Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q3925593 Português
A organização sintática das orações influencia a progressão dos sentidos no período. Considerando esse aspecto estrutural, relacionado ao período simples e composto, assinale a alternativa CORRETA
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Q3921809 Português
Para responder à questão, leia o capítulo IV do romance Quincas Borba, de Machado de Assis.


     Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler as Memórias póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado, e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora em Barbacena. [...]

    Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu. Quincas Borba tivera ali alguns parentes, mortos já agora em 1867; o último foi o tio que o deixou por herdeiro de seus bens. Rubião ficou sendo o único amigo do filósofo. Regia então uma escola de meninos, que fechou para tratar do enfermo. Antes de professor, metera ombros a algumas empresas, que foram a pique. [...]

    A opinião ostensiva do médico era que a doença do Quincas Borba iria saindo devagar. Um dia, o nosso Rubião, acompanhando o médico até à porta da rua, perguntou-lhe qual era o verdadeiro estado do amigo. Ouviu que estava perdido, completamente perdido; mas, que o fosse animando. Para que tornar-lhe a morte mais aflitiva pela certeza...?

    — Lá isso, não, atalhou Rubião; para ele, morrer é negócio fácil. Nunca leu um livro que ele escreveu, há anos, não sei que negócio de filosofia...

     — Não; mas filosofia é uma coisa, e morrer de verdade é outra; adeus.


(Quincas Borba, 2012.)
“Saberia Rubião que o nosso Quincas Borba trazia aquele grãozinho de sandice, que um médico supôs achar-lhe? Seguramente, não; tinha-o por homem esquisito. É, todavia, certo que o grãozinho não se despegou do cérebro de Quincas Borba, — nem antes, nem depois da moléstia que lentamente o comeu.” (2° parágrafo)

No contexto em que se insere, a conjunção sublinhada expressa ideia de
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Q3921752 Português
Para responder à questão, leia o início da famosa Carta de achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz de Caminha.


     Senhor,

    Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do achamento desta vossa terra nova, que agora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza, e o farei o melhor possível, ainda que, para bem contar e falar, eu saiba pior que todos fazer. Entretanto, tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade e por certo creia que, sem aformosear1 ou afear2 , não contarei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem3 e das singraduras4 do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza porque o não saberei fazer e também porque são os pilotos que devem ter esse cuidado. E, portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo.

(Carta de achamento do Brasil, 2021.)


1 aformosear: embelezar.

2 afear: enfeiar, tornar feio.

3 marinhagem: manobras náuticas, ou seja, aspectos técnicos da navegação a vela.

4 singradura: percurso marítimo realizado ao longo de um dia.
Em “Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do achamento desta vossa terra nova, [...] não deixarei também de dar notícias disso a Vossa Alteza”, a locução conjuntiva “Posto que” introduz uma oração adverbial que expressa ideia de
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Q3921602 Português

Para responder à questão, leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


   

      E foi obedecendo a essa ordem de ideias que [Policarpo Quaresma] comprou aquele sítio, cujo nome — Sossego — cabia tão bem à nova vida que adotara, após a tempestade que o sacudira durante quase um ano. [...]


    Ele foi contente. Como era tão simples viver na nossa terra! Quatro contos de réis por ano, tirados da terra, facilmente, docemente, alegremente! Oh! terra abençoada! Como é que toda a gente queria ser empregado público, apodrecer numa banca, sofrer na sua independência e no seu orgulho? Como é que se preferia viver em casas apertadas, sem ar, sem luz, respirar um ambiente epidêmico, sustentar-se de maus alimentos, quando se podia tão facilmente obter uma vida feliz, farta, livre, alegre e saudável?


    E era agora que ele chegava a essa conclusão, depois de ter sofrido a miséria da cidade e o emasculamento1 da repartição pública, durante tanto tempo! Chegara tarde, mas não a ponto de que não pudesse, antes da morte, travar conhecimento com a doce vida campestre e a feracidade2 das terras brasileiras. Então pensou que foram vãos aqueles seus desejos de reformas capitais nas instituições e costumes: o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola, um culto pelo seu solo ubérrimo3, para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.


