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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Os mistérios de uma antiga civilização avançada ainda pouco conhecida
Casas de tijolos com vários andares, ruas organizadas e um sistema de drenagem eficiente, com estruturas semelhantes a vasos sanitários com descarga, poderiam lembrar cidades atuais. No entanto, essa descrição refere-se aos centros urbanos da antiga civilização do Vale do Indo, que existiu há milhares de anos e já apresentava elevado nível de desenvolvimento.
Essa civilização, contemporânea do antigo Egito e da Mesopotâmia, é considerada altamente sofisticada, embora ainda seja pouco compreendida. Parte desse desconhecimento decorre do fato de sua escrita não ter sido decifrada, além da possibilidade de sua organização social ter sido mais igualitária do que a de outras sociedades da época.
Seu período mais desenvolvido ocorreu entre 2600 a.C. e 1900 a.C., embora suas origens remontem a cerca de 4000 a.C. Estendia-se ao longo do rio Indo, em regiões que hoje correspondem ao Paquistão e à Índia, sendo formada por comunidades agrícolas e mais de mil e quatrocentas cidades e povoados.
Um de seus aspectos mais notáveis era o planejamento urbano. As cidades possuíam construções de tijolos padronizados, ruas retas e organizadas em ângulos, além de sistemas de esgoto avançados e espaços destinados a banhos. Esses elementos indicam preocupação com higiene e saúde. A organização urbana também favorecia o comércio, incluindo trocas com outras regiões, como a Mesopotâmia, envolvendo matérias-primas e tecidos.
Outro ponto relevante é a forma de governança. As evidências sugerem uma administração coletiva e estruturada, responsável pela manutenção das cidades, sem sinais claros de poder concentrado, como palácios ou grandes monumentos. Isso diferencia essa civilização de outras da mesma época, nas quais o poder era centralizado e visível.
Apesar dos avanços, muitos aspectos permanecem desconhecidos. Isso se deve, em parte, ao fato de vários sítios ainda não terem sido escavados e ao uso predominante de materiais menos duráveis, como tijolos de barro. Além disso, a escrita encontrada em selos ainda não foi compreendida, o que dificulta o acesso a informações sobre a cultura, as crenças e a organização dessa sociedade.
Essa escrita é composta por poucos símbolos e não possui equivalentes conhecidos que auxiliem sua interpretação. Estudos indicam que há uma estrutura organizada, o que sugere a existência de regras, mas ainda não há consenso sobre seu significado. Caso seja decifrada, poderá revelar informações importantes sobre essa civilização.
Quanto ao seu declínio, uma das principais explicações está relacionada a mudanças ambientais, especialmente alterações no regime de chuvas. Evidências indicam que as populações abandonaram as cidades por volta de 1900 a.C. devido a inundações e dificuldades de adaptação ao novo ambiente.
O estudo dessa civilização oferece reflexões importantes para o presente. Sua organização social e urbana demonstra alto nível de planejamento, mas também revela que fatores ambientais influenciam profundamente o destino das sociedades. Com os recursos tecnológicos atuais, há maior capacidade de compreender esses processos e buscar formas de garantir a sustentabilidade das civilizações contemporâneas.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c248qzqvzqpo.adaptado.
De acordo com o texto apresentado sobre a civilização do Vale do Indo, analise as afirmativas a seguir:
I. A civilização do Vale do Indo desenvolveu cidades com planejamento urbano e sistemas de esgoto organizados.
II. A escrita dessa civilização permanece sem decifração, o que dificulta o conhecimento sobre sua cultura.
III. A presença de grandes monumentos indica a existência de poder centralizado nessa sociedade.
IV. Mudanças ambientais estão entre os fatores associados ao abandono das cidades.
Assinale a alternativa correta.
A expressão "Revoluções Industriais" designa transformações técnicas, econômicas e sociais que, em diferentes momentos, reconfiguraram a produção, o trabalho, o consumo e a organização do espaço. Esses processos não se resumem a invenções isoladas: envolvem energia, máquinas, transportes, formas empresariais, relações trabalhistas e integração de mercados em escala crescente. Com base nessa compreensão, analise as afirmativas a seguir.
I. A Primeira Revolução Industrial esteve associada à mecanização do setor têxtil, ao uso crescente do carvão e à difusão da máquina a vapor, favorecendo a concentração fabril e a aceleração da urbanização, com intensificação do trabalho assalariado e de conflitos sociais.
II. A Segunda Revolução Industrial relaciona-se a novas matrizes energéticas e técnicas (eletricidade, petróleo, aço, química), à expansão de ferrovias e comunicações e à consolidação de grandes corporações, contribuindo para a produção em massa e para novas formas de organização do trabalho.
III. A Terceira Revolução Industrial, frequentemente associada à microeletrônica, à informática e à automação, eliminou a divisão internacional do trabalho e reduziu desigualdades estruturais, pois a difusão tecnológica tornou homogênea a capacidade produtiva entre países centrais e periféricos.
IV. As Revoluções Industriais alteraram também a relação sociedade−natureza, ampliando a extração de recursos, a demanda energética e a produção de poluentes, o que ajuda a explicar problemas ambientais contemporâneos e disputas por infraestrutura e matérias-primas.
Assinale a alternativa correta.
A historiografia diz respeito tanto ao conjunto de obras produzidas sobre o passado quanto aos modos de escrever História, isto é, às escolhas teóricas, metodológicas e narrativas que variam conforme o tempo, os debates intelectuais e os contextos sociais. Considerando esse campo, analise as afirmativas:
I. Historiografia pode ser entendida como a produção escrita da História e, simultaneamente, como a reflexão crítica sobre as formas de construir explicações históricas (problemas, métodos, conceitos e narrativas).
