Questões de Concurso Comentadas sobre português

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Q3770707 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Prefiro as manhãs para tudo que exija algum esforço

        A literatura é amante das madrugadas. Eu, ao menos, quando menina, imaginava que escritores só escrevessem à noite, enquanto consumiam maços de cigarros e muito uísque, cercados por gatos (nunca por bebês) e tendo o silêncio quebrado apenas pelas ondas do mar – uma casa em uma praia isolada, que outro cenário para produzir poemas dilacerantes, histórias que sangram e ensaios que revolucionam o mundo?

        Ei, ei! Despertador tocando.

        Patti Smith acorda cedo, faz alguns exercícios e sai com uma caderneta em busca de um lugar para escrever enquanto toma um café. Haruki Murakami se levanta da cama às 4h e escreve por cinco ou seis horas – de tarde, pratica esportes. Toni Morrison também começava a escrever antes do nascer do sol, quando não havia ninguém por perto para interrompê-la. Maya Angelou acordava às 5h50, tomava café com o marido e ia para um hotel trabalhar. Jack Kerouac acreditava que o primeiro pensamento era o melhor – escrevia pela manhã em fluxo livre e deixava as tardes e noites para revisões. Henry Miller, mesma coisa: começava seus textos pela manhã e, à noite, andava de bicicleta. Virginia Woolf debruçava-se sobre o caderno das 9h30 ao meio-dia, todos os dias.

        A despeito da fama de notívago e boêmio que todo artista carrega, escrever é um trabalho braçal, somos operários do ofício. A inspiração pode vir do escuro, mas a transpiração é solar e cedo já está em pé.

        Nada mal ter alguma coisa em comum com essa turma, mesmo que apenas com sua rotina criativa. Ninguém me perguntou, mas as manhãs também são coautoras da minha escrita. As primeiras horas do dia me encontram mais acesa. O problema é que é também quando estou mais disposta a me exercitar – à tarde não consigo levantar pesos, fazer abdominais e outras crueldades com meu corpo. É também pela manhã que prefiro ir ao supermercado, geralmente vazio e sem filas. Se preciso fazer compras no shopping, chego antes de as portas abrirem, pelo mesmo motivo: oferta de vagas para estacionar, corredores desimpedidos, provadores às moscas. Ou seja, prefiro as manhãs para tudo que exija algum esforço. Depois das 14h, a inspiração mingua, e depois das 18h, só relaxar me interessa. Ou seja, a continuar assim, morrerei de fome. Tenho que tomar vergonha e transferir todos os meus afazeres mundanos para o turno da tarde, a fim de usar as manhãs exclusivamente para a escrita. Se não conseguir, me restará o radicalismo: abandonar a administração da casa, desistir de manter o corpo saudável e fugir para uma praia isolada, onde aguardarei o sol nascer cercada apenas pelas garrafas vazias da noite anterior e dois ou três gatos.

Autora: Martha Medeiros - GZH (adaptado).
Considerando o valor semântico da locução “a despeito de” no contexto de ocorrência – “A despeito da fama de notívago e boêmio que todo artista carrega”, assinale a alternativa que apresenta expressão ou vocábulo que pode substituir adequadamente a locução, mantendo o sentido original.
Alternativas
Q3770688 Português
A Reforma Administrativa surge em um contexto de desafios fiscais e de crescente demanda por serviços públicos de qualidade. A modernização da máquina estatal é necessária, mas deve ser conduzida com prudência e observância aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. A busca pela eficiência não pode se sobrepor ao dever de assegurar continuidade, segurança jurídica e respeito aos direitos fundamentais de servidores e cidadãos.

O sucesso da reforma dependerá de uma implementação equilibrada e transparente. Modernizar a gestão pública é imperativo, mas o caminho deve ser trilhado sem comprometer as bases constitucionais que sustentam o serviço público brasileiro. A eficiência não pode justificar o enfraquecimento das garantias que asseguram independência e estabilidade aos servidores. Assim, a valorização do funcionalismo, a meritocracia responsável e o compromisso com o interesse público precisam caminhar lado a lado


https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/reforma-administrativa-eo-desafio-de-equilibrar-eficiencia-e-estabilidade-no-servico-publico-frag mento-adaptado 
"A modernização da máquina estatal é necessária, mas  deve ser conduzida com prudência e observância aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

A partir do trecho acima, analise as reescritas a seguir, levando em conta apenas a concordância verbal e nominal.


