Os tempos verbais assinalam também a duração do processo ve...

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Texto 1

Leia o texto abaixo para responder à questão.


Cada um corre do jeito que pode

Folha de S. Paulo 06/09/2011

RUBEM ALVES


Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas “normais”. Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

(…)

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados - haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

(…)

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:

“Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de ‘um, dois, três, já’. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina.”

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

(…)

“Curriculum”, no latim, quer dizer “corrida”, “lugar onde se corre”. Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido pôr araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os “diferentes” a correr junto com os “iguais” Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os “portadores de deficiência” correndo a mesma corrida dos chamados de “normais”. Nessa corrida, os “deficientes” estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios…
Os tempos verbais assinalam também a duração do processo verbal. Esse é o caso típico da diferença entre o pretérito perfeito e o imperfeito: um determina ação completa no passado; outro, continuada nesse mesmo passado.
Observe o trecho abaixo retirado do texto 1.

Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague… Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: “A corrida terminou!” Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: “Quem ganhou?”. “Todos ganharam”, disse Dodô. “E todos devem ganhar prêmios.”

Em relação ao trecho, assinale a alternativa na qual há verbo no pretérito imperfeito do modo indicativo.
Alternativas

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Tema central: Morfologia – Tempos verbais do modo indicativo: pretérito perfeito, pretérito imperfeito e pretérito mais-que-perfeito composto.

Esta questão exige o reconhecimento do tempo verbal aplicado em trechos de texto, identificando em qual alternativa aparece o pretérito imperfeito do indicativo. Compreender claramente a função de cada tempo verbal é essencial:

  • Pretérito imperfeito do indicativo: Indica ação habitual, contínua ou inacabada no passado (“Ele estudava todos os dias”).
  • Pretérito perfeito: Expressa ação já concluída no passado (“Ele viajou ontem”).
  • Pretérito mais-que-perfeito composto: Refere-se a uma ação anterior a outra no passado (“Quando saí, já haviam fechado a porta”).

Comentando as alternativas:

A) corriaCorreta: O verbo “corria” está conjugado no pretérito imperfeito do indicativo, pois expressa ação habitual/prolongada no passado (“cada um corria do jeito que sabia”). Conforme Cunha & Cintra (1985), esse tempo indica uma situação passada ainda inacabada ou repetida.

B) reuniram: “Reuniram” está no pretérito perfeito do indicativo. Indica ação culminada no passado: reuniram-se após a corrida.

C) começou: “Começou” também está no pretérito perfeito do indicativo, demonstrando início e término da ação no passado.

D) ganharam: “Ganharam” está, igualmente, no pretérito perfeito do indicativo. Indica que o fato (ganhar prêmios) encerrou-se no passado.

E) haviam corrido: Forma composta do passado, caracterizando o pretérito mais-que-perfeito composto. Trata-se de ação já concluída antes de outro fato no passado (“já haviam corrido por meia hora” antes do anúncio do Dodô).

Estratégia para provas: Ao analisar verbos, observe o sufixo/flexão verbal e relacione com o contexto. O pretérito imperfeito costuma ser formado por -ava, -ia, -ia (cantava, corria, escrevia), denotando continuidade, hábito, descrição ou simultaneidade no passado.

Resumo: A alternativa A) corria é a única com verbo no pretérito imperfeito do indicativo, conforme regra e exemplos da gramática normativa.

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 PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO

pretérito imperfeito (usar antigamente)

ex: antigamente eu falava

ação no passado que pode ter ocorrido mais de 1 vez.

ação repetitiva no passado.

Ø Antigamente eu_____

PALAVRA TERMINADA EM: AVA, VÁ, IA, ERA, NHA

Tudo que é IMPERFEITO merece uma VA-IA-INHA e já ERA.

LOCUCAO VERBAL

C) VERBO ''AUXILIA'' NO PRETERITO IMPERFEITO, CONTAGIA COM PRINCIPAL NO PARTICIPIO

INDO PARA PRETERITO MAIS-QUE-PERFEITO.

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