(Triste fim de Policarpo Quaresma, 2011.)


1emasculamento: perda da virilidade, perda da força ou do vigor.

2feracidade: fertilidade.

3ubérrimo: extremamente úbere (ou seja, fértil).

“o que era principal à grandeza da pátria estremecida era uma forte base agrícola [...] para alicerçar fortemente todos os outros destinos que ela tinha de preencher.” (3º parágrafo)


Em relação ao trecho que o antecede, o trecho sublinhado expressa ideia de

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Q3917625 Português
 No que se refere à regência, assinale a alternativa CORRETA:
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Q3917623 Português
      Já em sua República, Platão imaginava que a constituição de seu Estado utópico se fundaria na “nobre mentira” – uma estória ficcional sobre a origem da ordem social, que assegura a lealdade dos cidadãos e impede que questionem a constituição. Devia-se dizer aos cidadãos, escreveu Platão, que todos eles haviam nascido da terra, que a terra era a mãe deles e, portanto, deviam lealdade filial à terra natal. Também se devia dizer aos cidadãos que, quando foram concebidos, as divindades misturaram dentro deles vários metais – ouro, prata, bronze e ferro –, o que justifica uma hierarquia natural entre dirigentes de ouro e servos de bronze. Embora a utopia de Platão nunca se tenha concretizado, muitos Estados ao longo das eras contaram a seus habitantes variações dessa nobre mentira. (...)

        A Constituição dos Estados Unidos começa com “Nós, o povo”. Ao reconhecer sua origem humana, ela investe os seres humanos do poder de corrigi-la. Os Dez Mandamentos abrem com “Sou o Senhor teu Deus”. Alegando origem divina, o texto impede que os seres humanos o alterem. Por isso é que o texto bíblico segue endossando a escravidão até hoje. (...)

     Todos os sistemas humanos se baseiam em ficções, mas alguns o admitem e outros não. Ser veraz sobre as origens de nossa ordem social facilita efetuar mudanças nela. Se foram seres humanos como nós que a inventaram, então podemos corrigi-la. Mas essa veracidade tem seu preço. Reconhecer as origens humanas da ordem social tem seu preço. Reconhecer as origens humanas da ordem social dificulta que haja uma concordância geral com ela.


Texto extraído do livro Nexus, de Yuval Noah Harari. Companhia das Letras, 2024. Trad. Berilo Vargas e Denise Bottmann, p. 59-61.
Sobre aspectos referentes à análise linguística do texto, fazem-se as seguintes afirmativas:

I. O trecho “que a terra era a mãe deles e, portanto, deviam lealdade filial à terra natal” apresenta um caráter conclusivo. 
II. O trecho “Se foram seres humanos como nós que a inventaram” nos dá a ideia de uma condição ao que vem exposto a seguir.
III. O trecho “Por isso é que o texto bíblico segue endossando a escravidão até hoje” apresenta também um caráter de conclusão.
IV. Em “Embora a utopia de Platão nunca se tenha concretizado”, coloca-se um argumento contrário, mas incapaz de impedir a realização do fato expresso a seguir.
V. Em “mas alguns o admitem e outros não”, o vocábulo “o” poderia ser substituído por outro vocábulo: “isso”

Assinale a alternativa CORRETA

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Q3917622 Português
      Já em sua República, Platão imaginava que a constituição de seu Estado utópico se fundaria na “nobre mentira” – uma estória ficcional sobre a origem da ordem social, que assegura a lealdade dos cidadãos e impede que questionem a constituição. Devia-se dizer aos cidadãos, escreveu Platão, que todos eles haviam nascido da terra, que a terra era a mãe deles e, portanto, deviam lealdade filial à terra natal. Também se devia dizer aos cidadãos que, quando foram concebidos, as divindades misturaram dentro deles vários metais – ouro, prata, bronze e ferro –, o que justifica uma hierarquia natural entre dirigentes de ouro e servos de bronze. Embora a utopia de Platão nunca se tenha concretizado, muitos Estados ao longo das eras contaram a seus habitantes variações dessa nobre mentira. (...)

