Para responder à questão, leia o início da famosa Carta de achamento do Brasil, escrita por Pero Vaz
de Caminha.
Senhor,
Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os
outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do
achamento desta vossa terra nova, que agora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar notícias disso
a Vossa Alteza, e o farei o melhor possível, ainda que, para
bem contar e falar, eu saiba pior que todos fazer. Entretanto,
tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade e por
certo creia que, sem aformosear1
ou afear2
, não contarei aqui
mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem3
e
das singraduras4
do caminho não darei aqui conta a Vossa
Alteza porque o não saberei fazer e também porque são os
pilotos que devem ter esse cuidado. E, portanto, Senhor, do
que hei de falar começo e digo.
(Carta de achamento do Brasil, 2021.)
1 aformosear: embelezar.
2 afear: enfeiar, tornar feio.
3 marinhagem: manobras náuticas, ou seja, aspectos técnicos da navegação a vela.
4 singradura: percurso marítimo realizado ao longo de um dia.
Em “Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os
outros capitães escrevam a Vossa Alteza sobre a nova do
achamento desta vossa terra nova, [...] não deixarei também
de dar notícias disso a Vossa Alteza”, a locução conjuntiva
“Posto que” introduz uma oração adverbial que expressa
ideia de