Questões de Concurso Comentadas sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q3104983 Português
Texto VI


    O bife e o vinho compartilham a mitologia sanguínea. É o coração da carne, e qualquer um que a consuma assimila a força do touro. Obviamente, o prestígio do bife deve-se ao seu estado de semicrueza: nele o sangue é simultaneamente visível, denso, compacto e suscetível de ser cortado: imagina-se logo a ambrosia antiga sob a forma de uma matéria pesada que diminui entre os dentes, de modo a fazer com que se sinta ao mesmo tempo a sua força de origem e a sua plasticidade se expandirem no próprio sangue do homem.

    E assim como o vinho se transforma, para um bom número de intelectuais, em substância mediúnica que os conduz à força original da natureza, do mesmo modo o bife é para eles um alimento de redenção, graças ao qual tornam o seu cerebralismo mais prosaico e conjuram, pelo sangue e a polpa mole, a secura estéril de que são acusados.

    Tal como o vinho, na França, o bife é um elemento básico, mais nacionalizado do que socializado, estando presente em todos os cenários da vida alimentar; participa de todos os ritmos, desde a confortável refeição burguesa ao lanche boêmio do celibatário; é uma alimentação simultaneamente rápida e densa, que realiza a mais perfeita união entre a economia e a eficácia, a mitologia e a plasticidade do seu consumo. Além de tudo isso, é um produto eminentemente francês (é certo que se encontra circunscrito, hoje em dia, pela invasão dos steaks americanos). Sendo nacional, depende da cotação dos valores patrióticos: revigora-os em tempo de guerra, sendo a própria carne do combatente francês, o bem inalienável que só pode passar-se para o inimigo à traição. Associado geralmente às batatas fritas, o bife transmite-lhes o seu renome: elas são nostálgicas e patrióticas como o bife.


Roland Barthes. O bife com batatas fritas. In: Mitologias. 2010, p.79-80 (com adaptações).

Ainda em relação ao texto VI, julgue (C ou E) o item a seguir.


A proposição básica do autor é apontar a alienação do povo, por meio da denúncia da propagação de mensagens fantasiosas na mídia.

Alternativas
Q3104967 Português
Texto V


    Quando os jornais anunciaram para o dia 1.º deste mês uma parede de açougueiros, a sensação que tive foi muito diversa da de todos os meus concidadãos. Vós ficastes aterrados; eu agradeci o acontecimento ao céu. Boa ocasião para converter esta cidade ao vegetarismo.

   Não sei se sabem que eu era carnívoro por educação e vegetariano por princípio. Criaram-me a carne, mais carne, ainda carne, sempre carne. Quando cheguei ao uso da razão e organizei o meu código de princípios, incluí nele o vegetarismo; mas era tarde para a execução. Fiquei carnívoro. Era a sorte humana; foi a minha. Não importa, o homem é carnívoro.

  Deus, ao contrário, é vegetariano. Para mim, a questão do paraíso terrestre explica-se clara e singelamente pelo vegetarismo. Deus criou o homem para os vegetais, e os vegetais para o homem.

   Enfim, chegou o dia 1.º de março; quase todos os açougues amanheceram sem carne. Chamei a família; com um discurso mostrei-lhe que a superioridade do vegetal sobre o animal era tão grande, que devíamos aproveitar a ocasião e adotar o são e fecundo princípio vegetariano. Ervas, ervas santas, puras, em que não há sangue; todas as variedades das plantas, que não berram nem esperneiam, quando lhes tiram a vida. Convenci a todos; não tivemos almoço nem jantar, mas dois banquetes. Nos outros dias a mesma cousa.

    O vegetarismo é pai dos simples. Os vegetarianos não se batem; têm horror ao sangue. Eu não me dou por apóstolo único desta grande doutrina. Creio até que os temos aqui, anteriores a mim, e, — singular aproximação! — no próprio conselho municipal. Só assim explico a nota jovial que entra em alguns debates sobre assuntos graves e gravíssimos.


Machado de Assis. Carnívoros e vegetarianos. In: A Semana, 1892 (com adaptações).

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto V, julgue (C ou E) o item subsequente.



Evidencia-se na narrativa que o movimento paredista desencadeia um afastamento do narrador em relação à infância, o que o leva a uma crítica a hábitos adquiridos em seu percurso no sistema educacional e, ao mesmo tempo, a uma defesa da racionalidade humana.