        A Constituição dos Estados Unidos começa com “Nós, o povo”. Ao reconhecer sua origem humana, ela investe os seres humanos do poder de corrigi-la. Os Dez Mandamentos abrem com “Sou o Senhor teu Deus”. Alegando origem divina, o texto impede que os seres humanos o alterem. Por isso é que o texto bíblico segue endossando a escravidão até hoje. (...)

     Todos os sistemas humanos se baseiam em ficções, mas alguns o admitem e outros não. Ser veraz sobre as origens de nossa ordem social facilita efetuar mudanças nela. Se foram seres humanos como nós que a inventaram, então podemos corrigi-la. Mas essa veracidade tem seu preço. Reconhecer as origens humanas da ordem social tem seu preço. Reconhecer as origens humanas da ordem social dificulta que haja uma concordância geral com ela.


Texto extraído do livro Nexus, de Yuval Noah Harari. Companhia das Letras, 2024. Trad. Berilo Vargas e Denise Bottmann, p. 59-61.
Assinale a alternativa que contém uma oração subordinada adjetiva: 
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Q3917621 Português
Muitos linguistas condenam o emprego de um mesmo complemento referido a verbos de regência diferente. Assinale a alternativa em que esse fenômeno ocorre:
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Q3917619 Português
Considere as frases a seguir:

I. Como houve um ataque de abelhas, a partida de tênis foi interrompida.
II. Os professores terão sua reivindicação salarial atendida, exceto se mantiverem a greve.
III. Eu não consegui chegar a tempo ao show, porque chovia muito.
IV. João estava muito doente, contudo foi à aula de literatura.
V. Os nordestinos são tão trabalhadores quanto os sulistas.

As relações semânticas estabelecidas pelos conectivos nas frases são, respectivamente,
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Q3917618 Português
Leia o texto a seguir, início da crônica “Falta de assunto”, escrita por Monteiro Lobato aos 21 anos, constante do livro Literatura do Minarete (São Paulo: Globo, 2008, p. 57):

        Na sala reina um desconsolo aterrador; em todos os rostos vê-se impressa a angústia mais dolorida; entreolham-se com ar de piedade e de súplica. Que é que houve? Morreu alguém? Nada disso. O que há é que não há assunto. Todos os presentes já se acham mais gordos ou mais magros; já disseram que o frio este ano tardou a vir; já lamentaram a sorte dos reis da Sérvia e agora jazem de nariz para o ar farejando compungidos um assunto qualquer, por mais fútil que seja.
     Dona Clodoalda, uma quarentona com fios de barba na cara lustrosa, tenta erguer a pobre conversação caída, e dos seus lábios ressequidos escapa mais uma dessas frivolidades que punham cóleras surdas em Gustavo Flaubert:

    – Acho o doutor um pouquinho mais gordo do que da outra vez que aqui esteve.

Assinale a alternativa que contém o fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito: 
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Q3917341 Português
Cadê a indignação com a emergência habitacional?


        Certos problemas urbanos deixam brasileiros indignados. Edifícios altos que mudam a paisagem do bairro. Fios elétricos aéreos e outdoors que geram poluição visual. A proliferação de Oxxos e farmácias. São posts que viralizam e temas focais de discussões urbanas em jornais e planos diretores. A indignação, no entanto, parece ignorar um problema mais grave.

       No Brasil, 16 milhões de pessoas, equivalente à população da Holanda, moram em favelas. Isso significa, via de regra, precariedade habitacional e ausência de titularidade de terra e, portanto, de infraestrutura básica e serviços públicos. Cerca de 500 mil desses domicílios não possuem sequer acesso à rede de distribuição de água. Perante o vácuo institucional, esses territórios também se tornam reféns do crime organizado. Há uma relação íntima entre (a falta de) urbanismo e segurança pública.
 