I.É necessário a modernização da máquina estatal, mas devem ser conduzidas com prudência e observância os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
II.É necessário modernizar a máquina estatal, mas devem ser conduzidos com prudência e observância os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
III.É necessária a modernização da máquina estatal, mas deve ser conduzida com prudência e observância os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
IV.É necessária a modernização da máquina estatal, mas esse processo deve ser conduzido com prudência e com observância aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

A reescrita que mantém a concordância adequada é observada em:
Alternativas
Q3770687 Português
A Reforma Administrativa surge em um contexto de desafios fiscais e de crescente demanda por serviços públicos de qualidade. A modernização da máquina estatal é necessária, mas deve ser conduzida com prudência e observância aos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, previstos no artigo 37 da Constituição Federal. A busca pela eficiência não pode se sobrepor ao dever de assegurar continuidade, segurança jurídica e respeito aos direitos fundamentais de servidores e cidadãos.

O sucesso da reforma dependerá de uma implementação equilibrada e transparente. Modernizar a gestão pública é imperativo, mas o caminho deve ser trilhado sem comprometer as bases constitucionais que sustentam o serviço público brasileiro. A eficiência não pode justificar o enfraquecimento das garantias que asseguram independência e estabilidade aos servidores. Assim, a valorização do funcionalismo, a meritocracia responsável e o compromisso com o interesse público precisam caminhar lado a lado


https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/reforma-administrativa-eo-desafio-de-equilibrar-eficiencia-e-estabilidade-no-servico-publico-frag mento-adaptado 
"O sucesso da reforma dependerá de uma implementação equilibrada e transparente." Com base na regência verbal do verbo 'depender', marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas:

(__)Apresenta-se como transitivo indireto, com complemento indireto preposicionado.
(__)Apresenta-se como bitransitivo, com objeto direto e indireto.
(__)Apresenta-se como a mesma transitividade da observada na frase ' A boa colheita depende das chuvas'.
(__)Apresenta-se como intransitivo, regendo apenas um adjunto adverbial que indica meio.


A sequência que preenche os itens acima, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q3770667 Português
 A estabilidade no serviço público, frequentemente alvo de críticas, é um dos principais pilares de proteção da impessoalidade e da moralidade administrativa. Ela garante que o servidor atue com autonomia técnica, livre de pressões políticas ou interferências externas que possam comprometer o interesse público. O propósito da reforma deve ser criar um ambiente em que a estabilidade não se confunda com imutabilidade ou acomodação, mas seja fortalecida por critérios objetivos de desempenho e produtividade. Nesse sentido, a modernização do serviço público não pode ocorrer à custa da vulnerabilidade funcional do servidor, sob pena de fragilizar a própria estrutura do Estado. 


(https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/reforma-administrativa-e
-o-desafio-de-equilibrar-eficiencia-e-estabilidade-no-servico-publico)
"Nesse sentido, a modernização do serviço público não pode ocorrer à custa da vulnerabilidade funcional do servidor, sob pena de fragilizar a própria estrutura do Estado."
Considerando a regência dos verbos 'ocorrer' e 'fragilizar', identifique a alternativa correta. 
Alternativas
Q3770627 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Observe o trecho destacado abaixo:

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

Analise as afirmativas abaixo em relação à linguagem empregada no trecho.

1. Há alternância do emprego da variante formal de linguagem, a exemplo do emprego do verbo haver como auxiliar, com variante coloquial, caso da fusão da preposição com artigo.
2. O Autor empregou a variação formal de linguagem em todo o trecho do texto, como convém a uma crônica de jornal.
3. O emprego do diminutivo “pulinhos” é uma estratégia textual para melhor descrever a cena retratada no trecho, logo não pode ser considerado erro ou impróprio para este tipo de texto.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Alternativas
Q3770626 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Os tempos verbais assinalam também a duração do processo verbal. Esse é o caso típico da diferença entre o pretérito perfeito e o imperfeito: um determina ação completa no passado; outro, continuada nesse mesmo passado.
Observe o trecho abaixo retirado do texto 1.

