Questões de Concurso Sobre português

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Q3794823 Português
À luz das perspectivas estrutural e discursiva da linguagem, compreende-se que fenômenos como sinonímia, antonímia, homonímia, paronímia, polissemia e ambiguidade expressam a natureza dinâmica e relacional do léxico, no qual os sentidos se constroem em redes de oposição, semelhança e variação contextual. Assim, o significado não é estático nem absoluto, mas dependente do uso, da intencionalidade comunicativa e das condições de enunciação que o atualizam. Nesse contexto analítico e interpretativo, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3794808 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como é fazer entrevista de emprego com uma inteligência artificial: tempo foi otimizado, mas desumaniza


O economista Everton Freire, de 33 anos, havia preenchido dezenas de formulários em busca de trabalho quando finalmente recebeu um e-mail positivo: fora selecionado para a segunda etapa de um processo seletivo em uma empresa de educação na área da saúde. Surpreendeu-se ao saber que seria entrevistado por uma inteligência artificial — experiência inédita entre as vagas às quais havia se candidatado.

Esse tipo de tecnologia vem sendo adotado por empresas brasileiras de vários portes. No caso de Freire, as instruções chegaram por WhatsApp, e suas respostas deveriam ser enviadas em áudio. O sistema reagia de forma imediata, adaptando as perguntas às respostas. Após poucas interações, a entrevista terminou com um retorno positivo: ele se encaixava no perfil da vaga. O processo, porém, não avançou.

Freire relata ter sentido curiosidade e estranhamento. Achou impessoal falar com uma máquina, especialmente em uma empresa da área da saúde. Depois reconheceu que o tempo fora otimizado e que, ao menos, obteve um retorno rápido. Hoje, já empregado, avalia que a tecnologia beneficia mais as empresas do que os candidatos: "é eficiente, mas desumaniza o processo".

O uso de IA em processos seletivos não é novo, mas se expandiu com a IA generativa, como o ChatGPT. Segundo a professora Humberta Silva, da Hochschule Bremen, o grande volume de candidaturas em plataformas como o LinkedIn levou empresas a recorrerem à automação. A pandemia acelerou esse movimento, com chatbots, entrevistas avaliadas por algoritmos e rankings automáticos.

Especialistas apontam vantagens como escalabilidade, padronização e redução de vieses. Edison Audi Kalaf, professor do Insper, afirma que o impacto da IA pode superar o da internet no início dos anos 2000, desde que usada de modo ético.

Startups brasileiras já oferecem esse tipo de serviço, defendendo ganhos de tempo e custo. Patrick Gouy, da Recrut.AI, ressalta que seria inviável analisar milhares de currículos sem apoio tecnológico. Christian Pedrosa, da DigAI, diz que o modelo reduz vieses, e Augusto Salomon, da Starmind, afirma que a IA tende a julgar menos que humanos. Para Pamela Borges, da Coploy, a tecnologia não substitui o recrutador, mas libera o profissional para tarefas mais estratégicas.

A tese de doutorado de Humberta Silva, na FEA-USP, conclui que as vantagens da IA ainda não superam os efeitos negativos, como a exigência de palavras-chave, o acesso desigual à internet e a falta de transparência sobre o uso da tecnologia. O desequilíbrio de poder entre empresas e candidatos também aumenta, pois as corporações dispõem de mais informações.

Em testes feitos pela BBC News Brasil, as entrevistas conduzidas por IA destacaram a valorização de termos técnicos e avaliações automáticas pouco contextualizadas. Em um caso, um candidato foi penalizado por não citar "SEO", exigência apenas opcional. Em outro, as respostas foram criticadas por motivos sem relação com a pergunta.

Em um experimento, jornalistas responderam a uma entrevista com textos criados pelo ChatGPT, adaptados para soar naturais. O desempenho foi bem avaliado, mas o sistema registrou suspeita de leitura das respostas. 

O uso de IA em recrutamentos exige cautela jurídica. O advogado Rafael Bispo de Filippis, do escritório Mattos Filho, explica que, mesmo sem legislação específica, continuam válidas as regras contra discriminação. Se o algoritmo agir de forma enviesada, o candidato pode buscar indenização. O projeto de lei aprovado no Senado em 2024, ainda em análise na Câmara, prevê transparência, direito à informação e correção de vieses.