         Essas favelas estão na periferia de Teresina, onde centenas de casas de taipa (construídas com técnica rudimentar de madeira e barro) não surgiram no século passado, mas em 2020, durante a pandemia. Estão também no Morumbi, em São Paulo, onde apenas em Paraisópolis moram mais de 50 mil pessoas. Ou no centro do Rio de Janeiro, onde a favela do Morro da Providência, considerada a primeira do país, é solenemente ignorada há nada menos que 130 anos. A pobreza, aparentemente, não atrapalha a paisagem urbana, tampouco gera indignação cuja raiz nasce da necessidade.

     Nossa política habitacional tem focado, desde a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação) em 1964, o financiamento de novos conjuntos habitacionais. "Moradia Digna", dizia o painel mostrando o recém-inaugurado empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) na periferia de Imperatriz, no interior do Maranhão. A imagem que acompanhava era de casas idênticas e repetidas, com acesso precário a empregos, serviços ou redes de transporte.

      O estudo "Morar Longe", do Instituto Escolhas em parceria com o Cepesp/FGV, avalia o resultado do PMCMV mostrando que a solução tem incentivado a ocupação de áreas mais distantes do centro das cidades. Com o financiamento, esses moradores também ficam "presos" ao seu endereço por uma década, dificultando uma troca de emprego que poderia levar à mobilidade social. Mesmo com milhões de unidades entregues, entre o Censo de 2010 e 2022 o Brasil apresentou um crescimento de 43,5% na sua população morando em favelas, evidenciando não apenas a insuficiência do PMCMV como a necessidade de atuar sobre territórios já consolidados.

       Ao tomar a decisão de não fazer nada, perpetuamos as desigualdades e deixamos as portas abertas para os territórios do crime. É urgente uma reflexão profunda sobre o alvo da nossa indignação urbana.


Texto de Anthony Ling (adaptado). Disponível em https://
www1.folha.uol.com.br/colunas/caos-planejado/2025/12/
acesso em 02 de dezembro de 2025.

Todos os vocábulos destacados, nas orações abaixo, funcionam como elementos coesivos formais e apresentam, concomitantemente, uma função sintática dentro da oração que eles iniciam, EXCETO em: 
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Q3917340 Português
Cadê a indignação com a emergência habitacional?


        Certos problemas urbanos deixam brasileiros indignados. Edifícios altos que mudam a paisagem do bairro. Fios elétricos aéreos e outdoors que geram poluição visual. A proliferação de Oxxos e farmácias. São posts que viralizam e temas focais de discussões urbanas em jornais e planos diretores. A indignação, no entanto, parece ignorar um problema mais grave.

       No Brasil, 16 milhões de pessoas, equivalente à população da Holanda, moram em favelas. Isso significa, via de regra, precariedade habitacional e ausência de titularidade de terra e, portanto, de infraestrutura básica e serviços públicos. Cerca de 500 mil desses domicílios não possuem sequer acesso à rede de distribuição de água. Perante o vácuo institucional, esses territórios também se tornam reféns do crime organizado. Há uma relação íntima entre (a falta de) urbanismo e segurança pública.
 
         Essas favelas estão na periferia de Teresina, onde centenas de casas de taipa (construídas com técnica rudimentar de madeira e barro) não surgiram no século passado, mas em 2020, durante a pandemia. Estão também no Morumbi, em São Paulo, onde apenas em Paraisópolis moram mais de 50 mil pessoas. Ou no centro do Rio de Janeiro, onde a favela do Morro da Providência, considerada a primeira do país, é solenemente ignorada há nada menos que 130 anos. A pobreza, aparentemente, não atrapalha a paisagem urbana, tampouco gera indignação cuja raiz nasce da necessidade.

     Nossa política habitacional tem focado, desde a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação) em 1964, o financiamento de novos conjuntos habitacionais. "Moradia Digna", dizia o painel mostrando o recém-inaugurado empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) na periferia de Imperatriz, no interior do Maranhão. A imagem que acompanhava era de casas idênticas e repetidas, com acesso precário a empregos, serviços ou redes de transporte.