Alternativas
Q3104964 Português
Texto V


    Quando os jornais anunciaram para o dia 1.º deste mês uma parede de açougueiros, a sensação que tive foi muito diversa da de todos os meus concidadãos. Vós ficastes aterrados; eu agradeci o acontecimento ao céu. Boa ocasião para converter esta cidade ao vegetarismo.

   Não sei se sabem que eu era carnívoro por educação e vegetariano por princípio. Criaram-me a carne, mais carne, ainda carne, sempre carne. Quando cheguei ao uso da razão e organizei o meu código de princípios, incluí nele o vegetarismo; mas era tarde para a execução. Fiquei carnívoro. Era a sorte humana; foi a minha. Não importa, o homem é carnívoro.

  Deus, ao contrário, é vegetariano. Para mim, a questão do paraíso terrestre explica-se clara e singelamente pelo vegetarismo. Deus criou o homem para os vegetais, e os vegetais para o homem.

   Enfim, chegou o dia 1.º de março; quase todos os açougues amanheceram sem carne. Chamei a família; com um discurso mostrei-lhe que a superioridade do vegetal sobre o animal era tão grande, que devíamos aproveitar a ocasião e adotar o são e fecundo princípio vegetariano. Ervas, ervas santas, puras, em que não há sangue; todas as variedades das plantas, que não berram nem esperneiam, quando lhes tiram a vida. Convenci a todos; não tivemos almoço nem jantar, mas dois banquetes. Nos outros dias a mesma cousa.

    O vegetarismo é pai dos simples. Os vegetarianos não se batem; têm horror ao sangue. Eu não me dou por apóstolo único desta grande doutrina. Creio até que os temos aqui, anteriores a mim, e, — singular aproximação! — no próprio conselho municipal. Só assim explico a nota jovial que entra em alguns debates sobre assuntos graves e gravíssimos.


Machado de Assis. Carnívoros e vegetarianos. In: A Semana, 1892 (com adaptações).

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto V, julgue (C ou E) o item subsequente.


Na narrativa, a deflagração de um movimento paredista dos açougueiros é a situação que oportuniza ao narrador apresentar uma análise crítica de hábitos alimentares junto aos familiares. 

Alternativas
Q3104961 Português
Texto IV

   Assim como aquela senhora hopi que conversava com a pedra, sua irmã, tem um monte de gente que fala com montanhas. No Equador, na Colômbia, em algumas dessas regiões dos Andes, você encontra lugares onde as montanhas formam casais. Tem mãe, pai, filho, tem uma família de montanhas que troca afeto, faz trocas. E as pessoas que vivem nesses vales fazem festas para essas montanhas, dão comida, dão presentes, ganham presentes das montanhas. (...)

   O tipo de humanidade zumbi que estamos sendo convocados a integrar não tolera tanto prazer, tanta fruição de vida. (...)

   O Rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, não um recurso, como dizem os economistas. (...)

   A conclusão ou compreensão de que estamos vivendo uma era que pode ser identificada como Antropoceno deveria soar como um alarme nas nossas cabeças. (...)


Ailton Krenak. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. 

Em relação a aspectos linguísticos e estilísticos do texto IV, julgue (C ou E) o item que se segue.  



Aspectos antitéticos dos seres humanos são explorados na passagem do primeiro parágrafo, em que prevalece o uso da prosopopeia, ao segundo parágrafo, que remete ao Antropoceno.  

Alternativas
Q3104956 Português
Texto III


    Afinal, os homens nascem iguais, apenas sem uma definição completa da natureza.

  Em Rousseau, por exemplo, com a noção do “bom selvagem”, essa ideia estará absolutamente presente.

   A alteridade desses “novos homens” transformada em modelo lógico se contrapunha à experiência ocidental. Como concluía Rousseau sobre a origem da desigualdade entre os homens, “se há uma bondade original da natureza humana, a evolução social corrompeu-a”.

  O famoso filósofo da Ilustração encontrava um modelo ideal nesse “outro” tão distante do “nós, ocidentais”, e o elegia como moralmente superior. No entanto, ao conformar esse quadro antitético, Rousseau de certa forma se afastava da Ilustração, já que refletia sobre um progresso às avessas.