Filippis recomenda que empresas mantenham contratos claros com os fornecedores de IA e arquivem as entrevistas, garantindo meios de defesa em caso de litígio. Candidatos podem solicitar acesso a seus dados com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

Ainda cercado de desafios éticos e humanos, o uso da inteligência artificial em entrevistas tende a se consolidar. Para as empresas, representa eficiência; para candidatos como Everton Freire, lembra que, mesmo com ganhos de tempo, nada substitui o olhar humano no processo de seleção.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cewyng440vro.adaptado.
O texto discute o uso crescente da inteligência artificial em entrevistas de emprego, destacando tanto os ganhos de eficiência quanto as preocupações éticas e jurídicas que acompanham a automação de processos seletivos. Ao reunir relatos de candidatos, opiniões de especialistas e considerações legais, a narrativa propõe uma reflexão sobre os limites da tecnologia quando aplicada a contextos humanos e decisórios.

Com base nas ideias apresentadas, é CORRETO afirmar que o texto defende:
Alternativas
Q3794807 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como é fazer entrevista de emprego com uma inteligência artificial: tempo foi otimizado, mas desumaniza


O economista Everton Freire, de 33 anos, havia preenchido dezenas de formulários em busca de trabalho quando finalmente recebeu um e-mail positivo: fora selecionado para a segunda etapa de um processo seletivo em uma empresa de educação na área da saúde. Surpreendeu-se ao saber que seria entrevistado por uma inteligência artificial — experiência inédita entre as vagas às quais havia se candidatado.

Esse tipo de tecnologia vem sendo adotado por empresas brasileiras de vários portes. No caso de Freire, as instruções chegaram por WhatsApp, e suas respostas deveriam ser enviadas em áudio. O sistema reagia de forma imediata, adaptando as perguntas às respostas. Após poucas interações, a entrevista terminou com um retorno positivo: ele se encaixava no perfil da vaga. O processo, porém, não avançou.

Freire relata ter sentido curiosidade e estranhamento. Achou impessoal falar com uma máquina, especialmente em uma empresa da área da saúde. Depois reconheceu que o tempo fora otimizado e que, ao menos, obteve um retorno rápido. Hoje, já empregado, avalia que a tecnologia beneficia mais as empresas do que os candidatos: "é eficiente, mas desumaniza o processo".

O uso de IA em processos seletivos não é novo, mas se expandiu com a IA generativa, como o ChatGPT. Segundo a professora Humberta Silva, da Hochschule Bremen, o grande volume de candidaturas em plataformas como o LinkedIn levou empresas a recorrerem à automação. A pandemia acelerou esse movimento, com chatbots, entrevistas avaliadas por algoritmos e rankings automáticos.

Especialistas apontam vantagens como escalabilidade, padronização e redução de vieses. Edison Audi Kalaf, professor do Insper, afirma que o impacto da IA pode superar o da internet no início dos anos 2000, desde que usada de modo ético.

Startups brasileiras já oferecem esse tipo de serviço, defendendo ganhos de tempo e custo. Patrick Gouy, da Recrut.AI, ressalta que seria inviável analisar milhares de currículos sem apoio tecnológico. Christian Pedrosa, da DigAI, diz que o modelo reduz vieses, e Augusto Salomon, da Starmind, afirma que a IA tende a julgar menos que humanos. Para Pamela Borges, da Coploy, a tecnologia não substitui o recrutador, mas libera o profissional para tarefas mais estratégicas.

A tese de doutorado de Humberta Silva, na FEA-USP, conclui que as vantagens da IA ainda não superam os efeitos negativos, como a exigência de palavras-chave, o acesso desigual à internet e a falta de transparência sobre o uso da tecnologia. O desequilíbrio de poder entre empresas e candidatos também aumenta, pois as corporações dispõem de mais informações.

Em testes feitos pela BBC News Brasil, as entrevistas conduzidas por IA destacaram a valorização de termos técnicos e avaliações automáticas pouco contextualizadas. Em um caso, um candidato foi penalizado por não citar "SEO", exigência apenas opcional. Em outro, as respostas foram criticadas por motivos sem relação com a pergunta.

Em um experimento, jornalistas responderam a uma entrevista com textos criados pelo ChatGPT, adaptados para soar naturais. O desempenho foi bem avaliado, mas o sistema registrou suspeita de leitura das respostas. 

O uso de IA em recrutamentos exige cautela jurídica. O advogado Rafael Bispo de Filippis, do escritório Mattos Filho, explica que, mesmo sem legislação específica, continuam válidas as regras contra discriminação. Se o algoritmo agir de forma enviesada, o candidato pode buscar indenização. O projeto de lei aprovado no Senado em 2024, ainda em análise na Câmara, prevê transparência, direito à informação e correção de vieses.