      O estudo "Morar Longe", do Instituto Escolhas em parceria com o Cepesp/FGV, avalia o resultado do PMCMV mostrando que a solução tem incentivado a ocupação de áreas mais distantes do centro das cidades. Com o financiamento, esses moradores também ficam "presos" ao seu endereço por uma década, dificultando uma troca de emprego que poderia levar à mobilidade social. Mesmo com milhões de unidades entregues, entre o Censo de 2010 e 2022 o Brasil apresentou um crescimento de 43,5% na sua população morando em favelas, evidenciando não apenas a insuficiência do PMCMV como a necessidade de atuar sobre territórios já consolidados.

       Ao tomar a decisão de não fazer nada, perpetuamos as desigualdades e deixamos as portas abertas para os territórios do crime. É urgente uma reflexão profunda sobre o alvo da nossa indignação urbana.


Texto de Anthony Ling (adaptado). Disponível em https://
www1.folha.uol.com.br/colunas/caos-planejado/2025/12/
acesso em 02 de dezembro de 2025.

Transpondo a oração “Nossa política habitacional tem focado, desde a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação) em 1964, o financiamento de novos conjuntos habitacionais.” para a voz passiva analítica, obtém-se a seguinte oração reescrita, adequadamente:
Alternativas
Q3917338 Português
Cadê a indignação com a emergência habitacional?


        Certos problemas urbanos deixam brasileiros indignados. Edifícios altos que mudam a paisagem do bairro. Fios elétricos aéreos e outdoors que geram poluição visual. A proliferação de Oxxos e farmácias. São posts que viralizam e temas focais de discussões urbanas em jornais e planos diretores. A indignação, no entanto, parece ignorar um problema mais grave.

       No Brasil, 16 milhões de pessoas, equivalente à população da Holanda, moram em favelas. Isso significa, via de regra, precariedade habitacional e ausência de titularidade de terra e, portanto, de infraestrutura básica e serviços públicos. Cerca de 500 mil desses domicílios não possuem sequer acesso à rede de distribuição de água. Perante o vácuo institucional, esses territórios também se tornam reféns do crime organizado. Há uma relação íntima entre (a falta de) urbanismo e segurança pública.
 
         Essas favelas estão na periferia de Teresina, onde centenas de casas de taipa (construídas com técnica rudimentar de madeira e barro) não surgiram no século passado, mas em 2020, durante a pandemia. Estão também no Morumbi, em São Paulo, onde apenas em Paraisópolis moram mais de 50 mil pessoas. Ou no centro do Rio de Janeiro, onde a favela do Morro da Providência, considerada a primeira do país, é solenemente ignorada há nada menos que 130 anos. A pobreza, aparentemente, não atrapalha a paisagem urbana, tampouco gera indignação cuja raiz nasce da necessidade.

     Nossa política habitacional tem focado, desde a criação do BNH (Banco Nacional da Habitação) em 1964, o financiamento de novos conjuntos habitacionais. "Moradia Digna", dizia o painel mostrando o recém-inaugurado empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) na periferia de Imperatriz, no interior do Maranhão. A imagem que acompanhava era de casas idênticas e repetidas, com acesso precário a empregos, serviços ou redes de transporte.

      O estudo "Morar Longe", do Instituto Escolhas em parceria com o Cepesp/FGV, avalia o resultado do PMCMV mostrando que a solução tem incentivado a ocupação de áreas mais distantes do centro das cidades. Com o financiamento, esses moradores também ficam "presos" ao seu endereço por uma década, dificultando uma troca de emprego que poderia levar à mobilidade social. Mesmo com milhões de unidades entregues, entre o Censo de 2010 e 2022 o Brasil apresentou um crescimento de 43,5% na sua população morando em favelas, evidenciando não apenas a insuficiência do PMCMV como a necessidade de atuar sobre territórios já consolidados.

       Ao tomar a decisão de não fazer nada, perpetuamos as desigualdades e deixamos as portas abertas para os territórios do crime. É urgente uma reflexão profunda sobre o alvo da nossa indignação urbana.


Texto de Anthony Ling (adaptado). Disponível em https://
www1.folha.uol.com.br/colunas/caos-planejado/2025/12/
acesso em 02 de dezembro de 2025.

