-brinquedos-inteligentes-levantam-duvidas-sobre-efeitos-na-infancia/. Acesso em: 10 fev. 2026.


Avalie a veracidade das proposições sobre os elementos de conexão da parte introdutória do texto.


I - No 1º parágrafo, em: “era esperado que assim fosse”, o “assim” funciona anafórica e cataforicamente, pois o conteúdo mencionado sobre o alcance obtido pelos brinquedos inteligentes na China é esclarecido posteriormente: tais brinquedos deixam de ser apenas curiosidade tecnológica, tornando-se hábito de quarto infantil.


II - No final do 1º parágrafo, em: “a promessa empolga famílias e empresas, mas acende ...”, o sintagma “a promessa” constitui um recurso lexical que se utiliza da derivação deverbal para sintetizar o conteúdo precedente, referindo-se ao anseio da funcionária doméstica dos Jetsons.


III - No encadeamento das ideias para formar o texto, um mesmo conteúdo é tomado como referente de elementos de coesão distintos. Assim, no 1º parágrafo, o “assim” consiste em uma pró-forma referencial ou “advérbio pronominal”, enquanto “a onda” é um sintagma nominal, que encapsula ou resume um conteúdo e tem também caráter lexical.


IV - Os elementos de coesão sequencial – “Ainda que” (na frase parentética) e “mas” (na conclusão do primeiro parágrafo) – são de mesma natureza formal e semântica, estabelecendo relação de contraste entre orações coordenadas no texto.


É CORRETO o que se afirma apenas em:


Alternativas
Q3946892 Pedagogia
No que se refere à Educação Infantil, especialmente no atendimento a bebês e crianças em creches e pré-escolas, a relação com as famílias e os registros pedagógicos constituem elementos fundamentais do trabalho educativo. À luz deste contexto, analise as assertivas a seguir.

I - Após o início do ano letivo, o acesso de familiares às creches e pré-escolas deve ser evitado, a fim de não interferir na rotina e no trabalho pedagógico desenvolvido pela equipe.

II - Antes de bebês iniciarem a frequência à creche, é importante organizar espaços e tempos para que familiares, responsáveis e equipe escolar iniciem um processo de conhecimento mútuo, favorecendo a adaptação.

III - Na avaliação e no desenvolvimento de bebês e crianças, os registros de frequência e permanência possuem relevância pedagógica, mesmo que não haja objetivos de promoção ao Ensino Fundamental.

É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3946891 Pedagogia
Após assistir a uma peça teatral, uma criança de dois anos e meio passou a reconstruir espontaneamente partes da apresentação, dando sentido e ressignificado às cenas observadas, às ações e às situações que mais lhe chamaram a atenção.

Considerando os campos de experiência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), qual deles é prioritariamente mobilizado nessa situação?
Alternativas
Q3946890 Pedagogia
No contexto da Educação Infantil, o acompanhamento do grafismo infantil por meio do portfólio constitui importante instrumento pedagógico.

Considerando o desenvolvimento motor e a construção da noção de tempo, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3946889 Pedagogia
Uma criança que vivenciou recentemente uma situação de intenso sofrimento emocional passa a demonstrar insegurança e solicita espontaneamente a presença de uma pessoa de sua confiança para sentir-se acolhida e segura em determinados períodos de permanência na creche.

À luz do que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sobre os deveres da família e a proteção integral da criança, essa situação caracteriza um pedido de:
Alternativas
Respostas
1301: B
1302: B
1303: A
1304: D
1305: C
1306: A
1307: C
1308: B
1309: B
1310: C
1311: D
1312: A
1313: E
1314: D
1315: E
1316: E
1317: A
1318: C
1319: D
1320: E