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

Em relação ao trecho, assinale a alternativa na qual há verbo no pretérito imperfeito do modo indicativo.
Alternativas
Q3770625 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Existem orações nas quais os verbos são impessoais, também conhecidos como orações sem sujeito ou sujeito inexistente. Analise as orações abaixo em relação ao tema.

1. Primeiro marca-se o caminho da corrida (…)
2.…encontramos Alice e seus amigos completamente molhados (…)
3. Havia crianças com síndrome de Down. (…)
4. Fazia muitos anos (…)

Assinale a alternativa que indica todas as orações onde o sujeito é inexistente.
Alternativas
Q3770624 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Leia os trechos abaixo retirados do texto.

1. “Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre.”
2. “Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de ‘normais’.”
3. “Fazia muitos anos que eu lera aquele livro.”

Assinale a alternativa que indica todos os trechos onde há emprego de linguagem denotativa.
Alternativas
Q3770623 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Os elementos coesivos chamados de referenciais podem se referir a outros que já foram citados no texto (anafóricos) ou que serão citados (catafóricos).

Partindo dessas relações coesivas, verifique qual alternativa abaixo (assinalada no texto) se refere a algo que vai ser dito no texto.
Alternativas
Q3770622 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Assinale a alternativa correta em relação aos tipos e gêneros textuais.
Alternativas
Q3770621 Português
Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Assinale a inferência possível a partir do texto.
Alternativas
Q3770569 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As transfusões de sangue transformaram a medicina moderna.


Se, algum dia, tivermos a infelicidade de sofrer lesões ou precisarmos de uma cirurgia importante, o sangue doado por outras pessoas pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Mas nem todos conseguem se beneficiar deste notável procedimento. Pessoas com tipos raros de sangue enfrentam dificuldade para encontrar doadores compatíveis.

Um dos tipos mais raros que existem é o sangue RH nulo. Até onde se sabe, ele é encontrado em apenas 50 pessoas em todo o mundo.

Se alguma delas sofrer um acidente e precisar de transfusão, a probabilidade de encontrar um doador é mínima. Por isso, o conselho é que essas pessoas congelem seu próprio sangue para que fique armazenado por longo prazo.

Mas, apesar da sua raridade, este tipo de sangue também é altamente valorizado por outras razões. E, na comunidade médica e de pesquisa, ele costuma ser chamado de "sangue dourado", devido às suas possibilidades de uso.

Os cientistas buscam formas de superar as questões de imunidade que, atualmente, restringem a forma de uso do sangue doado. E o sangue tipo Rh nulo pode ser usado para criar transfusões de sangue universais.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93d4xzdwz2o fragmento 
"E, na comunidade médica e de pesquisa, ele costuma ser chamado de "sangue dourado", devido às suas possibilidades de uso."

Analise a regência dos verbos utilizados no trecho e julgue as afirmativas a seguir:

I.O verbo 'costumar' funciona como bitransitivo, o que explica o emprego da preposição 'de' na construção 'de sangue'.
II.A ocorrência da crase em 'às possibilidades' justifica-se porque o vocábulo 'devido' rege a preposição 'a', a qual se combina com o artigo feminino plural.
III.O verbo 'costumar' atua como intransitivo, por não requerer complemento, enquanto o verbo 'ser' funciona como transitivo indireto.
IV.O verbo 'costumar' no enunciado possui a mesma transitividade da empregada no trecho 'Costumou os criados à obediência cega'.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3770565 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As transfusões de sangue transformaram a medicina moderna.


Se, algum dia, tivermos a infelicidade de sofrer lesões ou precisarmos de uma cirurgia importante, o sangue doado por outras pessoas pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Mas nem todos conseguem se beneficiar deste notável procedimento. Pessoas com tipos raros de sangue enfrentam dificuldade para encontrar doadores compatíveis.

Um dos tipos mais raros que existem é o sangue RH nulo. Até onde se sabe, ele é encontrado em apenas 50 pessoas em todo o mundo.

Se alguma delas sofrer um acidente e precisar de transfusão, a probabilidade de encontrar um doador é mínima. Por isso, o conselho é que essas pessoas congelem seu próprio sangue para que fique armazenado por longo prazo.