“Perante o vácuo institucional, esses territórios também se tornam reféns do crime organizado.” O termo sintático marcado apresenta a mesma função sintática do termo destacado em:
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Q3916860 Português
Texto para responder à questão.

     Chagas aponta que o papel do meme como ferramenta democratizadora já é um grande avanço em relação ao debate público restritivo que tínhamos até então, assim, esse fenômeno repensa como o debate político ganhou uma amplitude inédita. “Esse fato, no entanto, não é isento de problemas. O meme pode ser a porta de entrada para esses debates da esfera pública, mas não devemos ficar apenas nele. Um exemplo seria a maior participação popular nos debates de atores sociais que resumem os seus argumentos em memes, mesmo sem possuírem um conhecimento aprofundado sobre o tema. Esse é um problema que a cultura dos memes pode trazer. Outro ponto de preocupação é o uso da liberdade de publicação para alimentar discursos de ódio e promover desinformação”, adiciona.

NUNES, Fernandes. A cultura dos memes no Brasil. Universidade Federal Fluminense, 27/08/2024.
No trecho “O meme pode ser a porta de entrada para esses debates da esfera pública, mas não devemos ficar apenas nele.”, a conjunção “mas” indica:
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Q3916859 Português
Texto para responder à questão.

     Chagas aponta que o papel do meme como ferramenta democratizadora já é um grande avanço em relação ao debate público restritivo que tínhamos até então, assim, esse fenômeno repensa como o debate político ganhou uma amplitude inédita. “Esse fato, no entanto, não é isento de problemas. O meme pode ser a porta de entrada para esses debates da esfera pública, mas não devemos ficar apenas nele. Um exemplo seria a maior participação popular nos debates de atores sociais que resumem os seus argumentos em memes, mesmo sem possuírem um conhecimento aprofundado sobre o tema. Esse é um problema que a cultura dos memes pode trazer. Outro ponto de preocupação é o uso da liberdade de publicação para alimentar discursos de ódio e promover desinformação”, adiciona.

NUNES, Fernandes. A cultura dos memes no Brasil. Universidade Federal Fluminense, 27/08/2024.
No trecho “Chagas aponta que o papel do meme como ferramenta democratizadora já é um grande avanço em relação ao debate público restritivo que tínhamos até então...”, a regência e o uso da crase são analisados para compreender o funcionamento da preposição e do artigo definido. Marque a opção em que o uso do acento grave indicativo de crase estaria gramaticalmente adequado às normas, considerando o mesmo contexto sintático da expressão destacada.
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Q3916858 Português
Observe o trecho do texto Poema só para Jaime Ovalle de Manuel Bandeira: “Quando hoje acordei, ainda fazia escuro / (Embora a manhã já estivesse avançada). / Chovia. / Chovia uma triste chuva de resignação / Como contraste e consolo...”. Considerando a ocorrência do verbo “chover”, julgue os itens abaixo e assinale a alternativa que contempla a concordância verbal adequada do verbo às normas gramaticais.
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Q3916857 Português
Texto para responder à questão.

    No trecho a seguir, extraído de um romance, a personagem Semíramis faz uma observação sobre substantivos e adjetivos enquanto analisa uma obra do escritor cearense José de Alencar (1829–1877). Na obra, a personagem conviveu com o romancista cearense quando ele ainda era criança e o chamava carinhosamente de Cazuzinha.

     “Que livro belo, amoroso, equilibrado, casto, vasto, eterno... Fiz uma lista de adjetivos que Cazuzinha usava no romance: bravio, líquido, alvo, ensombrado, e numa só frase: verde, impetuoso, aventureiro, manso. Afoito rápido fresco frágil jovem branco selvagem intermitente vibrante, fugitivo, tênue, inocente, agro, lindo, fosco, brioso, altivo revolto branco airoso... isso só no primeiro capítulo. Cansei-me, a lista era longa. Padre Simeão dizia que os adjetivos são divinos, sagrados. São os adjetivos que dão a medida das cousas, o substantivo é real, parco, limitado. O substantivo é a substância, matéria, o adjetivo é espírito, é a transcendência do pensamento. A humana capacidade de julgar, compreender, se expressa nos adjetivos. Por exemplo, substantivo: padre. E adjetivo: padre matreiro. Astuto. Matraqueado.”