   Mas, se a visão idílica de Rousseau foi a mais fecunda, é impossível deixar de falar das vertentes mais negativas de interpretação. As imagens que detratam o Novo Mundo se intensificaram, simetricamente correspondentes ao maior conhecimento e colonização desses novos territórios. É o momento em que se passa da projeção da inocência à inata maldade do selvagem.

   Esse debate — que opunha o modelo igualitário da Ilustração às doutrinas raciais — faz parte, no entanto, de um problema mais remoto, sobre as origens da humanidade.

    De um lado, a visão monogenista, dominante até meados do século XIX; de outro, a partir de então, a hipótese poligenista, que se transformava em uma alternativa plausível. Partiam os seus autores da crença na existência de vários centros de criação, que corresponderiam, por sua vez, às diferenças raciais observadas.

Lilia Moritz Schwarcz. O espetáculo das raças. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 45-48 (com adaptações).

Ainda em relação ao texto III, julgue (C ou E) o item a seguir.


Segundo a autora, a hipótese teórica poligenista tornou-se hegemônica no século XIX. 

Alternativas
Q3104954 Português
Texto III


    Afinal, os homens nascem iguais, apenas sem uma definição completa da natureza.

  Em Rousseau, por exemplo, com a noção do “bom selvagem”, essa ideia estará absolutamente presente.

   A alteridade desses “novos homens” transformada em modelo lógico se contrapunha à experiência ocidental. Como concluía Rousseau sobre a origem da desigualdade entre os homens, “se há uma bondade original da natureza humana, a evolução social corrompeu-a”.

  O famoso filósofo da Ilustração encontrava um modelo ideal nesse “outro” tão distante do “nós, ocidentais”, e o elegia como moralmente superior. No entanto, ao conformar esse quadro antitético, Rousseau de certa forma se afastava da Ilustração, já que refletia sobre um progresso às avessas.

   Mas, se a visão idílica de Rousseau foi a mais fecunda, é impossível deixar de falar das vertentes mais negativas de interpretação. As imagens que detratam o Novo Mundo se intensificaram, simetricamente correspondentes ao maior conhecimento e colonização desses novos territórios. É o momento em que se passa da projeção da inocência à inata maldade do selvagem.

   Esse debate — que opunha o modelo igualitário da Ilustração às doutrinas raciais — faz parte, no entanto, de um problema mais remoto, sobre as origens da humanidade.

    De um lado, a visão monogenista, dominante até meados do século XIX; de outro, a partir de então, a hipótese poligenista, que se transformava em uma alternativa plausível. Partiam os seus autores da crença na existência de vários centros de criação, que corresponderiam, por sua vez, às diferenças raciais observadas.

Lilia Moritz Schwarcz. O espetáculo das raças. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 45-48 (com adaptações).

Em relação aos sentidos do texto III, julgue (C ou E) o item a seguir.


Entende-se da leitura do segundo e do terceiro parágrafos que o sentido dado pela autora ao termo “alteridade” é o de distinção entre a humanidade resultante da “experiência ocidental” e da ‘evolução social’ e os outros, caracterizados como o ‘bom selvagem’ e os ‘novos homens’.


Alternativas
Q3104953 Português
Texto III


    Afinal, os homens nascem iguais, apenas sem uma definição completa da natureza.

  Em Rousseau, por exemplo, com a noção do “bom selvagem”, essa ideia estará absolutamente presente.

   A alteridade desses “novos homens” transformada em modelo lógico se contrapunha à experiência ocidental. Como concluía Rousseau sobre a origem da desigualdade entre os homens, “se há uma bondade original da natureza humana, a evolução social corrompeu-a”.

  O famoso filósofo da Ilustração encontrava um modelo ideal nesse “outro” tão distante do “nós, ocidentais”, e o elegia como moralmente superior. No entanto, ao conformar esse quadro antitético, Rousseau de certa forma se afastava da Ilustração, já que refletia sobre um progresso às avessas.

   Mas, se a visão idílica de Rousseau foi a mais fecunda, é impossível deixar de falar das vertentes mais negativas de interpretação. As imagens que detratam o Novo Mundo se intensificaram, simetricamente correspondentes ao maior conhecimento e colonização desses novos territórios. É o momento em que se passa da projeção da inocência à inata maldade do selvagem.