Mas, apesar da sua raridade, este tipo de sangue também é altamente valorizado por outras razões. E, na comunidade médica e de pesquisa, ele costuma ser chamado de "sangue dourado", devido às suas possibilidades de uso.

Os cientistas buscam formas de superar as questões de imunidade que, atualmente, restringem a forma de uso do sangue doado. E o sangue tipo Rh nulo pode ser usado para criar transfusões de sangue universais.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93d4xzdwz2o fragmento 
"Se, algum dia, tivermos a infelicidade de sofrer lesões ou precisarmos de uma cirurgia importante, o sangue doado por outras pessoas pode fazer a diferença entre a vida e a morte."

A sintaxe de colocação pronominal refere-se à organização dos pronomes dentro da oração. A sequência das palavras não é casual; deve preservar tanto o sentido quanto a fluidez do enunciado. Com base nisso, analise as afirmativas a seguir:

I.Se o núcleo do objeto direto, 'infelicidade', fosse substituído por um pronome oblíquo átono, haveria a utilização da mesóclise, uma vez que, com verbos no futuro, essa posição do pronome é obrigatória.
II.Se a palavra 'lesões' for substituída por um pronome oblíquo, poderá ocorrer a ênclise, já que, com verbos no infinitivo, essa posição do pronome é permitida.
III.Se a expressão 'a diferença' for substituída por um pronome oblíquo, ocorrerá a próclise, uma vez que, antes de locuções verbais, essa colocação é obrigatória.
IV.A próclise se torna obrigatória ao substituir o termo 'lesões', pois a presença da preposição exige essa colocação pronominal.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3770514 Português
Texto 5


A menina que falava internetês


A mãe gostava de acreditar-se moderna. Do figurino à linguagem, esforçava-se para estar sempre up-to-date com as últimas tendências da moda. Seus objetivos eram claros: criar uma imagem de mulher mais jovem e fazer bonito para os filhos, os reis da tecnologia doméstica, que dominavam tudo na casa, dos controles remotos dos aparelhos eletrônicos aos computadores e laptops. Foi o propósito de não perder o bonde da história que levou Wanda a comprar um computador pessoal, assinar um provedor de acesso e começar a navegar pela internet. Nada poderia detê-la rumo à modernidade!

Depois de alguns dias, navegando em seu trabalho, encontrou sua filha pré-adolescente on-line. Não resistiu à tentação e iniciou uma conversa através de um programa de mensagens instantâneas. 

— Olá, filha, aqui é a sua mãe, navegando pela internet… Tudo bem com você, querida?

— blz.

— Como? Não entendi, filhinha. Seu teclado está com algum problema nas vogais?

— naum.

— Vejo que não é este o problema, já que você digitou duas vogais agora mesmo! Mas pode ser um defeito nas teclas de acentuação. Por favor, filha, teste o ‘til’.

— q tio?

— Não, não o tio, o til. O til é o irmão do papai, o tio Bruno. O til é aquele acento do não, do anão, da mamãe… Lembra quando a mamãe ensinou a você que o til parecia uma minhoquinha?

— nem

— Nem? Como assim, ‘nem’? Nem no sentido de conjunção coordenativa aditiva como “não lembro nem quero lembrar”? Ou seria “nem” como conjunção coordenativa alternativa, como em “não me lembro e nem parece uma minhoquinha”?

— ;-(

— Que foi isso, filhota?

— naum quero + tc com vc

— Você… não quer mais tecer comigo?

— teclar

— Assim mamãe fica triste, lindinha. Eu só queria conversar, puxar algum assunto. Mas está difícil. Eu não entendo o que você escreve e você não se interessa pelo que eu digito. Realmente, meu bem, parece que não é possível estabelecer um diálogo com você. Tudo bem, se eu tiver incomodando, eu paro agora mesmo.

— tá

— Antes de ir pra casa eu vou passar no supermercado. O que você quer que eu compre para… para… para vc? É assim que se diz em internetês?

— refri e bisc8

— Refrigerante e biscoito? Biscoito? Filha, francamente, que linguagem é essa? Você estuda no melhor colégio, seu pai paga uma mensalidade altíssima e você escreve assim na internet? Sem vogais, sem acentos, sem completar as palavras, sem usar maiúsculas no início de uma frase, com orações sem nexo e ainda por cima usando números no lugar das sílabas? Isso é inadmissível, Maria Eugênia!

