Na obra História do Brasil, ao analisar a sociedade minerad...

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Q4154515 História
Na obra História do Brasil, ao analisar a sociedade mineradora do século XVIII, Boris Fausto estabelece contrapontos importantes com a historiografia tradicional e com o senso comum sobre a riqueza e a estrutura social das Minas Gerais. Discutindo aspectos que vão da demografia à dinâmica econômica, o autor apresenta interpretações específicas sobre o fenômeno das alforrias e a natureza da opulência mineira. Com base na citada obra de Boris Fausto (2004), assinale a opção correta. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era identificar, na leitura de Boris Fausto, a elevada proporção de libertos entre a população de origem africana em Minas no final do período colonial, com a decadência da mineração aparecendo como hipótese explicativa.

Tema central: Sociedade mineradora mineira
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está de acordo com o ponto atribuído a Fausto sobre a demografia e a dinâmica social das Minas: o autor registra o alto índice de alforrias no final do período colonial e admite, como hipótese explicativa, que a decadência da mineração tenha reduzido o interesse econômico ou a viabilidade da manutenção de parte da escravaria.
B
Errada
Está errada porque atribui a Fausto a defesa de uma “democracia racial” e social nas Minas, com distribuição equitativa da riqueza e inexistência de pobreza extrema. A base afirma o contrário: Fausto ressalta desigualdade, pobreza e forte presença de escravos, libertos e camadas intermediárias.
C
Errada
Está errada porque fala em controle plenamente eficaz da Coroa, eliminação do contrabando e reversão da dependência econômica de Portugal em relação à Inglaterra. A base indica que Fausto não sustenta controle metropolitano pleno e não atribui esse tipo de resultado à administração portuguesa nas Minas.
D
Errada
Está errada porque transforma a mineração em causa de colapso definitivo do açúcar, irrelevância comercial do produto e eliminação da pobreza no centro-sul. A base rejeita essas formulações extremas: a mineração alterou o eixo econômico, mas não autoriza dizer que o açúcar se tornou irrelevante nem que a riqueza do ouro suprimiu a pobreza.
E
Errada
Está errada porque inverte o perfil demográfico e o regime de trabalho das Minas: fala em predominância absoluta de brancos europeus e em trabalho livre assalariado como base da extração aurífera. Segundo a base, a região mineradora teve forte presença de negros, mulatos e escravos, e a mineração colonial apoiou-se amplamente no trabalho escravo.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi usar um dado verdadeiro — o alto número de alforrias — para induzir leituras falsas de harmonia social, riqueza generalizada ou enfraquecimento da escravidão como estrutura central das Minas.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão cobrar interpretação de autor, procure a alternativa que reproduz o núcleo da tese sem acrescentar conclusões absolutas.
  • Desconfie de expressões como “eliminar”, “definitivo”, “inexistência” e “predominância absoluta” quando a base histórica apresentada é mais nuançada.
  • Em temas sobre Minas setecentistas, não confunda opulência de setores específicos com distribuição equitativa de riqueza.
  • Na sociedade mineradora colonial, verifique sempre se a alternativa preserva a centralidade do trabalho escravo e a desigualdade social.

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Comentários

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Letra A

A alternativa A está correta porque reflete precisamente a análise socioeconômica de Boris Fausto sobre a crise do ouro.

Em resumo:

  • O fato: No final do século XVIII, a região de Minas Gerais registrou um número surpreendentemente alto de ex-escravizados (libertos), chegando aos 41,4% citados.
  • A causa: A mineração entrou em rápida decadência com o esgotamento do ouro de aluvião.
  • A lógica dos senhores: Sem ouro para extrair, manter, alimentar e vigiar grandes grupos de escravizados virou um prejuízo.

Para os donos, tornou-se mais vantajoso conceder a alforria (muitas vezes vendida, forçando o liberto a se virar sozinho para sobreviver) do que arcar com os custos de manutenção da mão de obra.

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