MIRANDA, Ana. Semíramis. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. (Fragmento)
No trecho “A humana capacidade de julgar, compreender, se expressa nos adjetivos.”, ressalta-se a presença dos verbos “julgar” e “compreender” na forma do infinitivo, sem complementos explícitos. Considerando a regência desses verbos e a possibilidade de reescrever o trecho mantendo correção e sentido, marque a alternativa que contempla a regência verbal adequada às normas gramaticais.
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Q3916173 Português
Como uma teoria da motivação humana mostra que
jogos de tabuleiro podem ser os presentes perfeitos
para qualquer pessoa



Nos finais de ano, é quase inevitável conversarmos sobre a arte e a ciência de presentear. Até dá para evitar, mas eu não quero. Acho fundamental falar sobre isso, dado o quanto de dinheiro desperdiçamos dando coisas que não gostaríamos de ter comprado para pessoas que nem queriam ganhar aquilo. Levantamentos feitos pelo mercado nos EUA e no Reino Unido dão conta de que o equivalente a mais de meio bilhão de reais é gasto em presentes que ninguém quer: lembranças protocolares, acessórios inúteis, objetos de decoração que não agradam.
Mas às vezes somos obrigados a presentar mesmo sem querer: um amigo, um familiar. Seria possível contar com auxílio da ciência para acertar no presente?
Haverá algo que todo mundo goste?
De acordo com a Teoria da Autodeterminação, proposta nos anos 1970, existem três necessidades básicas psicológicas básicas de todo ser humano: autonomia – sensação de ter controle e ser livre em suas escolhas; competência – sentimento de ser eficaz, interagir com o ambiente e modificá-lo, desenvolvendo habilidades; e relacionamento – a criação de vínculos, interação entre pessoas, promovendo conexão e pertencimento. Essas necessidades são a base da motivação intrínseca – aquela força que nos leva a fazer as coisas porque queremos genuinamente, que nos trazem prazer em si mesmas, não dependendo de recompensas externas.
A ludicidade, incluindo brincar e jogar, talvez seja a expressão mais completa da motivação intrínseca. É um impulso prazeroso por si só, provavelmente fixado em nossos instintos por nos levar a praticar habilidades e adquirir competências. E é por isso que sugiro que presenteemos com jogos. Apesar de divertidos, eles são mais sérios do que imaginamos quando se considera o quanto preenchem nossas necessidades de autonomia – já que nos jogos somos obrigados a fazer nossas próprias escolhas -, competência – uma vez que estamos praticando ali diversas habilidades -, e obviamente relacionamentos – peça chave dos jogos de tabuleiro.
Seja qual for o perfil da pessoa que você precisa presentear, com a quantidade de títulos que temos disponíveis hoje em dia é impossível não encontrar uma opção que a agrade, pois há alguns lançamentos recentes que mostram essa profusão de possibilidades.

É possível jogar individualmente, de dois a quatro jogadores, e também formar duplas, o que acrescenta mais uma camada de desafio às partidas, já que é preciso entrar perfeita em sintonia com o parceiro.


Texto de Daniel de Barros (adaptado). Disponível em https://revistagalileu.globo.com/colunistas/tubo-de-ensaios/ coluna/2025/11/, acesso em 13 de dezembro de 2025
No período composto: “É possível jogar individualmente, de dois a quatro jogadores, e também formar duplas [...]”, tem-se a presença de orações subordinadas do tipo:
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Q3914579 Português
No período “Os alunos realizaram a atividade; por isso, compreenderam melhor o conteúdo”, o termo destacado estabelece uma relação lógica fundamental para a progressão do sentido do texto. Nesse contexto, o elemento de coesão indica relação de:
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Ano: 2025 Banca: Instituto Fênix Órgão: Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC Provas: Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor de Educação Física 40H - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor de Inglês - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor I - Contação de História - 40H - Superior Incompleto - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor I - Educação Infantil - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor II - Anos Iniciais 40H - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor III - Arte 40H - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor III Ciências - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor III - História - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor III - Língua Portuguesa - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor III - Matemática - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor IV Informática 20H - Superior Incompleto - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor IV - Música 20H - Superior Incompleto - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor para Atuar com Alunos PCD - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Psicopedagogo - Edital nº 1 PSS | Instituto Fênix - 2025 - Prefeitura de Bom Jardim da Serra - SC - Professor III Geografia - Edital nº 1 PSS |
Q3913994 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