Filippis recomenda que empresas mantenham contratos claros com os fornecedores de IA e arquivem as entrevistas, garantindo meios de defesa em caso de litígio. Candidatos podem solicitar acesso a seus dados com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

Ainda cercado de desafios éticos e humanos, o uso da inteligência artificial em entrevistas tende a se consolidar. Para as empresas, representa eficiência; para candidatos como Everton Freire, lembra que, mesmo com ganhos de tempo, nada substitui o olhar humano no processo de seleção.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cewyng440vro.adaptado.
O economista Everton Freire, de 33 anos, havia preenchido dezenas de formulários em busca de trabalho quando finalmente recebeu um e-mail positivo: fora selecionado para a segunda etapa de um processo seletivo em uma empresa de educação na área da saúde. Surpreendeu-se ao saber que seria entrevistado por uma inteligência artificial — experiência inédita entre as vagas às quais havia se candidatado.

De acordo com as regras de concordância verbal, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
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Q3794772 Português

Leia atentamente o texto a seguir.

 

A digitalização do cotidiano transformou de forma irreversível a maneira como nos relacionamos com o conhecimento. Antes, bibliotecas e arquivos físicos eram referências quase incontestáveis; hoje, a Internet oferece acesso instantâneo a informações diversas, ainda que nem sempre verificadas. Esse fenômeno, paradoxalmente, amplia a democratização do saber e intensifica os desafios da filtragem crítica.

Nas universidades, professores e pesquisadores debatem os impactos dessa mudança. Alguns argumentam que a facilidade de acesso favorece o aprendizado autodidata e a interdisciplinaridade, permitindo que estudantes conectem áreas de estudo de forma inédita. Outros, porém, alertam para a superficialidade das consultas rápidas e a tendência de aceitar dados sem o devido escrutínio, comprometendo a qualidade da formação acadêmica.

Além disso, práticas de leitura e escrita foram profundamente afetadas. A leitura extensiva, crítica e reflexiva — aquela que exige tempo e envolvimento com o texto — concorre com hábitos mais imediatistas, como a leitura fragmentada de notícias ou postagens em redes sociais. No campo da produção textual, observa-se que a síntese e a objetividade ganham relevância, mas que a argumentação complexa e elaborada frequentemente sofre restrições de tempo e espaço.

Em última análise, o desafio contemporâneo não reside apenas na quantidade de informação disponível, mas na capacidade de relacioná-la, interpretá-la e transformá-la em conhecimento sólido. Isso exige competências que vão além da memorização, incluindo análise crítica, capacidade de síntese, interpretação de contextos múltiplos e consciência das estratégias de comunicação e persuasão presentes nos textos. Assim, formar leitores e escritores críticos torna-se prioridade, não apenas no ambiente acadêmico, mas na vida cotidiana.

 

Considerando o texto, assinale a alternativa correta:

Alternativas
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Q3794771 Português
A coluna I apresenta palavras, e a coluna II descreve processos de formação ou elementos presentes na palavra. Associe corretamente cada palavra à classificação adequada.
Imagem associada para resolução da questão
A sequência que preenche corretamente a coluna II é: 
Alternativas
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Q3794770 Português
Analise a palavra “anticonstitucional” e considere as afirmativas a seguir.
I - O encontro consonantal “nt” na sílaba inicial “anti” é classificado como encontro consonantal oclusivo + nasal, pertencendo à mesma sílaba.
II - O dígrafo “ci” na sequência “ti-ci-o” representa o fonema /s/, configurando um dígrafo consonantal, e não deve ser separado na divisão silábica.
III - A sequência “io” em “cio-nal” configura ditongo crescente, pois a semivogal /i/ precede a vogal plena /o/, formando a mesma sílaba.
IV - A divisão silábica correta da palavra é an-ti-consti-tu-cio-nal, respeitando encontros consonantais, dígrafos e encontros vocálicos da norma padrão.
Assinale a alternativa correta: 
Alternativas
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Q3794766 Português
Leia o texto a seguir.
Então, sabe aquele projeto que a gente comentou na reunião passada? Pois é, ele tá andando meio devagar porque várias pessoas não entregaram o que prometeram. Mas eu acho que, se cada um fizer sua parte, a gente consegue finalizar tudo dentro do prazo. Tipo, não é impossível, só precisa de organização mesmo.
Com base no texto acima, analise as afirmativas.
I - O uso de expressões como “tipo” e “sabe aquele projeto” caracteriza marcas linguísticas da linguagem oral, indicando informalidade e presença do falante no enunciado.
II - A ausência de pontuação rigorosa e a presença de conectores coloquiais evidenciam que o texto não respeita plenamente os padrões da linguagem escrita formal, aproximando-se do registro oral.
III - O contexto de produção textual pode ser identificado como comunicativo e situacional, direcionado a colegas de trabalho, em que o emissor assume postura persuasiva e motivadora.
IV - A expressão “não é impossível, só precisa de organização mesmo” indica marca de objetividade típica da linguagem escrita formal, reforçando clareza e neutralidade do texto.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
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Q3794765 Português
Considere as afirmativas a seguir sobre termos da oração, à luz da norma-padrão.
I - Em “As crianças brincavam alegremente no jardim”, o termo “no jardim” é adjunto adverbial, logo termo acessório, enquanto “As crianças” exerce a função de sujeito simples.
II - Em “Confiamos em suas palavras”, o sintagma “em suas palavras” é objeto indireto, termo integrante da oração, exigido pela regência do verbo “confiar”.
III - Em “A moça tornou-se médica”, o termo “médica” é predicativo do sujeito, classificado como termo essencial da oração, já que não é regido diretamente pelo verbo.
IV - Em “Precisamos de silêncio absoluto durante a reunião”, o termo “de silêncio absoluto” é objeto indireto, termo integrante da oração, pois o verbo “precisar”, no sentido empregado, exige complemento regido por preposição.
Assinale a alternativa correta: 
Alternativas
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Q3794764 Português
Analise o texto abaixo. Surpreendentemente, os cientistas observaram que as abelhas não apenas seguem padrões pré-estabelecidos de voo, mas também ajustam suas rotas conforme mudanças climáticas sutis. Essa capacidade extraordinária sugere que, além de instintos biológicos, existe uma forma primitiva de aprendizado cognitivo. Entretanto, alguns críticos argumentam que tais interpretações podem exagerar a complexidade do comportamento animal, confundindo adaptação com raciocínio deliberado.
Observe as afirmativas a seguir, considerando classes de palavras e funções sintáticas.
I - Em “Surpreendentemente”, o vocábulo atua como advérbio de modo, modificando o verbo “observaram” de forma circunstancial.
II - O termo “cientistas” funciona como sujeito simples da oração principal, sendo um substantivo comum plural.
III - Em “além de instintos biológicos”, o núcleo “instintos” é um substantivo concreto, indicando algo existente no mundo real.
IV - O vocábulo “deliberado” em “raciocínio deliberado” é adjetivo, exercendo função de adjunto adnominal restritivo, qualificando o substantivo “raciocínio”.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
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Q3794763 Português
Leia atentamente o texto a seguir.
Há quem insista em afirmar que a tecnologia nos isola. Entretanto, não é raro observar que ela também aproxima: pessoas distantes trocam mensagens em segundos, reuniões virtuais substituem longas viagens, e novos vínculos se criam em redes sociais. O risco talvez não esteja na tecnologia em si, mas no modo como a utilizamos: tanto pode se tornar instrumento de solidão quanto de convivência.
Com base no texto, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q3794729 Português
Na tirinha de Galhardo, os últimos dois quadros revelam a crítica central do texto, que se direciona à(ao):
Alternativas
Q3794728 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

No contexto do oitavo parágrafo, no fragmento “No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter SUBVERSIVO da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo”, uma palavra que melhor se opõe ao sentido expresso por “subversivo” é:
Alternativas
Q3794727 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

No trecho “Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, ENQUANTO, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros” (5º parágrafo), o termo destacado expressa o sentido de:
Alternativas
Q3794726 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

Ao anunciar, no primeiro parágrafo, que tentou criar uma frase de impacto logo no início do seu texto, a autora ironiza a seguinte característica dos leitores atuais:
Alternativas
Q3794725 Português

Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

Com base nas reflexões críticas e nos exemplos apresentados, o texto de Giovana Madalosso pode ser classificado como um(a): 
Alternativas
Q3794695 Português
Qual é a separação correta das sílabas da palavra BONECA?
Alternativas
Q3794694 Português
Marque a única opção onde a palavra está escrita de forma CORRETA:
Alternativas
Q3794693 Português
Marque a opção que mostra o contrário (antônimo) da palavra muito, usada na frase "gosta muito de animais".
Alternativas
Q3794692 Português
Na frase "Ela ficou feliz", qual palavra tem o mesmo sentido da palavra destacada? 
Alternativas
Q3794691 Português

Texto de Apoio para a questão:


O passeio no sítio


Dona Maria gosta muito de animais. No final de semana, ela foi ao sítio visitar sua irmã. Lá, Maria viu vacas, porcos e muitas galinhas. Ela ficou feliz porque adora a vida no campo. Na hora de ir embora, Maria comprou queijo fresco e ovos para levar para casa. 

Após realizar a leitura atenta da história narrada no texto acima, onde acompanhamos o passeio de final de semana da personagem ao sítio, identifique a alternativa que explica corretamente o verdadeiro motivo de Dona Maria ter ficado feliz durante a sua visita: 
Alternativas
Respostas
22081: B
22082: B
22083: C
22084: A
22085: A
22086: X
22087: B
22088: A
22089: B
22090: B
22091: D
22092: D
22093: A
22094: C
22095: B
22096: A
22097: C
22098: C
22099: B
22100: A