   Esse debate — que opunha o modelo igualitário da Ilustração às doutrinas raciais — faz parte, no entanto, de um problema mais remoto, sobre as origens da humanidade.

    De um lado, a visão monogenista, dominante até meados do século XIX; de outro, a partir de então, a hipótese poligenista, que se transformava em uma alternativa plausível. Partiam os seus autores da crença na existência de vários centros de criação, que corresponderiam, por sua vez, às diferenças raciais observadas.

Lilia Moritz Schwarcz. O espetáculo das raças. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 45-48 (com adaptações).

Em relação aos sentidos do texto III, julgue (C ou E) o item a seguir.



No segundo período do quinto parágrafo, o advérbio “simetricamente” transmite a ideia de que, quanto maior o conhecimento sobre os povos colonizados, mais se confirma a tese do bom selvagem.

Alternativas
Q3104952 Português
Texto III


    Afinal, os homens nascem iguais, apenas sem uma definição completa da natureza.

  Em Rousseau, por exemplo, com a noção do “bom selvagem”, essa ideia estará absolutamente presente.

   A alteridade desses “novos homens” transformada em modelo lógico se contrapunha à experiência ocidental. Como concluía Rousseau sobre a origem da desigualdade entre os homens, “se há uma bondade original da natureza humana, a evolução social corrompeu-a”.

  O famoso filósofo da Ilustração encontrava um modelo ideal nesse “outro” tão distante do “nós, ocidentais”, e o elegia como moralmente superior. No entanto, ao conformar esse quadro antitético, Rousseau de certa forma se afastava da Ilustração, já que refletia sobre um progresso às avessas.

   Mas, se a visão idílica de Rousseau foi a mais fecunda, é impossível deixar de falar das vertentes mais negativas de interpretação. As imagens que detratam o Novo Mundo se intensificaram, simetricamente correspondentes ao maior conhecimento e colonização desses novos territórios. É o momento em que se passa da projeção da inocência à inata maldade do selvagem.

   Esse debate — que opunha o modelo igualitário da Ilustração às doutrinas raciais — faz parte, no entanto, de um problema mais remoto, sobre as origens da humanidade.

    De um lado, a visão monogenista, dominante até meados do século XIX; de outro, a partir de então, a hipótese poligenista, que se transformava em uma alternativa plausível. Partiam os seus autores da crença na existência de vários centros de criação, que corresponderiam, por sua vez, às diferenças raciais observadas.

Lilia Moritz Schwarcz. O espetáculo das raças. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 45-48 (com adaptações).

Em relação aos sentidos do texto III, julgue (C ou E) o item a seguir.


No quarto parágrafo, o segmento “conformar esse quadro antitético” pode ser entendido como contextualizar, de forma contrária à visão do Iluminismo, a natureza humana. 

Alternativas
Q3104949 Português
Texto II

   Um senhor que conheci fez-se uma celebridade em astronomia, com auxílio dos saraus que lhe eram oferecidos pelos amigos (...). E tudo isso com mais uns amigos dedicados a lhe oferecer bailes, por ocasião das suas portentosas descobertas nos céus ignotos, levaram o governo da Bruzundanga a nomeá-lo diretor (...).

   Para obviar tais inconvenientes, houve alguém que teve a ideia de “canalizar”, de “disciplinar” o entusiasmo do povo bruzundanguense, entusiasmo tão necessário às manifestações que lá há constantemente, e tão indispensáveis são ao fabrico de grandes homens que dirijam os destinos da grande e formosa República (...).

Lima Barreto. Os bruzundangas. Brasília: Editora Universidade de Brasília, Coleção Biblioteca Básica Brasileira, 2023, p. 106 (com adaptações).



No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto II, julgue (C ou E) o item seguinte.


No segmento “nos céus ignotos” (segundo período do primeiro parágrafo), para expressar a natureza desconhecida do firmamento, o narrador atribui aos “céus” uma qualidade intrinsecamente humana.


Alternativas
Q3104948 Português
Texto II

   Um senhor que conheci fez-se uma celebridade em astronomia, com auxílio dos saraus que lhe eram oferecidos pelos amigos (...). E tudo isso com mais uns amigos dedicados a lhe oferecer bailes, por ocasião das suas portentosas descobertas nos céus ignotos, levaram o governo da Bruzundanga a nomeá-lo diretor (...).