— Xau, mãe, c ta xata.

— Maria Eugênia! Chata é com ch!

— Maria Eugênia?

— Desligou. Bem, pelo menos a tecla til está em ordem.


HERMANN, Rosana. A menina que falava internetês. In: CAMPOS, Carmen Lúcia da Silva; SILVA, Nilson Joaquim da. Lições de gramática para quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e falsas ( F ) com base na leitura do texto 5.

( ) O texto inscrito no gênero discursivo/textual crônica tem por objetivo tematizar o conflito interacional de gerações na era digital.
( ) “Internetês” é uma língua natural, assim como português e inglês; portanto, tem gramática própria.
( ) O texto apresenta uma reflexão sobre a importância do respeito à variedade linguística em seu contexto de uso.
( ) Na passagem “sua filha pré-adolescente on-line” é um exemplo de concordância verbal já que o verbo “é” ocupa uma posição elíptica no texto.
( ) A frase escrita “Xau, mãe, c ta xata” reproduz a linguagem oral e é um exemplo típico do continuum entre oralidade e escrita proposto por Marcuschi.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3770513 Português
Texto 5


A menina que falava internetês


A mãe gostava de acreditar-se moderna. Do figurino à linguagem, esforçava-se para estar sempre up-to-date com as últimas tendências da moda. Seus objetivos eram claros: criar uma imagem de mulher mais jovem e fazer bonito para os filhos, os reis da tecnologia doméstica, que dominavam tudo na casa, dos controles remotos dos aparelhos eletrônicos aos computadores e laptops. Foi o propósito de não perder o bonde da história que levou Wanda a comprar um computador pessoal, assinar um provedor de acesso e começar a navegar pela internet. Nada poderia detê-la rumo à modernidade!

Depois de alguns dias, navegando em seu trabalho, encontrou sua filha pré-adolescente on-line. Não resistiu à tentação e iniciou uma conversa através de um programa de mensagens instantâneas. 

— Olá, filha, aqui é a sua mãe, navegando pela internet… Tudo bem com você, querida?

— blz.

— Como? Não entendi, filhinha. Seu teclado está com algum problema nas vogais?

— naum.

— Vejo que não é este o problema, já que você digitou duas vogais agora mesmo! Mas pode ser um defeito nas teclas de acentuação. Por favor, filha, teste o ‘til’.

— q tio?

— Não, não o tio, o til. O til é o irmão do papai, o tio Bruno. O til é aquele acento do não, do anão, da mamãe… Lembra quando a mamãe ensinou a você que o til parecia uma minhoquinha?

— nem

— Nem? Como assim, ‘nem’? Nem no sentido de conjunção coordenativa aditiva como “não lembro nem quero lembrar”? Ou seria “nem” como conjunção coordenativa alternativa, como em “não me lembro e nem parece uma minhoquinha”?

— ;-(

— Que foi isso, filhota?

— naum quero + tc com vc

— Você… não quer mais tecer comigo?

— teclar

— Assim mamãe fica triste, lindinha. Eu só queria conversar, puxar algum assunto. Mas está difícil. Eu não entendo o que você escreve e você não se interessa pelo que eu digito. Realmente, meu bem, parece que não é possível estabelecer um diálogo com você. Tudo bem, se eu tiver incomodando, eu paro agora mesmo.

— tá

— Antes de ir pra casa eu vou passar no supermercado. O que você quer que eu compre para… para… para vc? É assim que se diz em internetês?

— refri e bisc8

— Refrigerante e biscoito? Biscoito? Filha, francamente, que linguagem é essa? Você estuda no melhor colégio, seu pai paga uma mensalidade altíssima e você escreve assim na internet? Sem vogais, sem acentos, sem completar as palavras, sem usar maiúsculas no início de uma frase, com orações sem nexo e ainda por cima usando números no lugar das sílabas? Isso é inadmissível, Maria Eugênia!

— Xau, mãe, c ta xata.

— Maria Eugênia! Chata é com ch!

— Maria Eugênia?

— Desligou. Bem, pelo menos a tecla til está em ordem.