Happy-condria



    Recentemente, um amigo me apresentou a um “especialista em felicidade”. Jesus, pensei, será uma nova profissão que desconheço? Pois é, dizia-se expert em fazer diagnóstico de pessoas das mais variadas classes sociais, para detectar os empecilhos em encontrar instantes plenos e de realização profissional. Desconfiei das intenções do rapaz, mas o ouvi por uns bons trinta minutos. Conclui que a teoria se mostra eficaz, porém dificilmente terá respaldo na prática. E digo isso ancorado em inúmeras leituras e observações que tenho feito ao longo dos anos sobre o tema.

    Não dá para usar meras estatísticas para identificar a motivação ou o desânimo frente a uma realidade tão subjetiva como a da mente humana. Tudo bem, podemos estabelecer parâmetros, comparar, concluir. Contudo, é o olhar sobre cada indivíduo que irá determinar as suas prioridades e carências em um mundo em constante mutação.

    Devemos ter um cuidado especial: esse desejo de viver sempre imersos na plenitude pode nos conduzir a um projeto irrealizável, querendo editar a existência, salvando só os melhores momentos. Resultado: muitos estão sofrendo da chamada “happy-condria”, uma espécie de obsessão (ou dependência) por estados de euforia, de gozo e prazer. Seria maravilhoso, mas, convenhamos, impossível de acontecer.

    Analisei à certa distância o expert que tinha acabado de conhecer. Estava isolado do grupo festivo, bastante silencioso, com uma expressão de tédio. Bem, talvez com ele não esteja funcionando tão bem a sua pregação. Na verdade, nada mais natural: essas oscilações emocionais fazem parte do pacote em que está embrulhada a nossa subjetividade. Ao expor minhas ideias em palestras, enfatizo a importância de cada um desenvolver um roteiro particular e só depois ir agregando proposições alheias. Fórmulas? Jamais! No máximo um convite para refletir sobre os conceitos legados ao longo dos séculos pelos grandes mestres. Evitemos escrever meia dúzia de mandamentos definitivos. Esqueça todo processo mágico que porventura te apresentarem. Será necessário um duro e longo trabalho até aprender a separar o essencial do supérfluo. Aqui começa a descoberta dos reais propósitos a nos servir de guia para a busca desse sentimento que perpassa a história da nossa espécie.

    Aprecio o fato de alguém destinar preciosas horas para entender o que nos leva a desejar tão intensamente o bem-estar interior. Somos fruto do tempo que habitamos. Reféns do valor da individualidade, mal conseguimos aprender essa máxima do filósofo Marco Aurélio: “O que não é bom para a colmeia, tampouco o será para a abelha.” Seguimos, no entanto, tentando nos aparelhar mesmo frente à volatilidade do mundo. As coisas importantes são miúdas, estão ausentes das estatísticas. Passam discretamente diante de nós, desejando ser capturadas quando estamos vigilantes.

    Na regra de ouro da vida, a atenção é o ingrediente principal.



Autor: Gilmar Marcílio - GZH (adaptado). 

Considerando a análise sintática da oração “Desconfiei das intenções do rapaz”, o tipo de sujeito é classificado como:
Alternativas
Respostas
7201: A
7202: B
7203: D
7204: B
7205: D
7206: E
7207: D
7208: B
7209: C
7210: A
7211: E
7212: A
7213: D
7214: B
7215: A
7216: C
7217: D
7218: C
7219: C
7220: C