   Para obviar tais inconvenientes, houve alguém que teve a ideia de “canalizar”, de “disciplinar” o entusiasmo do povo bruzundanguense, entusiasmo tão necessário às manifestações que lá há constantemente, e tão indispensáveis são ao fabrico de grandes homens que dirijam os destinos da grande e formosa República (...).

Lima Barreto. Os bruzundangas. Brasília: Editora Universidade de Brasília, Coleção Biblioteca Básica Brasileira, 2023, p. 106 (com adaptações).



No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto II, julgue (C ou E) o item seguinte.


No segundo parágrafo, o autor assinala que alguém teve “a ideia de ‘canalizar’, de ‘disciplinar’ o entusiasmo do povo bruzundanguense” com a finalidade de tornar óbvios os inconvenientes da prática de bailes e saraus para fabricar os “grandes homens” da República.

Alternativas
Q3104947 Português
Texto I


     (...) as nações latinas do Novo Mundo não se podem queixar de deslembradas. Cada incidente, ainda sem grande relevo, encontra repercussão na imprensa europeia. Não aparecem, é verdade, nenhuns desses longos estudos, circunstanciados e sábios, onde os mestres em assuntos internacionais dizem o que sabem sobre a história política, social e econômica do país de que se ocupam, para daí deduzirem os seus juízos. Não; como de costume, sempre que se trata das repúblicas latino-americanas, os doutores e publicistas da política mundial se limitam a lavrar sentenças — invariáveis e condenatórias. Como variantes dessas sentenças, eles se limitam a ditar, de tempos em tempos, uns tantos conselhos axiomáticos.

Manoel Bomfim. América Latina: males de origem. Brasília: Editora Universidade de Brasília, p. 24 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto I, julgue (C ou E) o item a seguir. 


Segundo o autor do texto, cada incidente ocorrido na América Latina é objeto de estudos aprofundados destinados a lavrar sentenças condenatórias.


Alternativas
Q3104946 Português
Texto I


     (...) as nações latinas do Novo Mundo não se podem queixar de deslembradas. Cada incidente, ainda sem grande relevo, encontra repercussão na imprensa europeia. Não aparecem, é verdade, nenhuns desses longos estudos, circunstanciados e sábios, onde os mestres em assuntos internacionais dizem o que sabem sobre a história política, social e econômica do país de que se ocupam, para daí deduzirem os seus juízos. Não; como de costume, sempre que se trata das repúblicas latino-americanas, os doutores e publicistas da política mundial se limitam a lavrar sentenças — invariáveis e condenatórias. Como variantes dessas sentenças, eles se limitam a ditar, de tempos em tempos, uns tantos conselhos axiomáticos.

Manoel Bomfim. América Latina: males de origem. Brasília: Editora Universidade de Brasília, p. 24 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto I, julgue (C ou E) o item a seguir. 


Infere-se do texto que as nações latino-americanas não são lembradas pela imprensa europeia, ou, quando o são, servem, no máximo, como objeto de críticas, de “sentenças condenatórias”.


Alternativas
Q3104945 Português
Texto I


     (...) as nações latinas do Novo Mundo não se podem queixar de deslembradas. Cada incidente, ainda sem grande relevo, encontra repercussão na imprensa europeia. Não aparecem, é verdade, nenhuns desses longos estudos, circunstanciados e sábios, onde os mestres em assuntos internacionais dizem o que sabem sobre a história política, social e econômica do país de que se ocupam, para daí deduzirem os seus juízos. Não; como de costume, sempre que se trata das repúblicas latino-americanas, os doutores e publicistas da política mundial se limitam a lavrar sentenças — invariáveis e condenatórias. Como variantes dessas sentenças, eles se limitam a ditar, de tempos em tempos, uns tantos conselhos axiomáticos.

Manoel Bomfim. América Latina: males de origem. Brasília: Editora Universidade de Brasília, p. 24 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto I, julgue (C ou E) o item a seguir. 


Na construção argumentativa do texto, o autor faz uma pausa retórica mediante o emprego do “Não” (quarto período), para relativizar sua oposição ao conteúdo do período imediatamente anterior, e repete, nos dois últimos períodos, a expressão “se limitam” com o propósito de reforçar sua crítica à visão eurocêntrica, por ele considerada superficial e pretensamente superior. 


