No contexto do oitavo parágrafo, no fragmento “No incerto ...

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Leia o texto a seguir:


Texto 1


Estamos viciados em narrativas curtas



    Já começo esta coluna tentando criar alguma frase de impacto: vai que o leitor não aguenta ler o texto até o fim. Ler o parágrafo até o fim. Ler a linha até o fim. Também estou sofrendo do mesmo mal. Assim como milhões de outras pessoas, tive meu cérebro transformado pelo imediatismo dos posts, dos vídeos curtos, das frases de 140 caracteres.


    Se meu cérebro velho e tão pouco elástico quanto meus quadris se transformou, imagine aquelas cacholas dotadas de jovial plasticidade. Uma amiga que trabalha numa gravadora me contou que muitas crianças já não têm paciência para ouvir uma música inteira: para que ouvir tudo se podemos colocar direto no refrão?


    Tenho um afilhado que fica impaciente quando lhe conto alguma história. Percebi que sua capacidade de atenção dura o mesmo tempo que os recortes a que ele assiste no YouTube: no máximo 60 segundos. Depois, ele começa a se dispersar. Ou então a me pressionar pelo desenlace da narrativa.


    Esses dias, na companhia da minha filha e dos meus sobrinhos, dei play numa música do Velvet Underground, de dez minutos. Ficaram indignados: que música bizarra, que saco ter que esperar tudo isso. E eu: esperar o quê? Ouvir não seria o destino? Além disso, aonde vamos com tanta pressa? Claro que ninguém soube responder.


    Já escuto o dia em que eles vão querer ouvir duas músicas ao mesmo tempo. Exagero? Algo parecido já vem acontecendo com os vídeos, aqueles de tela dividida. Esses dias minha filha assistia a um tutorial de maquiagem na parte de cima da tela, enquanto, na parte de baixo, um homem fazia a demonstração de um aspirador que prometia acabar com ácaros. "E esse cara limpando o tapete?", lhe perguntei. "O que é que tem?", me devolveu de ombros, como se aturar dois vídeos ao mesmo tempo fosse a coisa mais natural do mundo.


    Quando a tela não se divide, o espectador se divide. A maioria das pessoas assiste a séries com o celular ao lado. Conscientes da dispersão causada pelo uso simultâneo de duas telas, os roteiristas já começam a escrever episódios mais didáticos, recapitulando aquilo que a mente multitarefa não foi capaz de guardar.


    E isso sem falar na duração da dramaturgia, cada vez mais curta. Na Argentina, visitei o Microteatro, que encena várias peças de 15 minutos numa mesma noite, uma em cada sala, permitindo ao público ver quatro ou cinco peças curtas numa visita – o local vive lotado.


    Não à toa, alguns amigos romancistas andam tensos: se eu escrever um livro muito longo, alguém vai ler? No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo. Romances com cerca de mil páginas, como "Guerra e Paz", "Os Miseráveis", "Um Defeito de Cor" e "2666" seguem atravessando o tempo e sendo lidos e agraciados.


    Cada vez que olho para um desses tijolos que não cabe em 60 segundos nem pode ser resumido em 140 caracteres, sinto esperança. As coisas mudam, não há como resistir. Mas sempre haverá quem não se renda ao mercado. Quem esteja disposto a aprofundar reflexões. E quem consuma livros, peças e filmes longos. Ou mesmo leia uma coluna até o fim.


MADALOSSO, Giovana. Estamos viciados em narrativas curtas. Folha de S. Paulo, 2024. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/giovana-maladosso/2024/10/estamos-viciados-em-narrativas-curtas.shtml. Acesso em: 10 nov. 2025 (Adaptado).

No contexto do oitavo parágrafo, no fragmento “No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter SUBVERSIVO da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo”, uma palavra que melhor se opõe ao sentido expresso por “subversivo” é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: Não há fundamento jurídico propriamente dito; a resolução depende de oposição semântica contextual. No trecho “No incerto mercado editorial, ninguém pode dar garantia, mas eu sigo apostando no caráter subversivo da literatura como forma artística capaz de resistir ao imediatismo.”, “subversivo” assume o sentido de algo que resiste, contraria ou não se conforma à lógica dominante; por isso, o antônimo contextual mais adequado é “conformado”.

Tema central: Antônimo contextual
Análise das alternativas
A
Errada
“Neutro” indica ausência de posicionamento, mas o texto constrói uma oposição mais específica: de um lado, resistência ao imediatismo; de outro, acomodação a ele. Por isso, “neutro” não traduz com precisão o antônimo contextual exigido.
B
Errada
“Reflexivo” não mantém relação de oposição semântica com “subversivo” no contexto do trecho. Uma postura reflexiva pode coexistir com resistência crítica; logo, a alternativa não elimina o traço central de inconformismo presente na palavra destacada.
C
Errada
“Inovador” não é antônimo de “subversivo”; ao contrário, pode aproximar-se semanticamente da ideia de ruptura com padrões. A questão exige o oposto de quem contraria a lógica dominante, e não um termo que também possa sugerir rompimento.
D
Certa
A alternativa D está correta porque “conformado” expressa acomodação e aceitação do estado de coisas vigente. No contexto, “subversivo” foi definido pelo próprio texto como aquilo que resiste ao imediatismo e não se rende à pressão do mercado editorial. O oposto, portanto, não é mera ausência de posição, mas adesão passiva à lógica dominante.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre antônimo genérico e antônimo contextual: “neutro” pode parecer oposição imediata, mas o texto exige a ideia de acomodação ao sistema, o que conduz a “conformado”.
Dica para questões semelhantes
  • Extraia o sentido da palavra pelo trecho que a explica, não por um significado isolado de dicionário.
  • Em questões de antonímia, verifique se a oposição é de simples ausência de posição ou de adesão ao padrão criticado no texto.
  • Desconfie de alternativas apenas genéricas quando o contexto indicar contraste mais específico.
  • Se o termo destacado vier acompanhado de explicação no próprio período, esse é o elemento decisivo para fixar o sentido contextual.

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fui seca no golpe

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