Questões de Concurso
Sobre teorias e práticas para o ensino de história em pedagogia
Foram encontradas 952 questões
BONETE JR., W.; MANKE, L. S.; SZLACHTA JR., A. M. Ensino de história:
disputas de narrativas, negacionismos e consciência histórica.
Ponta de Lança: Revista Eletrônica de História,
Memória & Cultura, n. 32, 2025 (adaptado).
Um professor de História, ao ministrar uma aula sobre a Segunda Guerra Mundial, foi interpelado por alguns estudantes sobre uma informação de um perfil de uma rede social que nega os dados históricos acerca do holocausto judaico. Diante do negacionismo, dialogando com os desafios e dilemas do ensino e da pesquisa em História do tempo presente, apontados no texto, o professor precisa
TEXTO 1

TEIXEIRA, V. In: ANTUNES. R. (Org.). Riqueza e miséria do
trabalho no Brasil IV: trabalho digital, autogestão e expropriação da vida.
São Paulo: Boitempo, 2019.
TEXTO 2
A crise da sociedade salarial surge com o declínio da hegemonia taylor-fordista, com a reestruturação produtiva, fundada na flexibilização das relações de trabalho, no contexto de globalização da economia, levando à desestruturação dos arranjos sociais anteriores. As reformas que surgem visam diminuir os custos do trabalho, fragilizando a condição salarial, alastrando a precariedade do emprego, como contrato por tempo determinado, tempo parcial, trabalho temporário e subcontratos. O trabalho perde seu poder de integrar socialmente e garantir as proteções sociais. Observe-se que, se essa “propriedade social” não chegou a se consolidar satisfatoriamente no Brasil, pelo menos os trabalhadores já tiveram seus direitos mais protegidos que no momento atual, em que a reforma trabalhista vem coroar o desmonte progressivo da legislação trabalhista, guiado pelo ideário ultraliberal. A reestruturação do capitalismo global desemboca em uma nova morfologia do trabalho da qual emerge, entre outros fenômenos, o proletariado submetido à hegemonia das tecnologias digitais, principalmente na área de serviços, onde a figura do “trabalhador uberizado” toma a frente da cena. Seus efeitos são a degradação das relações de trabalho, já precedida pela série de precarizações, como a terceirização, a desregulamentação das relações de trabalho, ancoradas no discurso enganoso do empreendedorismo, no assédio crescente, no adoecimento, na ausência de proteção sindical ou de formas de organização solidária entre eles.
ARAÚJO, J. N. G. Neoliberalismo e horizontes da precarização do trabalho.
Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, n. 1, 2020 (adaptado).
TEXTO 1

Ramsés II oferecendo tecidos ao deus hieracocéfalo Montu. Representação de uma
das salas do tesouro (sul) do Templo Grande, em Abu Simbel.
SALES, J. C. Poder e iconografia no antigo Egipto.
Lisboa: Livros Horizonte, 2008.
TEXTO 2
Na tradição do Egito Antigo, o mundo foi criado a partir de um caos primordial, habitado por deuses que continham o potencial de gerar ordem. Mesmo após a criação, esse caos continuava existindo fora dos limites do Egito, como uma ameaça à estabilidade e à vida. Diante disso, cabia ao faraó a missão essencial de manter essas forças afastadas, garantindo a ordem cósmica. O culto egípcio era sempre oficial: os templos integravam o Estado, os sacerdotes atuavam como funcionários, e apenas o faraó era considerado o verdadeiro oficiante, representando toda a humanidade nas oferendas e rituais que asseguravam o equilíbrio do mundo.
CARDOSO, C. F. Deuses, múmias e ziggurats: uma comparação das religiões antigas do Egito e da Mesopotâmia.
Porto Alegre: EdiPUCRS, 1999 (adaptado).
Ao elaborar um plano de aula sobre o Egito Antigo que incentive a autonomia e a construção do pensamento crítico pelos estudantes de uma turma do Ensino Fundamental, o professor deve
TEXTO 1