Alternativas
Q3104944 Português
Texto I


     (...) as nações latinas do Novo Mundo não se podem queixar de deslembradas. Cada incidente, ainda sem grande relevo, encontra repercussão na imprensa europeia. Não aparecem, é verdade, nenhuns desses longos estudos, circunstanciados e sábios, onde os mestres em assuntos internacionais dizem o que sabem sobre a história política, social e econômica do país de que se ocupam, para daí deduzirem os seus juízos. Não; como de costume, sempre que se trata das repúblicas latino-americanas, os doutores e publicistas da política mundial se limitam a lavrar sentenças — invariáveis e condenatórias. Como variantes dessas sentenças, eles se limitam a ditar, de tempos em tempos, uns tantos conselhos axiomáticos.

Manoel Bomfim. América Latina: males de origem. Brasília: Editora Universidade de Brasília, p. 24 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto I, julgue (C ou E) o item a seguir. 


No terceiro período do texto, o termo “circunstanciados” se refere às condicionantes da produção do conhecimento científico da época, ou às circunstâncias da epistemologia vigente. 

Alternativas
Q3104907 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Levanta o braço

Ela teve um dia muito agitado na firma. Foram muitos contatos, vendas, contratos, cobranças... Enfim, ela havia pulado mais que pipoca em óleo quente.

Quando chegou em casa, foi direto dar banho nos garotinhos. Em um determinado momento, ela falou para um dos meninos, que, como qualquer criança da idade dele, só queria brincar embaixo do chuveiro:

− Lucas! Para quieto! Eu quero dar banho em você. Vamos, meu filho, ajuda a mamãe! Eu ainda tenho que fazer a janta. Levanta o braço para eu lavar o escritório.

O garotinho parou de brincar, olhou para a mãe e perguntou:

− Lavar o quê, mãe?


Edilson Rodrigues Silva - Texto adaptado

https://tudoportugues.com/cronicas-curtas-para-sala-de-aula/#google_v ignette
Com base na leitura e interpretação do texto, assinale a alternativa que descreve corretamente o elemento de humor presente no diálogo entre a mãe e o filho:
Alternativas
Q3104515 Português
Leia e interprete os textos a seguir, para responder à questão:

TEXTO 1:

Os bombardeamentos de Israel à Faixa de Gaza já custaram a vida de 1.524 crianças e mais de 600 ainda estão sob os escombros. Muitas delas morreram durante o ataque ao hospital de Gaza, esta terça-feira, no qual um total de 500 palestinos perderam a vida. Para compreender a magnitude do massacre: são 117 crianças assassinadas por dia ou uma criança palestina assassinada a cada 12 minutos. No total, pelo menos 3.785 palestinos foram mortos e mais de 12.493 ficaram feridos pelos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde da Palestina. O cenário piora considerando que Israel também bombardeia centros de refugiados, escolas da organização de refugiados da ONU, hospitais, mesquitas, casas e edifícios residenciais. Em todos eles há civis palestinos e muitas crianças. Esta política criminosa e genocida é apoiada pelos EUA e pelas principais potências europeias, que também procuram proibir e reprimir manifestações de apoio ao povo palestino nos seus próprios países.

(Trecho adaptado do artigo "As crianças e o genocídio na Palestina", de 21/10/2023. Fonte: jornalistaslivres.org)


TEXTO 2:

De acordo com profissionais humanitários da ONU, bombardeios israelenses em Gaza continuaram na segunda-feira, bem como o lançamento de foguetes contra Israel por grupos armados palestinos. Dados das autoridades de saúde de Gaza indicam que mais de 25 mil pessoas morreram no enclave desde o início da guerra, em 7 de outubro. A quantidade de palestinos feridos é de 62.681; desde o início do conflito, 193 soldados israelenses morreram e 1.203 ficaram feridos; ministros de ambos os lados realizam encontros separados com a União Europeia nesta segunda-feira. Durante o fim de semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou o seu apoio a uma solução de dois Estados para israelenses e palestinos, afirmando que "a negação do direito à condição de Estado ao povo palestino prolongaria indefinidamente um conflito que se tornou uma grande ameaça à paz e à segurança globais, exacerbaria a polarização e encorajaria extremistas em todos os lugares".