HERMANN, Rosana. A menina que falava internetês. In: CAMPOS, Carmen Lúcia da Silva; SILVA, Nilson Joaquim da. Lições de gramática para quem gosta de literatura. São Paulo: Panda Books, 2007.
Assinale a alternativa correta quanto à figura de linguagem:
Alternativas
Q3770512 Português

Texto 4


O show


O cartaz

O desejo



O pai

O dinheiro

O ingresso



O dia

A preparação

A ida



O estádio

A multidão

A expectativa



A música

A vibração

A participação



O fim

A volta

O vazio



KOCH, Ingedore. A coerência textual. São Paulo: Contexto, 2001, p. 12.

Com base na leitura do texto 4, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3770510 Português
Texto 2


“O Eixo da Análise Linguística/Semiótica envolve os procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de análise e avaliação consciente, durante os processos de leitura e de produção de textos (orais, escritos e multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos) e pela situação de produção, seja no que se refere aos estilos adotados nos textos, com forte impacto nos efeitos de sentido. Assim, no que diz respeito à linguagem verbal oral e escrita, as formas de composição dos textos dizem respeito à coesão, coerência e organização da progressão temática dos textos, influenciadas pela organização típica (forma de composição) do gênero em questão. No caso de textos orais, essa análise envolverá também os elementos próprios da fala – como ritmo, altura, intensidade, clareza de articulação, variedade linguística adotada, estilização etc. –, assim como os elementos paralinguísticos e cinésicos – postura, expressão facial, gestualidade etc. No que tange ao estilo, serão levadas em conta as escolhas de léxico e de variedade linguística ou estilização e alguns mecanismos sintáticos e morfológicos, de acordo com a situação de produção, a forma e o estilo de gênero”.


BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular [BNCC]. Brasília, 2018, p. 78.
A partir do texto 2 e dos seus conhecimentos sobre a prática de análise linguística/semiótica da BNCC, é correto afirmar que o eixo:
Alternativas
Q3770509 Português
Texto 1


Quinhentos anos de história linguística


Ao longo de 500 anos de história, a situação linguística do Brasil foi supercomplexa, pela presença das línguas indígenas (desde sempre), do português dos colonizadores, das línguas faladas pelos escravos africanos (a partir de 1532) e, depois, das línguas europeias e asiáticas faladas pelos imigrantes. No processo de implantação do português no continente sul-americano, encontramos praticamente todas as situações de contato linguístico possíveis. Ou seja, a história da implantação do português no Brasil foi uma história de multilinguismo.

Por ocasião do descobrimento, dizem os especialistas, vivia no Brasil uma população nativa estimada em seis milhões de indígenas. Esses indígenas falavam cerca de 340 línguas, que eram obviamente não indo-europeias e pertenciam a troncos linguísticos muito diferentes entre si. Portanto, o multilinguismo já existia no continente sul-americano, antes da colonização portuguesa. Os portugueses precisaram aprender e usar essas línguas indígenas por razões de sobrevivência e para impor seu domínio aos nativos. Por sua vez, o tráfico de escravos trouxe para o Brasil alguns milhões de africanos falantes de línguas pertencentes ao tronco niger-congo. Para complicar o quadro, lembre-se de que os portugueses não foram os únicos europeus que tentaram estabelecer colônias no atual território brasileiro: por períodos mais ou menos extensos, os franceses estiveram no Rio de Janeiro e no Maranhão, os holandeses, no Recife, e os espanhóis, no imenso território, hoje brasileiro, que fica a leste do meridiano de Tordesilhas.

Diante de tudo isso, fica evidente que, desde 1500 até o final do Império, o Brasil foi um espaço multilíngue e um enorme laboratório linguístico.


ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português da gente – a língua que estudamos, a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006, pp. 60-61. [Adaptado].
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e falsas ( F ) com base na leitura do texto 1.