FEDERICI, S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva.
São Paulo: Elefante, 2017.
TEXTO 2
Nas cidades medievais, as mulheres trabalhavam como ferreiras, açougueiras, padeiras, candeleiras, chapeleiras, cervejeiras, cardadeiras de lã e comerciantes. Em Frankfurt, havia aproximadamente duzentas ocupações nas quais participavam entre 1 300 e 1 500 mulheres. Na Inglaterra, 72 das 85 guildas incluíam mulheres entre seus membros. Algumas guildas, incluindo a da indústria da seda, eram controladas por elas; em outras, a porcentagem de trabalho de mulheres era tão alta quanto a dos homens. No século XIV, as mulheres também estavam tornando-se professoras escolares, bem como médicas e cirurgiãs, e começavam a competir com homens formados em universidades, obtendo em certas ocasiões uma alta reputação.
FEDERICI, S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva.
São Paulo: Elefante, 2017.
Em uma aula para a Educação Básica, um professor constatou a percepção, entre os estudantes, de que o trabalho na esfera pública nas cidades medievais era realizado, quase que exclusivamente, por homens, enquanto as mulheres ficariam restritas a tarefas domésticas na esfera privada. Ao utilizar ambos os recursos didáticos — a fonte imagética e o texto acadêmico —, a metodologia adotada pelo professor, para abordar o espaço urbano medieval, foi a
OESTERHELD, H. G. O eternauta. São Paulo: Martins Fontes, 2011.
Uma professora de História dos Anos Finais do Ensino Fundamental decidiu utilizar trechos da história em quadrinhos O eternauta, produzida na Argentina, como ponto de partida para discutir o exílio e os movimentos de resistência às ditaduras militares no Cone Sul, que articularam verdadeiras redes de solidariedade internacional. Com base nessa atividade, é adequado propor que os estudantes
I. A LDBEN (Lei nº 9.394/1996) estabelece que o ensino de História deve promover a formação crítica, o respeito à diversidade e a compreensão de processos.
II. A Lei nº 10.639/2003 e a Lei nº 11.645/2008 incluem conteúdos específicos sobre a história afro-brasileiro e indígena, devendo ser ministrados com prioridade no componente curricular de História do Brasil.
III. A BNCC propõe integração de diferentes linguagens, fontes históricas e tecnologias digitais para a aprendizagem significativa de História nos anos finais do Ensino Fundamental.
Quais estão corretas?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define competências e habilidades que orientam o ensino de História, buscando desenvolver o pensamento crítico, a consciência histórica e a valorização da diversidade cultural. Seu propósito é garantir aprendizagens essenciais, respeitando as especificidades regionais e promovendo práticas pedagógicas interdisciplinares. Considerando esses princípios, analise as assertivas a seguir:
I. A BNCC propõe competências que integram o conhecimento histórico à formação cidadã.
II. A BNCC define conteúdos fixos e imutáveis, sem espaço para abordagens locais.
III. A interdisciplinaridade é um princípio orientador das práticas sugeridas pela BNCC.
IV. A BNCC exclui o ensino da diversidade cultural e das identidades regionais.
Está correto o que se afirma em:
Heleieth Saffioti é uma autora brasileira que ficou conhecida internacionalmente como uma das mais importantes pesquisadoras feministas do país. Ela fez um estudo pioneiro na década de 1960 sobre as desigualdades entre mulheres e homens no mercado de trabalho e, buscando compreender o alijamento dos elementos do sexo feminino, apontou para duas questões centrais: a tradição (de que os papéis domésticos cabem às mulheres) e as pseudoteorias (que explicitam deficiências do organismo e da personalidade das mulheres).
Levando em consideração as questões centrais de Saffioti e a História das relações de gênero, é CORRETO afirmar:
Pensando nas festas religiosas e nas sociabilidades, a professora Cibele exibiu para seus alunos o documentário “50 anos de Reinado em Japaraíba”, realizado pela Prefeitura do município. A festa Reinado de Nossa Senhora do Rosário é uma festa popular religiosa que celebra a cultura negra local e é composta por rituais de dança e música. O documentário traz relatos da manifestação cultural e religiosa no município e, a partir dele, a professora propôs trabalhar as tradições e a religiosidade como forma de sociabilidade e suas permanências. Após o documentário, os alunos e a professora refletiram juntos e ela contou um pouco da origem e dos sentidos da festa, que acontecem em várias partes do Estado de Minas Gerais desde os primórdios do seu povoamento e são mantidas como tradição, remontando os tempos da escravidão. A festa compreende uma preparação e é seguida pelos cortejos, desfiles do rei/rainha, músicas e danças dos grupos que passam o dia a cantar e dançar pelas ruas da cidade. A professora pediu que os alunos registrassem por escrito e por imagens o que o documentário despertava em cada um e buscou construir os sentidos coletivos e da memória. Alguns alunos relataram a presença de parentes na festa e de suas próprias memórias e a atividade mobilizou a turma de forma muito positiva.
Pensando nos conteúdos mobilizados e nas competências trabalhadas pela professora, é CORRETO afirmar que a professora buscou a
O professor Daniel realizou uma atividade cultural com seus alunos. Inicialmente ele propôs a eles que, por meio de uma pesquisa, levantassem e identificassem instrumentos musicais que são originalmente brasileiros. Os alunos identificaram as violas (como a caipira e a de cocho, de Mato Grosso), o violão brasileiro, e o violão de sete cordas, o reco-reco, o berimbau, o repique, o tamborim ou pandeiro, o cavaco, o agogô. Ao mesmo tempo, identificaram também que esses instrumentos tiveram influência ou vieram de outras culturas como a africana e a portuguesa. Para atividade cultural, os alunos escolheram alguns instrumentos que conseguiram ou improvisaram com o apoio da professora de artes e fizeram uma roda de samba durante o intervalo da aula de sexta-feira. Foi uma festa para os alunos da turma do professor Daniel e de várias outras turmas que interagiram e participaram! Mas nem tudo foi festa. A diretora recebeu reclamações de alguns pais com relação às músicas e ao estilo escolhido. O professor Daniel, apesar de chateado, resolveu usar o resultado para aprendizagem e discutiu com seus alunos sobre a desvalorização da cultura de matriz africana por parte da sociedade brasileira e do preconceito que se afirma, principalmente, entre setores mais conservadores e religiosos, que demonizam as práticas do batuque e as suas representações.
A tarefa do professor envolveu CORRETAMENTE a
Base Nacional Comum Curricular
- Competências Específicas de História
Competência 1: Compreender acontecimentos históricos, relações de poder, processos, mecanismos de transformação, manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferentes espaços, para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo.
Assinale a alternativa correta, segundo o texto.