(Trecho adaptado da reportagem "Número de civis mortos em Gaza passa de 25 mil", de 22/01/2024. Fonte: news.un.org)
Indique a alternativa incorreta:
Alternativas
Q3104514 Português
Leia e interprete os textos a seguir, para responder à questão:

TEXTO 1:

Os bombardeamentos de Israel à Faixa de Gaza já custaram a vida de 1.524 crianças e mais de 600 ainda estão sob os escombros. Muitas delas morreram durante o ataque ao hospital de Gaza, esta terça-feira, no qual um total de 500 palestinos perderam a vida. Para compreender a magnitude do massacre: são 117 crianças assassinadas por dia ou uma criança palestina assassinada a cada 12 minutos. No total, pelo menos 3.785 palestinos foram mortos e mais de 12.493 ficaram feridos pelos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde da Palestina. O cenário piora considerando que Israel também bombardeia centros de refugiados, escolas da organização de refugiados da ONU, hospitais, mesquitas, casas e edifícios residenciais. Em todos eles há civis palestinos e muitas crianças. Esta política criminosa e genocida é apoiada pelos EUA e pelas principais potências europeias, que também procuram proibir e reprimir manifestações de apoio ao povo palestino nos seus próprios países.

(Trecho adaptado do artigo "As crianças e o genocídio na Palestina", de 21/10/2023. Fonte: jornalistaslivres.org)


TEXTO 2:

De acordo com profissionais humanitários da ONU, bombardeios israelenses em Gaza continuaram na segunda-feira, bem como o lançamento de foguetes contra Israel por grupos armados palestinos. Dados das autoridades de saúde de Gaza indicam que mais de 25 mil pessoas morreram no enclave desde o início da guerra, em 7 de outubro. A quantidade de palestinos feridos é de 62.681; desde o início do conflito, 193 soldados israelenses morreram e 1.203 ficaram feridos; ministros de ambos os lados realizam encontros separados com a União Europeia nesta segunda-feira. Durante o fim de semana, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou o seu apoio a uma solução de dois Estados para israelenses e palestinos, afirmando que "a negação do direito à condição de Estado ao povo palestino prolongaria indefinidamente um conflito que se tornou uma grande ameaça à paz e à segurança globais, exacerbaria a polarização e encorajaria extremistas em todos os lugares".

(Trecho adaptado da reportagem "Número de civis mortos em Gaza passa de 25 mil", de 22/01/2024. Fonte: news.un.org)
Indique a alternativa correta:
Alternativas
Q3104485 Português
Leia e interprete o texto a seguir, para responder à questão:

Um escritor, um literato, apresenta ao público, ou dá publicidade a uma obra; até que ponto um crítico tem o direito de, a pretexto de crítica, injuriá-lo? Um crítico não tem absolutamente direito de injuriar o escritor a quem julgar. Não se pode compreender no nosso tempo, em que as coisas do pensamento são mostradas como as mais meritórias, que um cidadão mereça injúrias, só porque publicou um livro. Seja o livro bom ou mau. Os maus livros fazem os bons, e um crítico sagaz não deve ignorar tão fecundo princípio. Ao olhar do sábio, o vício e a virtude são uma mesma coisa, e ambos necessários à harmonia final da vida; ao olhar do crítico filósofo, os bons e maus livros se completam e são indispensáveis à formação de uma literatura.

(Lima Barreto - trecho do livro "Diário íntimo". Fonte: dominiopublico.gov.br)
Na frase "Os maus livros fazem os bons", qual palavra das alternativas a seguir está subentendida, completando o sentido de "bons"?
Alternativas
Q3104484 Português
Leia e interprete o texto a seguir, para responder à questão:

Um escritor, um literato, apresenta ao público, ou dá publicidade a uma obra; até que ponto um crítico tem o direito de, a pretexto de crítica, injuriá-lo? Um crítico não tem absolutamente direito de injuriar o escritor a quem julgar. Não se pode compreender no nosso tempo, em que as coisas do pensamento são mostradas como as mais meritórias, que um cidadão mereça injúrias, só porque publicou um livro. Seja o livro bom ou mau. Os maus livros fazem os bons, e um crítico sagaz não deve ignorar tão fecundo princípio. Ao olhar do sábio, o vício e a virtude são uma mesma coisa, e ambos necessários à harmonia final da vida; ao olhar do crítico filósofo, os bons e maus livros se completam e são indispensáveis à formação de uma literatura.