( ) Trata-se de um trecho de texto pertencente a um gênero textual/discursivo narrativo, uma vez que conta uma história.
( ) As palavras “história”, “possíveis”, “sobrevivência” e “espanhóis” são regidas pela mesma regra de acentuação ortográfica.
( ) O multilinguismo é um tema que perpassa o texto e faz referência a troncos linguísticos muito diferentes entre si no contexto brasileiro.
( ) As palavras ‘supercomplexa’ e ‘multilinguismo’ são formadas com prefixos que se aproximam semanticamente: super e multi.
( ) O fragmento “Diante de tudo isso” assume uma função de retomada resumitiva, sendo que o pronome ‘isso’ se presta muito bem a essa função.

Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Alternativas
Q3770472 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão;


As transfusões de sangue transformaram a medicina moderna.


Se, algum dia, tivermos a infelicidade de sofrer lesões ou precisarmos de uma cirurgia importante, o sangue doado por outras pessoas pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Mas nem todos conseguem se beneficiar deste notável procedimento. Pessoas com tipos raros de sangue enfrentam dificuldade para encontrar doadores compatíveis.

Um dos tipos mais raros que existem é o sangue RH nulo. Até onde se sabe, ele é encontrado em apenas 50 pessoas em todo o mundo.

Se alguma delas sofrer um acidente e precisar de transfusão, a probabilidade de encontrar um doador é mínima. Por isso, o conselho é que essas pessoas congelem seu próprio sangue para que fique armazenado por longo prazo.

Mas, apesar da sua raridade, este tipo de sangue também é altamente valorizado por outras razões. E, na comunidade médica e de pesquisa, ele costuma ser chamado de "sangue dourado", devido às suas possibilidades de uso.

Os cientistas buscam formas de superar as questões de imunidade que, atualmente, restringem a forma de uso do sangue doado. E o sangue tipo Rh nulo pode ser usado para criar transfusões de sangue universais.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93d4xzdwz2o fragmento
"Os cientistas buscam formas de superar as questões de imunidade que, atualmente, restringem a forma de uso do sangue doado."

Considerando que sinônimos são vocábulos de significados 'aproximados', analise as reescritas e identifique qual delas não apresenta uma substituição adequada para o verbo 'restringir' utilizado no enunciado.
Alternativas
Q3770471 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão;


As transfusões de sangue transformaram a medicina moderna.


Se, algum dia, tivermos a infelicidade de sofrer lesões ou precisarmos de uma cirurgia importante, o sangue doado por outras pessoas pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Mas nem todos conseguem se beneficiar deste notável procedimento. Pessoas com tipos raros de sangue enfrentam dificuldade para encontrar doadores compatíveis.

Um dos tipos mais raros que existem é o sangue RH nulo. Até onde se sabe, ele é encontrado em apenas 50 pessoas em todo o mundo.

Se alguma delas sofrer um acidente e precisar de transfusão, a probabilidade de encontrar um doador é mínima. Por isso, o conselho é que essas pessoas congelem seu próprio sangue para que fique armazenado por longo prazo.

Mas, apesar da sua raridade, este tipo de sangue também é altamente valorizado por outras razões. E, na comunidade médica e de pesquisa, ele costuma ser chamado de "sangue dourado", devido às suas possibilidades de uso.

Os cientistas buscam formas de superar as questões de imunidade que, atualmente, restringem a forma de uso do sangue doado. E o sangue tipo Rh nulo pode ser usado para criar transfusões de sangue universais.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93d4xzdwz2o fragmento
"Se, algum dia, tivermos a infelicidade de sofrer lesões ou precisarmos de uma cirurgia importante, o sangue doado por outras pessoas pode fazer a diferença entre a vida e a morte."

Analise as afirmativas quanto ao emprego dos verbos no trecho acima e marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas:

(__)O verbo 'ter' encontra-se no futuro do subjuntivo, emprego que expressa uma possibilidade vinculada à ocorrência de um fato posterior.
(__)O verbo 'precisar' igualmente se encontra no futuro do subjuntivo, exprimindo relação de dependência com o fato hipotético introduzido pela oração condicional.
(__)O verbo 'poder' encontra-se no presente do indicativo e indica uma possibilidade concreta e atemporal, sem depender de eventos anteriores.

A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
Alternativas
Respostas
20801: A
20802: D
20803: E
20804: E
20805: E
20806: A
20807: C
20808: C
20809: A
20810: B
20811: B
20812: A
20813: D
20814: B
20815: D
20816: B
20817: A
20818: E
20819: B
20820: C