II. A crítica historiográfica envolve examinar, entre outros aspectos, pressupostos teóricos, seleção de fontes, procedimentos de crítica documental, recortes temporais/espaciais e o contexto de produção do historiador.
III. Correntes historiográficas distintas podem interpretar o mesmo conjunto de fontes de modos diferentes, porque variam as perguntas, categorias analíticas e escalas explicativas adotadas, sem que isso implique "qualquer interpretação vale".
IV. A historiografia é essencialmente descritiva e neutra: ao historiador cabe apenas reunir documentos e narrar os fatos em ordem cronológica, pois explicações e interpretações pertencem a outras ciências sociais.
Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas.
O trabalho do historiador depende da seleção, crítica e interpretação de diferentes fontes históricas, entendidas como vestígios produzidos por sociedades em distintos contextos e com variadas intencionalidades. Essas fontes podem assumir formas diversas e exigem procedimentos específicos de análise (autenticidade, autoria, circulação, público-alvo, silêncios e vieses). Relacione corretamente os tipos de fontes da Coluna I às descrições analíticas da Coluna II.
Coluna I − Tipos de fontes
1. Fonte escrita (documental).
2. Fonte material (arqueológica).
3. Fonte oral.
4. Fonte iconográfica/visual.
Coluna II − Descrições analíticas
(__) Inclui objetos, estruturas e vestígios físicos (cerâmicas, utensílios, edificações, sepultamentos), permitindo inferir práticas cotidianas, técnicas e padrões de consumo, mas exigindo contextualização estratigráfica e cautela com lacunas de preservação.
(__) Abrange leis, cartas, registros administrativos, jornais e diários; demanda crítica interna e externa (autoria, datação, finalidade e circulação) para evitar leitura literal e anacrônica do conteúdo.
(__) Baseia-se em relatos, entrevistas e memórias; requer atenção a seletividades, esquecimentos, disputas de sentido e condições de enunciação, articulando o testemunho com outras evidências.
(__) Compreende pinturas, fotografias, gravuras, mapas e cartazes; solicita análise de linguagem visual, enquadramento, símbolos e contexto de produção/uso, evitando tratá-la como "espelho" imediato da realidade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, na Coluna II.
O historiador trabalha com diferentes temporalidades e com registros variados do passado. Nesse processo, tempo histórico e memória se relacionam, mas não se confundem: o primeiro remete à construção analítica de permanências, mudanças e ritmos, enquanto a segunda envolve lembranças socialmente elaboradas, atravessadas por disputas de sentido. Considerando esses fundamentos, analise as afirmativas:
I. O tempo histórico é uma construção analítica que permite compreender processos de mudança e permanência em diferentes ritmos, não se limitando à simples cronologia de datas e acontecimentos.
II. A memória é um fenômeno individual e coletivo, seletivo e situado, podendo ser influenciada por identidades, interesses, experiências e disputas sociais, o que exige crítica e contextualização quando utilizada como fonte.
III. A memória substitui o trabalho histórico, pois o testemunho direto garante acesso imediato e neutro ao passado, dispensando confronto com outras fontes e procedimentos de crítica.
IV. O tempo histórico pode ser analisado por múltiplas escalas temporais (curta, média e longa duração), permitindo explicar simultaneamente eventos, conjunturas e estruturas.
Assinale a alternativa correta.
O imperialismo, especialmente entre o final do século XIX e o início do século XX, esteve associado à expansão territorial, econômica e político-militar de potências industriais sobre regiões da África, Ásia e Oceania, articulando interesses de mercado, disputas geopolíticas e justificativas ideológicas. Considerando esse processo histórico, analise as afirmativas a seguir.
I. O imperialismo relacionou-se à busca por mercados consumidores, matérias-primas e áreas de investimento, em um contexto de industrialização e concorrência entre potências capitalistas.
II. A expansão imperialista foi legitimada por ideologias como a "missão civilizadora" e o racismo científico, que hierarquizavam povos e culturas e justificavam a dominação colonial.
III. O imperialismo do final do século XIX foi um fenômeno exclusivamente econômico, sem relação relevante com estratégias militares, disputas territoriais ou prestígio internacional entre Estados.
IV. A partilha colonial intensificou tensões internacionais e rivalidades entre potências europeias, contribuindo para a formação de alianças e para a escalada de conflitos que culminariam na Primeira Guerra Mundial.
Assinale a alternativa correta.
Coluna 1 (Movimentos):
(A) Comunas urbanas e revoltas camponesas medievais europeias
(B) Rebeliões escravas no Atlântico (ex.: São Domingos/Haiti)
(C) Sindicalismos e greves do "segundo industrialismo" (c. 1880−1914)
(D) Movimentos de direitos civis e novas pautas urbanas (c. 1950−1970)
Coluna 2 (Características):
(__) Ação coletiva com redes clandestinas, linguagem de liberdade e cidadania, internacionalização do debate antiescravista.
(__) Convergência entre elites plebeias e camponeses; fiscalidade e senhorio contestados; repertórios corporativos e urbanos.
(__) Repertórios performáticos e midiáticos, coalizões interraciais e feministas, judicialização e direitos civis urbanos.
(__) Organização de massa, negociação e confronto, institucionalização parcial via partidos e contratos coletivos.
Assinale a alternativa com a sequência correta
Nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA:
Excerto histórico-filosófico (adaptado)
Considerando debates do Iluminismo setecentista, suas tensões internas e impactos políticos modernos, assinale a análise que interpreta o excerto de forma CORRETA e consistente, relacionando ideias, autores e desdobramentos das culturas políticas dos séculos XVIII e XIX.