(Lima Barreto - trecho do livro "Diário íntimo". Fonte: dominiopublico.gov.br)
De acordo com o trecho analisado, nota-se que o narrador:
Alternativas
Q3104414 Português
Francês 'de verdade'?
‘Egalité’, ou a igualdade, continua sendo um conceito lindo, mas precisa ser posto em prática

(Luana Génot)


    O que é ser francês “de verdade”? A pergunta ressoa com intensidade especial em 2024, enquanto Paris sedia os Jogos Olímpicos. A Cerimônia de Abertura foi memorável, marcada pela presença feminina equivalente à masculina e elementos simbólicos que reforçaram a imagem de uma França diversa.

    Um dos momentos mais icônicos foi quando Axelle Saint-Cirel, uma cantora lírica negra, entoou “La Marseillaise”, o hino francês no alto do Grand Palais. A luta pela inclusão parece mais uma maratona do que uma prova de 100 metros. No entanto, há vitórias, ao longo do caminho, que precisamos celebrar, como a performance da Aya Nakamura. A escolha da cantora francesa foi política e acertada.

    Ela, que nasceu na França, foi atacada por não ser considerada “francesa de verdade”, devido a cor de pele e a origem maliana (sic). É questionada até mesmo pela linguagem das suas letras, incluindo a do hit “Djadja”, que usaria palavras que não seriam “francesas de verdade”. Isso evidencia a necessidade urgente de políticas públicas para ajudar a evitar a categorização de pessoas. Lembrando que, na França atual, sequer existe a possibilidade de declarar raça e etnia nos levantamentos demográficos, apenas gênero.

    Logo, os números e políticas públicas sobre inclusão ficam fragilizados. “Egalité”, ou a igualdade, continua sendo um conceito lindo, mas precisa ser posto em prática. Durante a Olimpíada, também vimos a reação do público a comportamentos racistas e transfóbicos. Os argentinos foram vaiados em diversas partidas, reflexo do comportamento observado na Copa América. O grito de deboche dos argentinos naquele contexto fazia referência à ascendência dos jogadores franceses, muitos deles, filhos de imigrantes. Além disso, atacavam o suposto relacionamento do jogador Kylian Mbappé com uma mulher trans.

    Outro ponto alto da Cerimônia foi ver outros que não nasceram na França e tiveram uma recepção calorosa, como Rafael Nadal e Céline Dion. A cantora canadense brilhou cantando o hino do amor de Edith Piaf e o tenista espanhol carregou a tocha, bem como outra lenda do tênis, a estadunidense Serena Williams. Isso mostra que é possível ser acolhedor; só precisamos expandir nossos limites sobre quem é considerado como parte da comunidade. É comum deduzir “franceses de verdade” com base no nome, sobrenome ou cor da pele. Se um motorista de aplicativo, por exemplo, não é visto como branco, é classificado como “árabe” ou “africano”, e, portanto, “menos francês”.
 
    A Olimpíada 2024 é uma oportunidade para refletirmos sobre conceitos como nação, cidadania, pertencimento e como construir um futuro mais acolhedor. A reflexão cabe também para o Brasil. No caso da França, para que realmente se torne um exemplo de inclusão, é essencial que elementos que simbolizem a diversidade não sejam apenas exibidos, mas que novas políticas públicas sejam implementadas para apoiar práticas de igualdade, liberdade e fraternidade. Somente assim poderemos garantir, de algum modo, que todos, independentemente de sua origem, cor da pele, religião ou identidade de gênero sejam reconhecidos e respeitados como franceses “de verdade”.


(Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luanagenot/coluna/2024/08/frances-de-verdade.ghtml. Acesso em 04 de agosto de 2024)
A estrutura do texto permite ao leitor apreender o caráter opinativo apresentado. Nesse sentido, nota-se na conclusão que as propostas apresentadas assumem um valor predominantemente:
Alternativas
Respostas
4461: E
4462: E
4463: C
4464: C
4465: E
4466: C
4467: E
4468: C
4469: E
4470: E
4471: E
4472: E
4473: E
4474: E
4475: B
4476: B
4477: D
4478: D
4479: A
4480: C